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Leitura
Bíblica em Classe
João 3.14-21
Esboço da
Lição
Introdução
I.
O
que é salvação
II.
A graça de Deus na salvação do homem
III.
Eleição e predestinação
IV.
A regeneração
V.
A justificação
VI.
A adoção
VII.
A santificação
Conclusão
Tema
deste Subsídio
O Glorioso Propósito da Salvação
Autor
Elienai Cabral
Palavras
Chaves
Salvação; Eleição; Predestinação; Redenção
ESCOLHIDOS PELO PAI ― 1.4-6
O
sentido das palavras “eleger” e “escolher” ― v.4
Nessa passagem temos a participação do Pai
celestial na nossa redenção, como o texto mesmo indica:
“...nos elegeu nele antes da fundação do mundo”. As
palavras eleger e escolher têm o mesmo sentido. A forma do
verbo escolher no grego está no passado, e o significado
literal da expressão “nos elegeu (escolheu) nele” dá uma
idéia mais forte, que é: “escolheu-nos para si mesmo”.
Doutra forma, o Pai nos “elegeu em Cristo (“nele”) para
sermos seus.
A questão do ato soberano de Deus ― v.4
Há quanto tempo Ele nos escolheu? “...antes da
fundação do mundo”. O ato de escolher-nos antes de todas
as coisas revela a presciência de Deus. A questão da presciência
divina deu origem à doutrina da predestinação absoluta.
Algumas correntes de interpretação têm procurado defender o
ato soberano de Deus como capaz de escolher quem quer, como e
quando quer. É claro que o sentido da palavra “escolher”
nos obriga a raciocinar, pois o sentido desse vocábulo
implica separar uns e deixar outros. Por sua presciência,
Deus conhece os que hão de se salvar e os que perderão. Porém,
esse fato não dá direito a nós, objetos ou não dessa eleição,
de julgar ou delimitar a ação da soberania de Deus.
Entendemos a vontade soberana de Deus para fazer e desfazer,
salvar ou deixar de salvar, escolher ou não o que lhe apraz,
mas não podemos aceitar a idéia de que Deus possa, por causa
de sua soberana vontade, rejeitar um pecador arrependido. A
vontade soberana de Deus tem seu princípio na justiça, e a
escolha dos crentes é feita segundo a obra expiatória de
Cristo Jesus, seu Filho, que cumpriu a justiça exigida para
dar oportunidade a todos quantos o aceitam por Salvador e
Senhor. Assim como a pregação do Evangelho engloba todas as
criaturas na face da terra, também é global o alcance da
vontade soberana de Deus na escolha dos salvos. Nossa fé em
Cristo e a aceitação de sua obra redentora são a base de
nossa eleição. Assim como o povo de Israel foi escolhido em
Abraão, os crentes neotestamentários foram escolhidos em
Cristo.
O destino dos crentes feito na eternidade ―
v.5
“E nos predestinou para filhos de adoção por
Jesus Cristo”. Esse versículo indica que o destino foi
determinado antes. A palavra “predestinar” mostra que o
destino dos eleitos foi feito na eternidade. A expressão
“filhos de adoção por Jesus Cristo” apresenta a posição
atual dos crentes. No passado éramos apenas criaturas de
Deus, afastadas da sua comunhão, mas pela fé em Cristo (Gl
3.6) fomos recebidos como filhos e conquistamos a posição de
filhos legítimos (Jo 1.12).
Escolhidos para filhos ― v.5
Fomos feitos filhos de adoção “para si mesmo”.
Isso revela o passado e o presente dos crentes. Todos fomos
feitos e criados para viver em comunhão com Deus, como filhos
de Deus (Gn 1.26; At 17.28). Pelo pecado, tal privilégio se
perdeu, mas pela graça de Deus, em Cristo e através dEle,
fomos restaurados à filiação (Jo 1.12). Esse ato divino foi
feito em Cristo segundo “o beneplácito de sua vontade”,
isto é, a vontade soberana de Deus e o seu grande amor (Rm
5.8) promovem essa eleição. Todos os que nascem de novo (Jo
3.3) nascem segundo o supremo propósito divino para viver e
servir a Deus.
