Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

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Lição 07 - A Corrupção da Doutrina da Regeneração


Esboço da Lição

Introdução

I.    A Negação da Pecaminosidade do Homem

II.   O Homem Segundo o Humanismo

III.  A Regeneração do Ser Humano nas Sagradas Escrituras

Conclusão



Palavras-chaves deste Estudo


Secularismo; ser-no-mundo; Regeneração; Pecado; Teologia da Libertação; Humanismo.


Introdução

Em sua estrutura concreta, o homem é, antes de mais nada, um ser-no-mundo que, contudo, transcende o mundo não somente no plano horizontal mas também em uma trans-ascendência, uma abertura para Deus”. Com esta sentença, o eminente teólogo holandês, Edward Schillebeeckx, procurou resgatar, diante da ameaça do secularismo, a dimensão religiosa do homem, pois como afirmava, “há um aspecto sacramental na religião cristã que não pode ser cancelado”. As teorias filosóficas, psicológicas, sociológicas ou antropológicas, entre muitas outras correntes do pensamento humano, de fato, à parte das Sagradas Escrituras, não são capazes de responder as mais profundas indagações existenciais do homem moderno. Muito menos, ignorando a doutrina bíblica do pecado e da regeneração do homem, lograr êxito nos projetos sociais e educacionais, e nas penalidades mais austera para os criminosos. O problema não se circunscreve a exterioridade: falta de moradias, de educação, de trabalho, de cultura, mas ao distanciamento do homem de seu Criador. 

Nesta lição, estudaremos as ameaças teóricas da pós-modernidade contra a doutrina do pecado, da regeneração, e a oposição humanista aos pontos centrais da doutrina da corrupção do gênero humano.



I. Definições


1. Etimologia:
O termo “regeneração”, do grego, “palingenesia”, ocorre duas vezes nas Escrituras Neotestamentárias, em Mateus 19.28 e Tito 3.8. O vocábulo procede do advérbio “palin”, definido nos textos de Marcos 5.21; 14.39; Jo 6.15; 11.7, como 
“de novo”, “outra vez”, ou “outro lado”; e do substantivo “genesis”, traduzido por “nascimento”, “descendência”, “princípio”.  Literalmente, a palavra quer dizer “renascimento”, “nascer de novo”, “regeneração”, “recriação”, “novo nascimento”. 
Um termo grego que corresponde ao sentido acima descrito é “anagennēsas”, que se traduz conforme a tradução da ARC em 1 Pedro 1.3, por “nos gerou de novo”, mas em sentido restrito, “tendo gerado de novo” (cf.v.23). O termo significa “fazer nascer de novo”, “causar um novo nascimento”.


a) Conceito Neotestamentário:
O conceito teológico de regeneração está associado a expressão de Jesus em João 3.3: “nascer de novo” (gennēthē anōthen), literalmente “nascer de cima”. No contexto de Mateus 19.28, o termo é empregado com sentido escatológico, futuro, em que o macrocosmo renascerá segundo a nova criação divina (2 Pe 3.10; Rm 8.18-22). Em Tito 3.8, no entanto, trata-se da regeneração do indivíduo, da transformação salvífica e espiritual que ocorre como conseqüência da ação da graça divina no interior do homem. Este, no conceito paulino, é o “novo homem” (kainon anthrōpon) que segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4.24). São os ressuscitados em Cristo que andam em “novidade de vida” (kainotēti zōēs), segundo Romanos 6.4; ou servem a Cristo em “novidade de espírito” (kainotēti pneumatos), de acordo com Romanos 7.6. O crente regenerado em 2 Coríntios 5.17, é a nova criatura (kainē ktisis), as quais o antigo, “tornou-se novo” (gegonen kaina).


b) Conceito
Vétero-testamentário:
No Antigo Testamento, não há um termo próprio que designa o conceito teológico de regeneração tal qual encontramos nas páginas do Novo Testamento. Entretanto, a idéia está correlata às profecias relativas a nova aliança ou de renovação escatológica. Ezequiel 11. 19, é um dos mais notáveis textos que confirmam  o conceito teológico já no Antigo Testamento: “E lhe darei um mesmo coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei um coração de carne”. O adjetivo “novo”, no hebraico “hādāsh”, quer dizer “coisa nova”, “fresco”, “recente”. É empregado para representar o significado de “reparar”, “consertar” e até mesmo “reconstruir”. Portanto, Jeremias, em humilde devoção, suplica: “Converte-nos, Senhor, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes” (Lm 5.21). Ou mesmo Davi, clama anelante: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito reto” (Sl 51.10). O termo renova (“hādāsh”) neste versículo, é um imperativo enfático, que pode ser traduzido por “Oh! Restitui-me”. Veja outras referências bíblicas correlatas em: Jr 31.33; 24.7; 31.18, 31,32; 
Is 60.31;Ez 34.25; 36.26,27; Dt 30.6.



