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Leitura
Bíblica em Classe
Salmos
119.89-99
Introdução
I. Conceituação teológica de inerrância
II. Razões pelas quais a Bíblia é inerrante
III. O cumprimento da Bíblia demonstra sua inerrância
VI. Os manuscritos bíblicos
Conclusão
Autor:Elinaldo
Renovato de Limas - comentarista
das lições bíblicas do 4º trimestre de 2008.
"E
disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha
palavra para a cumprir" (Jr 1.12).
A
Bíblia, em sua essência, é a Palavra de Deus; não contém
erros de qualquer natureza, graças à sua plena inspiração,
sob supervisão do Espírito Santo. Essa é uma declaração
irrefutável. Não pode ser posta em dúvida. Os descrentes
querem, a todo o custo, apontar erros nos textos bíblicos. No
entanto, como se trata de um Livro de natureza espiritual,
inspirado por Deus, não pode conter erros, em seu conteúdo.
Pode haver falhas nas traduções, nas interpretações ou na
sua apresentação gramatical, visto que, tendo sido escrita
em linguagem antiga, no hebraico e no grego, além de expressões
breves no aramaico, é possível observar-se algumas falhas em
termos de grafia ou de tradução.
Porém,
as possíveis falhas, ou dificuldades de tradução, ou de
interpretação, jamais podem ser consideradas como
indicativas de erro na mensagem bíblica. Menos de 1% dos
“erros” encontrados nos manuscritos, são falhas na
transmissão da mensagem, e não afetam a integridade da
Palavra de Deus. Deus disse a Jeremias: “Viste bem; porque
eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12b).
Nos primórdios da reunião dos livros da Bíblia, houve um
processo meticuloso, em termos de seleção das fontes
originais, ou dos autógrafos, que deram origem aos textos da
Bíblia. Assim, podemos afirmar com toda a segurança que,
quando em conformidade com os manuscritos originais, a Bíblia
não tem erros em seus textos.
De
maneira especial, Deus transmitiu sua vontade aos homens. E o
fez através da mensagem escrita, para que ninguém pudesse
alegar possíveis falhas, que poderiam ocorrer na transmissão
oral, ao longo dos séculos. E, nesse processo de transmissão
escrita, de modo inspirado, a Bíblia merece toda
confiabilidade e reconhecimento de sua veracidade. Ela é
inerrante, ou seja, não contém erros em seu conteúdo, em
suas mensagens, em seus propósitos.
Certo
escritor, em sua vaidade, resolveu ler a Bíblia, com o
objetivo de mostrar que ela estaria eivada de erros e contradições.
Seria para ele o ápice de sua sabedoria humana. No entanto,
após folhear e ler a Bíblia, acabou verificando que, em vez
de descobrir os erros em suas páginas, estas sim, abriram-se
qual espelho da alma e mostraram seus erros e pecados. As
palavras escritas, mesmo na Bíblia, podem sofrer alguma
alteração lingüística, a ponto de apresentar possíveis
distorções ou discrepâncias. Mas a Bíblia, enquanto
Palavra de Deus, como “espírito e vida” (Jo 6.63), não
contém qualquer erro ou falha.
Em
lugar de conter erros em sua mensagem fundamental, da parte de
Deus para o homem, a Bíblia se constitui num código de fé,
ética e prática, indispensáveis ao ordenamento da vida
humana, tanto em termos espirituais, pessoais, como sociais,
familiares, profissionais, de conduta, e em todos os aspectos.
Diz o salmista: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e
luz, para o meu caminho” (Sl 119.105).
I
– REQUISITO INDISPENSÁVEL DA INERRÂNCIA BÍBLICA
1.
CONCEITUAÇÃO
Inerrância
é a qualidade de quem é inerrante, ou que não comete erros.
