Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Verdades Centrais da Fé Cristã


Lição 14 - A importância da leitura na vida do cristão



Leitura Bíblica em Classe

2 Timóteo 4.12-15


Esboço da Lição

Introdução

I. Atitude espiritual ao ler a Bíblia

II. Como estudar a Palavra de Deus

III. Montando uma biblioteca

Conclusão


Tema deste Subsídio

Toda boa música pertence ao Diabo?

Autores

Charles Colson e Nancy Pearcey

Palavras Chaves

Leitura; Literatura; Conhecimento; Cosmovisão.

Toda boa música pertence ao Diabo?

Cada geração de cristãos enfrenta desafios únicos... O desafio de viver

com a cultura popular pode ser tão sério para os cristãos modernos quanto

as perseguições e as pragas foram para os santos dos primeiros séculos.

KENNETH A. MYERS

Há muitos anos fui preletor em um café da manhã de oração que aconteceu durante a Convenção Nacional da Associação de Comunicadores. A jovem que estava sentada perto de mim à mesa sentia-se feliz e envolvida – uma escritora, ela me disse – bem como determinada a produzir um programa no horário nobre da televisão expressando audaciosamente temas cristãos. Eu sorri, pensando: Quão nobre... mas quão ingênuo. E eu pensava sobre quantos jovens do meio-oeste americano inteligentes e de mente aberta têm tido seus idealismos esmagados nas rochas de Hollywood.

“Bem, fique firme”, respondi, com a intenção de resguardar um pouco suas esperanças antes que desistisse e se retirasse para a segurança de algumas das casas de publicações.

“Oh, eu vou”, ela respondeu alegremente. “De fato, foi feito um teste de qualidade para o meu programa, e depois disso a rede o eliminou. Mas estou batendo nas portas para colocá-lo no ar novamente. Eu sei que Deus está nisso”.

Mas de repente ela chamou minha atenção. “Qual era mesmo o seu nome?” “Marta Williamson”, ela sorriu. “E eu vou fazer isso. Realmente”.

Que pouca fé a minha.

Muitos cristãos reclamam sobre o lixo da televisão e a falta de bons programas para a família, mas Marta arregaçou as mangas e fez alguma coisa por isso. Sua história é tudo de mais marcante pelo fato de não haver nada para distingui-la das inúmeras pessoas talentosas e criativas de Hollywood – nada, a não ser a sua fé determinada. Ela é um grande exemplo de como os cristãos são chamados para usar seus talentos para fazer a diferença em modelar a cultura popular.

 

O MEIO É A MENSAGEM

O chamado para redimir a cultura popular é certamente um dos desafios mais difíceis para a fé cristã hoje. Pois, graças à moderna tecnologia de comunicação, a cultura popular tornou-se uma intrusa em todas as partes. É impossível evitar a influência da cultura através das propagandas, fitas, CDs, televisão, rádio, filmes, revistas, jogos de computadores, galeria de vídeos e da internet. A cultura popular está em todos os lugares, moldando nossos gostos, nossa linguagem e nossos valores.

Quando eu era criança, minha exposição à cultura popular era limitada – ocasionalmente assistia aos faroestes, aos seriados da Rádio Green Hornet, as séries de aventuras dos Hardy Boys e a leitura do jornal Saturday Evening Post. Era só isso. Mas hoje, a cultura popular acena de todo quadro de anúncios, do clangor da televisão com inúmeros canais, do som dos rádios dos carros aos enfeites de nossas camisetas e tênis. Nenhum de nós pode escapar disso.

Enquanto a cultura popular se espalha, seu conteúdo tornou-se chocantemente tosco. Ninguém precisa ser informado de que ao longo das últimas três ou quatro décadas o nível de sexo e violência cresceu bruscamente nos filmes, na música, na televisão e até mesmo em livros cômicos. É claro, os cristãos sempre tiveram de lidar com coisas vulgares, obscenas ou grosseiras, mas na sua maior parte poderíamos simplesmente evitá-las. Hoje, isso é virtualmente impossível.

