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A FUNÇÃO
PASTORAL NO CONTEXTO BÍBLICO
A função pastoral, sob o ponto de vista bíblico,
é exercida pela característica marcante de Cristo:
o Amor. O apóstolo Pedro delineou essa característica
em sua epístola ao descrever no termo imperativo a
função pastoral: “apascentai
o rebanho de Deus que está entre vós, tendo
cuidado dele, não por força, mas voluntariamente;
nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem
como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas
servindo de exemplo ao rebanho”.
A Escritura Sagrada quando descreve a função
pastoral também enfatiza a possibilidade do
Ministro desempenhar a função pastoral numa
perspectiva oposta a de Cristo.
O texto bíblico, para descrever a oposição a
Cristo na função pastoral, cunha um termo
carregado de significações em relação a um
animal universalmente conhecido no Oriente (rejeição,
desprezo, impuro, odiado, etc...): o Cão [sig. gr.
kyon]. No sentido metafórico, o termo aparece nos
seguintes textos (a conotação é de impureza moral
na função pastoral):
Is 56.10-12: “Todos
os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães
mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão
deitados e amam o tosquenejar. E estes cães
são gulosos, não se podem fartar; e eles são
pastores que nada compreendem; todos eles se tornam
para o seu caminho, cada um para a sua ganância,
cada um por sua parte. Vinde, dizem eles, traremos
vinho e beberemos bebida forte; e o dia de amanhã
será como este e ainda maior e mais famoso”.
Fp 3.2: “Guardai-vos
dos cães, guardai-vos dos maus
obreiros, guardai-vos da circuncisão!”.
No texto de Apocalipse o Senhor Jesus demonstra a
equiparação de feiticeiro, homicida, mentiroso, idólatra
e a prostituição à categoria de Cães:
Ap 22.15: “Ficarão
de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e
os idólatras, e qualquer que ama e comete a
mentira”.
O texto de Isaías enfatiza que a classe que
liderava o povo estava vivendo uma profunda crise de
moralidade. Em Filipenses os falsos obreiros não se
contentavam com o absoluto Evangelho da Graça. E em
Apocalipse o Senhor Jesus sentencia os que se
encontram nessas características.
Os textos acima denotam o perigo que se encontram os
líderes que perdem o foco de seu ministério, ao
invés de gastarem suas vidas apascentando as
ovelhas, gastam-na enriquecendo-se da “lã”,
da “gordura”
e de todas as “vantagens”
que as ovelhas podem proporcionar ao seu ministério.
Embasado no ensino apostólico de Pedro, John
Macarthur, Jr. na obra “Ministério
Pastoral, alcançando a excelência no
ministério cristão” [Rio de Janeiro, CPAD, 2004,
p.47] exorta duas características que o Pastor não
deve ter: Má Vontade e Torpe Ganância. O pastor
deve evitar o trabalho de má vontade. O exercício
do pastorado deve ser voluntário, espontâneo e
consciente. A preguiça está ligada à má vontade,
onde o pastor sofre a tentação de deixar-se levar
em seu ministério para fazer somente aquilo que se
sentir pressionado a fazer. Sobre a outra característica
John Macarthur Jr aconselha:
“[...]
evitar a obra
do ministério por torpe ganância [grifo
nosso]: “De ninguém cobicei a prata, nem o ouro,
nem a veste”, afirmou Paulo aos presbíteros de efésios
(At 20.33). “Ninguém pode servir a dois
senhores”, declarou Jesus, “porque ou há de
odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e
desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a
Mamom” (Mt 6.24). Isso é verdadeiro com relação
aos pastores, dos quais Deus exige que não sejam
cobiçosos de torpe ganância (1 Tm 3.3). São os
falsos profetas que se empenham na busca frenética
do lucro monetário ( veja Is 56.11; Jr 6.13; Mq
3.11; 2 Pe 2.3).
[...] O errado é permitir que o lucro financeiro
seja a motivação para o ministério. Isso produz não
apenas líderes falsos e ineficientes, como
também degrada o ministério aos olhos do mundo [grifo
nosso]. [...] O homem humilde, dedicado ao pastoreio
das almas que Deus confiou aos seus cuidados, alcançará
a incorruptível coroa de glória quando aparecer o
Sumo Pastor (1 Pe 5.4)”.
O contexto atual que cerca o exercício do ministério
pastoral urge que os pastores sejam homens
desinteressados do lucro, da fama, do poder, do status quo, do espetáculo, mas estejam devidamente interessados
nas pessoas e na proclamação do evangelho no
mundo, a fim de que a mensagem seja acompanhada com
a devida ação do Espírito e o propósito sincero
de representar o interesse de Cristo em todas as
esferas do seu ministério.
Reflexão: “e,
por avareza, farão de vós negócio com palavras
fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será
tardia a sentença, e a sua perdição não dormita”
(2Pe 2.3).
Referência Bibliográfica
MACARTHUR JR, John. Ministério
Pastoral, Alcançando a Excelência no Ministério
Cristão. Rio de Janeiro, CPAD, 2004. |