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Leitura
Bíblica em Classe
João
1.1-5
João
9.14-
Esboço da
Lição
Introdução
I.
A
encarnação do Verbo de Deus.
II.
Os
três ofícios de Cristo.
III.
A
morte vicária e a ressurreição de Jesus.
Conclusão
Tema
deste Subsídio
O Senhor Jesus Cristo
Autor
David R. Nichols
Palavras
Chaves
Jesus; Cristo; Messias;
Profeta.
Entendendo
Jesus Segundo o Novo Testamento
Os
títulos atribuídos a Jesus no Novo Testamento ajudam-nos a
compreendê-lo em termos relevantes para o mundo no qual
viveu. Eles também nos ajudam a compreender a sua natureza
incomparável.
1.
Senhor
e Cristo
Que
espécie de cristologia temos em Atos 2.22-36? Pedro inicia
lembrando aos judeus o poder de Jesus para operar milagres,
conhecido de todos eles. Era importante. A caracterização
feita por Paulo —
“Os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria” (1Co
1.22) — é exata para os dois povos. Mas, como
qualquer afirmação confiável sobre Jesus, Pedro passa
rapidamente a falar a respeito da sua morte — Ele foi
crucificado, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos! Pedro e
muitos outros eram testemunhas desse fato. Em seguida, Pedro
oferece uma explicação detalhada da ressurreição e de
alguns textos do Antigo Testamento que a profetizavam.
Empregando hermenêutica séria, comprova que o Salmo16 não
pode ser aplicado somente a Davi, mas certamente também a
Jesus (At 2.29, 31).
Jesus, exaltado agora à destra de Deus,
juntamente com o Pai deram-lhes o Espírito Santo (At 2.33).
Esse fato explica o falar em outras línguas e a proclamação
das coisas boas de Deus, ouvida por judeus de pelo menos 15 nações
provenientes da Dispersão, que se haviam reunido em Jerusalém
para a Festa do Pentecostes. Era realmente um sinal
miraculoso.
Em seguida, Pedro afirma ascensão mediante o
emprego de Salmos 110.1 (ver At 2.34-35): “Disse o Senhor ao
meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que ponha os
teus inimigos por escabelo dos teus pés”. Essa é a explicação
de que o Senhor Jesus Cristo esteve na Terra, na carne, e então
subiu ao Céu onde recebeu de volta a sua condição atual.
Atos 2.36 declara que devemos crer para receber
salvação do Messias divino: “Saiba, pois, com
certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem
vós crucificastes, Deus o fez Senhor e
Cristo”. Note a continuidade. O Jesus exaltado
é o mesmo que foi crucificado. Os dois títulos, “Senhor”
e “Cristo”, são os termos principais do sermão de Pedro
no dia de Pentecoste. A ligação com o ministério terrestre
de Jesus é significativa aqui, pois quando Deus Pai fez de
Jesus Senhor e Cristo, estava aplicando o carimbo de aprovação
total à vida e ministério de Jesus — seus milagres, seus
sinais e maravilhas, seu ensino, sua morte, sua ressurreição.
2.
Servo e Profeta
O
contexto de Atos 3.12-26 é a cura do homem à porta Formosa.
Este milagre atraiu uma multidão, e Pedro pregou a todos.
Iniciou com o fato de que Deus glorificou a “seu Filho
Jesus”(v.13) depois de os judeus de Jerusalém o terem
morto. Mataram Jesus, apesar de ser Ele “o Príncipe [ou
Autor] da vida” (v.15). Que paradoxo! Como se pode matar o
Originador da vida? Tal não deveria ter ocorrido, mas
aconteceu.
“Servo”
é outro importante título de Jesus. No versículo 13, a
palavra grega é pais (“servo”, e também “criança”).
Algumas versões da Bíblia trazem o termo “Filho”
(“criança”), mas, em Atos 3 e 4, “Servo” é mais
apropriado. Não foi crucificada a criança, mas o homem
Jesus, carregando os pecados do mundo. O contexto exige
“servo”, pois em Atos 3 uma cristologia do Servo começa a
despontar. Note como, a partir do versículo 18, as profecias
do Antigo Testamento vindicam Jesus como o Messias de maneiras
inusitadas para os judeus. Estes esperavam que Cristo
reinasse, não sofresse.
