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Nunca
sós
Silas Daniel
Uma das mais belas
declarações da Bíblia foi proferida em um dos momentos de
maior tensão da História.
Nos capítulos 14 a
17 do Evangelho de João, encontramos Jesus se despedindo dos
Seus discípulos. Ele estava prestes a experimentar a cruz.
Por isso, a conversa que teve com eles foi carregada de emoção.
Ela revela a tensão daquele momento.
No capítulo 14,
encontramos os discípulos sentindo-se órfãos e inseguros
por antecipação. Jesus, então, conforta-os, afirmando que o
Espírito Santo, o Consolador, estaria com eles
permanentemente. Além disso, os discípulos veriam Jesus
novamente (Jo 14.16-18).
No capítulo 15, o
Mestre continua reanimando-os e lembra do seu propósito de
estar ligado eternamente a eles, quando fala que Ele é a
videira e eles, os ramos. No capítulo 16, volta a falar do
Consolador. Porém, já no final do capítulo 16, Jesus revela
que Seus discípulos O abandonariam na Sua trajetória até a
cruz. Ele afirma claramente que aquele seria um caminho que
trilharia em completo abandono. “Eis que vem a hora, e já
é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e
me deixareis só...”, Jo 16.32a.
Como
é terrível enfrentar a tragédia completamente sozinho! Mas,
pensando bem, quem disse que Jesus estava totalmente sozinho?
Ele poderia estar no sentido físico, mas não no espiritual.
O Pai estava com Ele! Foi o Mestre mesmo quem declarou isso,
logo depois de dizer que os discípulos o deixariam só.
Foi em um clima de
abandono e saudade que Jesus proferiu uma das mais belas
declarações da Bíblia. Uma declaração de esperança:
“...me deixareis só; contudo não estou só, porque o Pai está comigo”, Jo 16.32b.
Que afirmação
inspiradora! Momentos antes de ser abandonado e acometido pelo
terrível suplício que culminaria na Sua sangrenta morte na
cruz, Jesus diz que estava firme diante da profunda dor e das
injustiças que enfrentaria por que sabia que o Pai estava com
Ele. A presença do Pai encorajou-o até o Gólgota e deu-lhe
forças para prosseguir. Foi no Pai que buscou forças no Getsêmani,
quando verteu sangue pelos Seus poros (Lc 22.41-44). Mesmo em
meio à dor intensa que o fez clamar “Deus meu, Deus meu,
porque me desamparaste?”, Ele sabia que o Pai estava com
Ele, pois, ao expirar, foi ao Pai que entregou Seu espírito
na hora da morte, citando Salmos 31.5, uma oração que era
ensinada bem cedo às crianças judias daquela época (Lc
23.46). Ele sabia que o Pai estava ali.
Jesus
é nosso padrão
Jesus é o nosso padrão, o
modelo a ser seguido, nosso manequim e alvo. Logo, da mesma
forma que Ele, como Deus encarnado, em meio à mais intensa
adversidade, pôde vencer, é possível também vencermos. Mas
isso só se concretiza na vida de quem, como Ele, pode afirmar
com certeza: “Contudo, não estou só, porque o Pai está
comigo”.
Com Jesus aprendemos que se Deus
está conosco, podemos ser até esbofeteados, injustiçados,
crucificados, mortos e enterrados. Tudo isso valerá a pena,
se o Pai está conosco. Se Ele não está, o “fim” é o
fim. Mas, se Ele está, o capítulo final da nossa história
será outro. Com Ele, depois da tumba sempre vem a ressurreição,
e com ela a glorificação.
Em outras palavras: Se Deus está
conosco, pode tudo estar dando errado, mas no fim vai dar tudo
certo, em nome de Jesus de Nazaré!
Na vida, todos sofremos. Uns
mais, outros menos, mas todos sofremos. E Ele não escondeu
isso a Seus discípulos: “No mundo tereis aflições...”,
Jo 16.33. Porém, se Deus está conosco, podemos sofrer por um
tempo, mas não por todo tempo. “O choro pode durar uma
noite, mas a alegria vem pela manhã”. Depois de cada luta,
vem a vitória. Depois de cada vitória, luta de novo, mas
sempre seguida por mais uma vitória.
E se Deus permite em alguns
casos, como o do profeta Jeremias, que alguém sofra
ininterruptamente até o final da sua vida na Terra, lembremos
que uma coroa de justiça gloriosa nos espera no Céu, um
sublime galardão, além da já perfeita eternidade com Deus.
