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Leitura
Bíblica em Classe
Mateus 16.13-20
Esboço da
Lição
Introdução
I.O que é a Igreja
II.
A graça de Deus na salvação do homem
III.
Os fundamentos da Igreja
IV.
A missão da Igreja
V.
Os membros da Igreja
VI.
As ordenanças da Igreja
Conclusão
Tema
deste Subsídio
A Igreja do Novo Testamento
Autor
Michael L. Dusing
Palavras
Chaves
Igreja; Assembléia; Cristo; Cristianismo
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA IGREJA
Definição de Igreja
Jesus
assevera, em Mateus 1.18: “Edificarei a minha igreja”.
Esta é a primeira entre as mais de cem referências no Novo
Testamento que empregam a palavra grega primária para
“igreja”: ekklêsia, composta com a preposição ek
(“fora de”) e o verbo kaleõ (“chamar”).
Logo, ekklêsia denotava originalmente um grupo de
cidadãos chamados e reunidos, visando um propósito específico.
O termo é conhecido desde o século V a.C., nos escritos de
Heródoto, Xenofontes, Platão e Eurípides. Este conceito de ekklêsia
prevalecia especialmente na capital, Atenas, onde os líderes
políticos eram convocados como assembléia constituinte até
quarenta vezes por ano. O uso secular do termo também aparece
no Novo Testamento. Em Atos 19.32,41, por exemplo, ekklêsia
refere-se à turba enfurecida de cidadãos que se reuniu
em Éfeso para protestar contra os efeitos do ministério de
Paulo. Na maioria das vezes, porém, o termo tem uma aplicação
mais sagrada e refere-se àqueles que Deus tem chamado para
fora do pecado e para dentro da comunhão do seu Filho, Jesus
Cristo, e que se tornaram “concidadãos dos santos e da família
de Deus” (Ef 2.19). Ekklêsia é sempre empregada às
pessoas e também identifica as reuniões destas para adorar e
servir ao Senhor.
A
Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, também
emprega ekklêsia quase cem vezes, usualmente como
tradução do termo hebraico qahal (“assembléia”,
“convocação”, “congregação”). No Antigo
Testamento, assim como no Novo, o termo às vezes se refere a
uma assembléia religiosa (por exemplo, Nm 16.3; Dt 9.10) e em
outras ocasiões a uma reunião visando propósitos seculares,
até mesmo malignos (Gn 49.6; Jz 20.2; 1Rs 12.3 etc.). Uma
palavra hebraica com significado semelhante a qahal é
‘edah (“congregação”, “assembléia”,
“agrupamento”, “reunião”). É de relevância notar
que ekklêsia é freqüentemente usada na Septuaginta
para traduzir qahal, mas nunca ‘edah. Pelo
contrário, está última palavra é freqüentemente traduzida
por sunagõgê (“sinagoga”). Por exemplo: a frase
“comunidade de Israel” (Ex 12.3) podia ser traduzida por
“sinagoga de Israel” se seguíssemos a versão da
Septuaginta (ver também Ex 16.1ss; Nm 14.1ss; 20.1ss).
A
palavra grega sunagõgê, assim como seu equivalente
hebraico ‘edah, tem o significado essencial de
pessoas reunidas. Hoje, quando escutamos a palavra
“sinagoga”, usualmente temos o retrato mental de uma
assembléia de judeus reunidos para orar e escutar a leitura e
exposição do Antigo Testamento. Significado semelhante também
se acha no Novo Testamento (Lc 12.11; At 13.42 etc.). E,
embora os cristãos primitivos costumassem evitar a palavra
para descrever a eles mesmos, Tiago não a evita ao (Tg 2.2)
referir-se aos crentes que se reuniam para adorar, talvez por
serem os seus leitores convertidos judaicos, na sua maioria.
Como
conseqüência, quer nos refiramos aos termos hebraicos comuns
qahal e ‘edah, quer às palavras gregas
sunagõgê e ekklêsia, o significado essencial
continua sendo o mesmo: a “Igreja” consiste naqueles que
foram chamados para fora do mundo, do pecado e da vida
alienada de Deus, os quais, mediante a obra de Cristo na sua
redenção, foram reunidos como uma comunidade de fé que
compartilha das bênçãos e responsabilidades de servir ao
Senhor.
A
palavra grega kuriakos (“pertencente ao Senhor”),
que aparece apenas duas vezes no Novo Testamento (1Co 11.20;
Ap 1.10), deu origem à palavra Chucrh –
“igreja”, em inglês (também Kirche, em alemão, e
kirk, na Escócia). No cristianismo primitivo, tinha o
significado de lugar onde se reunia a ekklêsia, a
Igreja. O local da assembléia, independente do seu uso ou
ambiente, era considerado “santo” ou pertencente ao
Senhor, porque o povo de Deus se reunia ali para adorá-lo e
servi-lo.
