Esboço
da Lição
Introdução
I. Pressupostos
da Teologia Liberal
II. A
Defesa da Teologia Ortodoxa
Conclusão
Palavras-chaves deste Estudo
Teologia;
Teologia Liberal; Teologia do Antigo Testamento; Religião
Natural; Religião Antropomórfica; Hipótese Documentária;
Hipótese Graf-Wellhausen; Deísmo; Racionalismo Alemão;
Idealismo hegeliano.
Introdução
“O
que é afinal o cristianismo? Vamos tentar responder a essa
pergunta apenas em sentido histórico, isto é, com os meios
da ciência histórica e com a experiência de vida que vem da
história”.
Com essas palavras, o historiador da Igreja, Adolf Harnarck
(1851-1930), inicia na universidade de Berlim sua primeira
palestra concernente à essência (Wesen) do Cristianismo em
oposição à casca (Schale) que apenas reveste o núcleo (Kern).
Sua missão, segundo considerava, era separar os elementos
válidos da religião cristã daquilo que não era essencial.
Neste viés, von Harnarck criticou severamente os escritos do
apóstolo Paulo, considerando-o um deturpador do Evangelho de
Cristo. Expande-se, portanto, o método histórico-crítico, a
Teologia Científica e, conseqüentemente, a Teologia Liberal.
I.
Definição
1.
Etimologia.
O
vocábulo teologia, como já definimos na obra Hermenêutica
Fácil e Descomplicada, procede de dois substantivos gregos:
Theos,
isto é, “Deus”, “deus” e, logia,
ou seja, “estudo”, “tratado”, “fala”,
“ensino” (1 Pe 4.11; Lc 4.32). Portanto, Theologia é o
ensino, discurso, tratado ou ciência a respeito de Deus.
Embora o termo não apareça nas Escrituras, contudo, é
correlato ao texto bíblico. Em Romanos 3.2 encontramos a
expressão ta logia
tou Theou,
isto é, “os oráculos de Deus”; em que “logia” é
traduzido por “oráculos” e “Theou”,
por “Deus”. Na primeira epístola de Pedro, também
encontramos a relação entre “logos” e “Theou”
quando o apóstolo fala sobre hōs
logia Theou,
isto é “com os oráculos de Deus” (1 Pe 4.11). Destas
definições entendemos que o “Teólogo é tanto o que
fala a Palavra de Deus quanto aquele a quem Deus fala”
(Hermenêutica Fácil e Descomplicada, p.16).
2.
Conceituação Histórica. Um
estudo (diacrônico) do vocábulo revela que o termo
Theologia, não se constitui monopólio dos cristãos. No
grego clássico, os poetas eram chamados de teólogos. Na
escolástica medieval, a teologia era entendida de duas
formas: em sentido literal, isto é, como a “Doutrina de
Deus” (logia
tou Theou) e, como afirmação da verdade ou dos
ensinos sagrados das Escrituras (sacra doctrina). Deste
modo, a palavra “Theologia” não estava restrita apenas
a doutrina de Deus ou teologia própria, mas estendia-se aos
assuntos pertinentes a fé e a moral da igreja.
3.
Acepções do Termo:
| Expoente
de uma teologia |
O
termo Theologia a partir do conceito escolástico
medieval e das rupturas surgidas por meio das
principais controvérsias cristãs, tornou-se
elástico e inclusivo para reconhecer o expoente
pragmático de um sistema teológico, combinando o
nome do indivíduo ao vocábulo Theologia. Assim
temos: Teologia Agostiniana (referência aos escritos
teológicos de Agostinho de Hipona); Teologia
Arminiana (oriunda de Jakobus Arminius). |
| Origem
do sistema teológico |
O
termo pode ser classificado também pelo local de
origem, por exemplo: Teologia Alexandrina; Teologia
Germânica, etc. |
| Síntese
dos temas teológicos |
Esta
é a forma mais comum à igreja e aos estudos iniciais
de Theologia: Teologia Exegética; Teologia
Histórica; Teologia Bíblica; Teologia Sistemática;
Teologia Prática. |
| Distinguir
os conteúdos |
Quando
se deseja diferenciar a Theologia dos conteúdos da
Antiga e Nova Aliança, chama-se Teologia do Antigo
Testamento e Teologia do Novo Testamento. (Outros
desdobramentos do termo ver Hermenêutica Fácil e
Descomplicada, pg. 15-31.) |
4.
