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Leitura
Bíblica em Classe
2 Timóteo 3.10-17
Esboço da
Lição
Introdução
I.
O que é a Bíblia
II.
A inspiração divina da Bíblia
III.
A inerrância da Bíblia
IV.
A infalibilidade da Bíblia
V.
A supremacia da Bíblia em matéria de fé e prática
Conclusão
Tema
deste Subsídio
A Autoridade e Inspiração da Bíblia
Autor
F.F. Bruce
Palavras
Chaves
Bíblia; Testamentos; Escrituras; Palavra de Deus.
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA IGREJA
A Bíblia
A
palavra “bíblia” é derivada do latim, proveniente da
palavra grega bíblia (livros), que diz respeito
especificamente aos livros que são reconhecidos como canônicos
pela Igreja cristã. Nesse sentido, acredita-se estar o uso
cristão mais antigo da expressão ta bíblia (os
livros) na epístola de 2 Clemente 2.14 (c.150 d.C.): “Os
livros e os apóstolos declaram que a Igreja...existe desde o
princípio” (compare Dn 9.2: “Eu, Daniel, entendi pelos
livros...”, cuja referência é ao corpus dos escritos proféticos
do Antigo Testamento). O vocábulo grego biblion (do
qual bíblia é o plural) é o diminutivo de biblos,
que na prática denota qualquer tipo de documento escrito, mas
originalmente aquele que foi escrito em papiro.
Um
termo sinônimo de “a Bíblia” é “os escritos” ou
“as Escrituras” (em grego hai graphai, ta grammata),
freqüentemente usado no Novo Testamento para designar, no
todo ou em parte, os documentos do Antigo Testamento. Por
exemplo, Mateus 21.42 diz: “Nunca lestes nas Escrituras?”
(em tais graphais). A passagem paralela, Marcos 12.10,
traz o singular, referindo-se ao particular texto citado:
“Ainda não lestes esta Escritura?” (tem graphen tauten).
Em 2 Timóteo 3.15, temos “as sagradas letras” (ta
hiera grammata), e o versículo seguinte (ARA) diz:
“Toda Escritura é inspirada por Deus” (pasa graphe
theopneutos). Em 2 Pedro 3.16, “todas” as epístolas
de Paulo são incluídas junto com “as outras Escrituras”
(tas loipas graphas), as quais presumem-se que sejam os
escritos do Antigo Testamento e provavelmente os evangelhos
também.
Possíveis Origens
Nos círculos teológicos, a questão da origem
exata da Igreja do Novo Testamento tem ido alvo de muitos
debates. Alguns têm adotado uma abordagem bastante ampla, e
sugerem que a Igreja existe desde o início da raça humana,
incluindo todas as pessoas que já exerceram fé nas promessas
de Deus, a partir de Adão e Eva (Gn 3.15). Outros apóiam um
início veterotestamentário para a Igreja, especificamente
nos relacionamentos pactuais entre Deus e o seu povo, a partir
dos patriarcas e continuando durante o período mosaico.
Muitos estudiosos preferem uma origem neotestamentária para a
Igreja, mas neste contexto também há diferenças de opinião.
Alguns, por exemplo, acreditam que a Igreja foi fundada quando
Cristo começou publicamente seu ministério e chamou 12 discípulos.
Sobejam os pontos de vista, inclusive o de alguns
ultradispensacionalistas, que acreditam não ter a Igreja começado
realmente antes do ministério e viagens do apóstolo Paulo.
A
maioria dos estudiosos, quer sejam seus antecedentes
pentecostais, evangélicos ou modernistas, acreditam que as
evidências bíblicas são favoráveis ao dia de Pentecostes,
em Atos 2, para a inauguração da Igreja.
Alguns,
no entanto, reconhecem que a morte de Cristo efetivou a nova
aliança (Hb 9.15,16). Por isso, entendem ser João 20.21-23 a
inauguração da Igreja, como incorporação à nova aliança
(cf. João 20.29, que demonstra já serem crentes os discípulos
– já estavam dentro da Igreja antes de serem revestidos de
poder pelo batismo no Espírito Santo).
