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Leitura
Bíblica em Classe
1
Coríntios 12.1-11
Introdução:
I.
O que são os dons espirituais
II.
A atualidade dos dons espirituais
III.
Objetivos dos dons espirituais
IV.
Os dons de manifestação verbal
V.
Os dons de saber
VI.
Os dons de poder
Conclusão:
Palavras-chave: Dons
espirituais, amor, fervor espiritual.
“Uma
Igreja Paradoxal"
Paulo
abre a carta fazendo menção da riqueza carismática que
possui a igreja de Corinto (1 Co 1.5-7), reconhecendo o fato
de repousar sobre ela a totalidade dos dons espirituais.
É
interessante observar o que ele tem em mente logo no início
da epístola, comparado ao que diz depois. As notícias sobre
as condições espirituais e morais da igreja em Corinto
chegaram aos seus ouvidos pelos membros da família de Cloé
(1 Co 1.11), e não eram nada boas.
O
exemplo de Corinto corrobora a pergunta que muitos fazem: Como
é possível pessoas revestidas do poder de Deus dar um
testemunho tão escandaloso?
Para
responder a essa questão intrigante, o apóstolo Paulo
trabalha cuidadosa e sabiamente o dualismo entre fervor e
espiritualidade, deixando claro que um pode subsistir sem o
outro, exortando os crentes à prática do segundo, bem como a
subordinação do primeiro a esta.
É
possível ser fervoroso e ao mesmo tempo carnal, mas jamais
alguém será espiritual sem deixar de ser carnal. [...]
Os
dons espirituais em Corinto não estavam trazendo a devida
edificação espiritual, posto que sua prática recaía mais
sobre o deleite e a competição do que em atender aos seus
propósitos originais.
A
experiência tem-nos sido altamente didática em distinguir as
características peculiares tanto do fervor quanto da
espiritualidade. Como sugere a própria palavra, o fervor
descreve uma devoção calorosa, extrovertida e bem típica
das reuniões carismáticas (ou pentecostais) em que se ouve línguas
estranhas e profecias, e as orações são livres, unânimes e
em alta voz. Por sua vez, a espiritualidade descreve a
conformação do crente com a natureza divina, em que ganha
cada vez mais afinidade com o pensar, o sentir e o agir de
Cristo.
O
apóstolo Paulo aconselha: “Sede fervorosos no espírito”
(Rm 12.11). O fervor cabe muito bem dentro da espiritualidade,
e feliz é o crente fervoroso. Se todavia não cultivar o
progresso da sua espiritualidade, seu fervor poderá tornar-se
mecânico, emocionalista, habitual e subseqüentemente carnal.
Este
é o crente que no ambiente do culto se sobressai pela eloqüência
de sua devoção, mas em casa é iracundo; no relacionamento
com os outros, mostra-se egoísta, intolerante, agressivo,
maledicente; e nos negócios, desonesto. Um crente espiritual
jamais procederá assim.
O
desenvolvimento do fervor é favorecido e agilizado num
ambiente onde se dá vazão a ele, enquanto que a
espiritualidade é um estado de vida cujo cultivo se dá a
longo prazo. É paulatino. Seus métodos são a Palavra, a oração,
o quebrantamento, as transformações de ‘fé em fé’ e de
‘glória em glória’. Lutas, provas, tribulações, lágrimas
e sofrimentos fazem parte do seu conteúdo. O fervor pode ser
transitório, mas a espiritualidade é duradoura. Ser
espiritual é construir a casa sobre a rocha (Mt 7.24,25), é
brilhar: ‘Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora
que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv
4.18); é galgar maturidade na fé e ter discernimento para
‘entender tudo’ (1 Co 2.15).
As
implicações da espiritualidade são amplas e profundas, pois
nelas a luz e as trevas, a justiça e o pecado, o profano e o
sagrado se distinguem radical e decisivamente sem que qualquer
senão. [...]
A
ênfase aos dons cegava-os para o exercício da plena
espiritualidade. Essa falta de equilíbrio sempre resulta em
prejuízo para muitas Igrejas. Quantas delas se têm valido,
por exemplo, do dom da profecia para imprimir culpa às
pessoas! O assim chamado profeta emite um ar sobre-humano,
provocando temor e respeito exacerbado à sua figura, no afã
de merecer tratamento especial e às vezes até sobrenatural.
Cria um ar cabalístico, misterioso e, quando percebe que está
apto para dominar o ambiente pela intimidação, passa a
controlar a vida da igreja em detrimento da figura do pastor
e, sobretudo, da Palavra de Deus.
Pior
ainda é quando em tais igrejas surgem os profetas
competidores, que desdizem a palavra dos seus rivais. Estou
exagerando? É lamentável, mas vivemos dias corintianos!
Profecias produzidas pela vontade da carne tornam-se em
instrumentos de manipulação legalista, intimidando,
condenando e até neurotizando alguns. Esse tipo de fervor não
passa de um ‘bombeiro’ apto para apagar a chama do
amor.” (Conhecidos pelo amor, CPAD, pp.37-40).
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