2. Definição Teológica
: A regeneração é a ação poderosa e instantânea do Espírito Santo, mediante a qual o homem é sobrenaturalmente transformado e gerado por Deus 
(1 Jo 5.18), para ser participante da natureza divina (2 Pe 1.14) na condição de filho 
(Jo 1.12). Segundo 1 Pedro 1.3, a regeneração é uma ação da graciosa misericórdia de Deus em Cristo Jesus.
                                   

Diferentes Expressões

Referências
Nascer de Novo Jo 3.3.
Nascer da água e do Espírito Jo 3.6.
Criado em Jesus Cristo Ef 4.24; Cl 3.10.
Nova Criatura 2 Co 5.17.
Ser de novo gerado 1 Pe 1.3, 23.
Nascido de Deus 1 Jo 3.9; 5.18; 4.7.
Gerado de Deus 1 Jo 5.18.



II. Teorias que Negam a Doutrina da Regeneração

1. No Conceito Iluminista: Na mentalidade dos adeptos das correntes modernistas tanto da teologia quanto das ciências humanas, o pecado original, tal qual ensinado pelas Escrituras, não existe. Como já estudamos no subsídio da lição 2 (vide), entre os três postulados do Iluminismo, constava a idéia de que a “depravação do homem não é inata, mas procede das influências externas”. Negava-se assim, o pecado original e a natureza corrupta e degenerada da humanidade. É claro, que os filósofos humanistas precisavam condenar a doutrina bíblica da corrupção do homem, para sustentar a ideologia de progresso fundamentado na capacidade do homem. Nega-se o conceito negativo da perversão humana, para sustentar o conceito positivo da capacidade do homem para estabelecer para si mesmo um reino de paz e prosperidade material na terra. No entanto, em diversos textos, a Bíblia afirma a natureza corrupta do homem, como por exemplo, no Salmo 14.

A Natureza Corrompida do Homem Referências
Na desobediência de Adão Gn 3
No primeiro homicídio          Gn 4.8-1
Na história do povo pré-diluviano          Gn 6
Na confusão das línguas Gn 11
Na destruição de Sodoma e Gomorra Gn 18-19
Na corrupção da natureza humana Rm 1.18-32; Sl 14


Portanto, nega-se a doutrina do pecado e a degeneração da raça humana, e se afirma a renovação do homem, mas à parte das doutrinas cristãs e da ação divina sobre o homem. Reafirma-se o progresso da natureza do homem, fundamentado na razão, na ciência e no tecnicismo.

 A negação da doutrina do pecado traz como conseqüência:

- A negação da natureza santa de Deus.
- A negação do juízo e da justiça de Deus contra o pecador.
- A negação e invalidação do sacrifício expiatório de Jesus.
- Destrói todo sentimento de dever moral, concedendo liberdade a todas as paixões pervertidas.
- Nega a existência do mal moral e afirma apenas o bem.

 

2. Sistemas filosóficos e religiosos. A existência do pecado, como sabiamente afirmou Charles Hodge, é um fato inegável. No entanto, diversos sistemas teológicos e religiosos negam a doutrina do pecado. Entre eles podemos citar:

Ciência Cristã O pecado e o mal não são reais, porém ilusões. O pecado pode ser vencido pela percepção correta da realidade
Teologia da Libertação Considera o pecado como a opressão social de um grupo sobre o outro. Os adeptos extremistas são favoráveis de uma ação, se necessário for, violenta contra os opressores irredimíveis, ao passo que os menos radicais, defendem a mudança por meio da ação social e da educação.
Ateísmo Para os ateus, o mal, se existir, é apenas um probabilidade cosmológica de uma criação sem Deus. O pecado é negado e combatido, a ética é relativa, e a salvação, se realiza mediante o desenvolvimento da ciência.
Humanismo Segundo os humanistas filosóficos, o pecado não existe. 
O progresso do homem dá-se mediante a razão, e a compreensão de sua total independência de Deus. O homem deve rejeitar o conceito bíblico de pecado, e reafirmar a sua condição terrena. Somente assim, progrediremos em direção a perfeição.
Espiritismo Nega a existência do pecado, por considerar que não há qualquer evidência de uma queda do homem, e que é necessário rejeitar o conceito de criaturas caídas. 
Seicho-No-Iê Considera o pecado como uma doença que não passa de simples ilusão. O pecado não existe, pois Deus não o criou.


Para Saber Mais:

Uma descrição detalhada sobre as correntes filosóficas que negam a doutrina da regeneração pode ser encontrada in

FINNEY, Charles. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 363-72

A respeito da negação do pecado e da corrupção do gênero humano, bem como da utopia pós-moderna concernente o desenvolvimento positivo do homem à parte de Deus pode ser conferido in: 

COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E agora como viveremos? Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p. 205-389. 

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Veja também:
- Outras lições
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