Pedro
declara que Jesus voltará (vv.20, 21) —
fato não mencionado no cap. 2. E então, depois dessa segunda
vinda, Deus restaurará todas as coisas segundo as profecias
no Antigo Testamento. Note que no é agora o tempo da restauração
de todas as coisas. O texto coloca claramente no futuro. Quando
chegar essa hora, ocorrerá a segunda vinda de Jesus. Começará
o Milênio, e toda a realidade da era futura descrita em vários
livros da Bíblia, terá o seu começo.
Em seguida, Pedro apresenta Jesus como o Profeta
semelhante a Moisés (vv.22, 23). Moisés havia declarado:
“O SENHOR, teu Deus, te despertará um profeta do meio de
ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 18.15).
Seria natural dizer que Josué cumpriu essa profecia. Josué,
o seguidor de Moisés, realmente veio depois deste e foi um
grande libertador de seu tempo. Surgiu, porém, outro Josué
(na língua hebraica, os nomes Josué e Jesus são idênticos).
Os cristãos primitivos reconheciam Jesus como o derradeiro
cumprimento da profecia de Moisés.
No final do capítulo (vv. 26, 26), Pedro lembra
os ouvintes a aliança com Abraão, muito importante para se
entender a obra de Cristo: “Vós sois os filhos dos profetas
e do concerto que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão:
Na tua descendência serão benditas todas as famílias da
terra. Ressuscitando Deus a seu Filho Jesus, primeiro o enviou
a vós, para que nisso vos abençoasse, e vos desviasse, a
cada um, das vossas maldades”. Claro está que, agora é
Jesus quem traz a benção prometida e cumpre a aliança com
Abraão — e não
apenas a Lei dada por meio de Moisés.
3.
Logos
João 1.1 apresenta Cristo mediante o termo
grego logos, que significa “palavra”, “demonstração”,
“mensagem”, “declaração” ou “o ato da fala”. Mas
Oscar Cullman aponta a importância de se reconhecer que, em
João 1, logos tem um significado específico: é
descrito como uma hypostasis (Hb 1.3), uma existência
distinta e pessoal de um ser real e específico. João 1.1
demonstra que “o Verbo estava com Deus, e o verbo era
Deus” são duas expressões simultaneamente verídicas.
Isto significa jamais ter havido um período em que o Logos
não existisse juntamente com o Pai.
João passa, então, a demonstrar o Verbo
atuante na criação. Gênesis 1.1 nos ensina que Deus criou o
mundo. João 1.3 especifica que o Senhor Jesus Cristo, no seu
estado pré-encarnado, fez a obra da criação, executando a
vontade e o propósito do Pai.
Descobrimos também que é no Verbo que a vida
se encontra. João 1.4 diz: “Nele, estava a vida e a vida
era luz dos homens”. Porque Jesus é o referencial da vida,
o único lugar onde ela pode ser conquistada. E aqui se
descreve a existência de uma qualidade de vida: a vida
eterna. Esta espécie de vida está disponível em Deus, pelo
seu poder vivificante através do Verbo vivo. Somente obtemos
a vida eterna como a vida de Cristo em nós.
O fato de não ter o mundo compreendido o Logos,
indica-o João 1.5: “A luz resplandece nas trevas, e as
trevas não a compreendem”. Na continuação, João Batista
aparece como testemunha enviada daquela Luz. Mas queremos
focalizar a nossa atenção neste ponto: “Ali estava a luz
verdadeira que alumia a
todo homem que vem ao mundo, estava no mundo, e o mundo foi
feito por ele e o mundo não o conheceu” (1.9, 10). O
Criador do mundo, a segunda Pessoa da Trindade, Deus Filho,
estava aqui no mundo, mas este não o reconheceu. O versículo
seguinte é mais específico: “Veio para o que era seu [seu
próprio lugar, a Terra que criara], e os seus [seu próprio
povo, Israel] não o receberam” (1.11).
os herdeiros da aliança, os descendentes físicos
de Abraão, não o receberam. Este tema é destaque e percorre
todo o Evangelho de João: a rejeição de Jesus. Quando Jesus
pregava, alguns judeus zombavam. Quando Jesus disse: “Abraão,
vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e
alegrou-se”, os judeus na sua incredulidade, retrucaram:
“Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão?” Então
Jesus declarou: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo
8.57, 58). O tempo presente do verbo, “sou”, indica existência
linear. Antes que Abraão fosse, o Filho já é.