Várias
são as razões para crermos que a Igreja teve sua origem ou
pelo menos foi publicamente reconhecida pela primeira vez no
dia de Pentecostes. Embora na era pré-cristã Deus certamente
se associasse a uma comunidade pactual de fiéis, não há
evidências claras de que o conceito de Igreja existisse no
período do Antigo Testamento. Ao citar expressamente ekklêsia
pela primeira vez (Mt 16.18), Jesus falava de algo que
iniciaria no futuro (“edificarei” [gr. Oikodomêsõ]
é um verbo no futuro simples, não uma expressão de disposição
ou determinação).
Na
condição de corpo de Cristo, é natural que a Igreja dependa
integralmente da obra concluída por Ele na Terra (sua morte,
ressurreição e ascensão) e da vinda do Espírito Santo (Jo
16.7; At 20.28; 1Co 12.13). Millard J. Erickson observa que
Lucas não emprega ekklêsia no seu evangelho, mas a
palavra aparece 24 vezes em Atos dos Apóstolos. Este fato
sugere que Lucas não tinha nenhum conceito da presença da
Igreja antes do período abrangido em Atos. Imediatamente após
aquele grande dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre
os crentes reunidos, a Igreja começou a propagar
poderosamente o Evangelho, conforme fora predito pelo Senhor
ressurreto em Atos 1.8. A partir daquele dia, a Igreja
continuou a propagar-se e a aumentar no mundo inteiro,
mediante o poder e orientação daquele mesmo Espírito Santo.
Conteúdo e Autoridade
Entre os cristãos, para quem o Antigo e o Novo
Testamento juntos constituem a Bíblia, não há pleno acordo
quanto ao seu conteúdo. Algumas ramificações da igreja siríaca
não incluem no Novo Testamento as epístolas de 2 Pedro, 2 e
3 João, Judas e Apocalipse. Além dos livros que formam a Bíblia
hebraica, as comunidades romanas e gregas inserem vários
outros no Antigo Testamento. Esses livros adicionais fazem
parte da Septuaginta cristã.
Embora
sejam incluídos na completa Bíblia inglesa protestante,
juntamente com um ou dois outros livros, a Igreja da
Inglaterra (como a Igreja Luterana) segue Jerônimo ao
sustentar que tais livros podem ser lidos “como exemplo de
vida e instrução de costumes, ainda que não se apliquem
para estabelecer qualquer doutrina” (Artigo VI). As outras
igrejas da Reforma não conferem nenhum status canônico a
esses livros. A Bíblia etiópica inclui 1 Enoque e o Livro
dos Jubileus.
Nas
comunidades romanas, gregas e outras igualmente antigas, a Bíblia,
junto com a tradição viva da Igreja, considerada em certo
sentido, constituem a autoridade máxima. Por outro lado, nas
igrejas da Reforma, somente a Bíblia é a última corte de
apelação em assuntos doutrinários e práticos. Assim, o
Artigo VI da Igreja da Inglaterra, afirma: “A Sagrada
Escritura contém todas as coisas necessárias para a salvação;
de modo que tudo que não seja encontrado nela, ou que não
possa ser provado por esse meio, não deve ser exigido de quem
quer que seja, a fim de que deva ser crido como artigo de fé,
ou ser considerado como requisito ou algo necessário à salvação”.
Para os mesmos efeitos, a Confissão de Fé de Westminster
(1.2) alista os 39 livros do Antigo Testamento e os 27 do Novo
como “todos os livros... dados por inspiração de Deus,
para servirem de regra de fé e vida”.
