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Leitura
Bíblica em Classe
1
Coríntios 7.1-5, 7, 10, 11
Introdução:
I.
Casamento ou Celibato
II.
A Necessidade do
Casamento (vv.2-5)
III.
O Solteiro (vv.7-9)
IV.
Compromissos Cristãos
no Casamento (vv.10,11)
Conclusão:
Palavras-chave: Relacionamentos. Casamento. .
Título deste subsídio: Relacionamentos Domésticos
Autor: Marcos Tuler
RELACIONAMENTOS DOMÉSTICOS
INTRODUÇÃO
Alguns cristãos consideravam
o casamento como um dever absoluto. Outros, como uma condição
moral inferior. E ainda havia os que diziam que, ao aceitar a
Cristo, todos os relacionamentos sociais, inclusive o
casamento, deveriam ser dissolvidos.
Na verdade, havia uma facção:
os libertinos, diziam que o que a pessoa faz com seu corpo é
moralmente indiferente; e os adeptos do ascetismo, que negavam
a si mesmos o prazer físico.
Foi então que alguns irmãos
de Corinto escreveram uma carta para o apóstolo Paulo
solicitando esclarecimentos sobre o assunto. Esta é a
passagem mais abrangente das Escrituras sobre esse tema.
I. CASAMENTO E CELIBATO
Ele começa explicando o valor
do celibato:
“bom seria que o homem não tocasse
em mulher” [eufemismo do AT para relações
sexuais].
Mas para Paulo, o estado de
solteiro ou casado é questão de conveniência, e não de
certo ou errado.
Uma pessoa casada não melhora
em nada sua vida espiritual, mas também não a macula.
Todavia, o casamento trás consigo obrigações que o crente não
pode ignorar.
1. Por que Paulo defendia o
celibato?
“Bom seria que o
homem não tocasse em mulher” Não é que Paulo seja contra
o casamento. Tanto é que em Ef 5.23-28 ele o usa como ilustração
do relacionamento de Cristo com a igreja.
Paulo sabia que o casamento é
uma instituição divina e que “não é bom que o homem
esteja só” (Gn 2.18).
Aqui ele estava respondendo
aos coríntios de forma específica: “às coisas que me
escrevestes”.
a) Os coríntios tinham muitas
dúvidas sobre o casamento.
– Sofriam a influência dos
gregos que consideravam o estado de solteiro superior ao de
casado;
– Alguns interpretavam de
forma errada as palavras de Jesus, em Lc 20.35.
“Mas os que forem havidos
por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição
dentre os mortos, nem hão de casar, nem ser dados em
casamento...”
– Outros espiritualizavam a
“condição de solteiro” por estarem desgostosos com a ênfase
sobre o sexo em Corinto.
Entretanto, havia outras
pessoas...
... De formação judaica na
igreja que criticavam a vida de solteiro. Porque o casamento
para o judeu era uma obrigação sagrada. A família era o
centro da sociedade.
Paulo então resolveu se
pronunciar; e o fez em defesa do celibato.
“Bom seria que o
homem não tocasse em mulher”
O termo “bom”, kalon,
não indica algo moralmente bom, pois não há nenhuma
questão de pecado. O que Paulo está dizendo é que em
algumas circunstâncias, é melhor que o homem permaneça
solteiro.
Não há um princípio geral
para cada época na igreja. Paulo escreveu para os coríntios,
visando suas circunstâncias específicas.
II. A NECESSIDADE PRÁTICA DO
CASAMENTO.
A atitude promíscua de
Corinto fazia da fornicação uma constante tentação. O
casamento seria uma proteção contra o pecado. Não é que
Paulo considere o casamento como um mecanismo de fuga para os
fracos que não conseguem controlar as paixões da carne. O
que ele está dizendo é que um resultado prático do
casamento é o de evitar a tentação na área sexual.
1. Atitude cristã em relação
ao sexo.
a) Obrigações de
reciprocidade (7.3-4).
“O marido pague à mulher
a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido”
(v.3). Ou seja, cumpram com seus deveres conjugais.
O verbo “pague” não
significa a concessão de um favor, mas o pagamento de uma
obrigação; do marido para a esposa e da esposa para o
marido.
O apóstolo coloca o aspecto
sexual do casamento em sua perspectiva correta, evitando tanto
uma atitude promíscua como o ascetismo rígido.
[supervalorização do espírito em detrimento do corpo].
As palavras “não tem
poder” refere-se ao exercício da autoridade.
Quando há o entendimento mútuo,
dois extremos são eliminados:
A posse do outro e a sujeição
de uma parte a outra. No casamento cada parceiro tem
direito legítimo à pessoa do outro.
Embora Paulo ensine que o
marido é a cabeça da família e que a esposa deve
sujeitar-se a ele, na área sexual ambos estão no mesmo nível.
A ênfase está em dar de si
mesmo ao seu cônjuge, e não receber algo ou exigir direitos
sobre o cônjuge.
“Não vos priveis um ao
outro...” (v.5). [significa
defraudar, causar dano em].
b) Abstinência temporária
(7.5-6).
Quando um dos cônjuges
resolve abster-se sexualmente para dedicar-se às atividades
espirituais, três condições devem ser atendidas:
1. Consentimento mútuo.
2.
A situação deve ser temporária
“por algum tempo”.
3. Deverá ser por propósitos
elevadíssimos – oração, jejum.
4. Deverão juntar-se de novo,
imediatamente.
Até aqui, as opiniões de
Paulo sobre o casamento, são principalmente “por permissão
e não por mandamento” (v.6). Ele não tem nenhuma ordem
direta de Deus.