“Que não pode errar; infalível”.1 As
mensagens dos homens, em toda a História, têm sido
criticadas, e até desprezadas, por se constatarem falhas ou
erros em seu conteúdo. Tais mensagens não podem reivindicar
inerrância. Até mesmo as ciências, fundamentadas em dados e
informações, obtidas a partir de pesquisas, e evidências
empíricas, têm suas falhas ou erros. Mas a Palavra de Deus,
consubstanciada na Bíblia Sagrada, não pode conter erros, ou
seja, ela é inerrante.
2.
INERRÂNCIA E INFALIBILIDADE
O
conceito de inerrância bíblica está associado ao conceito
de infalibilidade. A Bíblia não contém erros. Como é a
Palavra de Deus, Ela é infalível. Diz Pedro: “Secou-se a
erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece
para sempre” (1 Pe 1.24b,25a). O verbo permanecer, no texto,
tem o sentido de não se abalar, não mudar, não sofrer
alteração. A Bíblia não é como a falsa teoria da evolução.
Esta fundamenta-se nas premissas falsas e equivocadas, do
naturalista Darwin.
No
livro “Origem das Espécies”, do materialista Charles
Darwin, como vimos em capítulo anterior, há expressões de dúvida,
a ponto de o seu autor dizer “se a minha teoria estiver
certa [...]; talvez; pode ter havido [...]” São expressões
que revelam dúvida, incerteza, no domínio das hipóteses,
que são aceitas, infelizmente, sem questionamento sério. Na
Bíblia, no entanto, não encontramos qualquer expressão de dúvida,
incerteza, ou insegurança, por parte do seu autor ¾ Deus. O Livro Sagrado já começa com a expressão
“No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1).
A
infalibilidade da Bíblia decorre do fato de ser um livro de
origem divina, pela inspiração e revelação do Espírito
Santo; e por ser um livro cuja mensagem, em termos de história,
profecia, e escatologia, têm a supervisão divina. Diz a
Palavra: “E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo
sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12). A Bíblia
é infalível porque é Deus quem garante sua veracidade e
cumprimento. Deus vela por Ela. Ainda que, por permissão do
próprio Deus, há tantos adversários da Bíblia, o Senhor
vela para que a mensagem bíblica se cumpra de modo cabal e
perfeito. Deus, Soberano do universo, tem o pleno controle dos
fatos e dos homens, de tal forma que, queiram ou não, os
acontecimentos confirmam as afirmações e previsões,
constantes da Bíblia. A inerrância é condição indispensável
para que a Bíblia seja infalível.
Para
o homem herege, ateu, materialista, tais razões não fazem
sentido. E isso é natural. A Bíblia acentua a incapacidade
de o homem natural não absorver a mensagem de Deus. Diz
Paulo: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode
entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1
Co 2.14). Para o homem espiritual, no entanto, a Bíblia é
objeto do seu amor e reflexão. “Oh! Quanto amo a tua lei!
É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97)
II
– RAZÕES DE SUA INERRÂNCIA
1.
SUA AUTORIA DIVINA
Não
se pode avaliar a quantidade de livros, revistas, jornais,
artigos e matérias, escritos pelo homem, ao longo da História,
desde que surgiu a imprensa, no Século XVI. Milhões de
autores e escritores têm expressado seus pensamentos. Diz a Bíblia:
“E, de mais disso, filho meu, atenta: não há limite para
fazer livros, e o muito estudar enfado é da carne” (Ec
12.12). Mas os autores humanos são sempre falhos.
Porém,
o autor espiritual da Bíblia, que é Deus, jamais falhou. Diz
a Palavra: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de
homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o
faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.19) No meio
dos milhões de textos, escritos pelo homem, há verdades e
mentiras; há mistificações, enganos, equívocos e até
distorções propositais da verdade, pela manipulação dos
fatos e das idéias. No entanto, Deus, o Autor da Bíblia, não
mente. Nem se arrepende. Quando encontramos na Bíblia, textos
que dão a idéia de que Deus se arrependeu (Gn 6.7; 1 Sm
15.35; Am 7.3), devemos entender que Deus muda de planos, em
função de atos ou ações errôneas do próprio homem, e não
de sua parte. Deus não fez nem faz nada errado.