Os Dois Testamentos
A
palavra “testamento”, nas designações “Antigo
Testamento” e “Novo Testamento”, para as duas divisões
da Bíblia, remonta através do latim testamentum ao
termo grego diathéke, o qual na maioria de suas ocorrências
na Bíblia grega significa “concerto” em vez de
“testamento”. Em Jeremias 31.31, foi profetizado um novo
concerto que iria substituir aquele que Deus fez com Israel no
deserto (cf. Ex 24.7,8). “Dizendo novo concerto, envelheceu
o primeiro” (Hb 8.13). Os escritores do Novo Testamento vêem
o cumprimento da profecia do novo concerto na nova ordem
inaugurada pela obra de Cristo. Suas próprias palavras ao
instituir esse concerto (1Co 11.25) dão autoridade a esta
interpretação. Portanto, os livros do Antigo Testamento são
assim chamados por causa de sua estreita associação com a
história do “antigo concerto”. E os livros do Novo
Testamento são desse modo designados porque se tratam dos
documentos do estabelecimento do “novo concerto”. Uma
semelhança ao nosso uso comum do termo “Antigo
Testamento” encontra-se em 2 Coríntios 3.14: “Na lição
do Velho Testamento”, embora Paulo provavelmente queira
aludir à lei, a base do antigo concerto, em vez de todo o
volume da Escritura hebraica. Os termos “Antigo
Testamento” e “Novo Testamento”, nomeados para as duas
coleções de livros, entraram no uso geral entre os cristãos
na última parte do século II. Tertuliano traduziu diathéke
para o latim por intrumentum (um documento legal) e
também por testamentum. Infelizmente, foi a última
palavra que vingou, considerando-se que as duas partes da Bíblia
não são “testamentos” no sentido ordinário do termo.
O ANTIGO TESTAMENTO
Na Bíblia hebraica, os livros estão dispostos em
três divisões: a Lei, os Profetas e os Escritos. A Lei
abrange o Pentateuco, os cinco “livros de Moisés”. Os
Profetas desdobram-se em duas subdivisões: os “Primeiros
Profetas”, compreendendo Josué, Juízes, Samuel e Reis; e
os “Últimos Profetas” abarcando Isaías, Jeremias,
Ezequiel e “O Livro dos Doze Profetas”. Os Escritos contêm
o restante dos livros: primeiro, Salmos, Provérbios e Jó;
depois, os cinco “Rolos”, a saber, Cantares de Salomão,
Rute, Lamentações de Jeremias, Eclesiastes e Éster; e,
finalmente, Daniel, Esdras-Neemias e Crônicas. O total é
tradicionalmente computado em 24, mas esses 24 correspondem
exatamente ao nosso cômputo comum de 39, visto que no último
cálculo os Profetas Menores são contados como 12 livros, e
Samuel, Reis, Crônicas e Esdras-Neemias, como dois livros
cada. Na Antiguidade, havia outras maneiras de contar os
mesmos 24 livros. Em uma dessas maneiras (atestada por Josefo),
o total descia para 22; em outra (conhecida por Jerônimo),
subia para 27.
A
origem da organização dos livros na Bíblia hebraica não
pode ser rastreada. Acredita-se que a divisão em três partes
corresponda às três etapas nas quais os livros receberam
reconhecimento canônico, mas não há evidências diretas
sobre isso.
Na
Septuaginta, os livros estão arranjados de acordo com a
similaridade de assuntos. O Pentateuco é seguido pelos livros
históricos, que são sucedidos pelos livros poéticos e
sapienciais, vindo por último os livros proféticos. É essa
ordem que, em suas características essenciais, foi perpetuada
(via Vulgata) na maioria das edições cristãs da Bíblia. Em
certos aspectos, essa seqüência é mais condizente com a
ordem cronológica dos conteúdos da narrativa do que com a da
Bíblia hebraica. Rute, por exemplo, aparece imediatamente
depois de Juízes (visto que relata fatos ocorridos “nos
dias em que os juízes julgavam”), e o trabalho do cronista
aparece na seqüência Crônicas-Esdras-Neemias.
A
divisão em três partes da Bíblia hebraica está refletida
na redação de Lucas 24.44 (“na Lei de Moisés, e nos
Profetas, e nos Salmos”). Mais comumente, o Novo Testamento
refere-se à “Lei e os Profetas” (vide Mt 7.12) ou
a “Moisés e os Profetas” (vide Lc 16.29).
