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A
Força do Olhar
Públio José
– jornalista
(publiojose@digizap.com.br)
Segundo
a História, o senador Publius Lentulus, designado pelo Senado
romano para investigar o fenômeno Jesus Cristo na Palestina,
Judéia e Samaria, destacou no seu relato, entre outros
aspectos, a intensidade do olhar de Jesus. Segundo ele, “seu
olhar era de um azul tão intenso que ninguém poderia fitá-lo
de frente durante muito tempo”. Publius fora enviado pelo
Senado romano para decifrar o fenômeno Cristo em razão das
pouquíssimas informações que chegavam ao Senado a respeito
de Jesus. O poder naquele tempo, na Roma dos Césares, era
dividido entre a Corte e o Senado. Tendo seu próprio sistema
de investigação, não interessava ao governo deixar o Senado
bem informado. Afinal, o Senado era um órgão limitador do
poder do Imperador da época. Assim, sem informações confiáveis,
decidiu o Senado, por conta própria, enviar um dos seus
membros para analisar o fenômeno Cristo.
Conta a História, que Publius Lentulus assistiu anônimo
o “Sermão da Montanha”. E ficou admirado com o discurso
de Jesus. Segundo ele, o Cristo “dizia muitas coisas certas,
porém pecava gravemente quando afirmava que perante Deus (o
Deus de Jesus) todos os homens eram iguais”. Ora, tal
afirmativa batia de frente com a realidade romana de então,
que dividia os homens em castas bem separadas entre si,
constituídas de nobres, plebeus e escravos – uma visão,
portanto, separatista, totalmente diferente da defendida por
Jesus. Mas voltemos ao olhar, à força do olhar. O termo olho
vem do grego “ophtalmós”, daí derivando-se o verbo
olhar, como também o substantivo. O enviado de Roma, entre
tantos outros detalhes interessantes que viu em Jesus,
destacou em seu relato o olhar. Realmente, Jesus se utilizou
em inúmeras ocasiões do magnetismo do olhar para manifestar
suas emoções.
Ao
longo da história, além do olhar de Jesus, outros olhares
ficaram muito famosos. O de Beth Davis, uma das divas do
cinema dos anos 40, por exemplo, exalava maldade e suspense; o
de Hitler inspirava intranqüilidade e apreensão; o de Greta
Garbo, de tão eloqüente pelo que dizia, tornou-se inesquecível
até hoje; o da Mona Lisa, de tão enigmático, intriga a
todos que se postam diante dele. Verdadeiramente, muitas
palavras, através do olhar, podem ser ditas –
silenciosamente. E sua essência pode significar: orgulho,
altivez, piedade, sonolência, desejo, vigilância,
generosidade, insensibilidade, ganância, e uma série de
sentimentos semelhantes. Jesus dava uma importância muito
grande ao olhar. Em Lucas, capítulo 11, versículo 34, ele
ressalta que “são os teus olhos a lâmpada do corpo; se os
teus olhos forem bons, todo o teu corpo será iluminado; mas,
se forem maus, o teu corpo ficará em trevas”.
A grande diferença entre o olhar dos homens e o de
Jesus é que o dele exala amor. E um dos momentos da comprovação
deste fato foi durante a tortura a que Jesus foi submetido na
fortaleza de Pilatos. Pedro estava presente. Em determinado
instante, quando o galo cantou – depois de ter negado a
Jesus por três vezes – o olhar do Mestre se cruzou com o do
apóstolo. O relato bíblico diz que Pedro, após o olhar,
“saindo dali, chorou amargamente”. Porque foi de choro a
sua reação? Porque não foi de ódio? Pelo amor expresso no
olhar de Jesus. Não há ato violento, mesmo o mais agressivo,
que resista a um olhar de amor. Pedro ficou desorientado. E
desandou a chorar. Esperava um olhar de ódio. Em troca,
recebera um olhar carregado de amor. A intensidade do olhar de
Jesus modificou a sua vida. E o choro foi o reconhecimento de
que fora perdoado. O mensageiro? Um simples olhar – um olhar
cheio de amor.
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