Mas enquanto a maioria de nós percebe o quão perigoso é se expor a esse conteúdo imoral, normalmente falhamos em não perceber que a forma de cultura popular nos afeta tanto quanto – não só o que é dito, mas como é dito. Isto é o que o educador Marshall McLuhan quis dizer com seu famoso adágio: “O meio é a mensagem”. A melhor maneira de compreender isso é por comparação com alta cultura. Um soneto ou uma sinfonia tem uma estrutura complexa que exige algum esforço para entender. Isso nos desafia; temos de trabalhar para apreciá-la. É por isso que estudamos Shakespeare nas aulas de inglês e Mozart nos cursos de apreciação musical. Mas quem faz cursos para entender Madonna? Quem precisa fazer? Ou quem precisa das anotações de Cliff  para entender um romance histrião e sua comicidade característica?

Essas formas não exigem nenhuma disciplina intelectual ou esforço. Se é que ela faz alguma coisa, a cultura popular luta para evitar que o público tenha algum trabalho. a intenção é de que seja simples, divertido e fácil de entender, oferecendo gratificação imediata. As pessoas captam a nossa atenção com linhas atrativas, músicas perturbadoramente alta e efeitos especiais sensacionais, tudo planejado para traspassar a mente e apelar diretamente aos sentidos e emoções. Além disso, livros populares e programas de televisão normalmente são escritos com uma fórmula, uma trama previsível e personagens esteriotipados, de maneira que todos sabemos o que vai acontecer. Leitores e telespectadores assistem sem ter de pensar muito sobre para onde os personagens estão indo – eles tão somente apreciam o cenário ao longo do caminho. É como algodão-doce para a mente.

Agora, não tem nada de errado com um pequeno pedaço de algodão-doce em uma dieta balanceada. Mas existe perigo em um consumo permanente de comida não saudável ou, como se diz, “porcarias”. Para começar, você pode perder o gosto pela boa comida. E com doce é muito mais fácil fazer isso. A cultura popular facilmente torna-se viciadora, destruindo nosso gosto pela comida substancial. É tão cômodo deixar as crianças assistirem desenhos animados e vídeos que não mais nos disciplinamos a ler literatura clássica para elas. Estamos tão acostumados a ouvir o pano de fundo de música popular no rádio que não mais colocamos CDs de Bach e Mozart e assim aprendemos a apreciar música clássica.

E o que é pior, a cultura popular pode destruir a nossa habilidade em resolver problemas mentais mais desafiadores. Enfocando a experiência imediata, ela pode corroer as habilidades necessárias para manter a atenção. Oferecendo consumo fácil e gratificação emocional, a cultura popular nos desencoraja de analisar o que vemos e ouvimos. O que precisamos entender é que cada forma de mídia encoraja um tipo diferente de processo mental, como explica Neil Postman em Amusing Ourselves to Death (Divertindo-nos pra Valer). A leitura, por exemplo, desdobra sua narrativa linha por linha, treinando-nos no processo de pensamento coerente, linear e racional. Em contraste, a televisão reduz eventos complexos em imagens rápidas, criando um período de tempo curto de atenção, pensamento desarticulado e respostas emocionais. Cultura popular é como narcótico: com o tempo pode destruir a capacidade do cérebro.

O mais problemático, no entanto, é o impacto que a cultura a popular pode causar em nossas vidas espirituais. Atenção ao domínio espiritual exige um conjunto completo de habilidades completamente diferentes do que as simples distrações da cultura popular. Estudar a Palavra exigem lembranças enfocadas e habilidade para fechar a porta aos eventos cotidianos. Além disso, a cultura popular (até mesmo a versão cristã dela) pode destruir as habilidades e disciplinas necessárias para uma vida espiritual robusta.

As Escrituras sugerem esse princípio no segundo mandamento, quando fala contra a confecção de imagens esculpidas. Quando Postman leu a Bíblia ainda jovem, pensou por que Deus proibira seu povo de representar a deidade em imagens visuais. “Isso é uma estranha injunção para ser incluída como parte de um sistema ético”, afirma, “a não ser que seu autor admita uma conexão entre as formas de comunicação humanas e a qualidade de uma cultura”. Precisamente. No mundo antigo, cada nação tinha suas próprias deidades tribais, representadas por estátuas e imagens. Em contraste, a Bíblia ensina a existência de uma deidade universal – um conceito tão abstrato que simplesmente não pode ser expressado em imagens concretas. “O Deus dos judeus existiria na Palavra e através da Palavra, um conceito sem precedente que exige a mais alta ordem de pensamento abstrato”. Esse conceito radical de Deus, Postman conjectura, somente poderia entrar na cultura se representações concretas de Deus fossem  banidas.

Em outras palavras, as formas de comunicação de uma cultura são a maior influência que modela a forma de pensar de um povo – até mesmo a maneira de pensarem a respeito de Deus.

