Esboço
da Lição
Introdução
I. A
Negação da Pecaminosidade do Homem
II.
O
Homem Segundo o Humanismo
III.
A
Regeneração do Ser Humano nas Sagradas Escrituras
Conclusão
Palavras-chaves deste Estudo
Secularismo;
ser-no-mundo; Regeneração; Pecado; Teologia da Libertação;
Humanismo.
Introdução
Em
sua estrutura concreta, o homem é, antes de mais nada, um
ser-no-mundo que, contudo, transcende o mundo não somente no
plano horizontal mas também em uma trans-ascendência, uma
abertura para Deus”. Com
esta sentença, o eminente teólogo holandês, Edward
Schillebeeckx, procurou resgatar, diante da ameaça do
secularismo, a dimensão religiosa do homem, pois como
afirmava, “há um aspecto sacramental na religião
cristã que não pode ser cancelado”. As teorias
filosóficas, psicológicas, sociológicas ou antropológicas,
entre muitas outras correntes do pensamento humano, de fato,
à parte das Sagradas Escrituras, não são capazes de
responder as mais profundas indagações existenciais do homem
moderno. Muito menos, ignorando a doutrina bíblica do pecado
e da regeneração do homem, lograr êxito nos projetos
sociais e educacionais, e nas penalidades mais austera para os
criminosos. O problema não se circunscreve a exterioridade:
falta de moradias, de educação, de trabalho, de cultura, mas
ao distanciamento do homem de seu Criador.
Nesta
lição, estudaremos as ameaças teóricas da pós-modernidade
contra a doutrina do pecado, da regeneração, e a oposição
humanista aos pontos centrais da doutrina da corrupção do
gênero humano.
I. Definições
1.
Etimologia:
O termo “regeneração”, do grego, “palingenesia”,
ocorre duas vezes nas Escrituras Neotestamentárias, em
Mateus 19.28 e Tito 3.8. O vocábulo procede do advérbio “palin”,
definido nos textos de Marcos 5.21; 14.39; Jo 6.15; 11.7,
como
“de novo”, “outra vez”, ou “outro lado”; e do
substantivo “genesis”,
traduzido por “nascimento”, “descendência”, “princípio”. Literalmente,
a palavra quer dizer “renascimento”, “nascer de novo”,
“regeneração”, “recriação”, “novo nascimento”.
Um termo grego que corresponde ao sentido acima descrito é
“anagennēsas”,
que se traduz conforme a tradução da ARC em 1 Pedro
1.3, por “nos gerou de novo”, mas em sentido restrito,
“tendo gerado de novo” (cf.v.23). O termo significa “fazer
nascer de novo”, “causar um novo nascimento”.
a)
Conceito Neotestamentário: O
conceito teológico de regeneração está associado a
expressão de Jesus em João 3.3: “nascer de novo” (gennēthē
anōthen), literalmente “nascer de cima”. No
contexto de Mateus 19.28, o termo é empregado com sentido
escatológico, futuro, em que o macrocosmo renascerá
segundo a nova criação divina (2 Pe 3.10; Rm 8.18-22). Em
Tito 3.8, no entanto, trata-se da regeneração do
indivíduo, da transformação salvífica e espiritual que
ocorre como conseqüência da ação da graça divina no
interior do homem. Este, no conceito paulino, é o “novo
homem” (kainon anthrōpon)
que segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e
santidade (Ef 4.24). São
os ressuscitados em Cristo que andam em “novidade de vida”
(kainotēti zōēs),
segundo Romanos 6.4; ou servem a Cristo em “novidade de
espírito” (kainotēti
pneumatos), de acordo com Romanos 7.6. O crente
regenerado em 2 Coríntios 5.17, é a nova criatura (kainē
ktisis), as quais o antigo, “tornou-se novo”
(gegonen kaina).
b)
Conceito Vétero-testamentário:
No Antigo Testamento, não há um termo próprio que
designa o conceito teológico de regeneração tal qual
encontramos nas páginas do Novo Testamento. Entretanto, a
idéia está correlata às profecias relativas a nova
aliança ou de renovação escatológica. Ezequiel 11. 19, é
um dos mais notáveis textos que confirmam
o conceito teológico já no Antigo Testamento: “E
lhe darei um mesmo coração, e um espírito novo porei dentro deles;
e tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei um
coração de carne”. O adjetivo “novo”, no
hebraico “hādāsh”,
quer dizer “coisa nova”, “fresco”, “recente”. É
empregado para representar o significado de “reparar”,
“consertar” e até mesmo “reconstruir”. Portanto,
Jeremias, em humilde devoção, suplica: “Converte-nos,
Senhor, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos
dias como dantes” (Lm 5.21). Ou mesmo Davi, clama
anelante: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e
renova em mim um espírito reto” (Sl 51.10). O termo
renova (“hādāsh”)
neste versículo, é um imperativo enfático, que pode ser
traduzido por “Oh! Restitui-me”. Veja outras
referências bíblicas correlatas em: Jr 31.33; 24.7; 31.18,
31,32;
Is 60.31;Ez 34.25; 36.26,27; Dt 30.6.
