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Leitura
Bíblica em Classe
Neemias 8.2,3,5,6
Esboço da
Lição
Introdução
I.
O que é avivamento
II.
Habacuque e o avivamento
III.
O avivamento e a Palavra de Deus
IV.
O estudo da Palavra de Deus
Conclusão
Tema
deste Subsídio
AConhecimento precede avivamento
Autor
César Moisés Carvalho
Palavras
Chaves
Avivamento; Conhecimento; Educação; Igreja.
CONHECIMENTO
PRECEDE AVIVAMENTO
Proclamação
da Palavra promove discernimento, obediência e zelo
O estudo da Palavra de Deus, sua divulgação e prática,
são os elementos predecessores de um real avivamento. Vai
longe o tempo em que associava-se conhecimento com ceticismo e
frieza espiritual. Sabemos da grandiosidade do poder de Deus
através de sua Palavra e, quanto mais a conhecemos, mais
cientes ficamos de nossa dependência e do quanto Ele nos
protege.
Conta-se
a estória de uma família que se dispôs a fazer um cruzeiro
em um navio de primeira classe. Como em toda a viagem marítima,
receberam um manual de instruções contendo as informações
necessárias aos tripulantes. Nele, estavam contidos todos os
deveres, direitos e regalias das quais os viajantes precisavam
tomar conhecimento.
No
dia previsto, ignorando as informações previstas no manual,
a família embarcou para a tão sonhada viagem e como era
precavida, levou mantimento para passar quinze dias de navegação.
Todos os dias nos horários das refeições enquanto as
pessoas se dirigiam para o restaurante, os membros da família
abriam suas lancheiras e se punham a degustar os alimentos que
trouxeram. No décimo quinto dia, já não havia mais condições
de engolirem aquela comida. Então, a força da necessidade
falou mais alto que a da negligência e o pai da família
resolveu convidar a todos para almoçarem no restaurante da
embarcação.
Na
entrada havia um recepcionista bem vestido que providenciava
mesa e demais comodidades aos viajantes. A família se dirige
até ele e o líder da casa, imaginando quão tremendo estrago
causará no bolso por comparecer a um lugar tão grã-fino
como aquele, arrisca a pergunta: “Quanto custa o almoço?”
O rapaz com um sorriso nos lábios lhe responde gentilmente:
“Quando o senhor retirou os bilhetes não recebeu um manual?
Nele estava a informação de que, na compra dos bilhetes, estão
incluídas as refeições de todos os dias”.
Esta
historieta nos dá a noção do que pode causar a falta de
conhecimento. Todo avivamento espiritual registrado na Bíblia
é resultado direto de uma renovada proclamação da Palavra
de Deus e da obediência a Ela.
O
grande teólogo Donald Stamps, autor das notas e estudos da Bíblia
de Estudo Pentecostal (CPAD), afirmou que todos os reais e
duradouros avivamentos são marcados pela reposição da
Palavra de Deus ao seu devido lugar de autoridade e honra.
Reforma, Teologia e
avivamento
O
protagonista da Reforma Protestante, Martinho Lutero
(1483-1546), foi um dos monges agostinianos mais disciplinados
e competentes de seu tempo. Após estudar acuradamente a Bíblia,
e depois de certificar-se que nela não havia nada sobre
purgatório e muito menos pagamento como condição para alguém
salvar-se, formulou 95 teses nas quais expunha os pontos básicos
da Reforma condenando a venda de indulgências e enfatizando a
temática da justificação pela fé, essência do
protestantismo.
A
publicação da Reforma deu-se em 31 de outubro de 1517 quando
Lutero afixou na porta da Igreja de Witemberg. Por esta causa
foi excomungado pelo papa. E não seria demais reafirmar que
esse revolucionário movimento fora deflagrado em seu coração
através do estudo da Palavra de Deus, em especial o texto de
Rm 1.17 que diz: “Porque nele se descobre a justiça de Deus
de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé”.
No
início do século passado por volta de 1900, alguns alunos de
uma escola teológica começaram a estudar sobre o batismo no
Espírito Santo. Entre esses alunos estavam Agnes Ozman e duas
outras mulheres. O estudo ministrado pelo pastor Parham a seus
40 primeiros alunos era realmente gratificante, porém, a
experiência durante o culto da noite de 1 de janeiro de 1901
foi algo marcante.