Teologia Liberal.
A expressão “liberalis theologia”, como originalmente
designada, remonta-se ao teólogo de Halle, Johann Salomo
Semler (1725-1791). Semler pretendia com o uso desta
expressão, assinalar o uso do método histórico-crítico
nas ciências bíblicas. O surgimento da Teologia Liberal
situa-se no contexto dos discursos filosóficos na Alemanha
e no interesse suscitado pelo estudo do Antigo Testamento. Os fundamentos da teologia
liberal, portanto, encontram-se na filosofia da religião de
Hegel e na teologia de Schleiermacher. Vejamos este fato em
pormenores.
_______________________
Por considerarmos muito extenso uma abordagem sobre os dois
Testamentos, incluímos aqui apenas a Teologia Liberal em
relação ao Antigo Testamento.
a)
Teologia Liberal no Estudo do Antigo Testamento.
Os teólogos que se ocupam da Teologia do Antigo
Testamento datam o início dessa disciplina em 30 de
março de 1787, e atribuem a paternidade moderna da
disciplina a Johann Philpp Gabler. Gabler discursou na
Universidade de Altdorf, Alemanha, sobre “Da distinção
correta entre as teologias bíblica e dogmática e da
determinação adequada dos alvos de cada uma delas”.
Nesta ocasião Gabler distinguiu a Teologia do Antigo
Testamento da
Dogmática e da Teologia do Novo Testamento.
Atualmente acredita-se que a primeira obra a usar o
título “Teologia do Antigo Testamento” saiu da pena
de G. L. Bauer, publicado em Leipzig, Alemanha, em 1796,
sob o título Teologia do Antigo Testamento (Theologie des
Alten Testaments). Entretanto, tanto Gabler quanto Bauer
eram adeptos dos métodos racionalistas aplicados aos
textos (racionalismo alemão), e destacaram como teologia,
sobretudo, a abordagem sobre aquilo que eles compreendiam
como elementos mitológicos ou lendários do Antigo
Testamento.
Tudo
quanto não se podia explicar, como por exemplo, os
milagres; e os eventos que uma mente racionalista não podia
compreender, como a interferência divina na história do
povo eleito, eram considerados por eles como mitológico ou
lendário, ou como símbolos literários que representavam
uma realidade política ou histórica
A
base da Teologia do Antigo Testamento nesse período
centralizava-se, sobretudo no racionalismo alemão, do
qual J.D. Michaelis (1717-1791) e J. S. Semler, foram
responsáveis pela aplicação dos fundamentos e métodos
racionais às Escrituras. Embora cressem na existência de
Deus, aceitavam a doutrina do determinismo e deísmo que
afirmavam que Deus não intervinha na história do homem. Esses
estudiosos eram anti-sobrenaturalistas, trabalhavam sob a
pressuposição de que Deus não intervém na história do
homem. Portanto, rejeitavam qualquer evidência que
indicasse a presença de fatores sobrenaturais na
história do povo eleito e da igreja. Tanto Gabler,
Michaelis, Semler e os que vieram após eles aplicavam ao
estudo do Antigo Testamento o método
histórico-gramatical de interpretação, ou método
histórico-crítico.
b)
Hermann Samuel Reimarus e a Religião Natural.
Para percebermos a gravidade da situação da Teologia do
Antigo Testamento dentro do contexto do racionalismo
alemão e do liberalismo teológico, não é apenas
necessário quanto também plausível, que perlustremos um
pouco mais sobre o tema.
Nas
bases ulteriores desse cenário surgiu Hermann Samuel
Reimarus (1694-1768) com a defesa da religião natural e a
rejeição da religião revelada. Segundo Reimarus, na
obra lançada em 1754 (Tratado sobre as principais
verdades da religião cristã), a razão é suficiente
para provar a existência de Deus como criador do mundo e
a imortalidade da alma. Para Reimarus:
| Deus
é o criador do mundo e da ordem do mundo |
Então,
o único milagre verdadeiro é a criação, sendo
impossíveis os milagres proclamados pela religião
positiva, porque Deus não tem por que mudar nem
corrigir as suas obras. |
| Apenas
a religião natural é verdadeira |
E,
como a religião bíblica é contrária à religião
natural, então isso significa que a religião
bíblica é simplesmente falsa. |
Essas
considerações foram assimiladas por muitos teólogos que
procuravam conformar a Bíblia às concepções
iluministas daquele período. Pouco tempo depois viria a
ascensão do evolucionismo que acabaria agravando muito
mais a situação das teologias bíblicas vigentes. Como
bem afirmou Rosino Gibelline, na obra A Teologia do
Século XX, que a teologia liberal (liberale Theologie)
“nasce do encontro do liberalismo – como
autoconsciência da burguesia européia do século XIX –
com a teologia protestante. Tem seus antecedentes
históricos na filosofia da religião de Hegel e na
teologia de Schleiermacher” (p.19).
c)
Filosofia de Hegel.
