Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas Mestre
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções
2º trimestre/2009


Lição 03 - Partidarismo na Igreja



Leitura Bíblica em Classe
1 Coríntios 1.10-13; 3.1-6

Introdução:

I.   Uma Igreja, Quatro Partidos (1 Co 1.10-12)

II. A Igreja e a Diversidade de Seus Ministérios (1 Co 3.1-10)



Conclusão:

 Título deste subsídio: O partidarismo entre os crentes produz dissensões na igreja

 Palavras-chave: Secular, carnal  


Um dos problemas mais evidentes em Corinto era o das divisões espirituais. Durante a ausência de Paulo a igreja havia desenvolvido grupos fechados, conflitantes facções egoístas que ameaçavam despedaçar a sua comunhão. O problema era antigo. Paulo tentou mostrar a natureza não-cristã de um grupo rixoso, dividido e crítico de crentes professos. Ele afirmou que a nova experiência em Jesus Cristo poderia resolver  este antigo problema. Ao defender a unidade cristã, Paulo apresentou vários contrastes, ou comparações, entre a vida dirigida pelo Espírito em Cristo, e a vida egoísta e carnalmente motivada dos coríntios. 

1. EXORTAÇÃO À UNIDADE  (1.10)

a) Paulo suplica aos coríntios em palavras fortes e persuasivas: digais todos uma mesma coisa. Esta é uma expressão clássica usada em relação às comunidades políti­cas que estão livres de tensões, ou em relação a nações diferentes que estabelecem cordi­ais relacionamentos diplomáticos e comerciais. 

A palavra para dissensões (schismata) significa "fenda", "fissura", ou "divisão". O termo é usado por Marcos (2.21) e por Mateus (9.16) para descrever um rasgo em uma vestimenta velha. João usa a palavra (7.43) para descrever uma divisão de opinião entre as pessoas com respeito a Jesus. Paulo usa a mesma palavra em referência aos grupos pretensiosos que faziam da observância da Ceia do Senhor uma zombaria (11.18). Na expressão sejais unidos, Paulo usa um termo médico. Barclay explica o termo como "uma palavra médica usada em relação à ligadura de ossos que foram fraturados, ou à ligadura de uma junta que foi deslocada".! Paulo deseja que eles cheguem a um entendi­mento correto e a uma unidade de opinião, ou julgamento. 

2. RELATÓRIO DA DISSENSÃO  (1.11)

Paulo tinha recebido um relatório da família de Cloe: Me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós. Cloe não é conhecida, exceto pela referência neste ponto. O fato de Paulo se referir a ela serve a três propósitos. Indica que este relatório não era constituído de rumores infundados ou burburinhos inconseqüentes no "campo eclesiástico". Isto também sugere que Cloe era uma mulher de caráter e de boa posição. Além disso, a referência sugere que a igreja tinha elevado mulheres a uma posição de dignidade e respeito. 

A palavra que Paulo usa para contendas significa discussões amargas. O grego (eris) é "um termo empregado por Homero para significar 'batalha' na obra Ilíada e 'con­tenda' ou 'rivalidade' na obra Odisséia". Um significado ainda mais forte desta palavra é apresentado na expressão "quando o ódio me domina". As divisões em Corinto não eram leves divergências de opiniões. Eram disputas arraigadas que ameaçavam a exis­tência da igreja. 

3. AS DIVISÕES NA IGREJA  (1.12)

  As divisões na igreja eram o resultado de uma associação carnal aos nomes de líde­res humanos. Não havia qualquer desacordo entre estes próprios líderes. Mas o desacor­do surgiu quando certas pessoas insistiram na autoridade de um líder sobre outro. Al­guns estavam dizendo: Eu sou de Paulo, e eu, de ApoIo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Portanto, parecia haver uma divisão quádrupla. 

a) O Grupo de Paulo. O grupo de Paulo era provavelmente uma combinação de cren­tes simples e sinceros e a "velha guarda", composta dos patriarcas fundadores, ou mem­bros fundadores. Sua preocupação pode ter sido basicamente espiritual. Mas o fato de  eles exibirem o espírito faccioso também indicava que podem ter desejado usar a sua condição de mais velhos para exigir prioridade sobre a liderança da igreja. Ou podem ter tendido a fazer da liberdade em Cristo pregada por Paulo uma desculpa para uma liber­tinagem não autorizada. De qualquer maneira, Paulo não se deixou seduzir pela falsa lealdade desses coríntios em relação a ele. 

 b) O Grupo de ApoIo. De acordo com Atos 18.24, Apolo era um homem eloqüente, bem instruído nas Escrituras. Com a grande ênfase sobre a expressão verbal em Corinto, era natural que alguns tivessem preferido o eloqüente ApoIo ao menos impressionante Paulo (2 Co 10.10). ApoIo era de Alexandria, e pode ter tido uma formação intelectual interessante que, acrescida de sua habilidade oratória, teria feito dele um pregador que atraía muitas pessoas. 

c) O Grupo de Cefas. Aqueles que seguiam a liderança de Pedro eram judeus conver­tidos que insistiam na idéia de que os cristãos deviam observar a lei judaica, ou eram gentios convertidos que eram legalistas em sua abordagem da vida cristã. 

d) O Grupo de Cristo. Embora alguns estudiosos debatam a questão, parece válido acei­tar um quarto grupo chamado de "grupo de Cristo". William Baird declara três possíveis descrições deste grupo. 1) O grupo de Cristo era uma facção judaizante composta por con­vertidos de Tiago, o irmão do Senhor; 2) O grupo de Cristo era um grupo libertino, consis­tindo de pessoas que queriam completa liberdade ética e religiosa, sem que uma autorida­de apostólica fosse exerci da sobre eles; 3) O grupo de Cristo era uma facção de gnósticos que adoravam exibir seu conhecimento e exigiam a liberdade de pensamento e de ação.

4. UM SÓ CRISTO E UM SÓ BATISMO  (1.13-17)

Paulo considerava a igreja como o corpo de Cristo (1 Co 12.12-27). Como tal, o corpo era unido e não devia ser despedaçado pela discussão carnal da igreja. Para comprovar o seu ensino, o apóstolo fez várias perguntas puramente retóricas que só poderiam ser respondidas na negativa. 

a) Está Cristo dividido? (13) A obra de Cristo como Senhor e Salvador está dividi­da "entre vários indivíduos, para que um possua um pedaço dele, e outro, possua algum outro?". Professar o nome de Cristo em meio a discórdias, rixas e divisões é, na realida­de, despedaçar a Cristo. As divisões na verdade negam o senhorio de Cristo. Como João Calvino declara: "Porque Ele só reina em nosso meio quando Ele é o meio de nos unir em uma união inviolável". 

b) A primeira pergunta exaltava a Cristo. Em sua segunda pergunta, Paulo "sugere a sua própria insignificância comparativa": Foi Paulo crucificado por vós? Visto que ne­nhuma personalidade humana poderia conseguir a redenção do homem, era inútil discutir sobre a liderança humana. Somente a morte de Cristo poderia trazer a salvação pessoal do homem. Em vista da crucificação de Cristo, todas as discussões do homem deveriam cessar. 

c) Uma terceira pergunta concluiu o processo: Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?" 'Em nome' sugere a entrada na comunhão e lealdade, como existe entre o Redentor e o redimido". Os coríntios tinham sido batizados como cristãos, não como seguidores de qualquer líder humano. 

d) O próprio Paulo só havia batizado algumas pessoas, 14-17. 

 Extraído do Comentário Bíblico Becon, vol 8, págs. 250, 251, CPAD.


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