Agnes
Ozman, sentindo um forte desejo de ser batizada no Espírito
Santo, perguntou ao pastor Parham se ele poderia impor suas mãos
e orar para que ela recebesse a promessa.
De
acordo com o relato de Parham, “Agnes Ozman falou chinês
por três dias, durante os quais não podia falar nem escrever
inglês”.
O
mês de janeiro, então, é considerado a data oficial do
movimento pentecostal que se estende até nossos dias.
A
mensagem do pastor Parham e a notícia do que havia
acontecido, influenciou J. A. Warren a abrir uma nova Escola Bíblica
em Houston, Texas. Warren era orador leigo, metodista,
assistente de Parham e Willian J. Seymour.
Seymour
era negro e juntamente com outros, que se interessaram pela
mensagem do Movimento da Fé Apostólica, mudou-se para
Los Angeles e ali iniciou um ponto de pregação em uma casa
de família na Bonnie Brae Street para um público mesclado.
Ensinava, mediante as Escrituras, algo que ele mesmo ainda não
havia provado. Entretanto, na data de 9 de abril de 1906, um
domingo, o próprio Seymour e outros sete irmãos receberam o
batismo no Espírito Santo. A repercussão foi instantânea e,
com isso, o ambiente em pouco tempo tornou-se pequeno.
Seymour
viu-se obrigado a obter um espaço maior, num lugar acessível
a todos, foi assim que descobriu um prédio de uma Igreja
Metodista Episcopal que estava fechado na rua Azusa, 312.
Fundou-se então, nesse local, a Apostolic Faith Gospel
Mission (Missão Evangélica da Fé Apostólica).
O
movimento de Azusa Street 312 foi tão poderoso que causou
grande vulto entre o povo, atraindo até mesmo a mídia
secular, que por sua vez encarregou-se de divulgar os fatos e,
à semelhança da Igreja Primitiva, que caiu na graça de todo
o povo, vinham pessoas de várias partes do país e até mesmo
do exterior, as quais recebiam poder do alto e levavam consigo
a chama pentecostal para os pontos mais longínquos do globo
terrestre, a exemplo de Gunnar Vingren e Daniel Berg,
fundadores da AD e do movimento pentecostal no Brasil.
Restabelecendo o ensino
Tudo
o que eu julgo ser bom, útil e importante para mim, é, e
deve ser objeto de minha constante busca. Se a
invulnerabilidade da vida cristã consiste em ser cheio do Espírito
Santo, esse então é o meu objetivo. Minha vontade e meu
desejo me encorajam a buscar essa virtude. E, se a via correta
e racional para atingir esse alvo é o estudo da Palavra de
Deus e não o emocionalismo ilusório, minha capacidade de
busca optará por fazê-lo.
Descoberta, valorização e
utilidade
Quando nos voltamos para o texto de 2Crônicas
34.15, onde diz: “E Hilquias respondeu e disse a Safa, o
escrivão: Achei o livro da Lei na Casa do Senhor. E Hilquias
deu o livro a Safa”; ficamos a pensar na deplorável situação
em que se encontrava o majestoso templo construído no reinado
de Salomão, todo trincado com fendas extremamente largas, em
outros pontos da construção o estado era caótico, pois
encontrava-se totalmente em ruínas.
Na
memória de alguns, creio, imperava a lembrança do período
áureo daquele local, onde era utilizado para cultuarem ao
Senhor.
Imaginamos
o descuido com algo tão importante como o Livro da Lei do
Senhor existente no Templo por ordenança de seu escritor, o
legislador Moisés (Dt 31.9-11, 24-26), a posição anterior
do Livro junto à Arca do Concerto oferecia às pessoas seu
valor e sua importância, mas agora lá estava Ele, jogado
entre os escombros e entulhos do Santuário, semidestruído,
como se nada representasse ou que nada significasse.
Surge
então um jovem rei que toma a sábia iniciativa de restaurar
a Casa do Senhor, tanto no aspecto de benfeitorias no prédio
como no restabelecimento do culto religioso.
A
descoberta do Livro foi importante mas nada significaria se não
houvesse por parte de quem o achou interesse em desvendá-lo
através da leitura e da execução do seu conteúdo.
