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Leitura
Bíblica em Classe
Sl 27.1-6.
Título: A Promessa de Segurança num Mundo Inseguro
Título
deste subsídio: Habacuque: a verdadeira segurança em Deus
Autor: Pr. Silas Daniel
- Conferencista internacional;
- Editor do Jornal Mensageiro da Paz;
- Articulista e autor de diversas obras publicadas pela CPAD.
Palavras-chaves
Segurança; Proteção; Confiança.
Esboço:
Introdução:
I. A perspectiva da verdadeira
segurança em Deus
II.
Os efeitos da verdadeira segurança em Deus
III. Como viver a verdadeira
segurança em Deus
I. O significado da passagem de
Hb 3.19
Talvez você se sinta como a corça
da nossa história: perseguida, encurralada. Que fazer para não
ser vitimado pela tristeza, o desânimo e o desespero? Como não
sucumbir às pressões do caos, que são como algozes ao nosso
encalço, fustigando-nos dia após dia?
Dessa marcante ilustração de
Habacuque sobre a bênção divina na vida de seus filhos
durante a aflição, podemos obter lições maravilhosas para
escapar desses vilões e vencermos as adversidades.
A mensagem dessa passagem de
Habacuque é rica e extremamente edificante. É uma mensagem
de esperança em meio à adversidade, de vitória da fé sobre
o caos instalado. “A corça é veloz e não pisa em falso,
por isso escapa rapidamente do perseguidor. O quadro é o de
alguém supremamente confiante em que Aquele que leva o seu
povo a passar por provações é fiel e fornecerá em cada
provação um caminho de escape, para que o povo seja capaz de
enfrentá-la.”.
A abordagem de Champlin é ainda
mais completa: “A força que Deus outorga é revigorante,
como o poder que a gazela tem em suas patas. A corça podia
percorrer a escura floresta com pés ligeiros, e outro tanto
podia fazer o profeta nas escuras experiências da vida. As
pernas do profeta tremeram (v.16), mas agora se fortaleceram e
se tornaram ligeiras. O animal de patas ligeiras pode subir
aos mais elevados picos montanhosos para percorrer os cumes
dos montes. A corça torna-se, assim, o símbolo da força, da
firmeza dos passos, da beleza e da alegria de viver”.
A primeira lição
que tiramos desse texto é que a fé em Deus pode até não
nos livrar do caos, mas sem dúvida nos livrará no caos.
A verdadeira fé em Deus pode até
não evitar que passemos pelo deserto, mas providenciará
durante o nosso percurso chuva de maná e fontes a jorrar do
solo seco. Ela pode até não evitar que sejamos lançados na
fornalha de fogo ardente, mas nos preservará milagrosamente
dentro do fogo. Ela pode até não impedir que sejamos jogados
na cova dos leões, mas fechará a boca das feras.
A verdadeira fé pode até não
impedir que inimigos e problemas se apresentem em nosso
caminho, mas nos fortalecerá, fazendo com que escapemos das
garras das feras. Disse Jesus: “No mundo tereis aflições,
mas tende bom animo” (Jo 16.33). A fé faz com que superemos
o caos, como uma corça que escala os montes deixando para trás
aquele que o quer destruir.
Paulo disse que Deus pode até não
nos livrar de todas as coisas, mas, com certeza, nos livrará
“em todas as coisas”, fazendo-nos “mais do que
vencedores por aquele que nos amou” (Rm 8.37). Por isso que
Jesus terminou a frase mencionada por João e citada no parágrafo
anterior dizendo “eu venci o mundo”. DEle vem a nossa força.
NEle está a vitória. E aqui chegamos à segunda lição
dessa ilustração do profeta.
II. O escape está no alto
A segunda lição
é que o escape está no alto. Se você quer sobreviver ao
caos, deve buscar o alto, olhar para cima, porque o socorro e
a vitória vêm de cima. A segurança está no alto.
Não é à toa que o salmista diz
que devemos nos abrigar “no esconderijo do Altíssimo” (Sl
91.1). Salmos 121 diz que o nosso socorro vem do Senhor, que
fez os céus e a Terra. É Ele quem nos guarda, e nos guarda
em um “alto retiro”: “Pois que tão encarecidamente me
amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque
conheceu o meu nome” (Sl 91.14).
