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Leitura
Bíblica em Classe
Jo 14.1-3; At 1.9-11
Título: A Promessa da Segunda Vinda de Cristo
Leitura
Bíblica em Classe: Jo 14.1-3; At 1.9-11
Esboço
Introdução:
I. A segunda vinda de Cristo – uma promessa consoladora
II. A segunda vinda de Cristo e a bem-aventurada esperança
III. A segunda vinda de Cristo – a vitória da redenção
Conclusão:
Título deste subsídio: A vinda repentina de Cristo
Autor deste subsídio: Esdras Costa Bentho
Palavras-chaves:
Arrebatamento; parousia; advento; relâmpago; figuras de
linguagem.
1.
Recursos Estilísticos que Exemplificam a Vinda de Cristo
Os
recursos literários comunicam verdades e percepções que,
por vezes, não são atestadas pelas palavras em seu sentido
estático e cálido como encontramos nos dicionários. O
escritor semita não se compraz na linguagem petrificada, mas
na dinâmica das figuras. Sua linguagem é a do movimento que
evoca sons (Jz 5.22; Sl 93.4), que apelam ao paladar (Ct 1.2),
à dor (Is 42.14), à ansiedade (Sl 42.1), ao movimento
gracioso (Gn 49.21) entre outras.
A leitura dos múltiplos recursos
figurados e retóricos usados por Jesus para descrever a parousia (vinda,
presença; advento), e os termos e expressões
relacionados, devem ser entendidos dentro do contexto vívido
da linguagem bíblica. Veja uma síntese dessas imagens na
Orientação Pedagógica da LBM.
Embora não seja possível
investigarmos cada uma das imagens ilustradas na Orientação
Pedagógica, veremos uma síntese do que a figura ‘relâmpago’
comunica. Antes, porém, uma visão geral dos capítulos 24 e
25 de Mateus, textos dos quais as imagens estilísticas se
originam.
O contexto de Mateus 24
é uma pérola escatológica do qual o 25 alonga, e torna-se,
portanto, imprescindível uma visão panorâmica das amarras
desses capítulos para compreendermos toda a força de suas
mensagens. Suas duas seções tratam de temas doutrinários
(24.1-31) e exortativos (24.32-25.1-46). A primeira
trata da predição da destruição do templo (1-2), dos
sinais proféticos (3-8), das perseguições (9-14), da
septuagésima semana de Daniel (15-22), dos falsos cristos e
profetas (23-28), e da vinda do Filho do Homem (29-31). Na
segunda, a partir do versículo 32, ocorre uma série de
admoestações proféticas de caráter exortativo que assinala
a aproximação do fim: a parábola da figueira (32-35), o
sinal diluviano (36-42), a expectativa do patriarca (43-44), a
parábola dos dois servos (45-51), das dez virgens (25.1-13),
dos dez talentos (25.14-30), e, por fim, da vida e castigo
eternos (25.31-46). Os principais verbos da segunda seção
estão todos no imperativo categórico, isto é, expressam uma
ordem absoluta que deve ser obedecida irrestritamente: “aprendei”
(v.32 – [mathete]),
“sabei” (vv.33,44 [gnesthe
hetoimoi]), “vigiai” (v.42 – [grēgoreite]),
“considerai” (v.43 – [ginōskete]),
e “estai” (v.44). Todos denotam a urgência de se
estar atento a fim de não ser surpreendido pela vinda
repentina do Senhor Jesus Cristo.
Relâmpago
O substantivo ‘relâmpago’ (no hebraico bārāq
e no grego astrapē)
procede de uma raiz que se traduz por ‘resplendor’ e
‘brilho’. O vocábulo é usado em duas categorias
principais: literal
e figurada. O uso próprio
ou literal está associado ao relâmpago como fenômeno
natural produzido pela descarga elétrica entre duas nuvens.
Diversos textos bíblicos descrevem esse fenômeno como um ato
criativo de Deus, como por exemplo, Jó
28.26: ‘quando prescreveu uma lei para a chuva e caminho
para o relâmpago dos
trovões’. Igualmente válida
é a citação do Salmos 135.7: ‘Faz subir os vapores das
extremidades da terra; faz os relâmpagos para
a chuva; tira os ventos dos seus tesouros’.
No entanto, a linguagem figurada é muito mais
significativa em razão de seu uso teológic o do que pelo uso
metafórico que relaciona o brilho do relâmpago à ‘lança
relampagueante’ (RC), ‘relampejar da lança’
(RA), ou ‘lanças cintilantes’ (NVI) em Naum 3.3,
ou em outras referências congêneres (Zc 9.14; Hb 3.11;).