Embora muitos rejeitassem a mensagem, alguns
nasceram de Deus. Em João 1.12 lemos: “Mas a todos quantos
o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus:
aos que crêem no seu nome”. Em outras palavras, Jesus
estava redefinindo toda a realidade de alguém tornar-se filho
de Deus. Até aquele momento, a pessoa precisava nascer
especificamente no povo de Israel, chamado segundo a aliança
(ou pelo menos afiliar-se a ele), para ter aquela
oportunidade. João, porém, enfatiza que a mensagem
espiritual, o Evangelho poderoso, chegara às pessoas, e que
elas haviam recebido Jesus, o Logos. Recebê-lo importava em
obter o direito ou autoridade de se tornar filho de Deus.
Alguns dos que o receberam eram judeus, e outros eram gentios.
Jesus derrubou o muro divisório e franqueou a salvação a
todos os que desejassem chegar a Ele e recebê-lo pela fé
(1.13).
a verdade essencial a respeito do Logos ora
descrito, vê-se em João 1.14: “O Verbo se fez carne e
habitou entre nós”. Aqui o termo logos é
aproveitado para
descrever Jesus Cristo, mas a realidade da sua Pessoa vai além
do que abrange o sentido secular do conceito. Para os antigos
gregos devotados à filosofia, um logos feito carne
seria uma impossibilidade. Por outro lado, para os que crerem
no Filho de Deus, um logos na carne é a chave para se
entender a encarnação. E é exatamente isto que a encarnação
significa: o Logos preexistente tomou sobre si a carne humana
e andou entre nós.
4.
Filho do Homem
De todos os seus títulos, “Filho do Homem”
é o que Jesus preferia usar a respeito de si mesmo. E os
escritores dos evangelhos sinóticos usam a expressão 69
vezes. O termo “filho do homem” tem dois possíveis
significados principais. O primeiro indica simplesmente um
membro da humanidade. E, neste sentido, cada um é um filho do
homem. Tal significado era conhecido nos dias de Jesus e
remonta (pelo menos) aos tempo do livro de Ezequiel, onde é
empregada a fraseologia hebraica ben 'adam, com
significado quase idêntico. Essa expressão, na realidade,
pode até mesmo funcionar como pronome da primeira pessoa do
singular, “eu” (cf. Mt 1.13).
por outro lado, expressão é usada também a respeito da personagem
profetizada em Daniel e na literatura apocalíptica judaica
posterior. Essa personagem surge no fim dos tempos com uma
intervenção dramática, a fim de trazer a este mundo a justiça
de Deus, o seu Reino e o seu julgamento. Daniel 7.13, 14 é o
texto fundamental para esse conceito apocalíptico:
Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e
eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e
dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E
foi-lhe dado o domínio eterno, que não passará, e o seu
reino, o único que não será destruído.
O aparecimento dessa personagem em forma humana
diante do Ancião de Dias, conforme relatado no livro de
Daniel, deu motivo a muitas especulações, escritos e
interpretações durante o período intertestamentário.
No próprio livro de Daniel, entretanto, surge
uma pergunta a respeito da identidade do Filho do Homem, no
trecho que começa em 7.15. Os santos do Altíssimo lutam
contra o mal, contra os chifres da fera etc. Mas seria o Filho
do Homem um indivíduo ou estaria representando coletivamente
os santos do Altíssimo? Este último conceito não era
popular nos tempos antigos. E, realmente, à medida que o
conceito acerca do Filho do Homem começava
a ser associado cada vez mais com a glória, o poder e
a vinda nas nuvens, acerca dos quais Daniel escreveu, a
interpretação da personagem começava a avançar cada vez
mais na direção de ser o Filho do Homem um indivíduo, o
agente de Deus que veio apresentar o seu dia.
