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Leitura
Bíblica em Classe
Dt
11.18-21; Ef 6.1-4.
Título: A Promessa de um lar
feliz
Autor: Esdras Costa Bentho
Título
deste subsídio: Família: Projeto
Divino.
Palavras-chaves: Família;
Casamento; Unidade; Comunhão.
1. Família, Projeto
Divino
Em
nossa obra A Família no Antigo Testamento: História e
Sociologia, descrevemos a família bíblica como "o âmago
da estrutura social". Na Tanach, exclusivamente em
Berê’shîth (Gênesis), encontramos o princípio
judaico-cristão da família no texto que diz: “Não é bom
que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja
como diante dele. Então, o Senhor Deus fez cair um sono
pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas
costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que o
Senhor Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão.
E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos e carne da
minha carne; esta será chamada varoa, porquanto do varão foi
tomada. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e
apergar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos
estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se
envergonhavam” (Gn 2.18,21-25).
1.1.
Família, Centro de
Comunhão
Deus
é quem decidiu criar a família. Esta foi formada para
ser um centro de comunhão e cooperação
entre os cônjuges. Um
núcleo por meio do qual as bênçãos divinas fluiriam e se
espalhariam sobre a terra (Gn 1.28). Não era parte do
projeto célico que o homem vivesse só, sem ninguém ao seu
lado para compartilhar tudo o que era e tudo o que recebeu da
parte de Deus, pois o
homem sente-se pessoa não apenas pelo que é, mas também
quando vê o seu reflexo no outro que lhe é semelhante.
Portanto, a sentença divina ecoada nos umbrais eternos
expressa o amor e o cuidado celeste para com a vida afetiva do
homem. O próprio Deus não estava solitário na eternidade,
mas partilhava de incomensurável comunhão com o Filho e o
Santo Espírito. Deus é um ser pessoal e sociável às suas
criaturas morais. No entanto, contrapondo a natureza divina à
humana, concluímos que o intrínseco relacionamento entre a
divindade e o ente humano dá-se em níveis transcendentais,
metafísicos.
Por
conseguinte, faltava ao homem alguém que lhe fosse
semelhante, ossos dos seus ossos, carne de sua carne, alguém
que se chamasse “varoa” porquanto do “varão” foi
formada. Essa correspondência não foi encontrada nos seres
irracionais criados, mas na criatura tomada de sua própria
carne e essência. A mulher era ao homem o vis-à-vis
de sua existência. Seu reflexo. Partida e chegada. O homem e
a mulher se identificam mutuamente por compartilharem da mesmíssima
imagem divina: “E criou Deus o homem à sua imagem; à
imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gn 1.27).
Homem e mulher, portanto, fazem parte do mesmo projeto celífluo.
Sentem-se tão necessários à existência do outro quanto
dependem individualmente do ar que respiram. Esta interdependência
é inerente à formação moral e espiritual do próprio ser.
Faz parte do mistério, da teia de encontros e desencontros,
de fluxo e refluxo que cercam a união entre homem e mulher. A
união conjugal, portanto, antes de ser um contrato jurídico,
era um ato de amor, companheirismo e cumplicidade em que as
principais necessidades humanas eram plenamente satisfeitas.
Homem e mulher se auto-realizavam um no outro.
1.2. A Constituição do Núcleo Familiar
A
constituição do núcleo familiar a priori foi
composta por um homem e uma mulher. Mais tarde, acrescentou-se
ao casal os filhos gerados dessa união. A partir do
nascimento dos primeiros filhos, a família tornou-se o
primeiro sistema social no qual o ser humano é
inserido.
A primeira família, formada
apenas por duas pessoas, tornou-se numerosa por meio dos
filhos que, ao serem gerados, se inseriram no núcleo familiar
assumindo diversos papéis dentro do sistema: filho, irmão,
neto, primo, etc. A família não foi criada, portanto, como
um sistema fechado, mas dinâmico, e, com o passar do tempo, o
número de seus membros foi aumentando gradativamente, e
destes formando novos núcleos familiares ligados por consangüinidade
e afinidade.
2.
Terminologia e Conceito de Família no Antigo Testamento
O hebraico do
Antigo Testamento costuma usar três palavras para família: bayît,
bêt, mishpāhâ.
a) A primeira delas
é bayît, que designa tanto uma “residência”,
“templo”, “lar”, a “parte interior de uma casa”,
“casa”, quanto também o conceito de “família” ou
“os moradores de uma mesma casa”. O sentido de habitação
é um dos mais freqüentes usos do termo (Êx 12.7; Lv 25.29;
Dt 11.20).
b) Outro vocábulo
muito freqüente é bêt, cujo sentido literal é
“casa” e ocorre juntamente com outros termos formando uma
idéia completa tal qual bêt’ēl (Casa de Deus),
bêt lehem (Belém ou “casa de pão”), e
assim por diante. O termo bêt designa “pessoas de
uma casa”, ou juntamente com ’āb designa
“casa do pai”.
c) O terceiro
vocábulo, mishpāhâ, literalmente significa
“família”, “parentes” ou “clã”. A ênfase está
nos laços sangüíneos que existem entre as pessoas de um
mesmo círculo. Segundo Harris, o termo “se emprega como
subdivisão de um grupo maior, tal qual uma tribo ou nação (Nm
11.10)”.
Portanto, família para o hebreu designava tanto o vínculo consangüíneo
existente entre um grupo de pessoas em uma mesma casa quanto o
conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco.
BENTHO,
Esdras Costa. A família no Antigo Testamento: história e
sociologia. 3.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
Para saber mais:
Confira o texto completo no blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot.com
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