A
Bíblia afirma que o rei Josias foi o mais crente de todos os
reis e que celebrou a maior festa espiritual (2Rs 23.25 e 2Cr
35.18).
Ele
foi mais privilegiado em inteligência? Seu dia possuía mais
horas que o das demais pessoas? Com certeza, não! Ele
simplesmente não ignorou o valor da descoberta.
Equipe de apoio
O
rei contava com o apoio de uma equipe fiel e eficiente (2Cr
34.8-13,20,22). Uma parte cuidava das coisas espirituais e
outra, das materiais. O escrivão Safa, autorizado pelo rei,
falou com as pessoas responsáveis pela avaliação do orçamento
(2Cr 34.8), logo após, foram até o sumo sacerdote Hilquias e
entregaram a soma de dinheiro (2Cr 34.9) e, finalmente,
levaram o montante e passaram às mãos de uma equipe que iria
executar o serviço (2Cr 34.10-14). O rei ficou despreocupado
pois sua equipe de pessoas competentes e, acima de tudo
honestas, as quais receberam o dinheiro e o empregaram sem
desperdiçá-lo (2Rs 22.7 e 2Cr 34.9-12).
Já
dentro do templo o sacerdote encontra o Livro da Lei e o
entrega a Safã, porque o que lhe interessava era o bem estar
do reino e não sua autopromoção (2Cr 34.15).
Percebe-se
então que o departamento da ED precisa mais do que qualquer
outro, de uma equipe de apoio aliada a um superintendente
criativo. O corpo docente cuida da “Lei”, ou seja, do
ensinamento da Palavra, e a equipe de apoio atende à parte
administrativa da ED, auxiliando a todos. Coisas como:
recepcionar visitantes, observar as pessoas que estão
faltando, idealizar e promover eventos extraclasses
(marketing) para estimular a freqüência da ED.
Avivamento com conhecimento
Avivamento sólido e real, com características autênticas
e resultados concretos, consolida-se através do desempenho de
etapas dentro do processo ensino/aprendizagem.
A
Bíblia é rica em lições para nossas vidas. Se
propusermo-nos a estudá-la, com certeza seremos mais abençoados.
Existem pessoas que por desconhecerem as Escrituras, coagem
Deus a lhes dar pela Bíblia aquilo que na verdade não lhe é
devido.
Oração
Tenha propósito definido em suas orações. Não peça
porção dobrada do Espírito de Deus, isso é impossível que
Ele faca, pois se fizer estará criando um deus superior a
Ele.
Ore
como Habacuque pedindo avivamento (Hc 3.1,2), não só você,
mas todo o departamento de educação cristã.
Requisitos canalizadores e
estimuladores do avivamento através do ensino
Você e sua equipe deverão ter visão ampla e
criatividade para afastarem a monotonia e a rotina. É necessário
triagem periódica para a identificação de problemas que, se
ignorados, poderão avolumar-se. Com base nos episódios do
rei Josias e das parábolas da ovelha e dracma perdidas (Lc
15.1-10), vamos analisar o ponto em comum existente entre seus
acontecimentos.
Perceptibilidade
Pode parecer fácil, mas se você não tiver unção
do Espírito Santo e a assessoria devida de uma equipe, talvez
não consiga perceber e identificar a falta de alguma coisa.
O
rei Josias percebeu a precisão de uma reforma no templo para
que, desse modo, garantisse o futuro da tribo de Judá, pois
uma vida de espiritualidade efêmera está fadada ao fracasso.
Com o templo o povo poderia cultuar a Deus e dessa forma ser
mais submisso.
O
homem que tinha cem ovelhas (Lc 15.4) só soube que faltava
uma porque certamente conhecia todo o seu rebanho e
valorizava-o por igual.
Semelhantemente
a mulher que perdera sua dracma (Lc 15.8), ela tinha
conhecimento do valor de sua moeda e mantinha afinidade com
ela de igual modo.
E
você, está sabendo valorizar os seus alunos?
Interesse
O rei interessou-se pelo bem estar da sua alma como
também com o de seus súditos. Preocupou-se em fazer conforme
estava escrito no livro (2Cr22.13; 23.3).
