|
Leitura
Bíblica em Classe
2 Timóteo 4.12-15
Esboço da
Lição
Introdução
I.
Atitude espiritual ao ler a Bíblia
II.
Como
estudar a Palavra de Deus
III.
Montando uma biblioteca
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Toda boa música pertence ao Diabo?
Autores
Charles Colson e Nancy Pearcey
Palavras
Chaves
Leitura; Literatura; Conhecimento; Cosmovisão.
Toda boa música pertence ao Diabo?
Cada
geração de cristãos enfrenta desafios únicos... O desafio
de viver
com
a cultura popular pode ser tão sério para os cristãos
modernos quanto
as
perseguições e as pragas foram para os santos dos primeiros
séculos.
KENNETH
A. MYERS
Há muitos anos fui preletor em
um café da manhã de oração que aconteceu durante a Convenção
Nacional da Associação de Comunicadores. A jovem que estava
sentada perto de mim à mesa sentia-se feliz e envolvida –
uma escritora, ela me disse – bem como determinada a
produzir um programa no horário nobre da televisão
expressando audaciosamente temas cristãos. Eu sorri,
pensando: Quão nobre... mas quão ingênuo. E eu pensava
sobre quantos jovens do meio-oeste americano inteligentes e de
mente aberta têm tido seus idealismos esmagados nas rochas de
Hollywood.
“Bem,
fique firme”, respondi, com a intenção de resguardar um
pouco suas esperanças antes que desistisse e se retirasse
para a segurança de algumas das casas de publicações.
“Oh,
eu vou”, ela respondeu alegremente. “De fato, foi feito um
teste de qualidade para o meu programa, e depois disso a rede
o eliminou. Mas estou batendo nas portas para colocá-lo no ar
novamente. Eu sei que Deus está nisso”.
Mas
de repente ela chamou minha atenção. “Qual era mesmo o seu
nome?” “Marta Williamson”, ela sorriu. “E eu vou fazer
isso. Realmente”.
Que
pouca fé a minha.
Muitos
cristãos reclamam sobre o lixo da televisão e a falta de
bons programas para a família, mas Marta arregaçou as mangas
e fez alguma coisa por isso. Sua história é tudo de mais
marcante pelo fato de não haver nada para distingui-la das inúmeras
pessoas talentosas e criativas de Hollywood – nada, a não
ser a sua fé determinada. Ela é um grande exemplo de como os
cristãos são chamados para usar seus talentos para fazer a
diferença em modelar a cultura popular.
O MEIO É A MENSAGEM
O chamado para redimir a cultura popular é certamente um
dos desafios mais difíceis para a fé cristã hoje. Pois, graças
à moderna tecnologia de comunicação, a cultura popular
tornou-se uma intrusa em todas as partes. É impossível
evitar a influência da cultura através das propagandas,
fitas, CDs, televisão, rádio, filmes, revistas, jogos de
computadores, galeria de vídeos e da internet. A cultura
popular está em todos os lugares, moldando nossos gostos,
nossa linguagem e nossos valores.
Quando eu era criança, minha
exposição à cultura popular era limitada – ocasionalmente
assistia aos faroestes, aos seriados da Rádio Green Hornet,
as séries de aventuras dos Hardy Boys e a leitura do
jornal Saturday Evening Post. Era só isso. Mas hoje, a
cultura popular acena de todo quadro de anúncios, do clangor
da televisão com inúmeros canais, do som dos rádios dos
carros aos enfeites de nossas camisetas e tênis. Nenhum de nós
pode escapar disso.
Enquanto a cultura popular se
espalha, seu conteúdo tornou-se chocantemente tosco. Ninguém
precisa ser informado de que ao longo das últimas três ou
quatro décadas o nível de sexo e violência cresceu
bruscamente nos filmes, na música, na televisão e até mesmo
em livros cômicos. É claro, os cristãos sempre tiveram de
lidar com coisas vulgares, obscenas ou grosseiras, mas na sua
maior parte poderíamos simplesmente evitá-las. Hoje, isso é
virtualmente impossível.
