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UMA VISÃO CRISTÃ DOS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO
Por Marcos Tuler
No final do século passado, pesquisadores de diversas
partes do mundo reuniram-se a fim de traçar um eixo condutor
para a educação do século XXI. Após muitas pesquisas
concluíram o trabalho sintetizando-o num famoso relatório
intitulado “Os Quatro Pilares da Educação”. Em síntese,
aqueles especialistas concluíram que para agir eficazmente o
aluno do nosso tempo deve exibir certas competências
imprescindíveis ao desenvolvimento do ser humano: aprender a conhecer,
aprender a fazer, aprender a conviver e aprender
a ser.
Qual a importância dessas aprendizagens para os alunos da
escola dominical? Quais dessas competências podem ser
observadas na prática de ensino de nossos professores? Como
adaptá-las à realidade do ensino bíblico ministrado em
nossas classes? Os resultados são práticos e realistas?
Esses quatro pilares podem ser trabalhados com todas as faixas
de idade? Vejamos:
APRENDER
A CONHECER
O aluno aprende a conhecer quando adquire as competências
necessárias à compreensão. Aprender a conhecer é o mesmo
que aprender a aprender: o aluno não apenas recebe
passivamente o conhecimento do professor, mas, com o auxílio
deste, adquire o domínio dos instrumentos de recepção do
conhecimento. Isto é, o aluno constrói o conhecimento
enquanto o professor libera a capacidade de auto-aprendizagem
do aluno. Isso confirma o que ensinou o teólogo e educador
Kierkegaard, o educando, com a ajuda do educador, “adquire a
consciência real do que ele sabe, do que ele não sabe e do
que ele pode ou não pode saber”.
Nesse contexto, a aprendizagem acontece por meio da conduta
ativa do aluno, que aprende quando faz alguma coisa e não
simplesmente por ver o professor fazendo.
Aprender a conhecer é uma expressão de ordem que dá um
basta à aprendizagem de saberes de pouca ou nenhuma
utilidade. O aluno somente aprende quando o conteúdo de
ensino faz parte do seu foco de interesse, necessidade e
expectativas. Em vez da simples transmissão de conteúdos, o
que passa a imperar são as habilidades para se construir
conhecimentos. Valoriza-se o exercício do pensamento e a seleção
das informações que possam ser, efetivamente,
contextualizadas com a realidade. Conforme ensina o educador César
Romão, “Mais vale o que se aprende do que aquilo que se
ensina”.
APRENDER A FAZER
Embora quem aprenda a conhecer já esteja aprendendo a
fazer, esta segunda competência enfatiza a questão do
preparo para as coisas práticas da vida. A educação, em
termos gerais, é um “processo de vida” e não uma
“preparação para o futuro”. Os alunos desejam que seus
problemas sejam solucionados aqui, e agora.
Por isso, precisam ser estimulados à criatividade a
fim de descobrirem o valor construtivo do trabalho realizado
em sala de aula. Na esfera da educação cristã, é preciso ressaltar a
importância de se praticar os conhecimentos bíblicos
aprendidos na escola dominical. Os ensinos da Bíblia têm de
sair do campo teórico, visto que está carregado de realidade
e senso prático. Conforme asseverou-nos o apóstolo Paulo,
“Ponham em prática o que vocês receberam e aprenderam de
mim, tanto as minhas palavras como as minhas ações” (Fp
4.9).
APRENDER A CONVIVER
“O gráfico da competência tem duas diretrizes: a pessoa
que sabe fazer e a que sabe se relacionar”.
Clarice Leal
Faz
parte da educação, aprender a lidar com pessoas diferentes,
tratar de assuntos relevantes, não falar mal dos outros, não
usar a força para resolver conflitos, demonstrar gentileza e
sinceridade no tratamento com os colegas e professores. É
justamente na escola que os alunos aprendem as regras básicas
de convivência em sociedade. O que cada professor precisa
fazer é abrir espaço a fim de que eles aprendam a conviver,
se conheçam e se respeitem.
Há alunos que possuem sérias
carências sociais e afetivas, dificuldade de relacionamento e
uma necessidade enorme de cultivar amizades sinceras. Os
mestres precisam propiciar-lhes, urgentemente, um clima de
amor e amizade.
No âmbito da educação cristã é essencial que os
professores tenham
coragem de desvestir a escola dominical de sua fisionomia de
“lugar para ocupar as manhãs de domingo” para transformá-la
em verdadeiro centro de convivência e comunhão cristã.
Precisamos de um espaço estimulador de projetos
participativos, cooperativos, identificados pela busca de
objetivos comuns. A Bíblia nos informa que nos primórdios da
Igreja cristã “Todos os que criam estavam juntos” (At
2.44). Toda a comunidade crescia em graça e conhecimento em
função de permanecerem reunidos em torno das Escrituras
Sagradas.
Não é suficiente o contato que
os professores têm com seus alunos durante a aula na Escola
Dominical. O educador cristão precisa oferecer um
meio-ambiente favorável para um inter-relacionamento onde
haja plena compreensão e possam compartilhar idéias, aspirações
e verdades aprendidas na Palavra de Deus.
APRENDER A SER
A educação secular ensina que todo ser humano deve ser
preparado inteiramente – espírito, alma, corpo, inteligência,
sensibilidade, sentido estético e responsabilidade moral, ética
e espiritual. Os jovens precisam aprender a elaborar
pensamentos autônomos, críticos, e formular os próprios juízos
de valores, para decidirem por si mesmos, como agir em
diferentes circunstâncias da vida.
A educação cristã vai além das raias da simples
valorização do ente. A Palavra de Deus nos instrui que não
devemos pensar apenas em nós mesmos, no que somos, julgamos
ou podemos ser. Temos de pensar na valorização do outro –
no ser do outro. Não há como ser sem o outro. Todavia, para
valorizarmos o outro é necessário nos valorizarmos a nós
mesmos. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt
22.39).
Outra coisa importante é que o cristão nunca deixa de
aprender a ser. Ele está sempre crescendo nesse sentido,
porque a aprendizagem da fé está no fato de o crente ser e
saber ser uma pessoa em constante busca de seu aperfeiçoamento
moral, ético e espiritual.
CONCLUSÃO
Com base nos quatro pilares da educação, compreendemos
que profundas mudanças precisam ocorrer, tanto no sistema de
ensino secular quanto no cristão.
Pode levar algum tempo para aceitarmos que só se aprende
participando, vivenciando, tomando atitudes diante dos fatos,
escolhendo procedimentos para atingir determinados objetivos.
Não se ensina só pelas respostas dadas, mas principalmente
pelas experiências proporcionadas, pelos problemas criados,
pela ação desencadeada. Não foi por esse mesmo princípio
que Jesus ensinou o caminho da salvação à mulher
samaritana?
Marcos Tuler é
ministro do Evangelho, pedagogo, escritor, conferencista e
chefe do Setor de Educação Cristã da CPAD. Acesse o blog do
autor: www.prmarcostuler.blogspot.com
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