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Esboço
da Lição
Introdução
I. Aprofundando
as convicções cristãs
II.
Discernindo
o que está por trás do pós-modernismos
III. Desenvolvendo
uma visão apologética
Conclusão
Palavras-chaves
Discernimento; Cultura; Mídia; Política; Indústria
de Entretenimento.
Introdução
O
mundo está passando profundas transformações religiosas. Aqui,
surge uma nova seita a cada dia, ali, pululam movimentos messiânicos,
acolá, se infestam de pseudoprofetas. O cristão, portanto, é
convocado a discernir o seu tempo, a sua geração.
Nesta
lição, estudaremos a respeito da capacidade de o crente julgar e
compreender os grandes desafios religiosos e midiáticos de nossa
contemporaneidade. Estudaremos sobre o sentido do termo
“discernir” e temas ligados à compreensão de nosso tempo.
I. Definição
1.
Etimologia. O termo “discernir”, do hebraico nākar
e do grego diakrinō, quer dizer “distinção”, “separação”,
“julgar”; isto é, “fazer distinção”, “fazer separação”.
a)
No hebraico: O termo hebraico aparece pela primeira vez em
Gênesis 27.23, no contexto em que Isaque é enganado por Rebeca e
Jacó. O vocábulo é traduzido por “não o conheceu”
(ARC) ou “não o reconheceu” (ARA). Na passagem em apreço, o
termo significa literalmente “discernir algo por alto”. No
entanto, outros vocábulos hebraicos traduzem o sentido considerado:
sāpat (Êx 18.16); shama (2 Sm 14.17); yada (2 Sm 19.35); nakar
(Ed 3.13), entre outros. Todos com o sentido que diz respeito à
percepção, compreensão e julgamento (cf. Jó 6.30; Sl 19.12; Ez
44.23; Jn 4.11)
b) No grego: No grego do Novo Testamento, a palavra diakrinō
aparece dezoito vezes com o sentido de “julgar”,
“discernir”, “fazer distinção”, “separar”. O termo
descreve tanto o discernimento das coisas naturais quanto das
espirituais.
-
Nas páginas de o Novo Testamento o termo, ao que parece, é citado
pela primeira vez em Mateus 16.3 (ARC) aludindo ao
“discernimento” dos tempos e estações naturais. Entretanto, o
termo não se restringe apenas a essa observação, mas prolonga-se
no versículo, pois a supressão do vocábulo na parte seguinte
pressupõe o seu uso: “...sabeis diferençar a face do céu e não
conheceis os sinais dos tempos?”. Portanto, há o uso combinado de
ginōskete diakrinein, isto é, “sabeis discernir”, nas duas
sentenças: “sabeis discernir a face do céus”; “não sabeis
discernir os sinais dos tempos”. Confira, por exemplo, o texto da
ARA “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis
discernir os sinais dos tempos?”.
- No texto de 1 Coríntios 11.31, o vocábulo é usado em relação
ao autojulgamento do crente: “Porque, se nós nos julgássemos a nós
mesmos [heautous diekrinomen], não seríamos julgados”. Trata-se,
na verdade, da auto-análise que o crente faz de si mesmo e,
mediante a qual, participa conscienciosamente da Ceia do Senhor. No
entanto, há outros que assentam-se à mesa do Senhor sem
discerni-lhe o corpo: “Porque o que come e bebe indignamente come
e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo [diakrinōn
to sōma] do Senhor”.
-
O discernimento pode manifestar-se também, como um conhecimento
sobrenatural que o Espírito Santo concede a determinados membros do
corpo de Cristo para julgar ou discernir os espíritos: “...e a
outro, o dom de discernir os espíritos [diakriseis pneumatōn]...”.
O discernimento de espíritos, aludido no presente texto, é um dos
extraordinários dons que concede ao crente a capacidade de
discernir os espíritos, julgar as profecias e as motivações cristãs,
entre outras espetaculares manifestações. Embora, certos membros
do Corpo de Cristo possuam este dom, todos os crentes são
desafiados a “provar se os espíritos são de Deus, porque já
muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1). O
termo joanino para “provar”, não é diakrinō, mas dokimadzō,
isto é, “colocar em prova”, “testar” ou “examinar”. Não
somos escusados de frisar, que este último procede da raiz dok,
cujo sentido é “perceber”, “pensar”, “pressupor”,
“crer”. Traz a idéia de estar convencido de que isto ou aquilo
está errado ou certo. Também pressupõe, chegar a certeza das
coisas mediante a repetidos testes. Portanto, somos advertidos e
orientados pela Palavra de Deus a julgar a procedência das motivações
humanas, das profecias, dos movimentos de caráter messiânico entre
outros.