A revelação divina desses registros do Antigo
Testamento foi transmitida de duas maneiras principais – por
obras poderosas e por palavras proféticas. Esses dois modos
de revelação estão ligados indissoluvelmente entre si. Os
atos de misericórdia e julgamento, pelos quais o Deus de
Israel se fez conhecido ao povo do seu concerto, não teriam
transmitido sua mensagem apropriada se não tivessem sido
interpretadas pelos profetas – os “porta-vozes” de Deus,
que receberam e comunicaram sua Palavra. Por exemplo, os
acontecimentos do Êxodo não teriam adquirido seu permanente
significado para os israelitas se Moisés não lhes tivesse
dito que, por meio desses acontecimentos, o Deus de seus pais
estava agindo para libertá-los, de acordo com suas antigas
promessas, de um modo que eles podiam ser o seu povo e Ele, o
seu Deus. Por outro lado, as palavras de Moisés teriam sido
infrutíferas se não estivessem associadas à vindicação do
povo nos acontecimentos do Êxodo. Semelhantemente, podemos
comparar a atuação significativa de Samuel na época da ameaça
filistéia, no tempo dos grandes profetas do século VIII
a.C., quando a Assíria vencia espetacularmente tudo o que
havia pela frente, aos dias de Jeremias e Ezequiel, quando o
reino de Judá deixou de existir, e assim por diante.
Essa
interação de obras poderosas e palavras proféticas no
Antigo Testamento explica por que a história e a profecia estão
tão interligadas uma com a outra ao longo de todas as suas páginas.
Não há o que duvidar que foi alguma percepção a esse
respeito que levou os judeus a incluírem os principais livros
históricos entre os Profetas. Mas, de fato, não apenas os
escritos do Antigo Testamento registram essa dupla revelação
progressiva de Deus, como também registram ao mesmo tempo a
resposta dos homens à revelação de Deus – uma resposta às
vezes obediente. No registro da resposta daqueles a quem veio
a palavra de Deus no Antigo Testamento, o Novo Testamento
proporciona instruções práticas para os cristãos. Sobre a
rebelião dos israelitas no deserto e os eventos desastrosos
que se seguiram, Paulo escreve: “Ora, tudo isso lhes
sobreveio como figuras [exemplos], e estão escritas para
aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos”
(1Co 10.11).
Com
relação ao seu lugar na Bíblia cristã, o Antigo
Testamento, em essência, é introdutório: o que Deus
antigamente falou pelos profetas esperou por seu cumprimento
naquilo que foi falado pelo Filho (Hb 2.1,2). Não obstante,
nos primeiríssimos dias do Cristianismo, o Antigo Testamento
era a Bíblia que os apóstolos e outros pregadores do
Evangelho levaram consigo quando saíam para proclamar Jesus (Jo
5.39) e uma descrição natural do modo de salvação mediante
a fé nEle (Rm 3.21; 2Tm 3.15). Para usar o Antigo Testamento,
tinham a autoridade e o exemplo do próprio Jesus. E, desde
então, a Igreja sempre tem obtido sucesso, quando segue o
precedente estabelecido por Ele e seus apóstolos e reconhece
o Antigo Testamento como Escritura cristã. “O que era
indispensável para o Redentor, sempre deve ser indispensável
para os redimidos” (G.A. Smith).
O NOVO TESTAMENTO
O
Novo Testamento está para o Antigo Testamento na mesma proporção
que o cumprimento está para a promessa. Se o Antigo
Testamento registra o que Deus falou no passado aos nossos
pais pelos profetas, o Novo Testamento registra a palavra
final que Ele falou por seu Filho, em quem todas as mais
antigas revelações foram resumidas, confirmadas e
transcendidas. As obras poderosas da revelação do Antigo
Testamento culminam na obra redentora de Cristo. As palavras
dos profetas do Antigo Testamento recebem seu pleno
cumprimento nEle. mas Ele não é apenas a coroa
da revelação de Deus aos homens; é também a
resposta perfeita do homem a Deus – o apóstolo e sumo
sacerdote da nossa confissão (Hb 3.1). Se
o Antigo Testamento registra o testemunho daqueles que
o viram e o ouviram nos dias da sua carne, e que vieram a
conhecer e proclamaram com maior profundidade o significado da
sua vinda, pelo poder do seu Espírito, depois que
ressuscitara dos mortos.
