Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas Mestre
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Promessas de Deus para Sua Vida
4º trimestre/2007


Lição 11 - A Promessa da Segunda Vinda de Cristo


 

Leitura Bíblica em Classe

Jo 14.1-3; At 1.9-11

Título: A Promessa da Segunda Vinda de Cristo

Leitura Bíblica em Classe: Jo 14.1-3; At 1.9-11

Esboço

Introdução:

I. A segunda vinda de Cristo – uma promessa consoladora

II. A segunda vinda de Cristo e a bem-aventurada esperança

III. A segunda vinda de Cristo – a vitória da redenção

 

Conclusão:

Título deste subsídio: A vinda repentina de Cristo

Autor deste subsídio: Esdras Costa Bentho

 

Palavras-chaves:

Arrebatamento; parousia; advento; relâmpago; figuras de linguagem.

 

1. Recursos Estilísticos que Exemplificam a Vinda de Cristo

Os recursos literários comunicam verdades e percepções que, por vezes, não são atestadas pelas palavras em seu sentido estático e cálido como encontramos nos dicionários. O escritor semita não se compraz na linguagem petrificada, mas na dinâmica das figuras. Sua linguagem é a do movimento que evoca sons (Jz 5.22; Sl 93.4), que apelam ao paladar (Ct 1.2), à dor (Is 42.14), à ansiedade (Sl 42.1), ao movimento gracioso (Gn 49.21) entre outras.

A leitura dos múltiplos recursos figurados e retóricos usados por Jesus para descrever a parousia (vinda, presença; advento), e os termos e expressões relacionados, devem ser entendidos dentro do contexto vívido da linguagem bíblica. Veja uma síntese dessas imagens na Orientação Pedagógica da LBM.

Embora não seja possível investigarmos cada uma das imagens ilustradas na Orientação Pedagógica, veremos uma síntese do que a figura ‘relâmpago’ comunica. Antes, porém, uma visão geral dos capítulos 24 e 25 de Mateus, textos dos quais as imagens estilísticas se originam. 

O contexto de Mateus 24 é uma pérola escatológica do qual o 25 alonga, e torna-se, portanto, imprescindível uma visão panorâmica das amarras desses capítulos para compreendermos toda a força de suas mensagens. Suas duas seções tratam de temas doutrinários (24.1-31) e exortativos (24.32-25.1-46). A primeira trata da predição da destruição do templo (1-2), dos sinais proféticos (3-8), das perseguições (9-14), da septuagésima semana de Daniel (15-22), dos falsos cristos e profetas (23-28), e da vinda do Filho do Homem (29-31). Na segunda, a partir do versículo 32, ocorre uma série de admoestações proféticas de caráter exortativo que assinala a aproximação do fim: a parábola da figueira (32-35), o sinal diluviano (36-42), a expectativa do patriarca (43-44), a parábola dos dois servos (45-51), das dez virgens (25.1-13), dos dez talentos (25.14-30), e, por fim, da vida e castigo eternos (25.31-46). Os principais verbos da segunda seção estão todos no imperativo categórico, isto é, expressam uma ordem absoluta que deve ser obedecida irrestritamente: “aprendei” (v.32 – [mathete]), “sabei” (vv.33,44 [gnesthe hetoimoi]), “vigiai” (v.42 – [grēgoreite]), “considerai” (v.43 – [ginōskete]), e “estai” (v.44). Todos denotam a urgência de se estar atento a fim de não ser surpreendido pela vinda repentina do Senhor Jesus Cristo.

 Relâmpago

O substantivo ‘relâmpago’ (no hebraico bārāq e no grego astrapē) procede de uma raiz que se traduz por ‘resplendor’ e ‘brilho’. O vocábulo é usado em duas categorias principais: literal e figurada. O uso próprio ou literal está associado ao relâmpago como fenômeno natural produzido pela descarga elétrica entre duas nuvens. Diversos textos bíblicos descrevem esse fenômeno como um ato criativo de Deus, como por exemplo, Jó 28.26: ‘quando prescreveu uma lei para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões’. Igualmente válida é a citação do Salmos 135.7: ‘Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus tesouros’.  

No entanto, a linguagem figurada é muito mais significativa em razão de seu uso teológic o do que pelo uso metafórico que relaciona o brilho do relâmpago à ‘lança relampagueante’ (RC), ‘relampejar da lança’ (RA), ou ‘lanças cintilantes’ (NVI) em Naum 3.3, ou em outras referências congêneres (Zc 9.14; Hb 3.11;).  