Quando
Ele diz, faz; quando Ele fala, confirma. Quando Ele faz, ninguém,
a não ser com sua permissão, pode mudar o que Ele
determinou. Ele é “o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e
ninguém abre” (Ap 3.7). O autor da Bíblia não muda:
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo
do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de
variação” (Tg 1.17).
A
autoria divina da Bíblia, para o cristão verdadeiro, garante
sua inerrância e infalibilidade. É objeto de sua fé. Às
vezes, essa fé atinge feição radical. Lembro-me de, quando
estava lecionando na universidade, fui abordado por um
professor e advogado muito conhecido na cátedra e na
comunidade. Ele era ateu positivista, adepto das idéias de
Augusto Comte; materialista e admirador de Darwin. E me disse:
“Professor, eu não entendo vocês, os crentes. Há evangélicos
que são tão extremistas, que uma senhora, de sua igreja, que
trabalha em minha casa, fez uma afirmação absurda, que nos
faz até rir. Eu lhe indaguei se ela cria, realmente, que a
baleia havia engolido Jonas. Ela respondeu que sim. Mas eu lhe
expliquei que a garganta da baleia é tão estreita que não
permite passar um homem. Só podem passar por ela pequenos
peixes. Ela parou, me escutou, e respondeu: ¾
‘Professor, se a Bíblia disser que Jonas engoliu a baleia,
ainda assim eu creio nela!’” Na sua simplicidade, aquela
humilde serva de Deus procedeu de acordo com a Bíblia, que
diz: “Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que não
seja sábio aos seus olhos” (Pv 26.5).
Mas
o cristão consciente e fiel aos ensinos da Bíblia, pode e
deve argumentar com toda a segurança sua convicção na inerrância
e infalibilidade do Livro Sagrado. Diz Paulo que devemos
oferecer a Deus o “culto racional” (Rm 12.1), ou seja, uma
crença e uma adoração que tem razão de ser; que tem muitas
razões de ser, na verdade. Devemos crer, como Lutero:
“Quando as Escrituras falam, Deus fala”.2 É um
postulado da fé. Ou a Bíblia é inerrante ou Deus não
existe. Pois toda a sua mensagem, do primeiro ao último
livro, parte do princípio sagrado da existência do Ser
Supremo que criou todas as coisas, a vida, e os seres vivos,
incluindo o homem, e resolveu transmitir ao ser criado a sua
vontade soberana, através da mensagem escrita, em livros que,
durante 1600 anos, foram reunidos na Bíblia. Com fé inabalável
(Sl 125.1), cremos que Deus existe e fala conosco, os crentes,
e para os homens, através da Bíblia Sagrada.
2. OS ESCRITORES
HUMANOS — “HOMENS SANTOS DE DEUS”
A
mensagem bíblica tem origem em Deus, o Autor divino. Mas com
exceção do Decálogo, escrito pelo próprio dedo de Deus nas
tábuas de pedra e entregues a Moisés (Êx 31.18), os demais
textos, reunidos em livros no Antigo e no Novo Testamentos,
foram escritos por homens. Sendo assim, dizem os críticos da
Bíblia: “Os homens escreveram de sua própria mente, e
cometeram muitos erros”.
Porém,
de acordo com a Bíblia, os escritores dos Livros Sagrados não
escreveram de sua própria cabeça, o que bem entendessem. Se
assim o fosse, não teriam registrados certos fatos, muitas
vezes comprometedores e constrangedores para eles. Qual seria
o escritor, ou autor, que escreveria que um irmão estuprou a
irmã; ou que um rei, que era tão querido por Deus, adulterou
com uma Senhora, e mandou matar seu marido? Um autor humano
poderia, sem qualquer problema, omitir tais fatos. No entanto,
a Bíblia registra fatos como esses, como foi o caso de Amnon,
filho de Davi, que cometeu o crime de estupro contra sua irmã,
Tamar; e Davi, homem de Deus, num momento de falta de oração
e vigilância, deixou-se levar pelos sentidos, e adulterou com
Bate-Seba, esposa do general Urias (ver 2 Sm 11.3-5; 13.1-14).
