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Leitura
Bíblica em Classe
Sl
92; Is 40
Título: A promessa de uma velhice feliz e frutífera
Autor: Esdras Costa Bentho
Título
deste subsídio: O Ancião na Bíblia
Introdução
I. A terceira idade – tempo de frutificação
II. A terceira idade – tempo de renovação espiritual
III. A terceira idade –
tempo de cuidar da herança
A Bíblia honra o velho, mas não o velhaco. O
Senhor ordenou que os anciãos fossem honrados e respeitados:
"Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do
velho, e terás temor do teu Deus. Eu sou o Senhor" (Lv
19.32). Um dos maiores símbolos de infelicidade, desventura e
declínio nacional para o povo de Israel era um menino opor-se
a um ancião. O profeta Isaías usa essa figura para retratar
a desgraça espiritual e política da nação: "E o povo
será oprimido; um será contra o outro, e cada um, contra o
seu próximo; O MENINO SE ATREVERÁ CONTRA O ANCIÃO, e o vil, contra o nobre" (Is 3.5).
O ancião é tão importante em Israel que
aparece juntamente com o valente, o soldado, o juiz, o
profeta, o conselheiro, o respeitável, etc. (Is 3.2). Embora
o contexto de Isaías seja negativo do ponto de vista profético,
resguarda-se a respeitabilidade das categorias
envolvidas.
No Antigo Testamento há duas principais
palavras para definir o termo "ancião" ou
"velho": uma hebraica e outra aramaica. Vejamos,
inicialmente, o hebraico zāqēn.
Zāqēn:
Idoneidade e sabedoria provenientes de uma vida farta de dias. O termo hebraico mais comum para ancião ou velho nas Escrituras
Hebraicas é zāqēn;
vocábulo que procede do cognato zāqān,
cujo significado básico deste último é barba. Em função
de os idosos usarem barbas crescidas é que a palavra começou
a designar a "velhice", ou "ancião". Este
termo, zāqēn,
é muito comum
nas Escrituras da Antiga Aliança, sendo por diversas vezes
traduzido pela Septuaginta (LXX) por presbyteros.
Na ARA, o
plural anciãos aparece cerca de 167 vezes enquanto o
singular, ancião, nove vezes. Este grupo social hebreu, como
afirmamos em nossa obra, A Família no Antigo Testamento, liderava o clã (mishpācha),
sendo os líderes ou cabeças das famílias hebréias. Essa
categoria social era conhecida pelos sábios conselhos, prudência,
vivência e capacidade para julgar situações embaraçosas. Estes são chamados de “anciãos de Israel” (Êx
3.16,18; 12.21; 17.6), “anciãos dos filhos de Israel” (Êx
4.29;), “anciãos do povo” (Êx 19.7; Nm 11.24), “anciãos
da congregação” (Lv 4.5), “anciãos da cidade” (Dt
19.12; 21.3). Esta composição social também era comum entre
os moabitas e midianitas (Nm 22.7). Os anciãos auxiliavam na
resolução de problemas ligados à virgindade (Dt 22.15),
homicídios (Dt 19.12; 21.1), in passim. Números 11.25
menciona setenta anciãos que profetizaram quando sobre eles o
Espírito do Senhor desceu. Segundo H. Schmidt, o clã, dos
quais os anciãos são os líderes, parece incluir um grupo de
mil homens com capacidade para guerrear (Mq 5.1; 1 Sm 8.12;
23.23). [2] Portanto, os anciãos, como uma classe na pirâmide
social hebréia, eram líderes consagrados por Deus para
auxiliarem a Moisés na liderança do povo de Israel e
administrarem os territórios divididos entre as doze tribos
em Canaã, entre outras importantes funções. O uso do termo como uma classe, designa a sabedoria que procede da idade
madura.
O caráter dos anciãos
encontra-se expresso nas palavras de Jetro, sogro de Moisés: "E
tu, dentre todo o povo, procura homens capazes, tementes a
Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos
sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de
cinqüenta e maiorais de dez; para que julguem este povo em
todo o tempo, e seja que todo negócio grave tragam a ti, mas
todo negócio pequeno eles o julguem" (Êx 18.21,22
ver Dt 31. 9, 28; 32.7). Os anciãos participavam
integralmente da liderança do povo, recebendo para isto
autoridade divina. Setenta deles receberam um derramamento
sobrenatural do Espírito Santo, dando-lhes, também, funções
carismáticas (Nm 11.16-26).
Para saber mais.
BENTHO,
Esdras Costa. A família
no Antigo Testamento: história e sociologia. Rio de
Janeiro: CPAD, 2006.
Visite o blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot.com
Notas:
[1]
MESQUITA, A. Neves de. Estudos
no livro de Daniel. Rio de Janeiro: JUERP, 1978, p. 55.
[2] SCHMIDT, Werner H. Introduccion al Antiguo
Testamento. Salamanca: Ediciones Sígueme,
1983, p. 49.
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