Mas enquanto a maioria de nós
percebe o quão perigoso é se expor a esse conteúdo imoral,
normalmente falhamos em não perceber que a forma de
cultura popular nos afeta tanto quanto – não só o que é
dito, mas como é dito. Isto é o que o educador Marshall
McLuhan quis dizer com seu famoso adágio: “O meio é a
mensagem”. A melhor maneira de compreender isso é por
comparação com alta cultura. Um soneto ou uma sinfonia tem
uma estrutura complexa que exige algum esforço para entender.
Isso nos desafia; temos de trabalhar para apreciá-la. É por
isso que estudamos Shakespeare nas aulas de inglês e Mozart
nos cursos de apreciação musical. Mas quem faz cursos para
entender Madonna? Quem precisa fazer? Ou quem precisa das
anotações de Cliff para
entender um romance histrião e sua comicidade característica?
Essas formas não exigem nenhuma
disciplina intelectual ou esforço. Se é que ela faz alguma
coisa, a cultura popular luta para evitar que o público tenha
algum trabalho. a intenção é de que seja simples, divertido
e fácil de entender, oferecendo gratificação imediata. As
pessoas captam a nossa atenção com linhas atrativas, músicas
perturbadoramente alta e efeitos especiais sensacionais, tudo
planejado para traspassar a mente e apelar diretamente aos
sentidos e emoções. Além disso, livros populares e
programas de televisão normalmente são escritos com uma fórmula,
uma trama previsível e personagens esteriotipados, de maneira
que todos sabemos o que vai acontecer. Leitores e
telespectadores assistem sem ter de pensar muito sobre para
onde os personagens estão indo – eles tão somente apreciam
o cenário ao longo do caminho. É como algodão-doce para a
mente.
Agora, não tem nada de errado
com um pequeno pedaço de algodão-doce em uma dieta
balanceada. Mas existe perigo em um consumo permanente
de comida não saudável ou, como se diz, “porcarias”.
Para começar, você pode perder o gosto pela boa comida. E
com doce é muito mais fácil fazer isso. A cultura popular
facilmente torna-se viciadora, destruindo nosso gosto pela
comida substancial. É tão cômodo deixar as crianças
assistirem desenhos animados e vídeos que não mais nos
disciplinamos a ler literatura clássica para elas. Estamos tão
acostumados a ouvir o pano de fundo de música popular no rádio
que não mais colocamos CDs de Bach e Mozart e assim
aprendemos a apreciar música clássica.
E o que é pior, a cultura
popular pode destruir a nossa habilidade em resolver problemas
mentais mais desafiadores. Enfocando a experiência imediata,
ela pode corroer as habilidades necessárias para manter a
atenção. Oferecendo consumo fácil e gratificação
emocional, a cultura popular nos desencoraja de analisar o que
vemos e ouvimos. O que precisamos entender é que cada forma
de mídia encoraja um tipo diferente de processo mental, como
explica Neil Postman em Amusing Ourselves to Death (Divertindo-nos
pra Valer). A leitura, por exemplo, desdobra sua narrativa
linha por linha, treinando-nos no processo de pensamento
coerente, linear e racional. Em contraste, a televisão reduz
eventos complexos em imagens rápidas, criando um período de
tempo curto de atenção, pensamento desarticulado e respostas
emocionais. Cultura popular é como narcótico: com o tempo
pode destruir a capacidade do cérebro.
O mais problemático, no entanto,
é o impacto que a cultura a popular pode causar em nossas
vidas espirituais. Atenção ao domínio espiritual exige um
conjunto completo de habilidades completamente diferentes do
que as simples distrações da cultura popular. Estudar a
Palavra exigem lembranças enfocadas e habilidade para fechar
a porta aos eventos cotidianos. Além disso, a cultura popular
(até mesmo a versão cristã dela) pode destruir as
habilidades e disciplinas necessárias para uma vida
espiritual robusta.
