Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Verdades Centrais da Fé Cristã


Lição 05 - A Santíssima Trindade – uma verdade incontestável



Leitura Bíblica em Classe

Mateus 3.13-17


Esboço da Lição

Introdução

I.   O que é a Santíssima Trindade

II.  A Santíssima Trindade no Antigo Testamento

III. A Santíssima Trindade no Novo Testamento

Conclusão


Tema deste Subsídio

A Santíssima Trindade


Autor

Kerry D. McRoberts


Palavras Chaves

Espírito Santo; Títulos; Símbolos.


A Santíssima Trindade

O Pai incriado, o Filho incriado: o Espírito Santo incriado.

O Pai incomensurável, o Filho incomensurável: o Espírito Santo incomensurável.

O Pai eterno, o Filho eterno: o Espírito Santo eterno.

E, mesmo assim, não são três eternos: mas um só eterno.

A Trindade é um mistério. A aceitação reverente do que não é revelado nas Sagradas Escrituras faz-se necessário antes de se perguntar a respeito de sua natureza. A glória ilimitada de Deus deve ser uma forma de nos conscientizar com respeito à nossa insignificância em contraste com aquEle que é “sublime e exaltado”.

Nosso reconhecimento dos mistérios de Deus, especialmente da Trindade, exige que abandonemos a razão? Nada disso. Na Bíblia, de fato, há muitos mistérios, mas “o cristianismo, como ‘religião revelada’, centraliza-se na revelação – e a revelação (segundo sua própria definição) torna manifesto em vez de ocultar”.

A razão se vê diante de uma pedra de tropeço quando confrontada pela natureza paradoxal da doutrina trinitariana. “Mas”, asseverou Martinho Lutero, de modo enérgico, “posto que se baseie claramente nas Escrituras, a razão precisa conservar-se em silêncio sobre o assunto; devemos tão somente crer”.

Por isso, o papel da razão é o de auxiliar, e nunca de dominar (atitude racionalista), a entender as Escrituras, especialmente no tocante à formulação da doutrina da Trindade. Não estamos, pois, tentando explicar Deus, mas, sim, considerar as evidências históricas que estabelecem a identidade de Jesus como homem e também como Deus (em virtude dos seus atos milagrosos e do seu caráter divino) e, ainda, “incorporar a verdade que Jesus tornou válida no que diz respeito ao seu relacionamento eterno com Deus Pai e com Deus Espírito Santo”.

Historicamente, a Igreja formulou a doutrina da Trindade em razão do grande debate a respeito do relacionamento entre Jesus de Nazaré e o Pai. Três Pessoas distintas – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – são manifestadas nas Escrituras como Deus, ao passo que a própria Bíblia sustenta com tenacidade o Shema judaico: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4).

A conclusão, baseada nas Escrituras, é que o Deus da Bíblia é (nas palavras do Credo Atanasiano) “um só Deus na Trindade, e a Trindade na Unidade”. Isso soa irracional? Semelhante acusação contra a doutrina da Trindade pode ser, por si mesma, classificada de irracional: “Irracional é suprimir a evidência bíblica em favor da Trindade para favorecer a Unidade, ou a evidência em favor da Unidade para favorecer a Trindade”. “Nossos dados devem ter precedência sobre nossos modelos – ou melhor, nossos modelos devem refletir de modo sensível a gama inteira de dados”. Por isso, nosso olhar metodológico deve ser estar baseado na Bíblia no que diz respeito à relação tênue entre a unidade e a trindade para não polarizarmos a doutrina da Trindade num dos extremos: a supressão das evidências em favor da unidade (o que resultaria no unitarianismo, ou seja: que reconhece em Deus somente uma única pessoa) ou o abuso das evidências em favor de triunidade (o que resultaria no triteísmo – três deuses separados).

Uma análise objetiva dos dados bíblicos no tocante ao relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, revela que essa grandiosa doutrina não é uma noção abstrata, mas, na realidade, uma verdade revelada.