Isso significa que desde que o conteúdo não seja imoral, não existe nenhum problema com a cultura popular. Assistir um bom drama, ouvir os últimos lançamentos da música popular evangélica, ou nos perdermos em um livro de romance para entretenimento pode ser um momento agradável. Muitos trabalhos de cultura popular até mesmo expressam genuínas verdades morais e espirituais, como veremos mais tarde. Existe dano, no entanto, em fazer uma dieta permanente de cultura popular, porque isso encoraja a uma resposta emocional e não refletida da vida, ao invés de pensamentos disciplinados e analíticos – o que pode nos levar a uma vida espiritual simplista. A cultura popular cabe na categoria das coisas às quais o apóstolo Paulo se referiu quando disse: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convém” (1 Coríntios 10.23). Podemos apreciar comer “comidas de lanchonete” culturais, desde que estejamos treinados para sermos seletivos, desde que não caiamos no hábito do escapismo e da distração e desde que estabeleçamos limites de maneira que as sensibilidades da cultura popular não moldem o nosso caráter.

O perigo de uma cultura popular moderna fora predito por Aldous Huxley em seu romance clássico antiutópico Brave New World (Admirável Mundo Novo) – o qual contrasta firmemente com outro romance antiutópico, 1984, de George Orwell. Orwell alertou sobre um governo comunista que baniria os livros; Huxley alertou sobre um governo ocidental que não precisaria bani-los – porque ninguém mais leria livros sérios. Orwell previu uma sociedade despojada de informação por sensores do governo; Huxley previu uma sociedade supersaturada de informação pela mídia eletrônica – até que as pessoas tenham perdido a habilidade de analisar o que viam e ouviam. Orwell temeu um sistema que dissimulava a verdade debaixo de propagandas e mentiras do governo; Huxley temia um sistema onde as pessoas deixassem de preocupar-se com a verdade e se importavam somente com o entretenimento. Orwell descreveu um mundo onde as pessoas eram controladas pela imposição do prazer. Os dois romances têm provado ser estranhamente precisos – Orwell descrevendo a praga totalitária do nosso século, Huley a doença das afluentes sociedades livres.

Huxley continua a castigar os partidários civis do livre-arbítrio no ocidente, os quais estão sempre alerta contra tirania externamente imposta, mas falham em perceber com que facilidade podemos ser seduzidos em direção a uma opressão insana pela tecnologia: esses guardiões da liberdade, afirma, têm “falhado em considerar o apetite quase infinito do homem por distração”. E em nenhum outro lugar esse apetite por distração banal e vazia da cultura popular é mais sedutor do que na América.

Como, então, podemos proteger-nos e as nossas crianças contra essa opressão? Somente entendendo de onde a cultura popular vem, como é desenvolvida, que cosmovisão expressa, e que linha de pensamentos e tendências nos têm levado para esse ponto.

 

ALIMENTO MENTAL DE BAIXA QUALIDADE

O primeiro passo para examinar a cosmovisão por trás da cultura popular é encontrar uma definição funcional do termo. Muitas pessoas pensam da cultura popular como sendo o mesmo que cultura folclórica contemporânea, mas isso não é exato. Cultura folclórica consiste de histórias e mitos, contos e músicas que emergem de um particular modo de vida de um povo. Cultura folclórica americana (ou mesmo a brasileira) autêntica leva-nos aos dias coloniais e inclui algumas formas específicas. Cultura popular, por outro lado, é algo relativamente novo, sem raízes em nenhuma tradição étnica ou folclórica ; é massa produzida e padronizada, formada mais por pesquisa de mercado do que por expressão espontânea de um povo.

Kenneth Myers oferece uma analogia útil em All God’s Children and Blue Suede Shoes, (Todos os Filhos de Deus e Sapatos de Camurça Azul) comparando cultura com cozinha. Cultura folclórica , com suas canções e contos, é como comida étnica – lingüiça alemã, feijoada brasileira, caviar russo – surgindo de uma forma tradicional de vida. Mas cultura popular é como fast food, pesada, com muito sal, açúcar, cores e sabores artificiais. Ela parece atrativa, tem sabor forte, mas oferece muito pouca nutrição. Fast Food como Coca-Cola e hambúrguer McDonald’s não está enraizado na herança cultural distintiva da América, mas pode ser imposto por atacado em qualquer cultura existente – e realmente tem sido transplantado ao redor do globo. Por analogia, a cultura popular não pertence a nenhum grupo étnico particular, mas invade todas as culturas. Por exemplo, quando refugiados do sul da China foram resgatados das águas cheias de tubarões pela Guarda Costeira dos Estados Unidos, a única palavra inglesa que sabiam eram MTV

