Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Verdades Centrais da Fé Cristã


Lição 06 - Anjos, Ministros e Enviados por Deus



Leitura Bíblica em Classe

Hebreus 1.1-8


Esboço da Lição

Introdução

I. Quem são os anjos

II. Os anjos na Bíblia

III. O caráter dos anjos

IV. A Classificação dos anjos 

V. A Missão dos anjos

VI. O culto aos anjos

Conclusão


Tema deste Subsídio

Seres Espirituais Criados


Autor

Carolyn Denise Baker e Frank D. Macchia


Palavras Chaves

Espírito Santo; Títulos; Símbolos.


Anjos

Embora os anjos sejam mencionados em muitos trechos da Bíblia, principalmente no Novo Testamento, muitos são os que concordam com Tim Unsworth: “Parece difícil definir especificamente os anjos”. Nem por isso o estudo desses seres criados deixará de trazer-nos benefícios espirituais.

Uma das razões por que é “difícil definir especificamente os anjos” é que a angelologia não se constitui no enfoque primário das Escrituras. Os contextos angelicais sempre têm Deus, ou Cristo, como seu ponto central (Is 6.1-3; Ap 4.7-11). A maioria dos aparecimentos de anjos é fugaz, sem ser provocada nem predita. Tais manifestações confirmam verdades, mas nunca as produzem por si mesmas. “Quando os anjos são mencionados, é sempre para informar-nos mais a respeito de Deus, o que Ele faz, e como o faz” – bem como o que Ele requer.

A ênfase primária da Bíblia, portanto, é o Salvador, e não os seus servos; o Deus dos anjos, e não os anjos de Deus. Anjos podem ser escolhidos como método ocasional para revelação, mas nunca se constituem na mensagem. O estudo dos anjos, contudo, pode ser um desafio ao coração bem como ao intelecto. Embora sejam mencionados várias vezes tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, “na maior parte das vezes, podemos dizer com toda a franqueza, não nos dizem respeito. Nossa responsabilidade é aprender a amar a Deus e ao próximo. A caridade. A santidade. Aí, sim, temos o trabalho vitalício e que nos é bem definido”.

A velha pergunta escolástica que, na verdade, não passa de exercício de lógica: Quantos anjos conseguem dançar na cabeça de um alfinete? é irrelevante, pois não transforma o caráter humano. Não obstante, a angelologia pode encorajar as virtudes cristãs como estas:

1. A humildade. Os anjos são seres que, apesar de habitarem junto ao trono de Deus, servem continuamente aos salvos de maneira invisível e, às vezes, imperceptivelmente. São o mais puro exemplo de humildade; buscam somente a glória de Deus e o bem dos fiéis. Eles são uma lição prática de como deve e pode ser o serviço cristão.

2. Confiança, segurança, e serenidade. Nos tempos de desespero, Deus coloca esses seres poderosos para ajudar os mais fracos entre os crentes. Por isso, a tranqüilidade e a confiança têm de caracterizar o viver cristão.

3. Responsabilidade cristã. Tanto Deus quanto os anjos estão presenciando as ações mais ímpias dos cristãos (1Co 4.9). Que motivação para o crente comportar-se de modo digno!

4. Otimismo sadio. Desafiando o próprio maligno, os bons anjos escolheram – e continuam a escolher – servir ao santo propósito de Deus. Seu exemplo, pois, torna plausível o serviço dedicado a um Deus perfeito neste universo imperfeito. No futuro, os anjos serão os instrumentos do afastamento definitivo de todos os ímpios (Mt 13.41, 42, 49, 50). Esse fato encoraja-nos a perseverar em meio a todas as situações da vida.

5. Um conceito cristão do próprio eu. Homens e mulheres foram criados “pouco menor... do que os anjos” (Sl 8.5). Mesmo assim, em Cristo, a humanidade redimida é elevada muito acima desses magníficos servos de Deus (Ef 1.3-12).