As Escrituras sugerem esse princípio
no segundo mandamento, quando fala contra a confecção de
imagens esculpidas. Quando Postman leu a Bíblia ainda jovem,
pensou por que Deus proibira seu povo de representar a deidade
em imagens visuais. “Isso é uma estranha injunção para
ser incluída como parte de um sistema ético”, afirma, “a
não ser que seu autor admita uma conexão entre as formas de
comunicação humanas e a qualidade de uma cultura”.
Precisamente. No mundo antigo, cada nação tinha suas próprias
deidades tribais, representadas por estátuas e imagens. Em
contraste, a Bíblia ensina a existência de uma deidade
universal – um conceito tão abstrato que simplesmente não
pode ser expressado em imagens concretas. “O Deus dos judeus
existiria na Palavra e através da Palavra, um conceito sem
precedente que exige a mais alta ordem de pensamento
abstrato”. Esse conceito radical de Deus, Postman
conjectura, somente poderia entrar na cultura se representações
concretas de Deus fossem
banidas.
Em outras palavras, as formas de
comunicação de uma cultura são a maior influência que
modela a forma de pensar de um povo – até mesmo a maneira
de pensarem a respeito de Deus.
Isso significa que desde que o
conteúdo não seja imoral, não existe nenhum problema com a
cultura popular. Assistir um bom drama, ouvir os últimos lançamentos
da música popular evangélica, ou nos perdermos em um livro
de romance para entretenimento pode ser um momento agradável.
Muitos trabalhos de cultura popular até mesmo expressam genuínas
verdades morais e espirituais, como veremos mais tarde. Existe
dano, no entanto, em fazer uma dieta permanente de cultura
popular, porque isso encoraja a uma resposta emocional e não
refletida da vida, ao invés de pensamentos disciplinados e
analíticos – o que pode nos levar a uma vida espiritual
simplista. A cultura popular cabe na categoria das coisas às
quais o apóstolo Paulo se referiu quando disse: “Todas as
coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém” (1
Coríntios 10.23). Podemos apreciar comer “comidas de
lanchonete” culturais, desde que estejamos treinados para
sermos seletivos, desde que não caiamos no hábito do
escapismo e da distração e desde que estabeleçamos limites
de maneira que as sensibilidades da cultura popular não
moldem o nosso caráter.
O perigo de uma cultura popular
moderna fora predito por Aldous Huxley em seu romance clássico
antiutópico Brave New World (Admirável Mundo Novo)
– o qual contrasta firmemente com outro romance antiutópico,
1984, de George Orwell. Orwell alertou sobre um governo
comunista que baniria os livros; Huxley alertou sobre um
governo ocidental que não precisaria bani-los – porque
ninguém mais leria livros sérios. Orwell previu uma
sociedade despojada de informação por sensores do governo;
Huxley previu uma sociedade supersaturada de informação pela
mídia eletrônica – até que as pessoas tenham perdido a
habilidade de analisar o que viam e ouviam. Orwell temeu um
sistema que dissimulava a verdade debaixo de propagandas e
mentiras do governo; Huxley temia um sistema onde as pessoas
deixassem de preocupar-se com a verdade e se importavam
somente com o entretenimento. Orwell descreveu um mundo onde
as pessoas eram controladas pela imposição do prazer. Os
dois romances têm provado ser estranhamente precisos –
Orwell descrevendo a praga totalitária do nosso século,
Huley a doença das afluentes sociedades livres.
Huxley continua a castigar os
partidários civis do livre-arbítrio no ocidente, os quais
estão sempre alerta contra tirania externamente imposta, mas
falham em perceber com que facilidade podemos ser seduzidos em
direção a uma opressão insana pela tecnologia: esses guardiões
da liberdade, afirma, têm “falhado em considerar o apetite
quase infinito do homem por distração”. E em nenhum outro
lugar esse apetite por distração banal e vazia da cultura
popular é mais sedutor do que na América.