A
demonstração do interesse do homem por suas ovelhas e também
da mulher por suas dracmas, pode ser percebido facilmente no
fato de que, para que sentissem falta delas, no mínimo eram
contadas todos os dias, pela manhã e pela tarde.
Se
nosso departamento não se interessar pelo bem estar dos
alunos faltosos, em pouco tempo não contaremos nem com a
presença dos assíduos. Devemos mostrar empatia e preocupação
pelos seus problemas e necessidades.
Disposição
O rei se dispôs para que a obra fosse concluída.
Mobilizou de um lado, mexeu de outro, e concretizou seu
desejo. Evidente que isso tornou-se mais fácil, porque ele não
se empenhou sozinho, mas delegou poderes a uma equipe disposta
a qual estava trabalhando ao seu lado para atingir o mesmo
objetivo.
O
homem dono do rebanho com certeza enfrentou obstáculos mil
para deixar seus compromissos e se lançar aos perigos de uma
busca incerta. A mulher relegou tudo a segundo plano até
encontrar sua dracma perdida.
Método
O condutor de Judá estava com o Livro da Lei nas mãos.
Já o havia lido, porém não sabia que atitude tomar, foi
quando então lhe veio à mente que sua equipe fiel e
eficiente poderia consultar o Senhor, por ele e pelo povo (2Rs
22.13). Contudo, antes de tomar essa decisão ele havia feito
quatro coisas comoventes que contribuíram decisivamente para
o avivamento: (1) “...o teu coração se enterneceu...”;
(2) “...e te humilhaste...”; (3) “...rasgaste as tuas
vestes...”; (4) “...e choraste perante mim...” (2Rs
22.19).
Compadeceu-se
pelo povo (O aluno quer sentir isso do professor?).
Reconheceu
sua falibilidade (Só o aluno erra?).
Esqueceu
sua posição de superioridade e autoritarismo (Perco a minha
autoridade sobre os alunos procedendo assim?).
Chorou
por si e pelo povo (Temos orado para darmos exemplo? E nas orações,
temos incluído nossos alunos?).
Não
sabemos quanto tempo o pastor gastou procurando pela ovelha.
Quem sabe levou alimento e passou muitos dias caminhando
muitos quilômetros sob o sol escaldante. E utilizou vários
meios diferentes para resgatá-la. Aja de forma imparcial e
incondicional. Faça planos, defina objetivos, trace metas e
convide sua equipe a convergir igualmente os esforços para
sanar deficiências. Crie meios de atrair a atenção e depois
conscientize os alunos de suas responsabilidades.
Divulgação
Naquela época não existia sistema de alto-falante,
rádio, televisão, telefone e Internet. Então como o rei
reuniu todo o povo desde o adulto até a criança? Mais uma
vez o rei contou com a eficiência e disponibilidade de sua
equipe que, com certeza, fez um grande trabalho de divulgação
e convite, tão in tensivo que não faltou ninguém (2Rs
23.1,2).
O
pastor após retornar de sua exaustiva jornada, ainda teve
coragem de se dirigir à casa de amigos e vizinhos,
convidando-os para juntos se alegrarem pelo encontro e resgate
de sua ovelha (Lc 15.6). Em todos os casos, apesar de
milenares, as personagens históricas funcionaram como
importantes divulgadores do século 21.
Lembro-me
quando foi lançada a campanha Biênio da Escola Dominical
96/97, Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor (2Cr
34.15), nascida na visão da liderança da Casa Publicadora
das Assembléias de Deus (CPAD), alarmada com o fato de 80%
dos crentes não freqüentarem a igreja aos domingos pela manhã.
Os avanços acontecidos depois dessa campanha são inúmeros e
impossíveis de mencionar.
Aqueles
que popularizam sua ED estão ganhando almas e mais alunos com
esse recurso. Muitas pessoas não a freqüentam por causa da
falta de estímulo de seus dirigentes e coordenadores. Crie e
mostre a necessidade de o aluno ir à ED, lembre-se que o que
é bom, útil e importante pode e deve ser desejado. Promova
mais a ED e você verá os resultados.
Bibliografia
CARVALHO, César Moisés. Conhecimento produz
avivamento. Revista Ensinador Cristão, ano 3, nº 9. Rio
de Janeiro: CPAD, jan/mar 2002. pp.44-7.
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