Hoje,
“igreja” comporta vários significados. Refere-se freqüentemente
ao prédio onde os crentes se reúnem (por exemplo: “Estamos
indo à igreja”). Pode indicar a nossa comunhão local ou
denominação (“Minha igreja ensina o batismo por imersão”)
ou um grupo religioso regional ou nacional (“a igreja da
Inglaterra”). A palavra é empregada freqüentemente com
referência a todos os crentes nascidos de novo,
independentemente de suas diferenças geográficas e culturais
(“a Igreja do Senhor Jesus Cristo”). Mas seja como for, o
significado bíblico de “igreja” refere-se primariamente não
às instituições e culturas, mas sim às pessoas
reconciliadas com Deus mediante a obra salvífica de Cristo e
que agora pertencem a Ele.
Possíveis Origens
Nos círculos teológicos, a questão da origem
exata da Igreja do Novo Testamento tem ido alvo de muitos
debates. Alguns têm adotado uma abordagem bastante ampla, e
sugerem que a Igreja existe desde o início da raça humana,
incluindo todas as pessoas que já exerceram fé nas promessas
de Deus, a partir de Adão e Eva (Gn 3.15). Outros apóiam um
início veterotestamentário para a Igreja, especificamente
nos relacionamentos pactuais entre Deus e o seu povo, a partir
dos patriarcas e continuando durante o período mosaico.
Muitos estudiosos preferem uma origem neotestamentária para a
Igreja, mas neste contexto também há diferenças de opinião.
Alguns, por exemplo, acreditam que a Igreja foi fundada quando
Cristo começou publicamente seu ministério e chamou 12 discípulos.
Sobejam os pontos de vista, inclusive o de alguns
ultradispensacionalistas, que acreditam não ter a Igreja começado
realmente antes do ministério e viagens do apóstolo Paulo.
A
maioria dos estudiosos, quer sejam seus antecedentes
pentecostais, evangélicos ou modernistas, acreditam que as
evidências bíblicas são favoráveis ao dia de Pentecostes,
em Atos 2, para a inauguração da Igreja.
Alguns,
no entanto, reconhecem que a morte de Cristo efetivou a nova
aliança (Hb 9.15,16). Por isso, entendem ser João 20.21-23 a
inauguração da Igreja, como incorporação à nova aliança
(cf. João 20.29, que demonstra já serem crentes os discípulos
– já estavam dentro da Igreja antes de serem revestidos de
poder pelo batismo no Espírito Santo).
Várias
são as razões para crermos que a Igreja teve sua origem ou
pelo menos foi publicamente reconhecida pela primeira vez no
dia de Pentecostes. Embora na era pré-cristã Deus certamente
se associasse a uma comunidade pactual de fiéis, não há
evidências claras de que o conceito de Igreja existisse no
período do Antigo Testamento. Ao citar expressamente ekklêsia
pela primeira vez (Mt 16.18), Jesus falava de algo que
iniciaria no futuro (“edificarei” [gr. Oikodomêsõ]
é um verbo no futuro simples, não uma expressão de disposição
ou determinação).
Na
condição de corpo de Cristo, é natural que a Igreja dependa
integralmente da obra concluída por Ele na Terra (sua morte,
ressurreição e ascensão) e da vinda do Espírito Santo (Jo
16.7; At 20.28; 1Co 12.13). Millard J. Erickson observa que
Lucas não emprega ekklêsia no seu evangelho, mas a
palavra aparece 24 vezes em Atos dos Apóstolos. Este fato
sugere que Lucas não tinha nenhum conceito da presença da
Igreja antes do período abrangido em Atos. Imediatamente após
aquele grande dia em que o Espírito Santo foi derramado sobre
os crentes reunidos, a Igreja começou a propagar
poderosamente o Evangelho, conforme fora predito pelo Senhor
ressurreto em Atos 1.8. A partir daquele dia, a Igreja
continuou a propagar-se e a aumentar no mundo inteiro,
mediante o poder e orientação daquele mesmo Espírito Santo.
Um Breve Histórico
À medida que a Igreja crescia, no decurso dos séculos
que sucederam a era do Novo Testamento, seu caráter sofreu várias
alterações, algumas das quais se afastavam muito dos ensinos
e padrões da Igreja do primeiro século. Há obras excelentes
a respeito da história do Cristianismo, que dariam ao leitor
uma perspectiva mais ampla e nítida sobre a trajetória da
Igreja. Visando os propósitos específicos deste capítulo,
porém, são cabíveis algumas observações.
Durante
a era patrística (o período antigo dos pais da Igreja e dos
apologistas da fé), a Igreja experimentou dificuldades
externas e internas. Externamente, sofria perseguições
severas pelo Império Romano, especialmente durante os
trezentos anos iniciais. Ao mesmo tempo, dentro da Igreja
desenvolviam-se numerosas heresias, que a longo prazo
revelaram-se mais desastrosas que as perseguições.
