Lições Bíblicas para Jovens e Adultos


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Produzidos pelo Setor de Educação Cristã


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Lição 13 - Como Escapar dos Males Ideológicos dos Últimos Dias


Esboço da Lição


Introdução

I.    Aprofundando as convicções cristãs

II.   Discernindo o que está por trás do pós-modernismos

III. Desenvolvendo uma visão apologética

Conclusão


Palavras-chaves

Discernimento; Cultura; Mídia; Política; Indústria de Entretenimento.


Introdução

O mundo está passando profundas transformações religiosas. Aqui, surge uma nova seita a cada dia, ali, pululam movimentos messiânicos, acolá, se infestam de pseudoprofetas. O cristão, portanto, é convocado a discernir o seu tempo, a sua geração.

Nesta lição, estudaremos a respeito da capacidade de o crente julgar e compreender os grandes desafios religiosos e midiáticos de nossa contemporaneidade. Estudaremos sobre o sentido do termo “discernir” e temas ligados à compreensão de nosso tempo.


I.
Definição

1. Etimologia. O termo “discernir”, do hebraico nākar  e do grego diakrinō, quer dizer “distinção”, “separação”, “julgar”; isto é, “fazer distinção”, “fazer separação”.

a) No hebraico: O termo hebraico aparece pela  primeira vez em Gênesis 27.23, no contexto em que Isaque é enganado por Rebeca e Jacó. O  vocábulo é traduzido por “não o conheceu” (ARC) ou “não o reconheceu” (ARA). Na passagem em apreço, o termo significa literalmente “discernir algo por alto”. No entanto, outros vocábulos hebraicos traduzem o sentido considerado: sāpat (Êx 18.16); shama (2 Sm 14.17); yada (2 Sm 19.35); nakar (Ed 3.13), entre outros. Todos com o sentido que diz respeito à percepção, compreensão e julgamento (cf. Jó 6.30; Sl 19.12; Ez 44.23; Jn 4.11)


b) No grego: No grego do Novo Testamento, a palavra diakrinō aparece dezoito vezes com o sentido de “julgar”, “discernir”, “fazer distinção”, “separar”. O termo descreve tanto o discernimento das coisas naturais quanto das espirituais. 

- Nas páginas de o Novo Testamento o termo, ao que parece, é citado pela primeira vez em Mateus 16.3 (ARC) aludindo ao “discernimento” dos tempos e estações naturais. Entretanto, o termo não se restringe apenas a essa observação, mas prolonga-se no versículo, pois a supressão do vocábulo na parte seguinte pressupõe o seu uso: “...sabeis diferençar a face do céu e não conheceis os sinais dos tempos?”. Portanto, há o uso combinado de ginōskete diakrinein, isto é, “sabeis discernir”, nas duas sentenças: “sabeis discernir a face do céus”; “não sabeis discernir os sinais dos tempos”. Confira, por exemplo, o texto da ARA “Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?”. 


- No texto de 1 Coríntios 11.31, o vocábulo é usado em relação ao autojulgamento do crente: “Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos [heautous diekrinomen], não seríamos julgados”. Trata-se, na verdade, da auto-análise que o crente faz de si mesmo e, mediante a qual, participa conscienciosamente da Ceia do Senhor. No entanto, há outros que assentam-se à mesa do Senhor sem discerni-lhe o corpo: “Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo [diakrinōn to sōma] do Senhor”. 
 

- O discernimento pode manifestar-se também, como um conhecimento sobrenatural que o Espírito Santo concede a determinados membros do corpo de Cristo para julgar ou discernir os espíritos: “...e a outro, o dom de discernir os espíritos [diakriseis pneumatōn]...”. O discernimento de espíritos, aludido no presente texto, é um dos extraordinários dons que concede ao crente a capacidade de discernir os espíritos, julgar as profecias e as motivações cristãs, entre outras espetaculares manifestações. Embora, certos membros do Corpo de Cristo possuam este dom, todos os crentes são desafiados a “provar se os espíritos são de Deus, porque  já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1). O termo joanino para “provar”, não é diakrinō, mas dokimadzō, isto é, “colocar em prova”, “testar” ou “examinar”. Não somos escusados de frisar, que este último procede da raiz dok, cujo sentido é “perceber”, “pensar”, “pressupor”, “crer”. Traz a idéia de estar convencido de que isto ou aquilo está errado ou certo. Também pressupõe, chegar a certeza das coisas mediante a repetidos testes. Portanto, somos advertidos e orientados pela Palavra de Deus a julgar a procedência das motivações humanas, das profecias, dos movimentos de caráter messiânico entre outros.


