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Leitura
Bíblica em Classe
Sl
136.1-9,26.
Introdução:
I. A existência de Deus
II. A limitação humana diante de Deus
III. A diferença entre o Deus da Bíblia e os falsos
deuses
IV. Deuses que não são da Bíblia
Conclusão:
Autor deste comentário: Esdras Costa Bentho. Autor das obras Hermenêutica Fácil e
Descomplicada e a Família no Antigo Testamento: história e
sociologia, ambos da CPAD.
Título deste subsídio: A
Existência de Deus
Palavras-chaves:
Existência
de Deus; Teísmo; Ateísmo; Agnosticismo; Linguagem Teológica
Introdução
As Sagradas Escrituras não se preocupam em provar a existência
de Deus. Sua existência é fato estabelecido. Esta é a razão
pela qual a Bíblia não oferece ao homem moderno qualquer
prova racional quanto à existência de Deus. “No princípio
criou Deus” (Gn 1.1), é o prólogo insofismável das
Escrituras. Deus existe antes de tudo e de todos! Nesta
simples e contundente afirmação a Bíblia nega:
a) o ateísmo: para o qual Deus não existe;
b) o politeísmo: para o qual existem muitos deuses;
c) o evolucionismo: para o qual a matéria evoluiu
"continuamente";
d) o fatalismo: para o qual a vida surgiu do acaso, sem
qualquer propósito;
e) o agnosticismo: para o qual Deus não pode ser
conhecido.
A segunda parte da proposição sagrada não deixa de ser
menos apologética: "... criou Deus os céus e a
terra". Nesta verossímil afirmação a Escritura nega:
a) o panteísmo: que confunde Deus com a criação;
b) o materialismo: que afirmar a eternidade da matéria.
[1]
A primeira declaração da Escritura acerca de 'Ĕlōhîm
(O Criador, o Forte e Poderoso Senhor) é um testemunho
irrefutável de sua existência soberana. O Senhor é 'Ĕl
hashshāmāyin, isto é, o "Deus dos céus"
(Sl 136.26), incapaz, portanto, de ser confundido com a
criatura, ou como afirma o nome 'Ĕl 'ēchād,
literalmente "o Único Deus" (Ml 2.10), impossível
de ser confundido com outros deuses. Por conseguinte, a
Sagrada Escritura só reconhece o Único e Soberano Deus de
Israel.
Teorias que Negam a Existência de Deus
1. Ateísmo
O vocábulo ateu é formado pelo prefixo grego de negação
a (“não”, “provação”, “negação”) e pelo
substantivo theos, isto é, “deus” ou “Deus”.
Literalmente, atheos significa “sem Deus”. A palavra
“ateísmo”, no entanto, é formada pelos dois termos
anteriores e o sufixo “ismo” que denota “doutrina”,
“sistema”, ou “ensino”. O ateu é aquele que não crê
em Deus, enquanto o ateísmo designa a filosofia ou os ensinos
dos ateus. Ateísta é aquele que nega a existência de Deus e
acredita que existam provas contra a existência do
Divino.
O ateísta procura explicar todas as coisas a partir da matéria,
do natural e visível. Nas Escrituras o ateísmo professo é
considerado mais um problema moral do que filosófico ou
existencial. O néscio (hb. nābāl)[2] que nega a
Deus (Sl 14.1), não o faz por motivos filosóficos, mas pela
suposição prática de que pode viver sem Ele (Sl 10.4). As
Escrituras também reconhecem a possibilidade de
“suprimir” de modo deliberado e, portanto, culpável, o
conhecimento de Deus (Rm 1.18).
Segundo o contexto neotestamentário o ateísta não é
apenas aquele que não crê na existência de Deus, mas pode
ser também um teísta que não conhece o verdadeiro Deus:
“Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses,
quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos
senhores), todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem
é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus
Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1
Co 8.5,6). Em Efésios 2.12 lemos: “naquele tempo, estáveis
sem Cristo [khōris Christou], separados da comunidade de
Israel e estranhos aos concertos da promessa, não tendo
esperança e sem Deus [ắtheoi] no mundo”. (grifo
nosso). O termo grego ắtheoi, neste contexto, tem o
sentido de “não pertencente a Deus”, “sem Deus”, em
vez do significado corrente de negar racionalmente a existência
de Deus, como o fazem os filósofos ateus. Esse ateísmo é
mais prático e moral do que existencial e filosófico.
Observe que ắtheoi em Efésios, não pretende afirmar
que a pessoa não crê em alguma divindade, mas que ignora a
existência do Deus de Israel. É assim que devemos entender o
advérbio de negação khōris, traduzido em diversas
passagens por “separadamente”; “à parte de alguém”;
“longe de alguém”. Literalmente a expressão khōris
Christou, quer dizer “longe de Cristo”, “afastado de
Cristo” e não antichristo, isto é, “contrário ou oposto
a Cristo”.
2. Politeísmo
A expressão paulina em 1 Co 8.5 theoi polloi, isto é,
“muitos deuses”, formam a palavra “politeísmo”. O
politeísmo como sistema filosófico-religioso acredita que
existem diversas divindades. Segundo Geisler o politeísmo
"é a cosmovisão que afirma a existência de muitos
deuses finitos no mundo". [3] Para o politeísta há o
"deus da água, do fogo, da guerra" e assim por
diante. O politeísmo, como anteriormente afirmamos, é uma
forma de ateísmo, segundo o contexto do Novo Testamento. O
politeísmo está engajado contra o monoteísmo cristão.