III. Deus nos quer dar
experiências tremendas com Ele em meio ao caos
A terceira lição
é que Deus nos quer levar a experiências “altas”,
extraordinárias, tremendas, inesquecíveis, durante o caos. São
experiências que nos farão sobreviver à adversidade e
sairmos dela mais fortalecidos.
“Dizem que uma das primeiras
regras que um piloto aprende é pôr o avião de encontro ao
vento e voar contra ele. O vento o eleva a maiores alturas.
Onde foi que aprenderam isso? Foi com as aves. Se um pássaro
está voando por prazer, ele vai ao sabor do vento. Mas se
enfrenta algum perigo, faz meia-volta e voa contra o vento, a
fim de ir mais para cima; e sobe cada vez mais alto. Os
sofrimentos são os ventos de Deus, ventos contrários, às
vezes ventos fortes. São os furacões de Deus, mas tomam a
nossa vida e a elevam a alturas maiores e em direção aos Céus
de Deus”.
IV. Quanto mais alto, mais poder
A quarta lição
é que quanto mais alto for o lugar onde tenho que subir para
escapar do perigo, mas capacitação e fortalecimento
receberei do Senhor. O texto diz que é Ele quem faz nossos pés
“como os da corça”. Ou seja: só escalamos as alturas por
causa da ação dEle em nós, o que logicamente nos mostra
que, quanto mais precisarmos subir, mais habilitados Ele nos
fará para isso.
Habacuque diz que Adonai-Yahweh
– “Jeová, o Senhor” – é a sua força. Adonai
fala-nos de Deus como Senhor. Yahweh, como o Onipotente,
Eterno, o “Eu Sou o Que Sou”. Logo, se queremos subir às
alturas, ficar acima das adversidades, caminhar sobre as águas
como Pedro, devemos fixar nossos olhos no Criador,
reconhecendo-o como nosso Senhor (Adonai) e Deus (Yahweh).
Precisamos orar a Ele, dizendo: “Manda-me ir ter contigo por
cima das águas (aquilo que hoje nos assusta, a tribulação)”
(Mt 14.28). Ou como o salmista Davi: “Leva-me para a rocha
que é mais alta do que eu, pois tens sido o meu refúgio e
uma torre forte contra o inimigo” (Sl 61.2b-3).
Deus só nos fará estar seguros,
acima da tempestade, como a águia, que consegue escapar da
chuva voando acima das nuvens tempestivas, quando:
(1) Permitirmos que Ele nos guie, oriente, reine
em nossa vida (Adonai); e
(2) Desistirmos de lutar
contra o caos com nossos próprias forças, optando por nos
fortalecer nEle (Yahweh, o Senhor do Pacto, da Aliança, que
promete proteger o Seu povo). Paulo orienta-nos:
“Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef
6.10).
Quando você tenta escalar
uma montanha sem ajuda ou equipamento, a tarefa torna-se em
determinados pontos impossível. Da mesma forma, sem o auxílio
divino, não alcançaremos os lugares altos, não
conseguiremos estar em segurança. Ele é quem nos leva ao
lugar alto e seguro. “Porque no dia da adversidade me
esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me
esconderá; por-me-á sobre uma rocha” (Sl 27.5). É impossível
alcançarmos às alturas sem o auxílio divino.
Talvez até hoje você tem
tentado vencer sozinho, subir à rocha mais alta que você por
si mesmo, por isso está tão cansado e fatigado, uma presa fácil
para o inimigo.
Se essa é a sua situação, ouça
e receba as palavras divinas proferidas pelo profeta Isaías:
“Dá esforço ao cansado, e multiplica as forças ao que não
tem nenhum vigor. Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os
mancebos certamente cairão, mas os que esperam no Senhor
renovarão as suas forças, subirão com asas como águias;
correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão”
(Is 40.29-31).
O caos não vai te destruir; você
não vai ficar no meio do caminho; os inimigos não vão te
alcançar; porque você vai subir na força do Senhor!
V. Como subir
A quinta
e última lição que extraímos desse texto (há outras, mas
essas cinco são as fundamentais) diz respeito a como subir
para estar seguro.