Não somos escusados de frisar, contudo, que boa parte da
Teologia do Antigo Testamento na Alemanha desenvolveu-se
sob as tutelas da filosofia de Friedrich Schleiermacher
(1768-1834), Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), e
Sören Aabye Kierkegaard (1813-1855). Schleiermacher foi
um influente pastor em Berlim que, ainda hoje é
considerado o pai da teologia moderna. Hegel era um
teólogo e filósofo que negava a limitação da razão e
a considerava como a base das operações do Absoluto em
todas as coisas. Kierkegaard, o “Dinamarquês
Melancólico”, é considerado o patrono do
existencialismo.
Embora,
em certos aspectos, a Teologia do Antigo Testamento tenha
se formado com as bases dos discursos filosóficos desses
pensadores e de outros não registrados aqui, atualmente
se discute os avanços e retrocessos propiciados por essas
escolas filosóficas na formação de uma Teologia do
Antigo Testamento. Um
outro nítido exemplo pode ser visto na influência da
filosofia hegeliana (Hegel), sobre a Teologia do Antigo
Testamento, principalmente no que concerne à concepção de
Hegel sobre o desenvolvimento da religião. Hegel
concebia a religião em quatro etapas distintas:
| Religião
Natural ou Animismo |
Caracteriza-se
pela adoração a natureza. |
| Religião
Antropomórfica |
Cuja
ênfase está na representação da divindade em
forma humana. |
| Religião
Cristã ou Cristianismo |
Fundamentado
na figura de Cristo. |
| Reformulação
das crenças do cristianismo em conceitos da
filosofia especulativa |
Cristianismo
filosófico. |
d)
A filosofia hegeliana e a Hipótese Documentária. O
conceito idealista de Hegel (isto é, apenas a mente é
real, e, o que é real é racional, e tudo aquilo que é
racional é real) da história da religião baseava-se nas
três leis do raciocínio lógico-filosófico ou lógica
dialética:
Do
Movimento
(Tese) |
“Tudo
é movimento, e está em processo de mudança
continuamente”. |
Da
Contradição
(Antítese) |
“A
contradição é à base de todo movimento e toda
manifestação vívida”. |
Da
Transformação Qualitativa
(Síntese) |
“O
resultado do encadeamento lógico das duas primeiras”. |
Procede
dessa conseqüência lógica (tese, antítese e síntese),
que a história revela progressivamente o Absoluto e tudo o
que acontece na história é de caráter racional, pois tudo
tem uma justificativa racional.
O
idealismo hegeliano expandiu-se como movimento filosófico
alemão, e após a morte de Hegel, a escola se dividiu a
respeito da correta interpretação da doutrina religiosa,
nascendo assim o que Mondin chama de direita e esquerda
hegeliana.
| Esquerda
Hegeliana |
Direita
Hegeliana |
| Os
hegelianos da esquerda, tais como L. Feuerbach e
K.Marx desenvolveram a filosofia de Hegel como
radical negação dos fenômenos sobrenaturais e
naturais da vida religiosa. |
Representada
por J.K.F. Rosenkranz e G. Herdermann, que alterando
a doutrina de Hegel, procuraram se coadunar com a
ortodoxia e com a fé cristã tradicional,
conservando a crença na imortalidade da alma, a
união da natureza divina e humana na pessoa de
Cristo, a personalidade e a transcendência de Deus. |
Quando
o discípulo de Hegel, Wilhelm Vatke lançou em 1835 a sua
Teologia Bíblica (Biblische Theologie) com base na
filosofia de seu mestre, lançou as sementes para Julius
Wellhausen, em 1895, desferir seu golpe contra a autoria
mosaica do Pentateuco, por meio da Hipótese
Documentária. Embora
não tenha sido o pioneiro da teoria evolucionária da
história religiosa de Israel, e o patrono da Hipótese
Documentária, Wellhausen, de modo habilidoso e eloqüente
deu nova roupagem a teoria a partir de uma releitura do
teólogo Karl H. Graf, conferindo-lhe a sua expressão
clássica, que lhe deu proeminência na maioria dos
círculos eruditos
europeus e, mais tarde, norte-americanos. Algum tempo
depois essa teoria ficou conhecida como Hipótese
Documentária, que foi aceita como base fundamental da
Alta Crítica.