E quem padece mais por Cristo, mais receberá em Glória.
Seja agora ou no porvir, os que
andam com Ele sempre sagram-se vencedores.
O
que importa é Deus conosco
O que importa essencialmente não
é quanto você tem na sua conta no banco, se é uma pessoa
bem aquinhoada, se tem pessoas influentes para te ajudar e se
o lobby em seu favor é forte ou não, mas, sim, se
Deus está com você.
Abraão Lincoln, presidente dos
Estados Unidos no século 19, sabia disso, por isso afirmou
certa vez: “O que importa não é se eu estou com Deus, mas
se Deus está comigo”. Com isso, ele quis dizer que estar
com Deus é fácil. Concordar com Ele é fácil. Afirmar que
Ele está certo no que diz e faz não é difícil. A questão
mesmo é se Deus concorda conosco, nos acompanha, se chancela
o que fazemos, se permeia a nossa vida, se guia os nossos
passos. O que importa mesmo é Emanuel, “Deus conosco”. E
para Ele estar conosco é preciso mais do que o nosso
convencimento; é preciso conversão e entrega diária da
nossa vida a Ele.
Se um dia aceitamos a Jesus
sinceramente, Ele nos acompanhará durante toda nossa vida e
pela eternidade, mesmo nos trechos mais escuros da estrada.
Ele prometeu: “Eis que estou convosco todos os dias, até a
consumação dos séculos”, Mt 28.20.
Certeza
que firma os passos
Cristo promete nunca nos
abandonar. Ele é Deus conosco. Se você o ama e serve, nunca
estará só. Ele é fiel e vela pela Sua Palavra para a fazer
cumprir (Jr 1.12). Com essa certeza, podemos caminhar com
passos firmes e seguros, pois a certeza da Sua presença
conosco é tudo. Ele garante: “Não temas, porque Eu estou
contigo”. Estar com Ele = Nada temer.
Só tem essa certeza quem conhece
a Deus, por isso quem O conhece é forte e ativo (Dn 11.32),
pois sabe que não há o que temer se maior é o que está
conosco (Sl 27.1). Se há Deus, há tudo. Quem tem Deus tem
tudo, mesmo não tendo nada.
É a certeza da Sua presença que
preenche toda e qualquer ausência. “A minha porção é o
Senhor, diz a minha alma”, Lm 3.24.
É a certeza de Sua companhia que
nos faz crer mesmo quando as trevas são vizinhas. “Ainda
que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal
nenhum, porque tu estás comigo”, Sl 23.4.
É a Sua presença em nossa vida
que garante a chegada a um porto seguro. “Então eles, de
bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu
destino”, Jo 6.21.
Da mesma forma, é a Sua ausência
que nos faz desesperar. “Ao expirar, disseram as mulheres
que a assistiam: Não temas, pois tiveste um filho. Ela, porém,
não respondeu, nem fez caso disso. Mas chamou ao menino
Icabode, dizendo: Foi-se a Glória de Israel”, 1Sm 4.20-21.
E é a não percepção da Sua
ausência que nos leva à precipitação da nossa derrocada.
“Tendo ele despertado do seu sono, disse consigo mesmo:
Sairei ainda esta vez como dantes, e me livrarei; porque ele não
sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele”, Jz
16.20.
Quer descansar na adversidade?
Cultive a presença divina em sua vida. Só a certeza da
presença de Deus nos faz descansar (Êx 33.14). Mas, como
cultivá-la?
Em primeiro lugar, invocando-O.
“Perto está o Senhor de todos que o invocam em verdade”,
Sl 145.18. “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes
de todo o vosso coração”, Jr 29.13.
Em segundo lugar, ouvindo a Sua
Palavra, bebendo dela todos os dias. Deus só ouve aquele que
ouve a Ele. Portanto, se quer que Ele ouça você e se
manifeste na sua vida, antes ouça a Sua voz.
Por fim, também louvando ao
Senhor, porque Deus habita no meio dos louvores (Sl 22.3).
Se fizer isso, você nunca estará
só. A presença de Deus será sempre a realidade à tua volta
e dentro do teu coração.
Silas Daniel é pastor, jornalista e autor dos
livros A
Sedução das Novas Teologias; Habacuque
– a vitória da fé em meio ao caos; Reflexões
sobre a Alma e o Tempo – uma teologia de chronos e kairós
e Como
vencer a frustração espiritual,
todos títulos da CPAD. Conheça o blog do autor:
silasdaniel.blogspot.com
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