Na verdade, muitos dos que cometeram atos vergonhosos não
escreveram nada. Outros, usados por Deus, relataram e
escreveram os livros que contém tais fatos.
Os
homens que escreveram os livros da Bíblia, considerados
autores humanos, na verdade, a rigor, nem poderiam ser
chamados de autores, mas sim de escritores sagrados. Moisés,
Josué, Samuel, Davi, Neemias, Esdras, Jó, Salomão, Isaías,
Jeremias, Daniel, Ezequiel, Oséias, Joel, Amós, Obadias,
Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e
Malaquias, no Antigo Testamento, foram homens, que escreveram
sob a inspiração e/ou revelação da parte de Deus,
iluminados pelo Espírito Santo. Eles escreveram mensagens
inspiradas para o povo de Israel, para muitas nações, e para
sua época, bem como para tempos escatológicos.
De
igual forma, os escritores-autores dos livros do Novo
Testamento, como Mateus, Marcos, Lucas, João, Paulo, o
desconhecido autor aos Hebreus, Tiago, Pedro e Judas, também
tiveram a gloriosa experiência de receber de Deus a mensagem
divina para a humanidade. Eles não erraram na transmissão da
mensagem.
Diz
a Bíblia: “Porque a profecia nunca foi produzida por
vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram
inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21). O cristão
verdadeiro crê que a Bíblia é a infalível Palavra de Deus.
E pode ser confortado com a afirmação bíblica de que os
escritores-autores, dos Livros Sagrados, não produziram
textos com objetivos comerciais de venda de livros ou de
artigos como acontece hoje em todo o mundo. Não. Eles
escreveram os textos, quando ainda não havia a imprensa. Os
livros, escritos em pergaminhos ou papiros, eram escritos de
forma artesanal, à mão. Muitas vezes à luz de lampiões, ou
velas. Eram os manuscritos que se tornaram peças de valor
inimaginável, ao receber a pena com tinta, transcrevendo a
mensagem inspirada por Deus.
Podem
os críticos argumentar que as muitas cópias dos manuscritos
contém muitos erros ou discrepâncias, e, por isso, a inerrância
da Bíblia estaria prejudicada. Mas “A inerrância é atribuída
apenas aos manuscritos originais dos vários livros da
Bíblia; não é asseverada a respeito de qualquer cópia
específica daqueles livros que sobreviveram até nosso
tempo”3 (grifo nosso).
Kenneth
S. Kantszer afirmou:
É
possível sustentar que Deus poderia ter impedido os autores
da Bíblia de cometer erros, tirando-lhes a liberdade e a
condição de seres humanos; entretanto, os evangélicos
jamais afirmaram tal coisa. Antes, a Bíblia é produto
totalmente humano, e totalmente divino. Como produto divino, a
Bíblia detém autoridade absoluta sobre a mente e o coração
dos crentes. Como produto humano, mostra em si mesma todas as
características essenciais da composição humana. Sem dúvida,
Deus poderia ter-nos dado uma Bíblia escrita na perfeita
linguagem do céu; nesse caso, porém, quem a poderia
entender? Deus preferiu comunicar-nos sua vontade mediante o
canal imperfeito da linguagem humana, com todas as suas
possibilidades de má compreensão e má interpretação.4
III
– OS MANUSCRITOS BÍBLICOS
O
termo “manuscritos” vem do latim, de manus (mão) e
scriptus (escrita), ou seja, documento, texto, ou
livro, escrito à mão. Antes de haver a imprensa, todos os
documentos eram manuscritos. Houve textos, ou livros, escritos
à mão em argila, em tabletes, em couro, em metal e em outros
materiais. Os manuscritos bíblicos foram escritos em
pergaminho ou em papiro. A princípio, os textos foram
reunidos em rolos, de difícil manuseio. Depois, foram
trabalhados em códices, escritos em “folhas” de
casca de árvore, recobertas de cera, utilizando-se estiletes.
