Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Verdades Centrais da Fé Cristã


Lição 07 - O homem, coroa da criação



Leitura Bíblica em Classe

Salmos 8.1-9


Esboço da Lição

Introdução

I. O que é o homem

II. A criação do homem

III. Objetivos da criação do homem

IV. Unidade racial do homem

V. A constituição do homem

VI. O futuro glorioso do homem em Cristo

Conclusão


Tema deste Subsídio

Uma perspectiva sobre a natureza humana


Autor

Billie Davis


Palavras Chaves

Natureza humana; ser humano; Deus.


Perspectivas Bíblicas

Duas idéias emergem de todos os estudos e controvérsias sobre a natureza humana. Uma é que a religião é comportamental e experiencialmente universal. A outra é que todos os cientistas e estudiosos reconhecem uma qualidade humana que mantém-se significativamente à parte, e com a qual todas as outras características humanas estão relacionadas. É a nossa capacidade extraordinária de lidar com símbolos. Quando os investigadores seculares declaram que o idioma é um instinto humano sem igual, meu respeito pela erudição se eleva. Acredito que descobriram por estudo diligente e meditação aquilo que aprecio como a verdade básica da relação divina-humana. Deus nos criou com a capacidade de entender e criar o idioma, ou nunca poderíamos ter conhecido o Verbo ou sabido que o Verbo se fez carne (João 1.14).

As crianças nascem religiosas? Interpretando o religioso como uma força em direção ao relacionamento com Deus, creio que sim. Baseio meu raciocínio em duas outras questões: As crianças nascem com fome? Por quê?

A psicologia e a sociologia nos dão muitas informações valiosas, mas deixam de explicar adequadamente como e por que nossas ações são o resultado de nossas necessidades. Seus esforços em explicar deixam a desejar, porque omitem o fato do propósito humano. Antes de respondermos a pergunta do que faz as pessoas serem o que são, temos de enfrentar a pergunta maior: Para que são as pessoas? Só nas Escrituras podemos achar uma explicação adequada. Deus formou os seres humanos para que estes cumprissem o propósito dEle. Se não entendermos esse propósito, nada fará sentido completo. Esse propósito é glorificar a Deus, amar e ser amado por Ele, e desfrutar para sempre da interação com Ele e sua criação.

Pense no relato de Gênesis. Deus criou Adão e Eva à sua imagem. Ele convidou Adão a unir-se na criação dando nomes aos animais. Sua primeira reflexão sobre Adão foi que ele precisava de uma companheira. Poder-se-ia dizer que a primeira interação de Deus com os seres humanos foi uma sessão pedagógica: Ele lhes disse para se reproduzirem e encherem a terra. Ordenou-lhes que cuidassem de sua criação. E não menos importante, ao determinar-lhes que não comessem de certa árvore, estava lhes dizendo para conterem seus impulsos e serem obedientes à sua autoridade.Não podemos ir longe ao fazermos perguntas sobre a natureza humana sem emitirmos a declaração básica de que somos criados por Deus para seus próprios propósitos. Compartilhamos sua imagem mas, como parte da criação, estamos sujeitos às leis naturais. Às vezes, choco meus estudantes ao dizer: “Suponha que você fosse Deus. Diante dos propósitos declarados, que tipo de pessoa você criaria? Que qualidades essenciais você lhe daria para tornar possível a realização desses propósitos?” A resposta é que você formaria dentro da natureza de sua criatura, junto com o potencial para o desenvolvimento, necessidades – fortes desejos ou apetites. Assim Deus criou pessoas com necessidades. Deu-lhes fome para que comessem e sobrevivessem. Deu-lhes desejos sexuais que incentivassem a intimidade humana e assegurassem o acasalamento e a procriação.

Então, será que Ele as deixaria sem um apetite espiritual para incitá-las à razão última delas existirem? Não. Ele as criou com uma necessidade de Deus, à qual seu Espírito falaria, atraindo-as a Ele. As necessidades poderosas de amor e aceitação movem as pessoas para formar relações atenciosas com Ele e outros seres humanos.

Porque o propósito básico da humanidade é estar com Deus, nossa necessidade primária é estar em harmonia com Ele. Esta necessidade leva-nos a procurar e aprender e, assim, desenvolvemos as qualidades da imagem de Deus. Nossa necessidade de pensar e escolher, criar e ser tudo a que fomos designados ser, faz-nos potencialmente compatíveis com nosso Criador. A Bíblia começa com Deus criando os seres humanos e dando-lhes instruções concernentes ao seu propósito para as pessoas e a natureza. Do relato da criação do Gênesis à Grande Comissão registrada no Evangelho de Mateus, a Bíblia é uma história de como Deus trabalha nas pessoas para gerar e manter seu propósito.

Nosso propósito é o propósito de Deus. O pecado entrou na nossa natureza quando este potencial de ser como Deus foi explorado de modo abusivo. A Queda de Adão e Eva é a demonstração original de como todos os males e dificuldades são provenientes de não entendermos as necessidades reais humanas, ou de tentarmos satisfazê-las de maneira errada.

 

O Ser Humano das Escrituras

 

 [...] O que é um ser humano real? Os teólogos explicam a natureza do gênero humano pela referência à linguagem bíblica. Por exemplo, Deus criou Adão da terra e Eva do corpo de Adão, separados de si mesmo e dos animais previamente criados. Além do mais, os seres humanos são parte da natureza como a mais alta criação de Deus, ainda que distintos da natureza criada à imagem de Deus. Os termos usados ao longo do Antigo e Novo Testamentos indicam que as palavras Adão e homem incluem macho e fêmea, e distinguem os seres humanos do próprio Deus, dos anjos e dos animais. Todas as pessoas descenderam de Adão e Eva e, portanto, todos somos de uma raça humana.