A Trindande e a Doutrina da Salvação

As opiniões não-trinitarianas, tais como o modalismo [Ensino de que Deus é uma só Pessoa e se manifesta às vezes como Pai, às vezes como Filho e às vezes como Espírito Santo] e o arianismo [Ário, em 319 dC, aproximadamente, começou a ensinar que Jesus Cristo é um espírito criado por Deus antes de Ele criar o Universo e que Cristo não compartilha a essência, ou substância, de Deus, mas possui uma essência semelhante], reduzem a doutrina da salvação a uma charada divina. Todas as convicções cristãs básicas que se centralizam na obra da Cruz pressupõem a distinção pessoal dos membros da Trindade. Refletindo, podemos perguntar se é necessário crer na doutrina da Trindade para ser salvo. A resposta histórica e teológica é que a Igreja não tem usualmente exigido uma declaração explícita de fé na doutrina da Trindade para a pessoa ser batizada. Mas a Igreja certamente espera uma fé implícita no Deus Trino e Uno como aspecto essencial do nosso relacionamento pessoal com os papéis distintivos de cada uma das Pessoas da Deidade, na obra salvífica em prol da humanidade.

A doutrina da salvação (inclusive a reconciliação, a propiciação, a redenção, a justificação e a expiação) depende da cooperação dos membros distintivos do Deus Trino e Uno (Ef 1.3-14). Por isso, renunciar deliberadamente a doutrina da Trindade ameaça gravemente a nossa esperança de salvação pessoal. As Escrituras incluem todos os membros da raça humana na condenação universal do pecado (Rm 3.23), e por isso, todos “precisam da salvação; a doutrina da salvação requer um Salvador adequado, ou seja: uma cristologia adequada. Uma cristologia sadia exige um conceito satisfatório de Deus, isto é, uma teologia especial e sadia – que nos traz de volta à doutrina da Trindade”.

O conceito modalístico da natureza de Deus deixa totalmente abolida a obra mediadora entre Deus e as pessoas. A reconciliação (2Co 5.18-21) subentende deixar de lado a inimizade ou a oposição. Qual inimizade é deixada de lado? As Escrituras revelam que Deus está em inimizade contra os pecadores (Rm 5.9), e que as pessoas, nos seus pecados, também estão em inimizade contra Deus (Rm 3.10-18; 5.10).

O Deus Trino e Uno é revelado na Bíblia de modo explícito na redenção dos pecadores e na sua reconciliação com Deus. Deus “envia” o Filho ao mundo (Jo 3.16,17). À sombra do Calvário, Jesus se submete com obediência à vontade do Pai: “Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26.39). O relacionamento sujeito-objeto entre o Pai e o Filho fica claramente evidente aqui. O Filho suporta a vergonha do madeiro maldito, trazendo a paz (reconciliação) entre Deus e a humanidade (Rm 5.1; Ef 2.13-16). Enquanto a vida se esgota rapidamente do seu corpo, Jesus, no Calvário, olha para o céu, e pronuncia suas últimas palavras: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46). Se duas pessoas distintivas não forem reveladas aqui, no ato salvífico da cruz, esse evento seria uma mera charada de um único Cristo (que só poderia ser neurótico).

No Modalismo, o conceito da morte de Cristo como uma satisfação infinita está perdido. O sangue de Cristo é o sacrifício pelos nossos pecados (1Jo 2.2). A doutrina de propiciação tem a conotação de um aplacar ou evitar a ira mediante um sacrifício aceitável. Cristo é o Cordeiro sacrificial de Deus (Jo 1.29). Por causa de Cristo, a misericórdia de Deus é oferecida em vez da ira que merecemos por causa dos nossos pecados. Sugerir, porém, como faz de si mesmo a si mesmo uma oferta pelo pecado, estando Ele ao mesmo tempo irado e misericordioso, deixa parecer que Ele é caprichoso. Noutras palavras: a Cruz seria um ato sem sentido no que diz respeito ao conceito de uma oferta pelo pecado.