Como, então, podemos
proteger-nos e as nossas crianças contra essa opressão?
Somente entendendo de onde a cultura popular vem, como é
desenvolvida, que cosmovisão expressa, e que linha de
pensamentos e tendências nos têm levado para esse ponto.
ALIMENTO MENTAL DE BAIXA QUALIDADE
O primeiro passo para examinar a cosmovisão por trás da
cultura popular é encontrar uma definição funcional do
termo. Muitas pessoas pensam da cultura popular como sendo o
mesmo que cultura folclórica contemporânea, mas isso não é
exato. Cultura folclórica consiste de histórias e mitos,
contos e músicas que emergem de um particular modo de vida de
um povo. Cultura folclórica americana (ou mesmo a brasileira)
autêntica leva-nos aos dias coloniais e inclui algumas formas
específicas. Cultura popular, por outro lado, é algo
relativamente novo, sem raízes em nenhuma tradição étnica
ou folclórica ; é massa produzida e padronizada, formada
mais por pesquisa de mercado do que por expressão espontânea
de um povo.
Kenneth Myers oferece uma
analogia útil em All God’s Children and Blue Suede Shoes,
(Todos os Filhos de Deus e Sapatos de Camurça Azul)
comparando cultura com cozinha. Cultura folclórica , com suas
canções e contos, é como comida étnica – lingüiça alemã,
feijoada brasileira, caviar russo – surgindo de uma forma
tradicional de vida. Mas cultura popular é como fast food,
pesada, com muito sal, açúcar, cores e sabores artificiais.
Ela parece atrativa, tem sabor forte, mas oferece muito pouca
nutrição. Fast Food como Coca-Cola e hambúrguer
McDonald’s não está enraizado na herança cultural
distintiva da América, mas pode ser imposto por atacado em
qualquer cultura existente – e realmente tem sido
transplantado ao redor do globo. Por analogia, a cultura
popular não pertence a nenhum grupo étnico particular, mas
invade todas as culturas. Por exemplo, quando refugiados do
sul da China foram resgatados das águas cheias de tubarões
pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, a única palavra
inglesa que sabiam eram MTV.
Onde essa nova e padronizada
forma de cultura popular se originou? Em grande medida, é o
resultado das mesmas teorias de arte traçadas no capítulo
42. como já explicamos, quando a ciência foi ungida como o
único caminho para a verdade (cientificismo), a arte foi
degradada à fantasia subjetiva e os artistas foram colocados
na defensiva. Eles responderam criando uma filosofia que
conseqüentemente lança a arte como ferramenta de subversão,
uma maneira de enfiar o nariz na sociedade convencional. Essa
filosofia de arte-como-rebelião migrou da Europa para a América,
onde infiltrou-se em nossas próprias tradições folclóricas.
Na música, por exemplo, nossa cultura étnica produziu jazz,
blues, folclore e música evangélica, mas como a filosofia de
vanguarda alastrou-se, o resultado foi Rock’n’Roll,
Elvis, Beatles, os Rolling Stones... e o resto é história.
Como essa nova filosofia de arte ganhou superioridade, o
implacável ataque às crenças a aos valores tradicionais
desenvolveu-se para um fervor de profanidade e perversidade,
de modo que hoje temos letras que glorificam a morte e a violência.
O ponto importante é que o declínio
na cultura popular não foi meramente resultado do declínio
do gosto popular; foi resultado direto de uma mudança na
cosmovisão. A arte começou a defender tudo o que se opunha
ao iluminismo e à ciência: ela exaltou a emoção acima da
razão, o instinto acima da racionalidade, sensação acima do
pensamento, primitivismo acima da civilização. Ensinada
primeiro em faculdades de arte, essa filosofia de vanguarda
conseqüentemente achou seu caminho nos estúdios de gravações.