Escolhidos por causa do Amado ― v.6
“Para louvor e glória da sua graça, pela qual
nos fez agradáveis a si no Amado”, v.6. Nesse versículo, a
segurança de nossa aceitação como filhos de Deus está no
Amado, que é Cristo. Ele é o Filho amado de Deus (Mt 3.17;
17.5), e em Colossenses 1.13 temos uma expressão paralela que
afirma ser Jesus “o Filho do seu amor”. A graça de Deus
se manifestou a nós por causa do seu amado Filho – Jesus!
REMIDOS PELO FILHO ―
1.7-12
Jesus, o Redentor ― v.7
A parte da redenção compete ao Filho de Deus,
Jesus Cristo. Ele é o nosso Redentor. Para entendermos este
assunto devemos conhecer o sentido da palavra redenção, que
significa comprar outra vez. Cristo pagou o preço de nossa
redenção. Visto que Ele foi o preço dessa redenção, fomos
libertados para Deus (Mt 20.28). O homem não pode redimir-se
por outro meio que não seja a obra expiatória de Cristo. Ser
redimido é a necessidade básica que o pecador tem da graça
de Deus.
O fato da redenção ― v.7
“...em quem temos a redenção”. A redenção
está ligada à idéia de sacrifício com derramamento de
sangue (Lv 17.11; Hb 9.22). A morte de Jesus com o
derramamento do seu precioso sangue resultou na remissão de
nossos pecados. O efeito da redenção é a nossa justificação
(Rm 5.1). Todos os pecados forma expiados pelo sangue de
Cristo, como diz ainda o versículo: “...pelo seu sangue, a
remissão das ofensas...”. A remissão dos pecados foi um
ato do amor grandioso de Deus, conforme registra a Escritura
em continuação: “...segundo as riquezas da sua graça”.
O acesso às riquezas da graça de Deus é precedido pela
remissão dos pecados, que deve ter ação constante contra os
pecados involuntários que cometemos, pois se a pena do pecado
foi apagada na cruz, temos agora de vigiar contra o poder do
pecado que procura impedir nossa comunhão verdadeira com
Deus.
O efeito da redenção ― v.8
“Que ele fez abundar para conosco”. A abundância
das “riquezas da sua graça” (v.7) terá sua efetivação
mediante o perdão dos pecados, “em toda a sabedoria e prudência”.
O sentido dessa expressão indica o pleno conhecimento que
todo crente deve ter de si mesmo, de sua salvação, de seu
estado moral e de suas relações com Cristo. A forma de vida
que adotamos como crentes é que determina a disposição de
Deus para que abundemos nas “riquezas da sua graça”. A
benção da redenção no verso oito é estritamente divina,
sem nenhum mérito humano.
A revelação do mistério da redenção ― v.9
“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade”.
Qual será esse mistério? Qual é o mistério da sua vontade
descoberto hoje? É a salvação eterna em Cristo Jesus,
revelada como o “mistério da piedade” (1Tm 3.16) Esse
mistério glorioso “se fez carne” na Pessoa de Jesus
Cristo (Jo 1.14).
A
dispensação da redenção ― v.10
“...dispensação da plenitude dos tempos”. A
palavra “dispensação” significa administração. O Novo
Testamento emprega essa palavra para referir-se às diferentes
administrações das bênçãos de Deus. A Bíblia fala de
sete dispensações, e cada uma equivale a um período
especial em que Deus administrou sua economia na terra. No
grego, a palavra “dispensação” é oikonomia e
dela deriva a palavra “economia”. No uso bíblico,
dispensação é a administração divina sobre todas as
coisas criadas. O sentido literal é a administração de
assuntos de uma casa.
