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Leitura
Bíblica em Classe
Mateus 11.7-15
I.
A origem de João Batista
II. A personalidade de João Batista
III. João Batista, o último profeta
Conclusão
JOÃO BATISTA E A COMUNIDADE DOS ESSÊNIOS
Há ainda hoje quem procure associar João Batista à
comunidade dos essênios que viviam em Qumran, no deserto da
Judéia nas proximidades do Mar Morto. Josefo descreve o modus vivendi dessa antiga seita judaica em Antiguidades Judaicas, Livro 18, capítulo 1; Guerras
Judaicas, Livro 2, capítulo 12.
A descoberta de sua biblioteca
a partir de 1949 confirma os relatos do historiador
judeu e trouxe à tona muitos detalhes até então
desconhecidos. Desde então, não falta especulação sobre a
possibilidade de João Batista e até o próprio Jesus terem
sido essênios. Os documentos encontrados na região são
abundantes, mas nenhuma prova conclusiva ainda foi
apresentada. Parece, pois, temerário tentar associar o filho
de Zacarias a eles.
Os defensores de um João Batista essênio argumentam que a
comunidade era governada por uma hierarquia sacerdotal e João
veio de família de sacerdotes. Tanto o filho de Zacarias como
o grupo de Qumran compartilhava da visão escatológica,
viviam no deserto e praticavam o banho ritual.
A teologia escatológica vem desde Ezequiel e Daniel. A
literatura apocalíptica posterior trata basicamente do fim do
mundo e do juízo final. Por que João teria que se abeberar
em fontes essênias? Josefo e os documentos de Qumran afirmam
que os essênios eram contra o ritual do templo de Jerusalém,
por essa razão foram viver como eremitas no deserto,
afastando-se da sociedade. Além disso, mulheres não eram
aceitas na comunidade, mas adotavam crianças. Esses dados por
si só mostram que os pais de João Batista não podiam ser
essênio, pois Zacarias ministrava o sacerdócio na Casa de
Deus, quando o anjo anunciou o nascimento de seu filho e era
casado. E João? O texto sagrado afirma: “E o menino
crescia, e se robustecia em espírito, e esteve nos desertos
até o dia em que havia de mostrar-se a Israel” (Lc 1.80).
Alguns interpretam que, como seus pais já eram idosos, logo
teriam morrido e seu filho teria sido adotado por alguma seita
do deserto. É evidente que se trata de interpretação hipotética,
pois o deserto, na Bíblia, é sempre apresentado como local
de contemplação e inspiração profética, quem não se
lembra das experiências de Moisés e Elias? (Ex 3.1; At 7.30;
1Rs 19. 4-7). E João é o último da linhagem dos profetas:
“Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João”
(Mt 11.13).
Os banhos rituais eram parte da vida dos essênios, ainda hoje
podem ser vistas essas banheiras de pedras em Uiad Qumran. Porém,
o batismo que João introduziu é outra coisa, muito diferente
da prática dessa comunidade do deserto. Segundo Josefo, essa
prática visava à purificação do corpo e, sobretudo, era
praticado diariamente.
A verdade é que ele realizava batismo ao longo do Jordão, não
ficava fixo em um só lugar: “E percorreu toda a terra ao
redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o
perdão dos pecados” (Lc 3.3). A Palavra de Deus afirma
que:”João batizava também em Enom, junto a Salim, porque
havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados” (Jo
3.23). Essa região é no norte de Israel, em Bete Shean. Ele
realizou também batismo do outro lado do Jordão, onde hoje
é a Jordânia: “Essas coisas aconteceram em Betânia, do
lado do Jordão, onde João estava batizando” (Jo 1.28).
Este é o local do batismo de Jesus.
A mensagem de João não era pensamento humano, nem da escola
de Shamai, nem de Hillel, e muito menos dos essênios. É até
possível haver alguns pontos de intercessão se forem
comparadas todas as idéias religiosas vigentes na época. No
entanto, afirmar que o Batista foi essênio ou que recebeu
influência deles com base nos argumentos acima apresentados
é exagero, é forçar demais a interpretação dos
fatos.
Texto extraído da obra: O
Ministério Profético na Bíblia. Rio de Janeiro,
CPAD.
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