De fato, um bom número de músicos britânicos de Rock começou
como estudante de arte, entre eles Keith Richards, Peter
Townshend, Eric Clapton e John Lennon. Como resultado, os Beatles,
os Rolling Stones, o Who, Cream e muitas
outras bandas britânicas foram deliberadamente criando música
que expressava a filosofia do artista como um herói que
esmaga a cultura estabelecida para criar a nova cultura da
liberdade moral, alívio emocional, energia animal e sensações
intensas. A pura energia do Rock – o golpe das
batidas, os gritos, o espetáculo – tem a intenção de
ultrapassar a mente a apelar diretamente para as sensações e
os sentimentos.
Assim, o Rock, na sua
forma genuína, encoraja uma mentalidade subjetiva, emocional
e sensual – não importa o que a letra diga. É por isso que
os cristãos precisam aprender a analisar não apenas o conteúdo
da cultura popular, mas também a própria forma da arte, a
forma de expressão.
O perigo é que a cultura popular
cristã pode imitar os costumes da cultura dominante em
estilo, mudando somente o conteúdo. O mercado de músicas está
transbordando com Rock, Rap, Blue, Jazz
e Heavy Metal cristãos. As prateleiras das
livrarias estão cheias com “ficção cristã”, desde histórias
de aventuras infantis até romances quase picantes. Parques
temáticos cristãos oferecem uma alternativa à Disney,
e vídeos cristãos para crianças e para pessoas que praticam
exercícios são muito vendidos. Em alguns aspectos, esse é
um desenvolvimento saudável, mas temos sempre de perguntar:
estamos criando uma genuína cultura cristã, ou estamos
apenas criando uma cultura paralela com aparência cristã?
Estamos impondo um conteúdo cristão para uma forma já
existente? Pois a forma e o estilo sempre enviam uma mensagem
própria.
Por exemplo, alguns anos atrás,
Nancy leu uma surpreendente crítica de vídeo na revista Time:
“Imagens provocativas enchem a tela da TV. Acima de uma
vigorosa e sincopada batida de Rock, uma voz de mulher –
urgente, sedutora – conta uma história de possessão e
salvação”. Não, não era um novo vídeo de Madonna. Era
uma forma contemporânea de contar a história bíblica de
Jesus expulsando os demônios chamados Legião.
Nancy pediu uma cópia do vídeo
e descobriu que a crítica não era exagero. O estilo quase
surrealístico foi tão intenso que para todos os propósitos
práticos abafou qualquer ensino bíblico. A “mensagem é
soterrada pelo meio”, a crítica da revista Time
afirmara, e isso era verdade. O objetivo dos produtores era
admirável – alcançar os jovens na MTV – mas se mesmo um
crítico secular pode sentir a discrepância entre a mensagem
bíblica e o estilo no qual ela é comunicada, então
certamente, também, temos de nos tornar mais alerta.
Quando criamos cultura popular
cristã, temos de cuidar para não simplesmente inserir o
conteúdo cristão em qualquer estilo corrente no mercado. Ao
invés disso, deveríamos cultivar alguma coisa distintamente
cristã tanto no conteúdo quanto na forma. Temos de aprender
a identificar as cosmovisões expressadas em várias formas
para podermos criticá-las e produzir uma alternativa que seja
realmente bíblica.
TUDO O QUE É VERDADEIRO, TUDO O QUE É PURO...
A maneira de reverter a degradação da cultura popular em
uma vez mais, ligar a arte com a verdade. Temos de desafiar o
cientificismo que reduz a verdade ao que pode ser conhecido
apenas como método científico e brigar pelo que é
primordial na cosmovisão cristã: Criação. O mundo é a
Criação de um Deus que é, em si mesmo, Verdade, Bondade e
Beleza. Assim, a beleza é tão objetiva e real quanto as partículas
de matérias dos cientistas. O primeiro passo para redimir a
cultura popular, portanto, é formar uma visão da arte
biblicamente fundamentada (os perfis são sugeridos no capítulo
42).
