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Leitura
Bíblica em Classe
João 16.7-15
Esboço da
Lição
Introdução
I.
A Pessoa do Espírito Santo
II.
A
Divindade do Espírito
III.
A Obra do Espírito na Vida do Crente
IV.
Pecados contra o Espírito Santo
Conclusão
Tema
deste Subsídio
O Espírito Santo
Autor
Mark D. McLean
Palavras
Chaves
Espírito Santo; Títulos; Símbolos.
O
Espírito Santo nas Escrituras
1.
Títulos
do Espírito Santo
Para
muitas pessoas de nossa sociedade, os nomes pessoais não têm
a mesma relevância que os da literatura bíblica. Os pais dão
nome às crianças sem pensar no significado, simplesmente
copiando dos parentes, amigos ou personagens públicas. Um
casal pode dar o nome de Miguel a um filho, sem o mínimo
conhecimento do significado original do nome (“Quem é como
Deus?”). Os pais que têm um tio muito querido, chamado
Samuel (“Seu nome é Deus”), talvez dêem o mesmo nome a
um filho. Para um israelita, o nome Samuel proclamava que o
portador do nome era um adorador de Deus.
Os
nomes e títulos do Espírito Santo nos revelam muita coisa a
respeito de quem é o Deus Espírito Santo. Embora o nome
“Espírito Santo” não ocorra no Antigo Testamento, vários
títulos equivalentes são usados. O problema teológico da
personalidade do Espírito Santo gira em torno da revelação
e compreensão progressivas, bem como da maneira de o leitor
abordar a natureza da Bíblia. O Espírito Santo, como membro
da Trindade, conforme revela o Novo Testamento, não aparece
na Bíblia hebraica. Mesmo assim, o fato de a doutrina do Espírito
Santo não estar plenamente revelada na Bíblia hebraica não
altera a realidade da existência e obra do Espírito Santo
nos tempos do Antigo Testamento. A Terra nunca foi o centro físico
do Universo. Mas antes de terem as observações da criação
divina — feita por Copérnico, Galileu e outros —
comprovado o contrário, tanto os teólogos quanto os
cientistas dos tempos passados acreditavam que a Terra era o
centro do Universo.
Conforme
já foi observado, ainda não houve uma revelação da parte
de Deus, quer na Bíblia, quer na criação, que abrangesse a
totalidade de tudo quanto Deus está dizendo ou fazendo. O
modo de entender o Servo sofredor, depois da ressurreição,
conforme sintetiza a explicação que Filipe fez de Isaías
53.7, 8 ao eunuco etíope (At 8.26-40), não era uma revelação
nova, mas um modo mais exato de compreender uma revelação
antiga.
O
título mais freqüente no Antigo Testamento é “o Espírito
de Yaweh” (heb. Ruach YHWH [Yahweh]), ou,
conforme consta nas Bíblias em português, “o Espírito do
Senhor”. Considerando o ataque que os críticos modernos
fazem à presença do Espírito Santo no Antigo Testamento,
talvez devamos usar o nome pessoal de Deus, “Yahweh”, ao
invés do título “Senhor” (que os judeus dos tempos
posteriores ao Antigo Testamento substituíram pelo nome). O
que nos interessa aqui é um dos significados de Yahweh:
“aquele que cria, ou faz existir”. Cada emprego do nome Yahweh
é uma declaração a respeito da criação. O “Senhor
dos Exércitos” é melhor traduzido como “aquele que cria
as hostes” — tanto as hostes celestiais (as estrelas e os
anjos, de acordo com o contexto) quanto às hostes do povo de
Deus. O Espírito de Yahweh estava ativo na criação,
conforme revela Gênesis 1.2, com referência ao “Espírito
de Deus” (heb. ruach ’elohim).
Uma
preciosa série de títulos do Espírito Santo encontra-se em
João 14 – 16. Jesus promete enviar outro Consolador (“Ajudador”
ou “Conselheiro”). A obra do Espírito Santo como
Conselheiro inclui o papel do Espírito da Verdade, que habita
dentro de nós (Jo 14.16; 15.26), como aquEle que ensina todas
as coisas, como aquEle que faz lembrar tudo quanto Cristo tem
dito (14.26) e como aquEle que convencerá o mundo do pecado,
da justiça e do juízo (16.8).
Vários títulos do Espírito Santo podem ser
encontrados nas Epístolas: “o Espírito de santificação”
(Rm 8.2); “o Espírito de adoção de filhos” (Rm 8.15); o
“Espírito Santo da promessa” (Ef 1.13); “o Espírito
eterno” (Hb 9.14); “o Espírito da graça” (Hb 10.29); e
“o Espírito da glória” (1 Pe 4.14).
2.