A plenitude dos tempos da redenção ― v.10
“Plenitude dos tempos” é uma expressão que
indica o fim de uma época ou de um período em Cristo colocará
cada coisa no seu lugar, e tudo quanto Deus planejou em
Cristo, segundo o seu eterno propósito, alcançará completa
realização. Nos versículos anteriores, Cristo completou a
obra que tinha que fazer em relação à salvação da
humanidade; completada toda a obra, Deus Pai reunirá “em
Cristo todas as coisas”. A expressão “todas as coisas”
inclui “tanto as que estão nos céus como as que estão na
terra” (Cl 1.16-19) e devem ser reunidas em Cristo. TUDO
deve ser renovado e restaurado em Cristo. O sentido da palavra
“reunir” é recapitular, ou somar em um, ou unir sob uma
cabeça. é o que Deus fará! Um dia Deus juntará em Cristo
todos os remidos pelo seu sangue. A redenção efetuada por
Cristo inclui o céu e a terra, quando Ele restabelecerá tudo
para uma nova vida, um novo reino espiritual e eterno, em que
os ímpios e os demônios serão lançados fora da presença
de Deus para sempre (Ap 21.8). A expressão “juntará todas
as coisas em Cristo” não se limita apenas à Igreja
arrebatada, mas refere-se também a todo o universo. A parte
final do versículo – “tanto as que estão nos céus como
as que estão na terra” – inclui toda a criação. Homens
e anjos, absolutamente tudo há de encontrar seu fim no grande
vitorioso: JESUS (Cl 1.15,16).
A grande benção da redenção ― v.11
“Nele, digo, em quem também fomos feitos herança”.
O direito à herança é alcançado, não por mera casualidade
nem por méritos humanos, mas pela graça de Deus, pelo
cumprimento do seu propósito, tornando-nos aptos para receber
esta gloriosa benção – “feitos herança” – do
Senhor. No Antigo Testamento o povo de Israel era a herança
de Deus, mas perdeu esse direito por sua incredulidade. Em seu
lugar, isto é, em Cristo, fomos feitos herança sua. O texto
indica que nos fez herança dEle, conquistada no Calvário por
Ele e para Ele. Agora somos co-herdeiros com Cristo da herança
que Deus nos tem preparado na eternidade, segundo o seu eterno
propósito.
A predestinação no propósito da redenção
― v.11
“...havendo sido predestinados conforme o propósito
daquele que faz todas as coisas”. A colocação da palavra
“predestinação” nesse texto tem dado margem a uma
interpretação errada sobre a questão da soberania de Deus.
O fato da soberania de Deus é incontestável, mas o resultado
proposto por muitos intérpretes é injusto, pois torna este
Deus, soberano em sua vontade, injusto e incoerente com sua própria
Palavra. Deus é soberano e faz o que lhe apraz, mas Ele é
justo e imparcial, dando a todos os homens a mesma
oportunidade. Entretanto, Deus conhece aqueles que lhe servem
e os que não querem servi-lo. O significado da palavra
“predestinar” é estabelecer o destino antes. Deus
estabeleceu o destino de todos os que aceitaram a Cristo como
Senhor e Salvador para pertencerem à herança divina. Em
Romanos 8.28, a Escritura diz que somos “chamados por seu
decreto”. O destino dos crentes em Cristo está predestinado
automaticamente para a salvação. O livre-arbítrio das
pessoas indicará o seu destino escolhido. Na aceitação ou
rejeição da obra de Cristo se cumprirá a soberana vontade
de Deus. Ele conhece cada ser humano, em todos os tempos, e não
se esquece de nenhum detalhe. Conhece os milhões e milhões
de corações livres para decidirem sobre suas próprias
vidas, e Ele sabe quais e quantas aceitarão sua vontade
divina.
A soberania do conselho da vontade divina na redenção
― vv.11,12
A gloriosa esperança dos crentes está no fato de
que Deus fez tudo “segundo o conselho da sua vontade”
(v.11). Esse conselho indica a Trindade constituída do Pai,
do Filho e do Espírito Santo decidindo o destino dos homens.
As palavras “predestinados”, “propósito”,
“conselho” e “vontade” estão em íntima relação e
mostram claramente toda a soberania de Deus. O fim desse propósito
divino revela-se no verso 12, quando diz que alcançamos essas
bênçãos “para louvor da sua glória”.