Segundo
Wellhausen, o Pentateuco não é de autoria mosaica, mas a
reunião de diversos documentos escritos por diversos
autores, escritos em épocas distintas. É claro, que antes
de Wellhausen, outros teólogos já havia empreendido essa
tarefa: o médico francês Jean Astruc (1684-1766); o
hebraísta alemão Eichrodt, Alexandre Gaddas entre outros,
mas coube a Wellhausen, a forma aceita pela maioria dos
críticos nos dias hodiernos.
Wellhausen
fez repousar a Hipótese Documentária sobre o ponto de
vista evolutivo da história, prevalecente nos círculos
filosóficos da época. Usava a teoria da evolução
religiosa de Israel como um dos meios para distinguir os
supostos documentos que constituiriam o Pentateuco. Também
a utilizou para datar esses documentos. Por exemplo, se lhe
parecia que determinado documento tinha uma teologia mais
abstrata do que outro, chegava à conclusão de que havia
sido redigido em data posterior, já que a religião cada
vez mais se tornava complicada. Por isto, estabeleceu datas
segundo a medida de desenvolvimento religioso que ele
imaginava. Relegou o livro do Gênesis, em sua maior parte,
a uma coleção de mitos cananeus, adaptados pelos hebreus.
Wellhausen
e Graf denominaram os supostos documentos da seguinte forma:
| O
Javista (J): |
Prefere
o nome Yahweh e teria sido redigido possivelmente no
reinado de Salomão e é considerado o mais antigo. |
| O
Eloísta (E) |
Designa
Deus com o nome comum de Elohîm e teria sido
escrito depois do primeiro documento, por volta do
século VIII (a.C.). |
| O
Código Deuteronômico (D) |
Compreende
todo o livro de Deuteronômio e teria sido escrito
no reinado de Josias pelos sacerdotes que usaram
esta fraude para promover um despertamento religioso
(2
Rs 22.8). |
| O
Código Sacerdotal (S) |
É
o que coloca especial interesse na organização do
Tabernáculo, do culto e dos sacrifícios e forneceu
o plano geral do Pentateuco. Esse escritor teria
sido o último compilador a trabalhar na formação
do Antigo Testamento, tendo dado ao mesmo os toques
finais (cerca de 621 a. C.). “S” caracteriza-se
por ter usado o nome Elohîm para indicar Deus e
pelo seu estilo ácido. O
código Sacerdotal também é conhecido como “P”,
pois em inglês, “sacerdote” é priest. |
III.
Os Fundamentos do Liberalismo Teológico.
O
liberalismo teológico recebeu forte oposição do
conservadorismo protestante do século XIX. Esta forma de
resistência aos ensinos do modernismo surgiu nos Estados
Unidos e Inglaterra como um movimento de contradição ao
método histórico-crítico no estudo da Bíblia.
1.
Pilares
do Liberalismo Teológico.
O
liberalismo, como já observamos,
distinguiu-se principalmente pela aceitação das
teorias filosóficas concernentes a criação, a natureza e
a estratificação da composição das Escrituras e da
religião judaica. Constitui-se, portanto, como principais
pilares do liberalismo ou modernismo teológico:
| Evolucionismo |
O
evolucionismo como o conhecemos atualmente, foi
concebido, como se sabe, pelo naturalista inglês
Charles Darwin (1809-1882). Na concepção
darwiniana, a origem do homem não foi um ato
divino, mas um processo de adaptação dos seres
vivos ao ambiente natural radicalmente modificados
durante milhões de anos. Os conceitos darwinianos
opunham-se aos princípios fundamentais da
Criação, segundo ensinado pela Escrituras. Os
teólogos modernistas, procuraram conformar-se a
nova teoria em razão de sua ampla aceitação nos
círculos acadêmicos. Interpretaram as narrativas
da criação, do homem e da queda, como mitos
religiosos desprovidos de qualquer fundamentação
científica. |
| Hipótese
Documentária |
Também
chamado de Teoria das Fontes, tem como fundamento à
rejeição da autoria mosaica do Pentateuco e,
procura explicar a formação dos livros da Bíblia
como sendo oriundas de uma longa tradição de
autores. Rejeita qualquer evento sobrenatural
registrado na Bíblia. |
| Religiões
Comparadas |
Segundo
os estudos de religião comparada dos filósofos e
sociólogos da religião do liberalismo teológico,
as tradições religiosas de Israel foram
construídas a partir de suas relações com os
povos pagãos primitivos. Não existe, na verdade,
uma eleição divina tal qual afirma a Bíblia, mas
a religião de Israel foi evoluindo do animismo,
politeísmo até chegar ao conceito do monoteísmo.