Por volta do século IV d.C., os códices substituíram os
rolos; o papiro foi substituído pelo pergaminho, feito de
pele de animais; e, pelo século XII, o papel substituiu o
pergaminho.
1.
OS AUTÓGRAFOS – MANUSCRITOS ORIGINAIS
Os
manuscritos originais dos textos bíblicos não existem mais.
Por razões não compreendidas, os primeiros pergaminhos ou
papiros que compuseram os primeiros rolos, em que constavam os
livros do Antigo Testamento, não foram preservados. Os
estudiosos argumentam que se eles tivessem continuado a
existir, talvez fossem objeto de idolatria. É provável. Mas
sem sombra de dúvida, os manuscritos originais ou os autógrafos,
existiram.
E
foram eles que deram origem aos manuscritos mais antigos, que
chegaram às mãos dos homens que selecionaram os livros da Bíblia,
até formarem o cânon sagrado. É importante salientar
que a infalibilidade, ou a inerrância da Bíblia, é
reivindicada para os manuscritos originais. Se há cópias,
é porque houve originais. E estes, tendo sido inspirados por
Deus, jamais poderiam conter erros. Cremos que o Espírito
Santo atuou na mente dos copistas honestos, de tal forma que não
cometessem erros no que tange ao conteúdo espiritual dos
textos bíblicos.
2.
OS MANUSCRITOS MAIS ANTIGOS
De
forma resumida, indicamos alguns dos manuscritos (MSS)5
mais antigos do Antigo Testamento, escritos em hebraico.
1)
Códice
dos primeiros e últimos profetas. Data
de 895 d.C., escrito por Moses Ben Asher. Inclui os livros de
Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis; Isaías, Jeremias,
Ezequiel, e os Doze.6
2)
Códice
do Pentateuco.
Foi escrito em 916 d.C. Dele, constam apenas os “últimos
profetas”. Escrito por Arão, filho de Moses Ben Asher, e
está arquivado no Museu Britânico, sob o número 4445.
3)
Códice Aleppo. “Contém todo o texto do Antigo Testamento. Copiado
por Shelomo Ben Bayaa. Está em Israel, na Universidade
hebraica.
4)
Rolos
do Mar Morto.
Foram descobertos em 1947, nas cavernas de Qumran, por um beduíno.
É, sem dúvida, o mais importante achado arqueológico sobre
os manuscritos do Antigo Testamento. O MS de Isaías, em
hebraico, encontrado na caverna nº 01, tem 95% de concordância
com o texto da Bíblia hebraica, como conhecemos. Os 5% de
erros, encontrados, não afetam o conteúdo fundamental dos
livros da Bíblia”.7
Existem
muitos manuscritos, do Antigo Testamento, e do Novo
Testamento, escritos em grego, tais como:
1)
O
Códice Vaticano “B”. Data
do ano 325 d.C. Nele, o Antigo Testamento é cópia da versão
grega da Septuaginta.
2)
O
Código Sinaítico ou Álefe.
Encontra-se arquivado no Museu Britânico. Data de 340 d.C.
Foi encontrado no Mosteiro de Santa Catarina, junto ao Monte
Sinai. O Governo inglês o adquiriu dos russos, em 1933, por
510.000 dólares.
3)
O
Códice Alexandrino.
Encontra-se no Museu Britânico. Data de 425 d.C. Foi escrito
em Alexandria, no Egito.
4)
O
Códice Efráemi ou “C”.
Encontra-se no Museu de Louvre, na França. Data de 345.d.C.
Há
uma enorme quantidade de manuscritos antigos, que podem ser
conhecidos em livros de Bibliologia.
IV
– FALHAS NA TRANSMISSÃO ESCRITA DA BÍBLIA
1.