A
Igreja, pela graça soberana de Deus, sobreviveu as esses
tempos árduos e continuou crescendo, mas não sem algumas
mudanças de conseqüências negativas. No esforço para
manter a união, a fim de melhor resistir as devassas causadas
pelas perseguições e heresias, a Igreja cada vez mais
cerrava fileiras com os seus líderes, elevando a autoridade
destes. Especialmente depois de conseguirem a paz e a harmonia
política com o governo romano do século IV, a hierarquia
religiosa foi subindo de categoria. À medida que era
aumentada a autoridade e o controle dos clérigos
(especialmente dos bispos), diminuía a importância e a
participação dos leigos. Dessa maneira, a Igreja se tornava
cada vez mais institucionalizada e menos dependente do poder e
orientação do Espírito Santo. O poder do bispo de Roma e da
Igreja sob seu controle foi crescendo, de modo que, próximo
do fim da Era Antiga, a posição de papa e a autoridade da
organização, que começava a ser chamada Igreja Católica
Apostólica Romana, se solidificaram na Europa Ocidental. A
igreja ocidental, no entanto, separou-se e permaneceu sob a
direção de bispos chamados “patriarcas”.
Na
Idade Média, a Igreja continuava seguindo em direção à
formalidade e ao institucionalismo. O papado procurava exercer
sua autoridade, não somente em questões espirituais mas também
em assuntos temporais. Muitos papas e bispos tentaram
“espiritualizar” esse período da história, no qual
imaginavam o Reino de Deus (ou a Igreja Católica Romana)
espalhando sua influência e regulamentos por toda a Terra.
Tal atitude resultou numa tensão constante entre os
governantes seculares e os papas pela manutenção do
controle. Não obstante, com poucas exceções, o papado
mantinha a supremacia em quase todas as áreas da vida.
É
certo que nem todos aceitaram a crescente secularização da
Igreja e sua aspiração de cristianizar o mundo. Houve
algumas tentativas notáveis de reformar a Igreja, na Idade Média,
e de recolocá-la no caminho da verdadeira espiritualidade. Vários
movimentos monásticos (por exemplo, os cluníacos do século
X e os franciscanos do século XIII) e até mesmo leigos (os
albigenses e os valdenses, ambos do século XII) fizeram esforços
nesse sentido. Figuras de destaque, como os místicos Bernardo
de Clarival (século XII) e Catarina de Siena (século XIV) e
clérigos católicos, como John Wycliffe (século XIV) e João
Hus (final do século XIV, início do século XV) procuravam
livrar a Igreja Católica de seus vícios e corrupção e
devolvê-la aos padrões e princípios da Igreja do Novo
Testamento. A Igreja de Roma, no entanto, rejeitava de modo
geral essas tentativas de reforma. Ao contrário, tornava-se
cada vez mais endurecida na doutrina e institucionalizada na
tradição. Semelhante atitude tornou quase inevitável a
Reforma Protestante.
No
século XVI, surgiram grandes reformadores que tomaram a
dianteira na revolução da Igreja: Martinho Lutero, Urich Zuínglio,
João Calvino e João Knox, entre outros. Juntamente com seus
seguidores, compartilhavam de muitas das mesmas idéias dos
reformadores que os antecederam. Entendiam que Cristo, e não
o papa, era o verdadeiro cabeça da Igreja; as Escrituras, e não
a tradição da Igreja, eram a verdadeira base da autoridade
espiritual; e a fé somente, e não as obras, era essencial
para a salvação. A Renascença ajudara a preparar o caminho
para a introdução e aceitação dessas idéias, que haviam
sido plenamente aceitas na Igreja do século I mas que agora
pareciam radicais, na Igreja do século XVI. Os reformadores
tinham opiniões diferentes entre si no tocante a muitas das
doutrinas e práticas específicas do Cristianismo, como as
ordenanças e o governo da Igreja, conforme estudaremos em seções
posteriores deste capítulo. Mas todos eles tinham em comum
uma paixão pela volta à fé e prática bíblicas.
Nos
séculos depois da Reforma (ou era da pós-Reforma), os indivíduos
e as organizações têm seguido direções as mais variadas
na tentativa de aplicar sua interpretação do cristianismo
neotestamentário. Infelizmente, alguns têm repetido erros do
passado, enfatizando os rituais e o formalismo da Igreja
institucional, às custas da ênfase que a Bíblia dá à
salvação pela graça mediante a fé e à vida no Espírito.
O
racionalismo do século XVIII ajudou a montar o palco para
muitos dos ensinos modernistas e às vezes anti-sobrenaturais
dos séculos XIX e XX. Louis Berkhof declara muito
acertadamente que semelhantes movimentos têm levado “ao
conceito liberal moderno de Igreja como mero centro social,
uma instituição humana, ao invés de plantio de Deus”. De
uma perspectiva mais positiva, no entanto, a era pós-Reforma
também tem presenciado reações contra essas tendências
sufocantes e liberalizantes. As reações surgiram de
movimentos que têm ansiado por uma experiência genuína com
Deus, e a têm recebido. O movimento pietista (século XVII),
os movimentos morávio e metodista (século XVIII) e os
grandes despertamentos, o movimento da Santidade e o movimento
Pentecostal (séculos XVIII – XX), todos são indícios de
que a Igreja fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16.18) ainda está
com vida e saúde, e que continuará a progredir até sua
segunda vinda.
Bibliografia
HORTON,
S. M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
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