Em várias ocasiões o relâmpago está associado ao Senhor e a manifestação de sua glória (manifestações teofânicas). Daniel contempla a face do Senhor e a descreve à semelhança de ‘um relâmpago’, dado a claridade e inacessibilidade à luz impoluta (Dn 10.6; 1 Tm 6.16; Ap 22.5). Noutra ocasião a manifestação da glória de Deus se fez acompanhar de ‘trovões, relâmpagos, espessa nuvem e forte sonido de buzina’ (Êx 19.16; cf. Ap 4.5). O brilho do relâmpago, isto é, o seu estado de cândido, é relacionado às vestes resplandecentes dos anjos no sepulcro (Lc 24.4). Os relâmpagos também estão alistados aos juízos de Deus (Ap 11.19; 16.18). A forma como Jesus descreve a queda de Satanás parece indicar uma relação multívia, que insere tanto o sentido de juízo, simbolizado pelo relâmpago, como de queda repentina: ‘E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu’ (Lc 10.18). O símile ‘como’ demonstra que a queda foi semelhante ao raio quando ‘cai do céu’, evidentemente este foi o juízo de Deus sobre o Apóstata, e ‘raio’ ou ‘relâmpago’, transmite o sentido de ‘subitaneidade’ como também se refere ao juízo sofrido pelo adversário. Este aspecto justifica-se pela revelação bíblica e pelo contexto imediato. Este último, por exemplo, atesta a vitória da Grande Comissão sobre os demônios. Jesus afirma que "viu", embora o texto não afirme quando, a queda e o juízo de Deus sobre Satanás.

 Embora o vocábulo ‘relâmpago’ seja usado em diversos contextos, nossa análise se concentra no uso figurado relacionado à vinda repentina de Cristo, segundo os textos de Mateus 24.27 e Lucas 17.24: ‘Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem... porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia’.

Mateus e Lucas usam o símile para comparar a vinda de Cristo ao relâmpago. O      sí      símile, como já afirmado na obra Hermenêutica Fácil e Descomplicada, consiste em uma comparação ‘formal entre dois objetos ou ações que não estão materialmente             relacirelaconados entre si, normalmente precedidos por uma conjunção de comparação com  vista a impressionar a mente com algo concreto, parecido ou semelhante’.

Em Mateus, a imagem do ‘relâmpago’ é reforçada pela figura do ‘abutre’ e o calendário profético não está relacionado ao arrebatamento da Igreja, mas à manifestação do Messias ao povo de Israel. As referências ao ‘abominável da desolação no lugar santo’ (v.15), ‘grande aflição’(v.21), e aos  dias abreviados’(v.22),  tratam do período tribulacional da qual a Igreja não fará parte. Com este quadro em vista, talvez não seja difícil entender a expressão conjunta a ‘relâmpagos’ ‘onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias (RC – ‘abutres’ RA)’, pois o primeiro lembra o juízo subitâneo, o julgamento do Filho do Homem, que se manifesta semelhante ao relâmpago, isto é, visto por todos, ‘oriente e ocidente’, claramente. O segundo, ‘abutre’, no original aetoi, literalmente ‘águias’[no plural], refere-se às espécies de aves de rapina ou carniceiras, e representam o juízo de Deus executado ou manifesto, segundo os textos de Apocalipse 19. 17, 18: ‘E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde e ajuntai-vos à ceia do grande Deus, para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam, e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes’. Esta última imagem também é uma figura do juízo de Deus em diversas passagens das Escrituras (Dt  28.49; Pv 30.17). Em Apocalipse 8.13, o vocábulo aetou [no singular], literalmente ‘águia’ é traduzido pela Almeida Corrigida por ‘anjo’, mas a tradução literal deveria ser ‘águia’, tal qual Almeida Atualizada. Neste texto apocalíptico, ‘águia’ é um agente que comunica o juízo de Deus relacionado às três trombetas seguintes.

O texto de Lucas 17.24, facilmente se explica pelo de seu antecessor, onde ‘de uma extremidade a outra’ é uma referência também conexa a ‘ocidente e oriente’ de Mateus - hebraísmo que pela mentalidade semítica representava a totalidade da terra nos textos de Sl 75.6; 103.12; 107.3; Is 43.5. 

 

Leia do mesmo autor: 

Hermenêutica Fácil e Descomplicada e A Família no Antigo Testamento: história e sociologia, ambos editados pela CPAD.

Visite o blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot.com

  


Você pode:

- fazer download desta lição* - 3kb

* é necessário possuir programa de descompactação. Caso não o tenha, faça o download

Veja também:
- Outras lições
- Artigos
- Mapas e ilustrações

 
voltar para a página anteriorvoltar voltar para o início da páginatopo