Segundo, há passos práticos que
todos podemos dar, começando em disciplinar os nossos hábitos
pessoais para dizer não ao que há de pior na cultura
popular. Ela infiltrou-se em nossas casas, nossas escolas e
nossas igrejas de tal modo que temos de começar a refreá-la.
Igrejas que usam mais a música contemporânea em seus cultos
deveriam considerar os efeitos de uma dieta permanente de
corinhos simples e estilo pop de músicas de louvor, enquanto
negligenciam os hinos clássicos da fé.
Em casa, os pais precisam ter a
coragem de expressar suas convicções aos filhos – desligar
a televisão, desplugar os fones de ouvidos e impedir
adolescentes de usarem camisetas com imagens de bandas grunge
do momento. Eu tenho até mesmo “subornado” meus
netos, oferecendo-lhes cem dólares para os fundos da escola a
cada mês que não assistam à TV.
Dr. Bem Carson, o mundialmente
famoso neurocirurgião pediatra da Johns Hopkins, foi outrora
uma irada criança do gueto caminhando para lugar nenhum. Ele
credita sua transformação espetacular ao seu encontro com
Deus e à disciplina de sua mãe, que desligou a televisão e
o fez ler livros clássicos e fazer um registro com anotações
sobre o que estava lendo. “Como sua mãe conseguiu fazer
isso?”, as pessoas sempre lhe perguntam. Ao que responde,
com graça irreprimível: “Oh, isso foi no tempo em que os
pais ainda controlavam as famílias”. Uma família dinâmica
que os pais cristãos precisam restaurar.
Os cristãos podem também fazer
a diferença naquilo que é oferecido pelo mercado, marcando
posição com o seu dinheiro. Recuse comprar música ruim com
letras obscenas ou indecentes. Recuse patrocinar eventos
culturais ou alugar vídeos que glorificam a imoralidade.
Recuse comprar romances que barateiam o relacionamento de
homem e mulher e até insinuam um pornô leve. Boicote –
organizado ou meramente individual – pode não tirar o
produto do mercado, mas faz uma declaração moral importante.
Hoje em dia, por exemplo, muitos
grupos cristãos, incluindo minha própria denominação, os
Batistas do Sul, estão boicotando os produtos Disney. Eu
apoio essas decisões, porque mesmo que o boicote tenha ou não
efeito econômico significativo para a Disney, exerce pelo
menos uma função educacional importante para a Igreja e para
o público. Até esse boicote tornar-se público, muitas
pessoas – incluindo grande parte dos cristãos – não
sabiam que escondido atrás da amigável família Disney está
uma filosofia secular, naturalista e hostil ao Cristianismo. A
corporação oferece benefícios matrimoniais aos casais de
empregados homossexuais, e seu parque temático mantém um
“Dia Gay” especial. A Disney é dona da companhia de
filmes Miramax, a qual tem produzido filmes como “Priest”
e “Sirens” (literalmente, “Sacerdote” e
“Mulheres Fatais”) que atacam malevolamente o
Cristianismo. A Disney é dona da ABC, que abertamente
celebrou a homossexualidade em seu programa Ellen e
zombou do Cristianismo na comédia Nothing Sacred (Nada
Sagrado). Pais que ainda pensam em decidir levar as famílias
à Disney World, pelo menos deveriam estar alerta quanto a
cosmovisão anticristã à qual seus filhos estão sendo
expostos, de maneira que possam lidar apropriadamente com esse
tipo de situação.
Mas boicotar produtos ruins é
apenas o começo. A melhor maneira de superar a banalidade é
cultivando alguma coisa melhor. Temos de procurar e achar,
como o apóstolo Paulo escreve aos Filipenses: “Tudo o que
é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo,
tudo o que é puro, tudo que é amável, tudo o que é de boa
fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso
pensai” (Filipenses 4.8). Observe que Paulo não limita esse
princípio a coisas espirituais; ele está falando a respeito
de tudo e nos desafia a ver se há alguma
virtude em qualquer dessas coisas. Paulo nos está
dizendo para treinar nossos gostos a amar as coisas superiores
– coisas que desafiam as nossas mentes, aprofundam nosso caráter
e criam amor pela excelência – e isto inclui a música que
ouvimos, os livros e revistas que lemos, os vídeos aos quais
assistimos e as formas de louvor que empregamos.