AS FALHAS NAS CÓPIAS DOS MANUSCRITOS
Os
textos bíblicos que conhecemos hoje foram escritos, a princípio,
nos manuscritos que eram “rolos ou livros, da antiga
literatura, escritos à mão. O texto da Bíblia foi
preservado e transmitido mediante os seus manuscritos”.8
Segundo estudiosos, há, no mundo, 4000 manuscritos da Bíblia,
escritos entre os séculos II e XV.
De
acordo com Gilberto9 não há nenhum manuscrito
original, “saído das mãos dos escritores”. Os
manuscritos, feitos de papiro ou pergaminho, estragaram-se e
foram enterrados, como costumavam fazer os judeus, com
material que envelhecia. Reis e imperadores, idólatras e
inimigos de Deus, faziam questão de destruir tudo o que
contivesse a mensagem sagrada. Antíoco Epifânio (175-164
a.C.) não só destruiu Jerusalém, mas deu fim a todas as cópias
das Sagradas Escrituras. Certamente, Deus permitiu essa
destruição dos autógrafos para que não se tornassem
objetos de veneração ou adoração, como ocorreu com relíquias
sagradas.
Houve
os manuscritos em hebraico, do Antigo Testamento. O mais
conhecido é o rolo de Isaías, encontrado em Qumran, próximo
ao Mar Morto, em 1947, juntamente com diversos outros
manuscritos. O rolo de Isaías confirma o conteúdo do livro
do profeta, como consta em nossas Bíblias. Há manuscritos em
grego, tanto do Antigo como do Novo Testamento.
2.
OS CUIDADOS NAS CÓPIAS DOS MANUSCRITOS
Os
manuscritos conhecidos não são originais, mas cópias,
elaboradas pelos copistas. Neles, foram constatadas várias
falhas, ou erros, apesar das rigorosas regras que eram
impostas a esses escribas.
O
pergaminho tinha que ser preparado de peles de animais limpos;
preparados por judeus, sendo as folhas unidas por fios de
peles de animais limpos. A tinta era especialmente preparada.
O escriba não poderia escrever uma só palavra de memória.
Tinha de pronunciar bem alto cada palavra, antes de escrevê-la.
Tinha que limpar a pena com muita reverência antes de
escrever o nome de Deus. As letras e as palavras eram
contadas. Um erro numa folha inutilizava-a. Três erros numa
folha inutilizavam todo o rolo.10
Mesmo
assim, os estudiosos, principalmente os críticos, registraram
diversos erros na transcrição das cópias das cópias,
derivadas dos manuscritos originais. A análise dos
manuscritos é objeto dos críticos textuais.
Porém,
os erros encontrados nas cópias dos manuscritos, e passados
para as traduções, ou versões, dos textos bíblicos,
chamados de “variantes textuais”, quando analisados à luz
do contexto geral da Bíblia, não comprometem o valor da
mensagem sagrada, nem se constituem motivos para descrer na
inerrância da Bíblia. A troca de uma letra, numa palavra,
poderia causar confusão quanto a seu sentido. Há dois tipos
de erros: intencionais (o copista procurava adaptar o
texto a outro, e até forçar algum tipo de acomodação
doutrinária; e não intencionais (omissão de letras,
erros de memória, má iluminação do ambiente, e outros).
Alguns
dos erros mais comuns, encontrados nas cópias dos
manuscritos, são: Haplografia, quando o copista
deixava faltar uma letra, em uma palavra; ditografia,
quando o escriba, já idoso, pedia a alguém para ajudá-lo,
ditando as palavras do manuscrito, e o copista repetia letras
ou palavras; este erro podia ser cometido, mesmo sem a ajuda
de uma segunda pessoa; metátese, quando, pelo sono, ou
cansaço, o copista invertia duas letras ou palavras. Por
isso, vêem-se, em traduções diferentes, expressões
aparentemente discrepantes. Por exemplo: Em Mateus 19.24, num
manuscrito, há a expressão kamelos, que significa
corda, cabo que prende o navio, passando pelo fundo de uma
agulha, como ilustração para a dificuldade dos que amam as
riquezas entrarem no céu; em outro manuscrito, a palavra
traduzida é kamêlos, referindo-se ao animal. Qual o
erro? Meramente de grafia. Mas não há erro fundamental no
texto. Jesus quis mostrar que é muito difícil um rico,
avarento, amante das riquezes, ter condições de ser salvo. Só
isso.