Símbolos do Espírito Santo
Os símbolos oferecem quadros concretos de coisas
abstratas, tais como a terceira Pessoa da Trindade. Os símbolos
do Espírito Santo também são arquétipos. Em literatura,
arquétipo é uma personagem, tema ou símbolo comum a várias
culturas e épocas. Em todos os lugares, o vento representa
forças poderosas, porém invisíveis; a água límpida que
flui representa o poder e refrigério sustentador da vida a
todos que têm sede, física ou espiritual; o fogo representa
uma força purificadora (como na purificação de minérios)
ou destruidora (freqüentemente citada no juízo). Tais símbolos
representam realidades intangíveis, porém genuínas.
Vento.
A
palavra hebraica ruach tem amplo alcance semântico.
Pode significar “sopro”, “espírito” ou “vento”.
É empregada em paralelo com nephesh. O significado básico
de nephesh é “ser vivente”, ou seja, tudo tem fôlego.
A partir daí, seu alcance semântico desenvolve-se a ponto de
referir-se a quase todos os aspectos emocionais e espirituais
do ser humano vivente. Ruach adota parte do alcance semântico
de nephesh. Por isso, em Ezequiel 37.5-10, achamos ruach
traduzido como “espírito”, ao passo que, em 37.14,
Yahweh explica que porá em Israel o seu Espírito.
Água.
A
água, assim como o fôlego, é necessária ao sustento da
vida. Jesus prometeu rios de água viva, “e isso disse ele
do Espírito” (Jo 7.39). O fôlego e a água, tão vitais na
hierarquia das necessidades físicas humanas, são igualmente
vitais no âmbito do Espírito. Sem o fôlego vivificante e as
águas vivas do Espírito Santo, nossa vida espiritual não
demoraria a murchar e a ficar sufocada. A pessoa que se
deleita na Lei (heb. torah _ “instrução”) de
Yahweh e nela medita de dia e de noite é “como a árvore
plantada junta a ribeiros de águas... cujas folhas não
caem” (Sl 1.3). O Espírito da Verdade flui da Palavra como
águas vivas, que sustentam e refrigeram o crente e revestem
de poder.
Fogo.
O
aspecto purificador do fogo é refletido claramente em Atos 2.
Ao passo que uma brasa tirada do altar purifica os lábios de
Isaías (6.6, 7), no dia de Pentecostes são “línguas de
fogo” que marcam a vinda do Espírito (At 2.3). Esse símbolo
é empregado uma só vez para retratar o batismo no Espírito
Santo. O aspecto mais amplo do fogo como elemento purificador
encontra-se no pronunciamento — ou profecia — de João
Batista: “Ele vos batizará com o Espírito Santo e com
fogo. Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá
no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca
se apagará” (Mt 3.11, 12; ver também Lc 3.16, 17).
As
palavras de João Batista aplicam-se mais diretamente à
separação entre o povo de Deus e os que têm rejeitado a Ele
e ao Messias. Os o rejeitaram serão condenados ao fogo do juízo.
Por outro lado, o fogo ardente e purificador do Espírito da
Santidade também operam no crente (1Ts 5.19).
Óleo.
Pedro,
em seu sermão diante de Cornélio, declara: “Deus ungiu a
Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” (At
10.38). Citando Isaías 61.1, 2, Jesus proclama: “O Espírito
do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os
pobres” (Lc 4.18). Desde os primórdios, o azeite é usado
primeiramente para ungir os sacerdotes de Yahewh, e depois, os
reis e os profetas. O azeite é o símbolo da consagração
divina do crente para o serviço no reino de Deus. Em 1 João,
os crentes são advertidos a respeito dos anticristos:
E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo... E
a unção que vós recebestes dele fica em vós, e não tendes
necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção
vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é
mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis (1Jo
2.20, 27).
Receber a unção do Espírito da Verdade, que faz
brotar rios de águas vivas no mais íntimo do nosso ser
reveste-nos de poder para servir a Deus. Na simbologia do Espírito
Santo, a água e o óleo (azeite da unção) realmente se
misturam!
Pomba.
O
Espírito Santo desceu sobre Jesus na forma de uma pomba,
segundo o relato dos quatro evangelhos. A pomba é arquétipo
da mansidão e da paz. O Espírito Santo habita em nós. Ele não
toma posse de nós, mas nos liga a si mesmo com amor, em
contraste às correntes dos hábitos pecaminosos. Ele é manso
e, nas tempestades da vida, produz paz. Mesmo ao lidar com os
pecadores, Ele é suave, conforme se vê quando conclama a
humanidade à vida, no belo, porém tristonho apelo que se
encontra em Ezequiel 18.30-32: “Vinde e convertei-vos de
todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai
em vós um coração novo e um espírito novo; pois por que
razão morreríeis...? Porque não tomo prazer na morte do que
morre, diz o Senhor Jeová; convertei-vos, pois, e vivei”.
Os títulos
e símbolos do Espírito Santo são chaves para o entendimento
de sua obra em nosso favor.
HORTON,
S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecosstal.
Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
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