O apóstolo João identifica Jesus como nosso Paracleto (ajudador ou conselheiro). Temos, portanto, alguém que fala com o Pai em nossa defesa (1Jo 2.1). Agir assim pressupõe um Juiz que é diferente do próprio Jesus, antes de Ele desempenhar semelhante papel. Porque Cristo é o nosso Paracleto: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1Jo 2.2). Temos, portanto, plena segurança da nossa salvação porque Cristo, nosso Ajudador, é também a nossa Oferta pelo pecado.

Jesus veio ao mundo não “para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). O conceito de “resgate” e de suas palavras cognatas nas Escrituras é usado com referência a um pagamento que garante a libertação dos presos. A quem Cristo pagou o resgate? Se for negada a doutrina ortodoxa da Trindade (negando-se uma distinção entre as Pessoas da Deidade, conforme o quer o Modalismo), Cristo teria de ter pago o resgate ou à raça humana ou a Satanás. Posto que a humanidade está morta em transgressões e em pecados (Ef 2.1), nenhum ser humano teria o direito de exigir que Cristo lhe pagasse resgate. Sobraria, portanto, Satanás para fazer a extorsão de Cristo, em nível cósmico. Nós, porém, nada devemos a Satanás. E a idéia de Satanás exigir resgate pela humanidade é blasfêmia, por causa das suas implicações dualistas (a idéia de que Satanás possui poder suficiente para extorquir de Cristo a própria vida deste; ver João 10.15-18).

Pelo contrário: o resgate foi pago ao Deus Trino e Uno para satisfazer as plenas reivindicações da justiça divina contra o pecador caído. Tendo o Modalismo rejeitado o trinitarianismo, a heresia modalística perverte, de modo correspondente, o conceito da justificação. Embora mereçamos a justiça de Deus, somos justificados pela graça mediante a fé em Jesus Cristo somente (1Co 6.11). Tendo sido justificados (tendo sido declarados sem culpas diante de Deus) mediante a morte e ressurreição de Jesus, somos, portanto, declarados justos diante de Deus (Rm 4.5,25). Cristo declara que o Espírito é “outra” Pessoa distinta de si mesmo, porém do “mesmo tipo” (allon, Jo 14.16). O Espírito Santo emprega a obra do Filho no novo nascimento (Tt 3.5), santifica o cristão (1Co 6.11) e nos dá acesso (Ef 2.18), mediante o nosso Grande Sumo Sacerdote, Jesus Cristo (Hb 4.14-16), à presença do Pai (2Co 5.17-21).

Um Deus que muda inteiramente seus atos é contrário à revelação da natureza imutável do Todo-poderoso (Ml 3.6). Semelhante Modalismo é deficiente no que diz respeito a salvação, pois nega a alta posição sumo-sacerdotal de Jesus Cristo. 
As Escrituras declaram que Cristo é o nosso intercessor divino à destra de Deus, nosso Pai (Hb 7.23-8.2).

Fica claro que a doutrina essencial da expiação vicária, na qual Cristo carregou nossos pecados na sua morte, depende do conceito trinitariano. O Modalismo subverte o conceito bíblico da morte penal e vicária de Cristo como satisfação da justiça de Deus e, em última análise, anula a obra da Cruz.

A cristologia ariana é condenada pelas Sagradas Escrituras. O relacionamento em entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo fundamenta-se na natureza divina que compartilham entre si, e que, em última análise, é explicada em termos da Trindade. “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23). O reconhecimento apropriado do Filho requer a fé na sua divindade, bem como na sua humanidade. Cristo, como Deus, é suficiente para satisfazer a justiça do Pai; como homem, Ele cumpriu a responsabilidade moral da humanidade diante de Deus. Na obra da Cruz, a justiça e a graça de Deus nos são reveladas. A eterna perfeição de Deus e as imperfeições pecaminosas da humanidade são reconciliadas mediante o Deus-Homem, Jesus Cristo (Gl 3.11-13). A heresia ariana, na sua negação da plena divindade de Cristo, está sem Deus Pai (1Jo 2.23) e, portanto, sem nenhuma esperança de vida eterna.

HORTON, S. M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.  

 


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