Nos
últimos 1.600 anos, o Novo Testamento tem sido aceito pela
grande maioria dos cristãos como tendo 27 livros, dispostos
naturalmente em quatro divisões: (1) os quatro evangelhos,
(2) os Atos dos Apóstolos, (3) as 21 cartas escritas pelos apóstolos
e “homens apostólicos”, e (4) o Apocalipse. Essa ordem não
é apenas lógica, mas quase cronológica, à medida que se
leva em conta os assuntos expostos nos documentos. Contudo, não
há correspondência com a ordem em que foram escritos.
Os
primeiros documentos do Novo Testamento a serem escritos foram
as primeiras epístolas de Paulo. Estas (junto, possivelmente,
com a epístola de Tiago) foram compostas entre 48 e 60 d.C.,
antes mesmo que o mais antigo dos Evangelhos fosse escrito. Os
quatro evangelhos pertencem às décadas de entre 60 e 100
d.C., e é também a esse período que se atribui todos (ou
quase todos) os outros escritos do Novo Testamento. Enquanto a
composição dos livros do Antigo Testamento se estendeu por
um período de mil anos ou mais, os livros do Novo Testamento
foram escritos em menos de um século.
Os
escritos neotestamentários não foram reunidos na forma como
hoje o conhecemos, imediatamente após terem sido escritos. Em
princípio, cada um dos evangelhos teve uma existência local
e independente nas respectivas comunidades para as quais
originalmente cada um foi composto. Entretanto, pelo início
do século II, foram reunidos e começaram a circular como um
registro quádruplo. Quando isso aconteceu, Atos foi separado
de Lucas, com o qual fazia uma obra em dois volumes, e lançado
em uma carreira solo, mas não desprovida de sua própria
importância.
As
epístolas de Paulo foram primeiramente preservadas pelas
comunidades ou indivíduos aos quais foram enviadas. Mas
encontramos evidências que, pelo fim do século I, sugerem
que sua subsistente correspondência começou a ser reunida em
um corpus paulino, o qual rapidamente passou a circular entre
as igrejas – primeiro, como um corpus mais curto composto de
dez epístolas e, logo a seguir, um maior, compreendendo 13 epístolas,
aumentado pela inclusão das três epístolas pastorais.
Dentro do corpus paulino, as epístolas parecem ter sido
organizadas não em sua seqüência cronológica, mas na ordem
decrescente em termos de tamanho. Esse princípio ainda hoje
pode ser reconhecido na ordem encontrada na maioria das edições
do Novo Testamento: as epístolas às igrejas vêm antes das
epístolas pessoais, e dentro destas duas subdivisões estão
arranjadas de maneira que
as mais longas vêm por primeiro e as mais curtas por
último (a única exceção a esse esquema é Gálatas, que
vem antes de Efésios, embora Efésios seja a epístola
ligeiramente mais longa entre as duas).
Com
a reunião dos evangelhos e o corpus paulino, e servindo Atos
como elo de ligação entre os dois, temos o início do cânon
do Novo Testamento como hoje o conhecemos. A Igreja Primitiva,
que herdou a Bíblia hebraica (ou a versão grega da
Septuaginta) como as Escrituras Sagradas, não tardou em
colocar os novos escritos evangélicos e apostólicos ao lado
da Lei e dos Profetas e usá-los para a propagação e defesa
do Evangelho e no culto cristão. Desse modo, Justino Mártir,
em emado do século II, descreve como os cristãos, em suas
reuniões dominicais, liam “as memórias dos apóstolos ou
os escritos dos profetas” (Apologia, 1.67). Foi
natural, então, que quando o Cristianismo se espalhou entre
os povos que falavam outros idiomas que não o grego, o Novo
Testamento fosse traduzido do grego para aquelas línguas, em
benefício dos novos convertidos. Por volta de 200 d.C., já
havia versões latinas e siríacas do Novo Testamento e, no século
que se seguiu, existia uma versão cóptica.