Quando
isso acontece, o leitor cristão, com humildade, entende que há
um erro material, na tradução, mas jamais aceitará que se
trate de um erro no conteúdo, na substância, na essência,
ou na mensagem que a Bíblia quer nos transmitir. Basta
comparar com a finalidade do texto, do livro, ou de toda a Bíblia,
e verá que o Deus amoroso para com seus filhos jámais
deixaria que algo confuso perturbasse sua fé. Diz a Bíblia:
“Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como
em todas as igrejas dos santos” (1 Co 14.33).
No
Novo Testamento, que é a porção do Livro Sagrado mais
atacada pelos críticos da autencidade da Bíblia, foram
localizadas, nos manuscritos, mais de 200.000 variantes
textuais, ou “erros”. Nessa gama de falhas, há casos de
apenas a troca de uma letra (e há milhares de casos assim), e
é considerada como erro. No entanto, a análise cuidadosa de
cada uma mostrou que, só em 10.000 trechos (2,5%) há falhas
consideradas triviais.
Não
basta afirmar que a Bíblia é o livro mais preservado, que
sobreviveu desde os tempos antigos, mas lembremos também que
as variantes de certa importância representam menos
da metade de 1% de corrupção textual, e que nenhuma
dessas variantes influi em alguma doutrina básica do
cristianismo11 (grifos meu).
Quando
a alta crítica textual diz que há milhares de variantes, dá
a impressão de que a Bíblia é um livro cheio de erros, e não
pode ser inerrante. A análise criteriosa, desses erros (“de
certa importância”), no entanto, demonstra sem paixão, que
eles constituem apenas menos de 0,5% de todo o conjunto da
imensa e maravilhosa biblioteca divina, constituída de 66
livros, em mais de mil capitulos e milhares e milhares de
letras! Cumpre-se o que Jesus disse: “Santifica-os na
verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).
Como
existem 5000 manuscritos do Novo Testamento, e cerca de 9000
versões e traduções, pode-se afirmar, com segurança, que o
texto bíblico não contém erros fundamentais, que
comprometam seu conteúdo. Pesquisadores sérios, como
“Westcott e Hort, Ezra Abott, Philip Schaff e A.T. Robertson
avaliaram com o máximo cuidado as evidências e chegaram à
conclusão de que o texto do Novo Testamento tem pureza
superior a 99%”!12 Essa avaliação apenas
confirma o que a Bíblia diz a respeito de si mesma: “Toda
palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele”
(Pv 30.5).
Essa
pureza que permeia os textos da Bíblia é algo extraordinário.
Como livro (versão em português), que contém 66 livros,
1.189 capítulos, 31.173 versículos, 773.692 palavras e
3.566.480 letras, serem encontrados menos de 0,5% (meio por
cento) de falhas significativas é algo que corrobora a
inspiração de Deus, quanto ao conteúdo original da
transmissão de sua Palavra, ao homem, e o cuidado do Espírito
Santo no trato com os que se encarregaram de compilar os
textos, os manuscritos, e suas cópias, para formar o cânon bíblico.
Só
o Decálogo não teve erros, porque foi escrito pelo dedo de
Deus. A partir de Moisés, outros escritores vieram, mas foram
suscetíveis de cometer erros, na transmissão da mensagem, em
termos materiais, ou seja, na tradução das palavras ou na
forma de escrever.*
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Este texto foi extraído do livro Deus e a Bíblia – obra
que acompanha as lições bíblicas do trimestre.
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