6. Reverente temor. Homens como Isaías e Pedro, e mulheres como Ana e Maria, “reconheciam a santidade quando esta apresentava-se de forma angelical, e sua reação era mui apropriada”.

7. A participação na história da salvação. Deus empregou anjos na História Sagrada, especialmente Miguel e Gabriel, para preparar o caminho para o Messias. Posteriormente, anjos proclamaram e adoraram a Cristo. Compreendê-los devidamente levará o crente a envolver-se no serviço cristão.

Havendo experiências com anjos, hoje, elas devem passar pelo crivo das Escrituras. Quando o anjo Gabriel apareceu, trazia uma mensagem que glorificava a Deus. Mas as alegações de Joseph Smith [fundador do mormonismo] no tocante à visita que lhe teriam feito os anjos levaram-no diretamente a caminhos errados.

O estudo dos anjos é uma parte vital da teologia, tendo valor tangencial e implicações para outros ensinamentos da Bíblia: a natureza da Palavra inspirada de Deus, posto que os anjos mediaram a outorga da Lei (At 7.38, 53; Gl 3.19; Hb 2.2);  a natureza de Deus, pois os anjos atendem ao Deus santo do Universo; e a natureza de Cristo e os tempos do fim, posto que anjos estão incluídos nos eventos da Primeira e da Segunda Vindas de Cristo.

As Evidências Bíblicas

“Existe uma única maneira de demitologizar as fantasias populares a respeito dos anjos – voltar à realidade bíblica”. 

Os anjos desfrutam de uma razão de viver que todos os seres volitivos poderão experimentar. Adoram a Deus e prestam-lhe serviços. Seu propósito geral, refletido nas palavras hebraicas e gregas traduzidas por “anjo” (mal’akh e angelos, “mensageiro”), é levar a mensagem das palavras e das obras divinas.

Os anjos, portanto, servem primariamente a Deus. Embora as Escrituras reconheçam-nos como “espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação” (Hb 1.14), não deixam de ser espíritos enviados por Deus (Ap 22.16).

Que são servos de Deus fica também subentendido pela linguagem das Escrituras. São designados como “o anjo do SENHOR” (49 vezes), o “anjo de Deus” (18 vezes), e os anjos do Filho do Homem (7 vezes). Deus os chama especificamente “meus anjos” (3 vezes), e as pessoas se referem a eles como “seus anjos” (12 vezes). Finalmente, o contexto normalmente indica a quem eles pertencem – Deus!

Todos os anjos forma criados numa só ocasião. A Bíblia não dá nenhum indício de um cronograma de criação incremental de anjos (nem dalguma outra coisa). Foram formados por Cristo e para Ele quando “mandou, e logo foram criados” (Sl 148.5; ver também Cl 1.16, 17 e 1Pe 3.22). E posto que os anjos “nem casam, nem são dados em casamento” (Mt 22.30), formam um grupo completo, que não necessita de reprodução.

Como seres criados, são perpétuos mas não eternos. Somente Deus tem a “imortalidade” (1Tm 6.16) no sentido de não ter começo nem fim. Os anjos tiveram um começo, mas não terão fim, pois estarão presentes nos tempos eternos e na Nova Jerusalém (Hb 12.22; Ap 21.9, 12).

Os anjos têm uma natureza incomparável; são superiores aos seres humanos (Sl 8.5), mas inferiores ao Jesus encarnado (Hb 1.6). A Bíblia ressalta os seguintes fatos a respeito deles:

1. Os anjos são reais, mas nem sempre visíveis (Hb 12.22). Embora Deus ocasionalmente lhes conceda a visibilidade (Gn 19.1-22), são espíritos (Sl 104.4; Hb 1.7, 14). Nos tempos bíblicos, seres humanos experimentavam às vezes os efeitos da presença de um anjo, mas não viam ninguém (Nm 22.21-35). Às vezes, viam o anjo, (Gn 19.1-22; Jz 2.1-4; 6.11,12; 13.3-21; Mt 1.20-25; Mc 16.5; Lc 24.4-6; At 5.19,20). Além disso, os anjos podem ser vistos sem serem reconhecidos como anjos (Hb 13.2).