A Mensagem da Bíblia
A Bíblia tem desempenhado, e continua a
desempenhar, uma função extraordinária na história da
civilização. Muitas línguas foram postas pela primeira vez
na forma escrita para que a Bíblia, no todo ou em parte,
pudesse ser traduzida para essas línguas. E isso não é senão
uma pequena amostra da missão civilizadora da Bíblia no
mundo.
Essa
missão civilizadora é o efeito direto da mensagem central da
Bíblia. Pode parecer surpreendente que se fale em uma
mensagem central numa coleção de escritos que reflete a história
da civilização no Oriente Próximo ao longo de alguns milênios.
Mas há uma mensagem central, e é o reconhecimento desse fato
que tem levado a Bíblia a ser tratada comumente como um
livro, e não como uma coleção de livros – assim como a
palavra grega plural bíblia (“livros”) tornou-se
no termo latino singular bíblia (“o livro”).
A
mensagem central da Bíblia é a história da salvação e, ao
longo de ambos os Testamentos, podem ser distinguidos três
elementos comuns nessa história reveladora: aquEle que traz a
salvação, o meio de salvação e os herdeiros da salvação.
isso poderia ser reformulado sob o aspecto da idéia do
concerto, dizendo que a mensagem central da Bíblia é o
concerto de Deus com os homens e que os elementos comuns são:
o Mediador do concerto, a base do concerto e o povo do
concerto. Deus mesmo é o Salvador do seu povo; é Ele que
confirma seu concerto de misericórdia com o povo. Quem traz a
salvação, o Mediador do concerto, é Jesus Cristo, o Filho
de Deus. O meio de salvação, a base do concerto, é a graça
de Deus, que exige de seu povo uma resposta de fé e obediência.
Os herdeiros da salvação, o povo do concerto, são o Israel
de Deus, a Igreja de Deus.
A
continuidade do povo do concerto, proveniente do Antigo
Testamento para o Novo, está oculta para o leitor comum da Bíblia
em português, porque “igreja” é uma palavra exclusiva do
Novo Testamento e, naturalmente, esse leitor considera que
isso é algo que começou no período do Novo Testamento. Mas
o leitor da Bíblia grega não foi confrontado por nenhuma
palavra nova quando achou ekklesia no Novo Testamento.
Já a havia encontrado na Septuaginta como uma das palavras
usadas para indicar Israel como a “congregação” do povo
do Senhor. Certamente há um novo e mais profundo significado
no Novo Testamento. O povo do antigo concerto teve de morrer
com Ele, a fim de ser ressuscitado com Ele para uma nova vida
– uma nova vida na qual as restrições nacionais haviam
desaparecido. Jesus fornece em si mesmo a continuidade vital
entre o antigo e o novo Israel, e seus seguidores fiéis são
não apenas o remanescente justo do antigo Israel, mas também
o núcleo do novo. O Servo do Senhor e seus servos unem os
dois Testamentos num só.
A
mensagem da Bíblia é a mensagem de Deus para o homem,
comunicada “muitas vezes e de muitas maneiras” (Hb 1.1) e
finalmente encarnada em Jesus. Por conseguinte, “a
autoridade da Santa Escritura, a qual deve ser crida e
obedecida, não depende do testemunho de algum homem ou
igreja, mas inteiramente de Deus (que é a própria verdade),
o seu autor; e, portanto, deve ser recebida, porque é a
Palavra de Deus” (Confissão de Fé de Westminster,
1.4).
Bibliografia
COMFORT,
Philip Wesley. A
Origem da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 1998. pp.13-25.
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