Basicamente, são três coisas
que garantem ao crente “subir”: a Palavra, a oração e o
louvor. Sobre os dois primeiros já falamos bastante durante
nossa exposição.
(1)
A Palavra de Deus (Hc 2) foi o que despertou a fé
em Habacuque, o que culminou nessa oração-louvor (Hc 3).
(2) A oração
foi o expediente do profeta tanto no momento de dúvida (Hc
2.1) quanto no de certeza (Hc 3.1), levando-o a essa declaração
de fé, “às alturas”. Quando subimos ao “monte da oração”,
como Jesus (Mc 6.46), estamos seguros. Não caímos em tentação
(Mt 26.41); não cedemos à tentação do caos, do desespero.
(3) O louvor,
por sua vez, é uma conseqüência dos dois primeiros, e também
caracteriza o estar nas “alturas”, em segurança com Deus.
Se não, vejamos.
É interessante notar que
[como já afirmamos], o capítulo 3 de Habacuque é um
salmo-oração provavelmente destinado ao coro dos levitas,
pois se faz referência no final ao cantor-mor, que era mestre
da música no Templo. Logo, estamos aqui diante de uma vitória
embalada com louvor. Portanto, uma das mensagens desse versículo
19 é que devemos embalar a vitória com louvor, cantar o que
Deus vai fazer, subir às alturas com adoração.
Curioso que essa última frase do
versículo 19 está escrita na Septuaginta da seguinte forma:
“Para que eu possa conquistar por seu cântico”. Na
verdade, neginoth, que é a expressão que aparece aqui no
original, segundo Champlin, é mesmo interpretada geralmente
como “instrumento de corda”, porque “a idéia de
‘tanger’ é inerente ao vocábulo”. Porém, embora
“conquistar por seu cântico” não seja a melhor tradução,
também não foge da idéia de que a vitória será (ou deve
ser) embalada com louvor.
Quando você embala sua vida, em
meio ao turbilhão, com oração e louvor (química de
Habacuque 3), como Paulo e Silas no cárcere (“E perto da
meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus”,
At 16.25), você “sobe às regiões celestiais”. Em outras
palavras, “o Céu desce até tocar a terra” onde você está.
Você encontra-se nas alturas. O inimigo não poderá te
destruir. E, lá do alto, você verá o cumprimento da
promessa de Deus na tua vida, conforme o louvor do salmista:
“Porque Ele te livrará do laço
do passarinheiro e da peste perniciosa. Ele te cobrirá com as
suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro; a sua
verdade é escudo e broquel.”
“Não temerás espanto noturno,
nem seta que voe de dia, nem peste que ande na escuridão, nem
mortandade que assole ao meio-dia. Mil cairão ao teu lado, e
dez mil à tuda direita, mas tu não serás atingido.”
“Somente com os teus olhos
olharás e verás a recompensa dos ímpios. Porque Tu, ó
Senhor, és o meu refúgio! O altíssimo é a tua habitação.”
“Nenhum mal te sucederá, nem
praga alguma chegará à tua tenda (...) Ele me invocará e Eu
lhe responderei; estarei com Ele na angústia; livrá-lo-ei e
o glorificarei. Dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei
a minha salvação” (Sl 91.3-10,15-16).
Levante-se das cinzas.
Deixe de ficar prostrado no pó desse poço abissal em que você
se meteu. Ore! Absorva a Palavra de Deus; firme-se nela.
Embale sua vida não com o som da destruição ou com o
lamento da ruína, mas com o louvor de Deus.
Suba. Suba! Saia do poço. Escale
a montanha, alcance as alturas, vença o inimigo, veja de novo
a luz, o horizonte. Sinta a brisa do Espírito refrescar o teu
coração.
Suba na força do Senhor!
PARA SABER MAIS
Obras do Autor do Subsídio
DANIEL, Silas. Habacuque:
a vitória da fé em meio ao caos. Rio de Janeiro:
CPAD, 2005.
_____ Como
Vencer a frustração espiritual: Rio de Janeiro: CPAD,
2006.
_____ Reflexões
sobre a alma e o tempo: uma teologia do chrónos e kairós.
Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
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