Se formos seletivos, poderemos
encontrar qualidade superior na cultura popular que lida com
dilemas morais profundos de forma que nos ensinem dimensões
do que é bom e ruim através de uma história atraente –
mesmo que o tema dessa história não seja cristão. O Resgate
do Soldado Ryan, por exemplo, inspira em muitos espectadores o
senso de gratidão pelo sacrifício de sangue feito pelos pais
e avós durante a Segunda Guerra Mundial. A Lista de Schindler
nos lembra da realidade do mal e da necessidade de resisti-lo.
Entre algumas obras antigas, Carruagens de Fogo baseia-se em
uma inspiradora e verdadeira história de um atleta escocês
que desejava colocar Deus acima de uma medalha de ouro olímpica.
Em última análise, para sermos
uma força redentora na cultura popular, precisamos encorajar
os cristãos a irem além das críticas e ser mais criativos.
Um grande número está procurando fazer exatamente isso.
Marta Williamson não estava sozinha quando enfrentou a provação
de trabalhar em Hollywood; ela foi encorajada durante a
caminhada por um grupo de crentes que trabalhava lá. Um
desses é o Inter-Missão, formado por escritores, produtores,
diretores e atores, os quais se reúnem trimestralmente, com
escritórios em Nova York e Hollywood. O Centro de Estúdios
de Filmes de Los Angeles, um programa do Conselho Para Colégios
e Universidades Cristãs, aloca os internos – alunos das
faculdades cristãs – nos escritórios de companhias
poderosas da mídia. Eles trabalham como assistentes de produção
e pessoal de escritório, aprendendo o que é necessário para
dirigir nesse campo minado. E o programa esta funcionando: dos
270 graduados no Centro, mais de 70 estão agora trabalhando
em Hollywood em alguma área, muitos em posições estratégicas
– porcentagem quase inacreditável.
Algumas pessoas de negócios estão
desejosas de colocar suas próprias fortunas na linha de
frente para fazer alguma diferença. Norman Miller, que deixou
sua marca como gênio empresarial atrás da Interstate
Bateries (Baterias Interestaduais), começou uma nova
companhia de produção de vídeo para criar filmes de alta
qualidade ligados a temas cristãos.
Na cultura popular, como em todo
campo, a melhor maneira de alcançar uma audiência de não-crentes
não é através de trabalhos que preguem o Cristianismo de
forma explícita, mas através de trabalhos que expressam a
cosmovisão cristã de forma indireta. “Podemos fazer as
pessoas assistirem ao ponto de vista cristão por meia hora ou
mais”, disse C.S. Lewis, “mas no momento que deixam a
nossa aula ou largam o artigo, estão de volta ao mundo onde a
posição contrária é tida como verdadeira”. Por isso,
“o que queremos não são pequenos livros sobre
Cristianismo, porém mais pequenos livros escritos por cristãos
sobre outros assuntos – com seu Cristianismo latente”.
O que aconteceria se a melhor música
popular no mercado fosse composta por músicos cristãos? Se
os melhores livros nas livrarias fossem escritos por autores
cristãos? Se o melhor programa de televisão comunicasse
implicitamente a cosmovisão cristã? Não-crentes iriam
rapidamente ver que o Cristianismo não é alguma coisa que
pode ser relegada a uma parte separada da vida rotulada de
“religião”, mas é a cosmovisão que faz melhor sentido
do que todas as outras coisas as quais demonstram o seu
cuidado.
Toda
boa música pertence ao diabo? Por nossa escolha, você e eu
podemos ter certeza que não.
Bibliografia
COLSON,
Charles & PEARCEY, Nancy. E
agora, como viveremos? 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000. pp.541-53
|