O livro apocalíptico de 1 Enoque, que (pesar de
alegadamente escrito por Enoque) foi escrito no século I
a.C., não faz parte das Escrituras inspiradas. Mesmo assim,
num sentido histórico, contribui para a nossa compreensão do
progresso do pensamento apocalíptico. Diz o capítulo 46:
E vi alguém que tinha uma cabeça de dias, e a
sua cabeça era branca como a lã, e com ele havia outro ser
cujo semblante tinha a aparência de um homem. E o seu rosto
estava cheio de graciosidade com um dos santos anjos. E
perguntei ao anjo que ia comigo, e que mostrava todas as
coisas ocultas a respeito daquele Filho do Homem, quem Ele
era, de onde Ele vinha e porque Ele ia com a cabeça de dias.
Esse trecho claramente desenvolve temas
encontrados em Daniel 7. A “cabeça de dias” é o Ancião
de Dias mencionado em Daniel 7, e aquele que tinha “a aparência
de um homem” é o Filho do Homem, também em Daniel 7. Em
primeiro lugar porque relata Enoque, na continuação: “Ele
respondeu e me disse: Este é o Filho do Homem que tem justiça.
O Senhor dos Espíritos tem escolhido a ele e... este
Filho do Homem a quem você viu suscitará os reis... e
quebrará os dentes dos pecadores. Deporá os reis dos seus
tronos e reinos porque a Ele não louvam e exaltam”.
Note a mudança sutil que ocorre aqui. Em
Daniel, o Senhor Deus, o Ancião de Dias, é que julga; o
Filho do Homem simplesmente parece diante dEle. Aqui, o Filho
do Homem fica sendo o agente: quebra os dentes dos pecadores e
arranca reis dos seus tronos. Em outras palavras, nos séculos
entre o Antigo e o Novo Testamento, os judeus atribuíam ao
Filho do Homem apocalíptico um papel muito mis ativo quanto
ao levar a efeito o juízo divino e o Reino de Deus.
Ao vermos a expressão “Filho do Homem” nos
evangelhos, é necessário perguntarmos se diz respeito a um
membro da humanidade ou ao Filho do Homem triunfante, segundo
Daniel. Parece que Jesus escolheu esse título por haver nele
lgo de secreto. Despertava a curiosidade e possuía um caráter
evidentemente misterioso. Para Jesus, escondia o que precisava
ser escondido e revelava o que precisava ser revelado.
Embora o título “Filho do Homem” apresente
duas definições principais, são três aplicações
contextuais, no Novo Testamento. A primeira é o Filho do
Homem no seu ministério terrestre. A segunda refere-se o seu
sofrimento futuro (como por exemplo Mc 8.31). Assim,
atribui-se novo significado a uma terminologia existente
dentro do Judaísmo. A terceira aplicação diz respeito o
Filho do Homem na sua glória futura (ver Mc 13.24, que
aproveita diretamente toda a corrente profética que brotou do
livro de Daniel).
Jesus, no entanto, não se limitava às
categorias existentes. Sem dúvida, já haviam as categorias
apocalípticas, mas Ele ensinava coisas novas e exclusivas a
esse respeito. Depois, quando foi julgado diante do sumo
sacerdote e respondeu a este, vemos outra referência ao Filho
do Homem na sua glória futura. Marcos 14.62 diz: “Vereis o
Filho do Homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo
sobre as nuvens do céu”. Aqui, Jesus se identifica com o
Filho do Homem segundo Daniel. Este fato nos ajuda a
compreender a flexibilidade do termo. O Filho do Homem viera e
estava presente na Terra, mas inda está para vir com poder e
glória.
Essa flexibilidade é incomparável. Jesus veio
à Terra, autodenominava-se Filho do Homem e, lém de fazer
coisas tais como a cura do paralítico, falava a respeito do
seu sofrimento e morte futuros. Mas esse modo de entender o
Filho do Homem está separado da sua vinda com poder e glória
e domínio, quando julgará os pecadores e assumirá o
controle. Logo, Jesus é o Filho do Homem — passado,
presente e futuro.