- O discernimento é uma capacidade do crente maduro de acordo com Hebreus 5.14: “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal”. O crente maduro, no original teleiōn, é aquele que tem as suas faculdades cognitivas exercitadas na piedade e doutrina cristã. Este, é capaz de separar, julgar, testar, distinguir ou discernir tanto o bem como o mal [diakrisin kalou te kai kakou]. O termo kalōs, traduzido neste texto por “bem”, trata-se da capacidade para discernir a qualidade das ações morais humanas que lhes confere um caráter moral correto, bom ou útil. Já, o vocábulo kakōs, significa literalmente “erradamente”, “impiamente”, “mal”, ou seja, tudo o que se opõe à virtude, à probidade, à honra. Neste âmbito o crente é desafiado a discernir a cultura, a mídia, a política, a educação, a religião, comparando e confrontando-os com os postulados das Sagradas Escrituras.

Mídia O crente é desafiado a discernir a indústria de entretenimento de seu tempo. Muitos produtores de filmes, novelas e outros tipos de programas de entretenimento não possuem qualquer tipo de compromisso com os valores morais e as Sagradas Escrituras, às vezes opõem-se aos valores familiares, a ética e as doutrinas das Escrituras.
Política O cristão exerce dupla cidadania – celeste e secular. È desafiado, portanto, a viver como cidadão dos céus, membro da família dos santos, mas sem deixar de relacionar-se com o contexto social que lhe é próprio. Neste sentido, deve exercer sua cidadania secular, participando como cristão das responsabilidades sociais que lhe cabe. É necessário e  plausível que o cristão discirna entre os partidos políticos e candidatos que disputam entre si pelo voto da igreja. Que valores defendem? O que pensam seus candidatos sobre o aborto, a igreja, a família? Quais as motivações que o leva a candidatar-se? Essas questões são pertinentes aos desafios da igreja hodierna.
Entretenimento O homem é um ser lúdico. Se compraz em atividades que despertam sentimentos de bem-estar, quietude, divertimento. Mas, quais são os entretenimentos apropriados para os cidadãos celestes? Que tipo de ocupação lúdica, merece o precioso tempo dos cristãos? O cristão é desafiado, diante da atual indústria de entretenimento, a discernir as atividades lúdicas de nosso tempo. Muitas denominações cristãs têm cometido equívocos e extravagâncias neste ponto: Bailes gospel que tocam todos os ritmos musicais, funk, forró, hip hop, entre outros diversos ritmos que acentuam a rebelião de certos grupos sociais.
Religiosa O contexto religioso atual exige que o crente exerça mais do que nunca, o modelo discernente de Daniel e de seus companheiros diante do politeísmo babilônico. Quando se trata de religiões politeístas, antropomórficas ou animistas, o cristão prontamente rejeita. Mas quando está em voga uma pseudodoutrina, que mistura o sentido correto de um texto bíblico com uma aplicação errônea, ou vice-versa, muitos crentes sucumbem. Outros correm atrás de doutrinas e ensinos espetaculares, de novidades, de shows motivacionais que em sua maioria torcem a cruz de Cristo.  Imagens religiosas que choram, que soltam raios, falsos cristos e profetas, falsas campanhas espirituais que prometem o céu na terra, terrenos no paraíso, entre outras mentiras materialistas, desafiam o crente fiel. Visto que o crente santo e fervoroso, aspira por uma experiência que o eleve acima da mediocridade espiritual tão comum em tempos pós-modernos, é ele, e não os indolentes, quem mais necessita do discernimento espiritual.


II. O Modelo Discernente de Daniel

O cristão é convocado a discernir a cultura de seu tempo, assim como Daniel e seus companheiros tiveram que discernir a cultura da Babilônia de Nabucodonosor. Os jovens hebreus comparavam a cultura de seu tempo com as Escrituras, a fim de agradarem ao Senhor em tudo. Esses jovens descendentes de Judá, preferiram a morte a compactuar com a cultura pagã de seu tempo. No entanto, Deus mostrou-se fiel a eles em suas mais terríveis provações: seja na fornalha, ou não cova com os leões, Deus jamais abandona aqueles que vivem piedosamente.

1) Cultura Babilônica

2) Contracultura dos Hebreus

3) Fidelidade ao Senhor

 a) Imagética: imagens de ouro, esculturas fantásticas.

b) Mística: videntes, astrólogos, magos, adivinhadores.

c) Pomposa: os jardins suspensos, as construções arquitetônicas.

d) Pagã: politeísta, sincrética.

e) Científica: estavam sempre em busca do conhecimento.

f) Humanista: o rei era o símbolo da humanidade deificada. 

 

a) Permaneceram fiéis ao Senhor;

b) Compreenderam mais a cultura babilônica do que alguns caldeus;

c) Estudaram a cultura, a filosofia e as tradições da Babilônia; 

d) Contrastavam a cultura dos caldeus com a fé judaica;

e) Não abandonaram os seus hábitos e costumes religiosos.

f) Avaliavam a cultura caldéia de acordo com a Escritura.

a) Não implica em alienação social; 

b) É possível ser fiel em um mundo pagão.

Para saber mais:

ALMEIDA, Abraão de. Teologia contemporânea. 4 ed. ver.ampl., Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e Descomplicada. 3 ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

PALMER, Michael D. Panorama do pensamento cristão.  Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

 

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Veja também:
- Outras lições
- Artigos
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