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Leitura
Bíblica em Classe
Salmos:
73
Título: A promessa da verdadeira prosperidade
Autor: Esdras Costa Bentho
Título
deste subsídio: A prosperidade no Antigo Testamento
Prosperidade; Tsālēach; Chāyâ; Śākal; Shālâ; Dāshēm.
Introdução:
A
verdadeira prosperidade é uma conseqüência da obediência
do homem a Deus. O crente próspero, segundo o salmista, é
alguém que não se compraz com a companhia dos ímpios, mas
tem satisfação em obedecer a Escritura (Sl 1). Portanto,
abandone o pecado e afaste-se do ímpio. Ame
incondicionalmente as Sagradas Escrituras. Obedeça os ditames
da Palavra do Senhor, e terás cumprido os primeiros passos à
verdadeira prosperidade.
Cinco
termos hebraicos que descrevem a prosperidade no Antigo
Testamento:
1. Tsālēach: a prosperidade como fruto de uma
vida bem-sucedida. No
Antigo Testamento a palavra hebraica mais comum para descrever
a prosperidade é tsālēach,
isto é,"ter sucesso", "dar bom
resultado", "experimentar abundância" e
"fecundidade". Esse termo é usado em relação ao
sucesso que o Eterno deu a José (Gn 39.2,3,33) e a Uzias (2
Cr 26.5). No contexto bíblico, a verdadeira prosperidade
material ou espiritual é resultado da obediência, temor e
reverência do homem a Deus. A Escritura afirma que Uzias
"buscou o SENHOR, e Deus o fez prosperar".
2. Chāyâ: a prosperidade de uma vida longeva. Um outro termo hebraico que descreve a vida próspera
é chāyâ.
Literalmente a palavra significa "viver" ou
"permanecer vivo", entretanto, em certos contextos
significa "viver prosperamente": "Até
que eu venha e vos leve para uma terra como a vossa, terra de
trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas, terra de
oliveiras, de azeite e de mel; e assim vivereis e não
morrereis" (2 Rs 18.32). Em 1 Samuel 10.24, a frase "Viva
o rei!", quer dizer "Viva prosperamente o
rei!"; "Viva o rei em prosperidade".
3. Śākal: a sabedoria que traz prosperidade. Um outro termo muito significativo no Antigo
Testamento é śākal.
Textualmente significa "ser sábio", "agir
sabiamente" e, por extensão, "ter sucesso".
Esta palavra está relacionada à vida prudente, ao agir
cautelosa e sabiamente em todos os momentos e circunstâncias.
Um exemplo negativo que serve para ilustrar a importância do
que estamos afirmando é o marido de Abigail. Nabal, do
hebraico nābāl, ipsis
litteris, "louco", "imprudende",
"tolo", demonstrou imprudência, tolice e loucura ao
negar socorrer a Davi em suas necessidades. Embora rico, não
era sábio e prudente (1 Sm 25.10-17); sua estultice quase o
leva à morte pelas mãos de Davi, mas não impediu que o
mesmo fosse morto pelo Senhor (1 Sm 25.37,38). Nabal não agiu
com śēkel, isto é, "sabedoria", "prudência";
não procedeu com prudentemente, portanto, "não teve
sucesso", "não foi próspero". Davi, por outro
lado, viveu sabiamente diante de Saul, dos exércitos de
Israel, do povo e diante do próprio Senhor: "E Davi se
conduzia com prudência [śākal]
em todos os seus caminhos, e o Senhor era com ele" (1 Sm
18.14 ler vv.12,15).
4. Shālâ: o estado de impertubabilidade da
prosperidade. O vocábulo procede de uma raiz da qual se deriva as
palavras "tranquilidade" e "sossego". O
termo significa "estar descansado", "estar próspero",
"prosperidade". O termo também diz respeito à
prosperidade do ímpio (Jr 12.1). Porém, o foco que pretendo
destacar é o flagrante estado de "impertubabilidade"
que pode levar ao orgulho. No Salmo 30. 6 o poeta afirma: "Eu
dizia na minha prosperidade [shālâ]: Não
vacilarei jamais". Provérbios 1.32 revela com muita
propriedade que "a prosperidade dos loucos os destruirá".
O Salmo 30 descreve o louvor pelo recebimento da cura
divina e pelo livramento da morte: "Senhor,
fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-e
a vida para que não descesse ao abismo" (v.3). A
salmodia foi composta logo após o restabelecimento da saúde
física do salmista. Neste poema o rapsodo fala a respeito de
sua prosperidade e de como sentia-se seguro, tranqüilo e
impertubável até que a calamidade adentrou nos umbrais de
sua frágil vida e seu orgulho e confiança na riqueza foi abatido. A confiança na estabilidade da prosperidade
cede lugar à confiança inabalável na bondade divina: "Ouve, Senhor, e tem piedade de mim; Senhor, sê o meu auxílio"
(v.10). A prosperidade anunciada por meio do vocábulo shālâ pode produzir, como afirma o teólogo Victor Hamilton, "despreocupação"
(Ez 23.41; Pv 1.32). Portanto, esse termo afirma o perigo que
subjaz na prosperidade. Esta não deve substituir a confiança
em Deus e nas santas promessas das Escrituras.
5. Dāshēm: a
prosperidade abundante. Este
termo é mais frequente nos textos poéticos do que nos
prosaicos. Logo, trata-se de um vocábulo poético e idiomático
hebreu. Literamente significa "engordar", "ser
gordo" e, consequentemente, "ser próspero". Em
nossa obra, Hermenêutica
Fácil e Descomplicada (CPAD) explicarmos
detalhadamente o hebraísmo "gordura" nas páginas
212, 213, 214 e 215. O Salmo 63.5, por exemplo, diz: "A
minha alma se farta, como de tutano e de gordura [dāshēm];
e a minha boca te louva com alegres lábios". O hebraísmo
dāshēm,
isto é, gordura, descreve duas verdades concernentes à
prosperidade: suficiência e sentimento de bem-estar advindo
da prosperidade. Em Gênesis 41 aprendemos que as vacas gordas
representam prosperidade, suficiência, abundância e
felicidade (vv.26,29), enquanto as magras, necessidade,
escassez, fome e tristeza (vv.27,30). Imagens como essas eram
freqüentes np Crescente Fértil. Nos períodos áureos, o
gado sempre gordo refletia a prosperidade da terra, trazendo
alegria a seus proprietários, enquanto o rebanho magro
refletia a miséria e infortúneo. Desde então, os judeus,
nada afeitos a termos abstratos, preferiram designar a
prosperidade utilizando-se de imagens como gordura, vacas
gordas e tutanos (gordura do interior dos ossos). Veja, por
exemplo, a bênção de Isaque sobre o seu filho: "Assim,
pois Deus te dê do orvalho do céu, da gordura da terra, e da
abundância de trigo e mosto" (Gn 27.28 Edição
Contemporânea de Almeida).
Para saber mais
Confira o texto completo no blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot.com
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