Em várias ocasiões o relâmpago está
associado ao Senhor e a manifestação de sua glória
(manifestações teofânicas). Daniel contempla a face do
Senhor e a descreve à semelhança de ‘um relâmpago’,
dado a claridade e inacessibilidade à luz impoluta (Dn 10.6;
1 Tm 6.16; Ap 22.5). Noutra ocasião a manifestação da glória
de Deus se fez acompanhar de ‘trovões, relâmpagos,
espessa nuvem e forte sonido de buzina’ (Êx 19.16; cf.
Ap 4.5). O brilho do relâmpago, isto é, o seu estado de cândido,
é relacionado às vestes resplandecentes dos anjos no
sepulcro (Lc 24.4). Os relâmpagos também estão alistados
aos juízos de Deus (Ap 11.19; 16.18). A forma como Jesus
descreve a queda de Satanás parece indicar uma relação multívia,
que insere tanto o sentido de juízo, simbolizado pelo relâmpago,
como de queda repentina: ‘E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair
do céu’ (Lc 10.18). O símile ‘como’ demonstra que
a queda foi semelhante ao raio quando ‘cai do céu’,
evidentemente este foi o juízo de Deus sobre o Apóstata, e
‘raio’ ou ‘relâmpago’, transmite o sentido de
‘subitaneidade’ como também se refere ao juízo sofrido
pelo adversário. Este aspecto justifica-se pela revelação bíblica
e pelo contexto imediato. Este último, por exemplo, atesta a
vitória da Grande Comissão sobre os demônios. Jesus afirma
que "viu", embora o texto não afirme quando, a
queda e o juízo de Deus sobre Satanás.
Embora o vocábulo ‘relâmpago’ seja
usado em diversos contextos, nossa análise se concentra no
uso figurado relacionado à vinda repentina de Cristo, segundo
os textos de Mateus 24.27 e Lucas 17.24: ‘Porque, assim
como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao
ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem...
porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade
inferior do céu até à outra extremidade, assim será também
o Filho do Homem no seu dia’.
Mateus e Lucas usam o símile para comparar a vinda de
Cristo ao relâmpago. O sí
símile, como já afirmado na obra Hermenêutica Fácil e
Descomplicada, consiste em uma comparação ‘formal
entre dois objetos ou ações que não estão
materialmente
relacirelaconados entre si, normalmente precedidos por uma
conjunção de comparação com vista a impressionar a
mente com algo concreto, parecido ou semelhante’.
Em Mateus, a imagem do ‘relâmpago’ é reforçada pela
figura do ‘abutre’ e o calendário profético não está
relacionado ao arrebatamento da Igreja, mas à manifestação
do Messias ao povo de Israel. As referências ao ‘abominável
da desolação no lugar santo’ (v.15), ‘grande aflição’(v.21),
e aos ‘dias
abreviados’(v.22),
tratam do período tribulacional da qual a Igreja não
fará parte. Com este quadro em vista, talvez não seja difícil
entender a expressão conjunta a ‘relâmpagos’ ‘onde
estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias (RC
– ‘abutres’ RA)’, pois o primeiro lembra o juízo
subitâneo, o julgamento do Filho do Homem, que se
manifesta semelhante ao relâmpago, isto é, visto por todos,
‘oriente e ocidente’, claramente. O segundo, ‘abutre’,
no original aetoi, literalmente ‘águias’[no plural], refere-se às
espécies de aves de rapina ou carniceiras, e representam o juízo
de Deus executado ou manifesto, segundo os textos de
Apocalipse 19. 17, 18: ‘E vi um anjo que estava no sol, e
clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo
meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para
que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne
dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se
assentam, e a carne de todos os homens, livres e servos,
pequenos e grandes’. Esta última imagem também é uma
figura do juízo de Deus em diversas passagens das Escrituras
(Dt 28.49;
Pv 30.17). Em Apocalipse 8.13, o vocábulo aetou
[no singular], literalmente ‘águia’ é traduzido pela
Almeida Corrigida por ‘anjo’, mas a tradução literal
deveria ser ‘águia’, tal qual Almeida Atualizada. Neste
texto apocalíptico, ‘águia’ é um agente que comunica o
juízo de Deus relacionado às três trombetas seguintes.
O texto de Lucas 17.24,
facilmente se explica pelo de seu antecessor, onde ‘de uma
extremidade a outra’ é uma referência também conexa a
‘ocidente e oriente’ de Mateus - hebraísmo que pela
mentalidade semítica representava a totalidade da terra nos
textos de Sl 75.6; 103.12; 107.3; Is 43.5.
Leia do mesmo autor:
Hermenêutica
Fácil e Descomplicada e A Família no Antigo Testamento: história
e sociologia, ambos editados pela CPAD.
Visite o blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot.com
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