Onde essa nova e padronizada forma de cultura popular se originou? Em grande medida, é o resultado das mesmas teorias de arte traçadas no capítulo 42. como já explicamos, quando a ciência foi ungida como o único caminho para a verdade (cientificismo), a arte foi degradada à fantasia subjetiva e os artistas foram colocados na defensiva. Eles responderam criando uma filosofia que conseqüentemente lança a arte como ferramenta de subversão, uma maneira de enfiar o nariz na sociedade convencional. Essa filosofia de arte-como-rebelião migrou da Europa para a América, onde infiltrou-se em nossas próprias tradições folclóricas. Na música, por exemplo, nossa cultura étnica produziu jazz, blues, folclore e música evangélica, mas como a filosofia de vanguarda alastrou-se, o resultado foi Rock’n’Roll, Elvis, Beatles, os Rolling Stones... e o resto é história. Como essa nova filosofia de arte ganhou superioridade, o implacável ataque às crenças a aos valores tradicionais desenvolveu-se para um fervor de profanidade e perversidade, de modo que hoje temos letras que glorificam a morte e a violência. 

O ponto importante é que o declínio na cultura popular não foi meramente resultado do declínio do gosto popular; foi resultado direto de uma mudança na cosmovisão. A arte começou a defender tudo o que se opunha ao iluminismo e à ciência: ela exaltou a emoção acima da razão, o instinto acima da racionalidade, sensação acima do pensamento, primitivismo acima da civilização. Ensinada primeiro em faculdades de arte, essa filosofia de vanguarda conseqüentemente achou seu caminho nos estúdios de gravações. De fato, um bom número de músicos britânicos de Rock começou como estudante de arte, entre eles Keith Richards, Peter Townshend, Eric Clapton e John Lennon. Como resultado, os Beatles, os Rolling Stones, o Who, Cream e muitas outras bandas britânicas foram deliberadamente criando música que expressava a filosofia do artista como um herói que esmaga a cultura estabelecida para criar a nova cultura da liberdade moral, alívio emocional, energia animal e sensações intensas. A pura energia do Rock – o golpe das batidas, os gritos, o espetáculo – tem a intenção de ultrapassar a mente a apelar diretamente para as sensações e os sentimentos.

Assim, o Rock, na sua forma genuína, encoraja uma mentalidade subjetiva, emocional e sensual – não importa o que a letra diga. É por isso que os cristãos precisam aprender a analisar não apenas o conteúdo da cultura popular, mas também a própria forma da arte, a forma de expressão.

O perigo é que a cultura popular cristã pode imitar os costumes da cultura dominante em estilo, mudando somente o conteúdo. O mercado de músicas está transbordando com Rock, Rap, Blue, Jazz e Heavy Metal cristãos. As prateleiras das livrarias estão cheias com “ficção cristã”, desde histórias de aventuras infantis até romances quase picantes. Parques temáticos cristãos oferecem uma alternativa à Disney, e vídeos cristãos para crianças e para pessoas que praticam exercícios são muito vendidos. Em alguns aspectos, esse é um desenvolvimento saudável, mas temos sempre de perguntar: estamos criando uma genuína cultura cristã, ou estamos apenas criando uma cultura paralela com aparência cristã? Estamos impondo um conteúdo cristão para uma forma já existente? Pois a forma e o estilo sempre enviam uma mensagem própria.

Por exemplo, alguns anos atrás, Nancy leu uma surpreendente crítica de vídeo na revista Time: “Imagens provocativas enchem a tela da TV. Acima de uma vigorosa e sincopada batida de Rock, uma voz de mulher – urgente, sedutora – conta uma história de possessão e salvação”. Não, não era um novo vídeo de Madonna. Era uma forma contemporânea de contar a história bíblica de Jesus expulsando os demônios chamados Legião.

Nancy pediu uma cópia do vídeo e descobriu que a crítica não era exagero. O estilo quase surrealístico foi tão intenso que para todos os propósitos práticos abafou qualquer ensino bíblico. A “mensagem é soterrada pelo meio”, a crítica da revista Time afirmara, e isso era verdade. O objetivo dos produtores era admirável – alcançar os jovens na MTV – mas se mesmo um crítico secular pode sentir a discrepância entre a mensagem bíblica e o estilo no qual ela é comunicada, então certamente, também, temos de nos tornar mais alerta.