- O discernimento é uma capacidade do crente maduro de acordo com
Hebreus 5.14: “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os
quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para
discernir tanto o bem como o mal”. O crente maduro, no original
teleiōn, é aquele que tem as suas faculdades cognitivas
exercitadas na piedade e doutrina cristã. Este, é capaz de
separar, julgar, testar, distinguir ou discernir tanto o bem como o
mal [diakrisin kalou te kai kakou]. O termo kalōs, traduzido
neste texto por “bem”, trata-se da capacidade para discernir a
qualidade das ações morais humanas que lhes confere um caráter
moral correto, bom ou útil. Já, o vocábulo kakōs, significa
literalmente “erradamente”, “impiamente”, “mal”, ou
seja, tudo o que se opõe à virtude, à probidade, à honra. Neste
âmbito o crente é desafiado a discernir a cultura, a mídia, a política,
a educação, a religião, comparando e confrontando-os com os
postulados das Sagradas Escrituras.
| Mídia |
O
crente é desafiado a discernir a indústria de
entretenimento de seu tempo. Muitos produtores de
filmes, novelas e outros tipos de programas de
entretenimento não possuem qualquer tipo de
compromisso com os valores morais e as Sagradas
Escrituras, às vezes opõem-se aos valores
familiares, a ética e as doutrinas das Escrituras. |
| Política |
O
cristão exerce dupla cidadania – celeste e secular.
È desafiado, portanto, a viver como cidadão dos céus,
membro da família dos santos, mas sem deixar de
relacionar-se com o contexto social que lhe é próprio.
Neste sentido, deve exercer sua cidadania secular,
participando como cristão das responsabilidades
sociais que lhe cabe. É necessário e
plausível que o cristão discirna entre os
partidos políticos e candidatos que disputam entre si
pelo voto da igreja. Que valores defendem? O que
pensam seus candidatos sobre o aborto, a igreja, a família?
Quais as motivações que o leva a candidatar-se?
Essas questões são pertinentes aos desafios da
igreja hodierna. |
| Entretenimento |
O
homem é um ser lúdico. Se compraz em atividades que
despertam sentimentos de bem-estar, quietude,
divertimento. Mas, quais são os entretenimentos
apropriados para os cidadãos celestes? Que tipo de
ocupação lúdica, merece o precioso tempo dos cristãos?
O cristão é desafiado, diante da atual indústria de
entretenimento, a discernir as atividades lúdicas de
nosso tempo. Muitas denominações cristãs têm
cometido equívocos e extravagâncias neste ponto:
Bailes gospel que tocam todos os ritmos
musicais, funk, forró, hip hop, entre outros diversos
ritmos que acentuam a rebelião de certos grupos
sociais. |
| Religiosa |
O
contexto religioso atual exige que o crente exerça
mais do que nunca, o modelo discernente de Daniel e de
seus companheiros diante do politeísmo babilônico.
Quando se trata de religiões politeístas, antropomórficas
ou animistas, o cristão prontamente rejeita. Mas
quando está em voga uma pseudodoutrina, que mistura o
sentido correto de um texto bíblico com uma aplicação
errônea, ou vice-versa, muitos crentes sucumbem.
Outros correm atrás de doutrinas e ensinos
espetaculares, de novidades, de shows motivacionais
que em sua maioria torcem a cruz de Cristo.
Imagens religiosas que choram, que soltam
raios, falsos cristos e profetas, falsas campanhas
espirituais que prometem o céu na terra, terrenos no
paraíso, entre outras mentiras materialistas,
desafiam o crente fiel. Visto que o crente santo e
fervoroso, aspira por uma experiência que o eleve
acima da mediocridade espiritual tão comum em tempos
pós-modernos, é ele, e não os indolentes, quem mais
necessita do discernimento espiritual. |
II.
O Modelo Discernente de Daniel
O
cristão é convocado a discernir a cultura de seu tempo, assim como
Daniel e seus companheiros tiveram que discernir a cultura da Babilônia
de Nabucodonosor. Os jovens hebreus comparavam a cultura de seu
tempo com as Escrituras, a fim de agradarem ao Senhor em tudo. Esses
jovens descendentes de Judá, preferiram a morte a compactuar com a
cultura pagã de seu tempo. No entanto, Deus mostrou-se fiel a eles
em suas mais terríveis provações: seja na fornalha, ou não cova
com os leões, Deus jamais abandona aqueles que vivem piedosamente.
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1)
Cultura Babilônica
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2)
Contracultura dos Hebreus
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3)
Fidelidade ao Senhor
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a)
Imagética: imagens de ouro, esculturas fantásticas.
b)
Mística: videntes, astrólogos, magos, adivinhadores.
c)
Pomposa: os jardins suspensos, as construções
arquitetônicas.
d)
Pagã: politeísta, sincrética.
e)
Científica: estavam sempre em busca do conhecimento.
f)
Humanista: o rei era o símbolo da humanidade deificada.
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a)
Permaneceram fiéis ao Senhor;
b)
Compreenderam mais a cultura babilônica do que alguns
caldeus;
c)
Estudaram a cultura, a filosofia e as tradições da Babilônia;
d)
Contrastavam a cultura dos caldeus com a fé judaica;
e)
Não abandonaram os seus hábitos e costumes religiosos.
f)
Avaliavam a cultura caldéia de acordo com a Escritura.
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a)
Não implica em alienação social;
b)
É possível ser fiel em um mundo pagão.
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Para
saber mais:
ALMEIDA,
Abraão de. Teologia contemporânea. 4 ed. ver.ampl., Rio de
Janeiro: CPAD, 2002.
BENTHO,
Esdras Costa. Hermenêutica fácil e Descomplicada. 3 ed., Rio de
Janeiro: CPAD, 2003.
PALMER,
Michael D. Panorama do pensamento cristão. Rio de Janeiro:
CPAD, 2001.
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