III. “FICAR SOLTEIRO” É
UMA PREFERÊNCIA PESSOAL OU UM DOM PARTICULAR? (7.7-9).
Certa ocasião, Jesus ensinava
a seus discípulos sobre o divórcio. Eles lhe perguntaram:
“Então, não convém se casar?” Jesus lhes disse:
“Nem todos podem receber
esta palavra”. (...) “há eunucos que castraram a si
mesmos por causa do reino dos céus” (...) “Quem pode
receber isto, receba-o”.
Você tem esse dom? Está
disposto a receber a vocação celibatária?
Ficar solteiro requer domínio
próprio, e isso é um dom de Deus. Não é dado a todos.
“... cada um tem de Deus o
seu próprio dom...” (v.7)
Mas... Se a pessoa não tem
esse dom, deve casar-se:
“... mas se não podem conter-se,
casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”
(v.9).
Conter-se, aqui, significa
“possuir em si o poder de se controlar”.
Quem tem falta desse controle
deve se casar! É melhor casar do que lutar continuamente com
o fogo do desejo sexual.
A NVI diz “arder nas chamas
da paixão”.
Essas chamas, às vezes, é
interpretada como o castigo eterno do inferno. [Geena]
que aguarda as pessoas imorais.
Um rabino comenta com o outro
ao verem uma mulher caminhando à sua frente: Apressemo-nos e
passemos à frente do Geena.
“Por teu amor, desci às pávidas
geenas/dos não ouvidos ais, das não ouvidas penas” [poema
de Gomes Leal]
1. Qual era o estado civil de
Paulo? Era solteiro, casado, viúvo?
“Porque quereria que todos
os homens fossem como eu mesmo” (7.7a).
Isso sugere que Paulo não era
casado e também não era viúvo. Como ele poderia expressar o
desejo de que todos os homens fossem viúvos?
Muitos dizem que Paulo era
casado por ter votado no Sinédrio, segundo Atos 26.10. E
sendo membro do Sinédrio, deveria ser casado. [Existiam o
grande Sinédrio e os sinédrios inferiores].
“Ser casado” era apenas um
princípio entre os rabinos, não era uma regra de
elegibilidade.
Paulo nunca se referiu à sua
esposa ou filhos.
IV. OBRIGAÇÕES CRISTÃS NO
CASAMENTO
Agora o apóstolo fala com
autoridade: “todavia aos casados mando não eu, mas o
Senhor” (v.10).
“A mulher não se aparte do
marido (...) se apartar fique sem casar” (...) “o marido não
deixe a mulher” (vv.10,11).
Isso concorda com o ensino de
Jesus:
“Qualquer que repudiar sua
mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com
outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também
comete adultério” (Mt 19.9).
A mulher ou o homem que se
separar só tem duas opções: ficar sem casar ou
reconciliar-se com o cônjuge.
Obs: Naquela época tanto a
lei romana quanto a judaica conferia a uma ou outra parte o
direito de dissolver o casamento por qualquer razão.
1. Obrigações em casamentos
mistos (7.12-16).
Duas situações:
a) Casamento misto onde os
parceiros estão satisfeitos (7.12-14).
Neste caso, o parceiro
descrente está disposto a permanecer com o outro que se
tornou cristão – O crente é obrigado a permanecer casado
com o descrente.
Não há nenhum problema de o
novo convertido continuar vivendo com o cônjuge descrente. O
descrente ainda receberá benefícios espirituais através do
crente.
“O marido descrente é
santificado pela mulher, e a mulher descrente é santificada
pelo marido” (v.14).
Não é que o descrente passe
a ser santo em Cristo perante Deus. Significa que o marido ou
mulher de um crente é separado ou consagrado a Deus pela vida
do crente.
Através do cônjuge crente,
as bênçãos do casamento são conferidas sobre o cônjuge
descrente. E até os filhos de tal casamento são
beneficiados... “mas, agora são santos” (v.14).
b) Casamento misto onde o
descrente não está satisfeito (7.15-16).
Se o descrente se recusar a
permanecer com o crente, o cristão está livre da obrigação
de sustentar o casamento. Mas, a iniciativa deve ser do
descrente.
“Mas se o descrente se
apartar, aparte-se” (v.15).
Isso não dá permissão para
um crente casar-se com um descrente.
O casamento não é uma
“instituição missionária”. Quando alguém já é casado
não dá para saber se a outra parte será salva ou não.
Entretanto, a mulher cristã ou o marido está sob a obrigação
de tentar ganhar o outro parceiro.
“vós, mulheres, sede
sujeitas aos vossos próprios maridos; para que também, se
alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres
sejam ganhos sem palavra” (1 Pe 3.1).
V. CONSELHOS AOS QUE PRETENDEM
SE CASAR
1) Não te cases por dinheiro.
O dinheiro compra uma casa, mas não compra um lar.
2) Não te cases porque todos
se casam.
3) Não te cases com um homem
ou mulher doente de ciúmes.
4) Não te cases com alguém
comprovadamente preguiçoso.
5) Não te cases com um
descrente.
6) Casa-te com a aprovação
de Deus.
Marcos Tuler
é chefe do Setor de Educação Cristã da CPAD, pastor,
pedagogo, escritor e autor dos livros Manual
do Professor da Escola Dominical, Recursos
Didáticos para a Escola Dominical, Dicionário
de Educação Cristã, Ensino
Participativo na Escola Dominical e Abordagens
e Práticas da Pedagogia Cristã. Acesse o blog do
autor http://prmarcostuler.blogspot.com
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