Quando criamos cultura popular cristã, temos de cuidar para não simplesmente inserir o conteúdo cristão em qualquer estilo corrente no mercado. Ao invés disso, deveríamos cultivar alguma coisa distintamente cristã tanto no conteúdo quanto na forma. Temos de aprender a identificar as cosmovisões expressadas em várias formas para podermos criticá-las e produzir uma alternativa que seja realmente bíblica. 

 

TUDO O QUE É VERDADEIRO, TUDO O QUE É PURO...

A maneira de reverter a degradação da cultura popular em uma vez mais, ligar a arte com a verdade. Temos de desafiar o cientificismo que reduz a verdade ao que pode ser conhecido apenas como método científico e brigar pelo que é primordial na cosmovisão cristã: Criação. O mundo é a Criação de um Deus que é, em si mesmo, Verdade, Bondade e Beleza. Assim, a beleza é tão objetiva e real quanto as partículas de matérias dos cientistas. O primeiro passo para redimir a cultura popular, portanto, é formar uma visão da arte biblicamente fundamentada (os perfis são sugeridos no capítulo 42).

Segundo, há passos práticos que todos podemos dar, começando em disciplinar os nossos hábitos pessoais para dizer não ao que há de pior na cultura popular. Ela infiltrou-se em nossas casas, nossas escolas e nossas igrejas de tal modo que temos de começar a refreá-la. Igrejas que usam mais a música contemporânea em seus cultos deveriam considerar os efeitos de uma dieta permanente de corinhos simples e estilo pop de músicas de louvor, enquanto negligenciam os hinos clássicos da fé.

Em casa, os pais precisam ter a coragem de expressar suas convicções aos filhos – desligar a televisão, desplugar os fones de ouvidos e impedir adolescentes de usarem camisetas com imagens de bandas grunge do momento. Eu tenho até mesmo “subornado” meus netos, oferecendo-lhes cem dólares para os fundos da escola a cada mês que não assistam à TV.

Dr. Bem Carson, o mundialmente famoso neurocirurgião pediatra da Johns Hopkins, foi outrora uma irada criança do gueto caminhando para lugar nenhum. Ele credita sua transformação espetacular ao seu encontro com Deus e à disciplina de sua mãe, que desligou a televisão e o fez ler livros clássicos e fazer um registro com anotações sobre o que estava lendo. “Como sua mãe conseguiu fazer isso?”, as pessoas sempre lhe perguntam. Ao que responde, com graça irreprimível: “Oh, isso foi no tempo em que os pais ainda controlavam as famílias”. Uma família dinâmica que os pais cristãos precisam restaurar.

Os cristãos podem também fazer a diferença naquilo que é oferecido pelo mercado, marcando posição com o seu dinheiro. Recuse comprar música ruim com letras obscenas ou indecentes. Recuse patrocinar eventos culturais ou alugar vídeos que glorificam a imoralidade. Recuse comprar romances que barateiam o relacionamento de homem e mulher e até insinuam um pornô leve. Boicote – organizado ou meramente individual – pode não tirar o produto do mercado, mas faz uma declaração moral importante.

Hoje em dia, por exemplo, muitos grupos cristãos, incluindo minha própria denominação, os Batistas do Sul, estão boicotando os produtos Disney. Eu apoio essas decisões, porque mesmo que o boicote tenha ou não efeito econômico significativo para a Disney, exerce pelo menos uma função educacional importante para a Igreja e para o público. Até esse boicote tornar-se público, muitas pessoas – incluindo grande parte dos cristãos – não sabiam que escondido atrás da amigável família Disney está uma filosofia secular, naturalista e hostil ao Cristianismo. A corporação oferece benefícios matrimoniais aos casais de empregados homossexuais, e seu parque temático mantém um “Dia Gay” especial. A Disney é dona da companhia de filmes Miramax, a qual tem produzido filmes como “Priest” e “Sirens” (literalmente, “Sacerdote” e “Mulheres Fatais”) que atacam malevolamente o Cristianismo. A Disney é dona da ABC, que abertamente celebrou a homossexualidade em seu programa Ellen e zombou do Cristianismo na comédia Nothing Sacred (Nada Sagrado). Pais que ainda pensam em decidir levar as famílias à Disney World, pelo menos deveriam estar alerta quanto a cosmovisão anticristã à qual seus filhos estão sendo expostos, de maneira que possam lidar apropriadamente com esse tipo de situação.