A promessa da redenção para judeus e gentios
― v.12
As palavras finais do versículo dizem: “...nós,
os que primeiro esperamos em Cristo”. A quem Paulo está se
referindo? Aos judeus, visto que ele mesmo era judeu. A colocação
da frase indica o seu estado anterior quando desconhecia a
Cristo. Paulo estabelece aqui o contraste entre os judeus e os
gentios para mostrar que, tanto uns quanto outros, têm o
mesmo direito de posse em Cristo. Por outro modo, Paulo
designa os judeus (“nós”) que esperavam a promessa da
primeira vinda de Jesus (Is 53) quando diz: “...nós, os que
primeiro esperamos”. Depois, no verso 13, ele se dirige aos
gentios convertidos (“vós”) que têm recebido o “Espírito
Santo da promessa”. Portanto, judeus e gentios têm os
mesmos direitos e privilégios em Cristo Jesus, nosso Senhor.
SELADOS COM O ESPÍRITO
SANTO ― 1.13,14
O verso 13 diz literalmente: “...e, tendo nele
também crido, fostes selados com o Espírito Santo da
promessa”. Aqui Paulo inclui tanto judeus como gentios na
participação da promessa do Espírito Santo. A expressão
inicial “tendo nele crido” refere-se naturalmente a
Cristo, e o pronome “vós” indica os que haviam crido em
Cristo. No versículo 12 Paulo usou o pronome “nós” para
referir-se aos judeus, e no 13, o pronome “vós” para
referir-se aos gentios participantes da mesma benção.
O ministério do Espírito Santo na redenção
― vv.13,14
Os dois versículos apresentam o ministério do Espírito
Santo revelando-nos que, sem a participação dEle para
promover a fé em Cristo (Jo 16.8-10), a salvação seria
incompleta. O Pai a planejou, o Filho a providenciou e o Espírito
Santo a aplicou. É a Terceira Pessoa da Trindade quem nos
leva a nos apropriarmos dessa fé em Cristo.
O selo da redenção ― v.13
“...fostes selados”. O ato de selar tem o
significado de marcar alguma coisa. É publicar o direito de
posse sobre o objeto selado. Quando cremos em Jesus, o Espírito
Santo procura assegurar seu direito de posse sobre nós, não
importa a classe, raça ou língua. Em Cristo tornamo-nos um só
povo, tendo a mesma marca – o Espírito Santo. Várias são
as razões pelas quais se usa um selo. Primeira, para
certificar e confirmar como verdadeira alguma coisa. Segunda,
para assinalar propriedade particular. Terceira, para
assegurar direito de posse. O testemunho desse selo nos
crentes se encontra em várias passagens bíblicas, como
Romanos 5.5; 8.16 e 1 João 5.10.
A identificação do selo como promessa ― v.13
“...com o Espírito Santo da promessa” é uma
expressão que indica a promessa divina feita tanto no Antigo
como no Novo Testamento. A promessa da operação do Espírito
Santo em nós, sobre nós, ao redor e dentro de nós explica o
sentido do versículo 13. O fruto do Espírito (Gl 5.22) é o
resultado vibrante e visível do selo do “Espírito Santo da
promessa” nos crentes.
O penhor da redenção ― v.14
“O
qual é o penhor da nossa herança”. Outra vez fala do Espírito
Santo. A palavra penhor tem o sentido de alguma coisa de valor
dada para assegurar o direito de posse. A continuação do
verso – “para a redenção da possessão de Deus” –
aclara o 13. Notemos que a possessão espiritual é recíproca,
pois tanto é nossa quanto é de Deus. Temos posse do Espírito
Santo, e essa possessão assegura o mesmo direito a Deus –
somos dEle! Nossa herança é ampla, pois a temos em parte
aqui na terra, como a temos no Céu, e o Espírito Santo em nós
é direito à herança prometida no Céu.
Bibliografia
CABRAL, Elienai. Comentário Bíblico Efésios.
3.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999. pp.19-26
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