2. Definição Teológica:
A regeneração é a ação poderosa e instantânea
do Espírito Santo, mediante a qual o homem é
sobrenaturalmente transformado e gerado por Deus
(1 Jo
5.18), para ser participante da natureza divina (2 Pe 1.14)
na condição de filho
(Jo 1.12). Segundo 1 Pedro 1.3, a regeneração é uma ação
da graciosa misericórdia de Deus em Cristo Jesus.
|
Diferentes
Expressões
|
Referências |
| Nascer
de Novo |
Jo
3.3. |
| Nascer
da água e do Espírito |
Jo
3.6. |
| Criado
em Jesus Cristo |
Ef
4.24; Cl 3.10. |
| Nova
Criatura |
2
Co 5.17. |
| Ser
de novo gerado |
1
Pe 1.3, 23. |
| Nascido
de Deus |
1
Jo 3.9; 5.18; 4.7. |
| Gerado
de Deus |
1
Jo 5.18. |
II.
Teorias
que Negam a Doutrina da Regeneração
1.
No
Conceito Iluminista:
Na mentalidade dos adeptos das correntes modernistas tanto
da teologia quanto das ciências humanas, o pecado original,
tal qual ensinado pelas Escrituras, não existe. Como já
estudamos no subsídio da lição 2 (vide), entre os três
postulados do Iluminismo, constava a idéia de que a “depravação do homem não é inata, mas procede das influências
externas”. Negava-se assim, o pecado original e a natureza
corrupta e degenerada da humanidade. É claro, que os filósofos
humanistas precisavam condenar a doutrina bíblica da corrupção
do homem, para sustentar a ideologia de progresso
fundamentado na capacidade do homem. Nega-se o conceito negativo
da perversão humana, para sustentar o conceito positivo
da capacidade do homem para estabelecer para si mesmo um
reino de paz e prosperidade material na terra. No entanto,
em diversos textos, a Bíblia afirma a natureza corrupta do
homem, como por exemplo, no Salmo 14.
| A
Natureza Corrompida do Homem |
Referências |
| Na
desobediência de Adão |
Gn
3 |
| No
primeiro homicídio |
Gn
4.8-1 |
| Na
história do povo pré-diluviano |
Gn
6 |
| Na
confusão das línguas |
Gn
11 |
| Na
destruição de Sodoma e Gomorra |
Gn
18-19 |
| Na
corrupção da natureza humana |
Rm
1.18-32; Sl 14 |
Portanto,
nega-se a doutrina do pecado e a degeneração da raça
humana, e se afirma a renovação do homem, mas à parte das
doutrinas cristãs e da ação divina sobre o homem.
Reafirma-se o progresso da natureza do homem, fundamentado
na razão, na ciência e no tecnicismo.
A
negação da doutrina do pecado traz como conseqüência:
| -
A
negação da natureza santa de Deus. |
| -
A
negação do juízo e da justiça de Deus contra o
pecador. |
| -
A
negação e invalidação do sacrifício expiatório
de Jesus. |
| -
Destrói
todo sentimento de dever moral, concedendo liberdade
a todas as paixões pervertidas. |
| -
Nega
a existência do mal moral e afirma apenas o bem. |
2.
Sistemas
filosóficos e religiosos.
A
existência do pecado, como sabiamente afirmou Charles
Hodge, é um fato inegável. No entanto, diversos sistemas
teológicos e religiosos negam a doutrina do pecado. Entre
eles podemos citar:
| Ciência
Cristã |
O
pecado e o mal não são reais, porém ilusões. O
pecado pode ser vencido pela percepção correta da
realidade |
| Teologia
da Libertação |
Considera
o pecado como a opressão social de um grupo sobre o
outro. Os adeptos extremistas são favoráveis de uma
ação, se necessário for, violenta contra os
opressores irredimíveis, ao passo que os menos
radicais, defendem a mudança por meio da ação
social e da educação. |
| Ateísmo |
Para
os ateus, o mal, se existir, é apenas um probabilidade
cosmológica de uma criação sem Deus. O pecado é
negado e combatido, a ética é relativa, e a salvação,
se realiza mediante o desenvolvimento da ciência. |
| Humanismo |
Segundo
os humanistas filosóficos, o pecado não existe.
O
progresso do homem dá-se mediante a razão, e a
compreensão de sua total independência de Deus. O
homem deve rejeitar o conceito bíblico de pecado, e
reafirmar a sua condição terrena. Somente assim,
progrediremos em direção a perfeição. |
| Espiritismo |
Nega
a existência do pecado, por considerar que não há
qualquer evidência de uma queda do homem, e que é
necessário rejeitar o conceito de criaturas caídas. |
| Seicho-No-Iê |
Considera
o pecado como uma doença que não passa de simples
ilusão. O pecado não existe, pois Deus não o
criou. |
Para
Saber Mais:
Uma
descrição detalhada sobre as correntes filosóficas que
negam a doutrina da regeneração pode ser encontrada in:
FINNEY,
Charles. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.
363-72
A
respeito da negação do pecado e da corrupção do gênero
humano, bem como da utopia pós-moderna concernente o
desenvolvimento positivo do homem à parte de Deus pode ser
conferido in:
COLSON,
Charles; PEARCEY, Nancy. E agora como viveremos? Rio de
Janeiro: CPAD, 2000, p. 205-389.
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