O fato de o Filho do Homem ser um homem literal
também é incomparável. Com base nos escritos apocalípticos,
seria natural concebê-lo como um ser superangelical ou um
companheiro poderoso do Ancião de Dias. Que o Filho do Homem
tenha sido Jesus na Terra, assumindo lugar de verdadeiro
homem, é notável.
5.
Messias
O título “messias” está np âmago da
maneira como o Novo Testamento entende Jesus, e veio a
constituir-se em nome para Ele. É difícil, portanto,
exagerar a sua importância.
O termo grego Christos (“Ungido”)
traduzia o termo hebraico mashiach, que nossas Bíblias
traduzem por “Messias” ou, mais freqüentemente,
“Cristo”. Tendo por base o significado fundamental de
ungir com azeite de oliva, referia-se à unção de reis,
sacerdotes e profetas para o ministério que Deus os chamaria
a exercer. Posteriormente, veio a significar um descendente
específico de Davi que, segundo esperavam, governaria sobre
os judeus e lhes daria a vitória sobre os gentios, seus
opressores. Para muitos dos judeus, Jesus não era um Messias
do agrado deles.
Saber que Jesus não era o único no Judaísmo
antigo que declarou ser o Messias pode judar nosso modo de
entender o emprego do termo. Quando o Concílio prendeu Pedro
e João e considerava o que fazer a respeito, Gamaliel
levantou-se e aconselhou: “Varões israelitas, acautelai-vos
a respeito do que haveis de fazer a estes homens. Porque,
antes destes dias, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a
este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual
foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e
reduzidos a nada. Depois deste, levantou-se Judas, o galileu,
nos dias do alistamento, e levou muito povo ap´´os si; mas
também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram
dispersos” (At 5.35-37).
Josefo, ao relatar sobre Judas e outros messias,
conta que corpos crucificados de insurrecionistas
enfileiravam-se nas beiradas de algumas estradas romanas,
naquela região. Para os transeuntes, as cruzes serviam de lição
prática sobre o fim daqueles que seguissem um messias
judaico. Podemos começar a compreender, portanto, por que
Jesus não se interessava muito em deixar que o título
“Messias” fosse aplicado a Ele.
Jesus, na verdade, evitava o termo
“messias”. Este é um dos aspectos mis notáveis do seu
messiado. Por exemplo, Ele correspondeu à confissão de Pedro
(“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”), dizendo:
“Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi
carne e o sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está
nos céus” (Mt 16.16, 17). Mas Jesus passou a advertir
“aos seus discípulos que a ninguém dissessem que
ele era o Cristo” (Mt 16.20). Jesus queria mesmo evitar o
termo, por incluir conotação de liderança política e
militar, que não fazia parte das atividades do seu Reino na
sua primeira vinda.
Essa abordagem o termo “messias” também
fica evidente pelo modo de Jesus lidar com os demônios. Lucas
4.41 diz: “E também de muitos saíam demônios, clamando e
dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele,
repreendendo-os, não os deixava falar, pois sabiam que ele
era o Cristo”. Jesus no queria se deixar levar para um tipo
de realeza messiânica que evitasse a cruz.
Mesmo diante do tribunal, Jesus mostrou-se
relutante em aceitar o título
“Messias”. Em Marcos 14.60-62 lemos: “E,
levantando-se o sumo sacerdote no Sinédrio, perguntou a
Jesus, dizendo: Nada respondes? Que testificam estes contra
ti? Mas ele calou-se e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe
tornou perguntar e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus
Bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do
Homem assentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as
nuvens do céu”. O sumo sacerdote compreendeu, e, de tão
raivoso, rasgou as próprias vestes.
A relutância de Jesus pode ser notada mais
especialmente quando olhmos o contexto da pergunta e o tempo
que o sumo sacerdote levou para conseguir que Jesus
confessasse ser o Messias. Mateus 26.63 indica inda mais relutância,
pois o sumo sacerdote acabou submetendo Jesus a juramento
sagrado. Em conseqüência, Jesus já não podia manter silêncio:
“Disse-lhes Jesus: Tu o disseste” (26.64) — era a
confirmação. Não se jactava de ser o Messias, nem se esforçava
para estabelecer-se tal. Ele simplesmente é o Messias.
HORTON,
S. M. Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecosstal.
Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
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