3. Agnosticismo
O termo agnosticismo é formado pelo "a"
privativo ("não" – negação) e pelo substantivo
"gnōsis" [4], isto é,
"conhecimento"; literalmente "não-conhecimento".
Agnosticismo é a filosofia religiosa que afirma a
impossibilidade de se conhecer a Deus. Segundo o agnóstico não
é possível saber se Deus existe ou não. O agnóstico
critica o ateu e o teísta pelas pressuposições que assumem:
a convicção de que Deus não existe e a certeza de que Deus
existe. Por extensão, designa aquele que acredita que não
existam provas suficientes para provar ou negar a existência
de Deus. Teologicamente, o agnosticismo afirma que é impossível
ao homem obter conhecimento a respeito de Deus. Não se pode
provar ou refutar Sua existência. O agnosticismo é um
sistema que contradiz a si mesmo, pois se não é possível
saber com absoluta certeza, como eles mesmos estão certos de
que não é possível negar ou confirmar a existência de
Deus? Quando o vocábulo foi criado em 1869 por T.H. Huxley
(1869) era usado para designar o ceticismo religioso.
4. Panteísmo
A palavra “panteísmo” procede do prefixo “pan”,
"muito", "tudo", e do substantivo “theos”,
literalmente significa “tudo é Deus”. Esta expressão
refere-se aos sistemas religiosos que identificam Deus com o
mundo. Para o panteísta tudo é Deus. O panteísmo confunde
Deus com a natureza, o Criador com a criação: árvores,
pedras, terra, água, todos são partes, segundo afirmam, de
Deus (Rm 1.23). Deus e a criação são apenas um – indivisível,
indissociável, imanente. O panteísmo também defende a imanência
radical de Deus, pois crê que Deus está e é tudo. Como já
observamos anteriormente, a Bíblia não confunde o Criador
com a criatura, muito menos ensina a natureza como emanação
divina. Deus, embora ativo na história, está separado das
coisas criadas e controla toda a criação. Ele não é idêntico
às criaturas, em menor ou maior grau. O panteísmo também
nega o caráter pessoal de Deus ao identificá-lo com o mundo
material.
5. Materialismo
O materialismo declara que a única realidade é a matéria,
o tangível, as coisas concretas, não espirituais. Não crê
na existência de Deus porque não O vê. Todas as coisas se
explicam naturalmente e através dos agentes físicos e
materiais. O materialismo, freqüentemente, tem sido colocado
em oposição à vida, à mente, à alma ou ao espírito. Uma
preocupação com a matéria tem significado,
tradicionalmente, uma preocupação com os prazeres mundanos e
os confortos físicos em contraste com o bem religioso e
espiritual.
Afinal, Quem é Deus?
Todas e
quaisquer definições intelectuais acerca de Deus se confinam
à limitação humana: “Porventura, alcançarás os caminhos
de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso” (Jó
11.7). Definir, em última análise, significa limitar.
Envolve a inclusão do ser ou objeto definido dentro de uma
determinada classe. Deus não pode ser satisfatoriamente
definido. Ele é muito mais do que as palavras significam. O
Eterno não está confinado aos sentidos da limitada linguagem
humana. Hegel chamava de "consciência infeliz", o
fato de o finito, o homem, tentar definir o Infinito, Deus.
Temos neste ponto o desafio e confronto da linguagem apofática
e catafática na teologia. A linguagem do Mistério e do
revelado, do cognoscível e Incognoscível, do Transcendente e
do imanente, o Deus dos filósofos e o Deus de Abraão. Como
afirma a Bíblia a respeito de Deus, hā'ēl haggādôl
wehannōrâ – "Deus, grande e terrível" (Ne
1.5; 4.14; 9.32; Dt 7.9). Quem é suficientemente sábio para
compreender a sublimidade dessas palavras? Porém, a Bíblia
declara a existência de Deus e revela seu caráter e natureza
com bases racionais suficientes para se estabelecer um
conceito coerente a respeito dEle, de seus atributos e
natureza. Ninguém pode definir a Deus satisfatoriamente à
parte daquilo que as Escrituras afirmam acerca de Deus.
Lembremos, com muita humildade e devoção, que Deus não pode
ser definido em sua natureza transcendente, pois Ele é o Alfa
e o Ômega, o Primeiro e o Último. Ele é O Eterno (Jo 1.18).
Notas
[1] Ver BAXTER, J.Sidlow. Examinai as Escrituras. São
Paulo: Vida Nova, 1992, p.36.
[2] No hebraico "ser insensato",
"tolo". O termo é usado para indicar a repugnância
ou desprezo do hagiógrafo pelas pessoas que zombam da rocha
de sua salvação (Dt 32.15) ou trata o pai com desdém (Mq
7.6). Deus torna o recalcitrante desprezível (Na 3.6). O
termo enfatiza que a pessoa tem comportamento vil e
vergonhoso. Moisés censurou sua geração, chamando-a de
‘am nābāl, “povo louco” (Dt32.6).Cf. R. Laird
HARRIS (et al), Dicionário Internacional de Teologia do
Antigo Testamento,1998,p.909-910.
[3] GEISLER, Norman. Enciclopédia de apologética. São
Paulo: Vida, 2001, p. 707.
[4] No grego, conhecimento nos textos de Lc 1.77; 11.52; Rm
11.33; 1 Co 8.7,7,11. Com o genitivo significa o conhecimento
pessoal de alguém (Fp 3.8).
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