Mas boicotar produtos ruins é apenas o começo. A melhor maneira de superar a banalidade é cultivando alguma coisa melhor. Temos de procurar e achar, como o apóstolo Paulo escreve aos Filipenses: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4.8). Observe que Paulo não limita esse princípio a coisas espirituais; ele está falando a respeito de tudo e nos desafia a ver se há alguma virtude em qualquer dessas coisas. Paulo nos está dizendo para treinar nossos gostos a amar as coisas superiores – coisas que desafiam as nossas mentes, aprofundam nosso caráter e criam amor pela excelência – e isto inclui a música que ouvimos, os livros e revistas que lemos, os vídeos aos quais assistimos e as formas de louvor que empregamos.

Se formos seletivos, poderemos encontrar qualidade superior na cultura popular que lida com dilemas morais profundos de forma que nos ensinem dimensões do que é bom e ruim através de uma história atraente – mesmo que o tema dessa história não seja cristão. O Resgate do Soldado Ryan, por exemplo, inspira em muitos espectadores o senso de gratidão pelo sacrifício de sangue feito pelos pais e avós durante a Segunda Guerra Mundial. A Lista de Schindler nos lembra da realidade do mal e da necessidade de resisti-lo. Entre algumas obras antigas, Carruagens de Fogo baseia-se em uma inspiradora e verdadeira história de um atleta escocês que desejava colocar Deus acima de uma medalha de ouro olímpica.

Em última análise, para sermos uma força redentora na cultura popular, precisamos encorajar os cristãos a irem além das críticas e ser mais criativos. Um grande número está procurando fazer exatamente isso. Marta Williamson não estava sozinha quando enfrentou a provação de trabalhar em Hollywood; ela foi encorajada durante a caminhada por um grupo de crentes que trabalhava lá. Um desses é o Inter-Missão, formado por escritores, produtores, diretores e atores, os quais se reúnem trimestralmente, com escritórios em Nova York e Hollywood. O Centro de Estúdios de Filmes de Los Angeles, um programa do Conselho Para Colégios e Universidades Cristãs, aloca os internos – alunos das faculdades cristãs – nos escritórios de companhias poderosas da mídia. Eles trabalham como assistentes de produção e pessoal de escritório, aprendendo o que é necessário para dirigir nesse campo minado. E o programa esta funcionando: dos 270 graduados no Centro, mais de 70 estão agora trabalhando em Hollywood em alguma área, muitos em posições estratégicas – porcentagem quase inacreditável.

Algumas pessoas de negócios estão desejosas de colocar suas próprias fortunas na linha de frente para fazer alguma diferença. Norman Miller, que deixou sua marca como gênio empresarial atrás da Interstate Bateries (Baterias Interestaduais), começou uma nova companhia de produção de vídeo para criar filmes de alta qualidade ligados a temas cristãos.

Na cultura popular, como em todo campo, a melhor maneira de alcançar uma audiência de não-crentes não é através de trabalhos que preguem o Cristianismo de forma explícita, mas através de trabalhos que expressam a cosmovisão cristã de forma indireta. “Podemos fazer as pessoas assistirem ao ponto de vista cristão por meia hora ou mais”, disse C.S. Lewis, “mas no momento que deixam a nossa aula ou largam o artigo, estão de volta ao mundo onde a posição contrária é tida como verdadeira”. Por isso, “o que queremos não são pequenos livros sobre Cristianismo, porém mais pequenos livros escritos por cristãos sobre outros assuntos – com seu Cristianismo latente”.

O que aconteceria se a melhor música popular no mercado fosse composta por músicos cristãos? Se os melhores livros nas livrarias fossem escritos por autores cristãos? Se o melhor programa de televisão comunicasse implicitamente a cosmovisão cristã? Não-crentes iriam rapidamente ver que o Cristianismo não é alguma coisa que pode ser relegada a uma parte separada da vida rotulada de “religião”, mas é a cosmovisão que faz melhor sentido do que todas as outras coisas as quais demonstram o seu cuidado.

Toda boa música pertence ao diabo? Por nossa escolha, você e eu podemos ter certeza que não.

 

Bibliografia

COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000. pp.541-53

 


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