A questão da natureza humana logo conduz a outra pergunta: Que componentes compõem a pessoa e como estes componentes estão mutuamente relacionados? Como não seria diferente, as diferenças de opinião surgem à medida que diversos estudiosos discutem os componentes que compõem uma pessoa inteira. A Bíblia usa palavras traduzidas por corpo, coração, mente, vontade, alma, espírito e por várias outras partes do corpo, como rins e entranhas. Reparando que o uso destes termos é ambíguo, o teólogo Timothy Munyon questiona se é possível incorporar todos eles em um único modelo coerente da pessoa humana. Ele, juntamente com a maioria dos estudiosos bíblicos, identifica três posições:

Tricotomia. Esta interpretação vê os seres humanos compostos de três partes: corpo, alma e espírito. O corpo refere-se à existência física e liga o ser humano a todas as outras criaturas vivas. A alma é o princípio da personalidade, incluindo os sentidos e as emoções. O espírito é o poder mais alto que diferencia os seres humanos de todas as outras formas de vida, e capacita a pessoa a ter comunhão com Deus.

Dicotomia (ou dualismo). Esta interpretação considera os seres humanos em duas partes: material e imaterial, distinguindo o corpo físico das qualidades mentais e emocionais não físicas. Historicamente, esta interpretação tem sido a visão mais amplamente aceita entre teólogos evangélicos. 

Monismo. Esta interpretação vê os seres humanos como uma unidade indivisível. A pessoa é um ser unificado em vez de ter tantos componentes. Muitos estudiosos modernos preferem esta interpretação do registro bíblico. Advertem, entretanto, que a pessoa é uma unidade condicional, significando que corpo, alma e espírito são aspectos do todo, não um acoplamento das partes separadas.

Os estudiosos cristãos nos campos da psicologia e sociologia lembram-nos constantemente de que a Bíblia não é um livro de ciência. É um relato de Deus e seu relacionamento com a criação. É um livro de histórias, ensinos e exemplos de vida. Muitos destes estudiosos traduziram e interpretaram passagens bíblicas para compor descrições da natureza humana. Porquanto não tenham alcançado unanimidade, parecem estar convergindo para as seguintes conclusões:

Para começar, a Bíblia oferece um modelo psicossocial (ou seja, pessoal e relacional) geral do ser humano. a natureza humana é uma unidade psicofísica (ou seja, carne animada pela alma). As referências ao corpo e a à pessoa interior não indicam partes separadas; antes parecem referir-se a certas funções da natureza humana. O corpo é o aspecto do nosso ser consciente do mundo. Foi criado por Deus e não deve ser considerado mau em si mesmo. Não temos corpo. Somos corpo. Como Vicent Rush destacou: “O corpo é tanto quanto a ‘pessoa’ é a alma”.

Segundo, a palavra traduzida por alma é usada de várias maneiras. Significa criatura vivente, uma pessoa fisicamente viva, tangível e real. O conceito de alma refere-se freqüentemente ao intelecto, emoções e vontade. Nossa alma define nosso ser, define quem somos. Não temos alma. Somos alma. 

Terceiro, mente e emoções não estão separadas do corpo. Tudo está indissoluvelmente unido como pessoa.

Quarto, o espírito diz respeito à nossa relação com o mundo espiritual que não vemos. É a nossa consciência de Deus. Paulo muitas vezes usa os termos espírito e carne não para se referir a duas partes da pessoa, mas a duas atitudes e estilos de vida.

Finalmente, a vida terrestre para os cristãos será seguida por um corpo ressuscitado e uma renovação de vida. Não sabemos os detalhes exatos. A imagem do Novo Testamento é de uma unidade corpo-mente restaurada e aperfeiçoada. 

 

A IMAGEM DE DEUS

Muitos cristãos estudiosos em filosofia e nas ciências sociais e comportamentais são compelidos a abordar o conceito imagem de Deus, porque toda teoria envolve a questão da natureza humana. O que significam exatamente as palavras bíblicas? Uma resposta generalizada é que se referem ao modo como a natureza humana reflete algo da natureza de Deus. Dizem respeito aos elementos da personalidade e individualidade, a existência do potencial, a possibilidade de desenvolvimento, a liberdade de escolha, a responsabilidade moral, a habilidade criativa, a capacidade de amar e ser santo.

C. Stephen Evans declara: “A imagem de Deus consiste naquele complexo de atividades que são distinta e exclusivamente humanas”. Então, ele propõe uma lista para ampliar seu significado. O primeiro item na lista é o conceito de ação. Deus toma decisões, faz planos e tem propósitos, e age segundo eles. A seguir, está o conceito de agente, uma pessoa inteira, propositada, apreciada, racional, moralmente responsável, social, apaixonada e criativa.

É característico dos sociólogos cristãos verem no conceito de imagem de Deus não só sustância, mas também relacionamento. Pelo fato de termos sido feitos à imagem do Deus trino, somos feitos para ser interpessoais e relacionais. Além de termos as qualidades e capacidades divinas, os seres humanos refletem a imagem de Deus quando respondem ao amor de Deus e quando se relacionam de maneira santa em seu mundo. As habilidades e capacidades refletem a natureza de Deus. Os relacionamentos são a expressão de sua natureza.  

 

PALMER, Michael D. (Org.) Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.  

 


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