2. Os anjos adoram, mas não devem ser adorados. “São incomparáveis entre as criaturas, mas nem por isso deixam de ser criaturas”. Correspondem com adoração e louvor a Deus (Sl 148.2; Is 6.1-3; Lc 2.13-15; Ap 4.6-11; 5.1-14) e a Cristo (Hb 1.6). Como conseqüência, os cristãos não devem exaltá-los (Ap 22.8,9); os que o fazem, perdem a sua recompensa futura (Cl 2.18).

3. Os anjos servem, mas não devem ser servidos. Deus os envia como agentes para ajudar os seres humanos, especialmente os fiéis (Ex 14.19; 23.23; 32.34; 33.2,3; Nm 20.16; 22.22-35; Jz 6.11-22; 1Rs19.5-8; Sl34.7; 91.11; Is 63.9; Dn 3.28; At 12.7-12; 27.23-25; Hb 13.2). Os anjos também mediam os juízos de Deus (Gn 19.22; ver também 19.24; Sl 1.11-38). Mas eles nunca devem ser servidos, pois assemelham-se aos cristãos num aspecto muito importante: são também servos de Deus (Ap 22.9).

4. Os anjos acompanham a revelação, mas não a substituem total ou parcialmente. Deus os emprega, mas não são o alvo da revelação divina (Hb 2.2ss). No século I, surgiu uma heresia que se constitui num “pretexto de humildade e culto dos anjos” (Cl 1.8). Envolvia dura disciplina do corpo sem nada fazer para refrear a indulgência sensual (Cl 2.23 – NVI). Sua filosofia enfatizava as idéias de que (a) os cristãos são inferiores na sua capacidade de abordarem pessoalmente a Deus; (b) os anjos têm capacidade superior nesse sentido; e (c) a adoração lhes é devida por causa da sua intervenção em nosso favor. Paulo respondeu a essa heresia com um hino que glorifica a Cristo que é a fonte da nossa glória futura (Cl 3.1-4).

5. Os anjos sabem muitas coisas, mas não tudo. O discernimento que têm foi-lhes concedido por Deus; não é inato nem infinito. Sua sabedoria talvez seja vasta (2Sm 14.20), mas seus conhecimentos, limitados: Não sabem o dia da segunda vinda de nosso Senhor (Mt 24.36) nem a plena magnitude da salvação dos seres humanos (1Pe 1.12).

6. O poder angelical é superior, mas não supremo. Deus simplesmente lhe empresta o seu poder, pois eles são os seus agentes especiais. Os anjos, portanto, são “maiores em força e poder” do que nós (2Pe 2.11). Como “magníficos em poder, que cumpris as suas ordens”, (Sl 103.20) “anjos poderosos” mediarão os juízos finais de Deus contra o pecado (2Ts1.7; Ap 5.2, 11; 7.1-3; 8.2-13; 9.1-15; 10.1-11; 14.6-12, 15-20; 15.1-8; 16.1-12; 17.1-3; 18.1,2; 19.17-18). Os anjos são freqüentemente usados em poderosos livramentos (Dn 3.28; 6.22; At 12.7-11) e curas (Jo 5.4). E um anjo sozinho lançará o principal e mais poderoso inimigo dos cristãos no abismo, e o trancará ali durante mil anos (Ap 20.1-3).

7. Os anjos tomam decisões. A desobediência de um grupo deles subentende sua capacidade de escolha, e de influenciar outros com a sua iniqüidade (1Tm 4.1). Por outro lado, quando o bom anjo recusou a adoração de João (Ap 22.8,9), fica subentendido sua capacidade de escolha, e de influenciar outros com o bem. Embora os anjos bons correspondam com obediência ao mandamento de Deus, não são autômatos. Pelo contrário: optam com intenso ardor pela obediência dedicada.       

HORTON, S. M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.  

 


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