Nesta perspectiva, consideram a narração da
criação, do dilúvio entre muitas outras, não
como fato veraz, mas como reminiscências das
tradições pagãs da mesopotâmia e egípcias. A
adoração a Yahweh, evoluiu, segundo ele, do deus
tribal do Sinai, à categoria de Deus dos deuses, e
assim sucessivamente. |
| Naturalismo |
Como
já observamos no subsídio da
lição 2, o naturalismo do período
iluminista acreditava na uniformidade das leis
físicas. Isto significava para eles que as leis que
governam a natureza são universais e, portanto, é
impossível que o extraordinário intervenha nestas
leis. Segundo este conceito, não é possível
admitir o nascimento virginal de Jesus, seus
milagres e ressurreição. Por conseguinte, os
teólogos liberais rejeitaram a divindade de Jesus
e, criaram a partir desse entendimento, a teoria do
“Jesus histórico”. Corrente que admite as
palavras e atos do Jesus da história, isto é,
homem e, rejeita as asseverações de sua divindade. |
| Emprego
de Métodos Originários das Ciências Históricas e
Sociais no Estudo da Bíblia. |
Segundo
os teólogos liberais, a Bíblia é um livro comum;
não é a Palavra de Deus, mas a contém. Por isso,
se aplicam aos seus estudos todas as técnicas que
se prescreve a qualquer obra literária. Duas
técnicas são largamente usadas: A Crítica
Histórica ou Alta Crítica e a Crítica Textual ou
Baixa Crítica. (Informações detalhadas sobre
esses dois métodos ver BENTHO,
Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada e
ALMEIDA, Abraão de.Teologia Contemporânea. Ambos
da CPAD.) |
IV-
O Credo da Assembléia de Deus
A
declaração de fé da Igreja Evangélica Assembléia de Deus
não se fundamenta na teologia liberal, mas no conservadorismo
protestante que afirma entre outras verdades principais, a
crença em:
1)
Em um só Deus, eternamente subsistente em três pessoas: o
Pai, o Filho e o Espírito Santo (Dt 6.4; Mt 28.19; Mc 12.29).
2)
Na inspiração verbal da Bílbia Sagrada, única regra
infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão
(2 Tm 3.14-17).
3)
Na concepção virginal de Jesus, em sua morte vicária e
expiatória, em sua ressurreição corporal dentre os mortos e
sua ascensão vitoriosa aos céus (Is 7.14; Rm 8.34 e At
1.9).
4)
Na pecaminosidade do homem que o destituiu da glória de Deus,
e que somente o arrependimento e a fé na obra expiatória e
redentora de Jesus Cristo é que pode restaurá-lo a Deus (Rm
3.23 e At 3.19).
5)
Na necessidade absoluta do novo nascimento pela fé em Cristo
e pelo poder atuante do Espírito Santo e da Palavra de Deus,
para tornar o homem digno do Reino dos Céus (Jo 3.3-8).
6)
No perdão dos pecados, na salvação presente e perfeita e na
eterna justificação da alma recebidos gratuitamente de Deus
pela fé no sacrifício efetuado por Jesus Cristo em nosso
favor (At 10.43; Rm 10.13; 3.24-26 e Hb 7.25; 5.9).
7)
No batismo bíblico efetuado por imersão do corpo inteiro uma
só vez em águas, em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo, conforme determinou o Senhor Jesus Cristo (Mt 28.19; Rm
6.1-6 e Cl 2.12).
8)
Na necessidade e na possibilidade que temos de viver vida
santa mediante a obra expiatória e redentora de Jesus no
Calvário, através do poder regenerador, inspirador e
santificador do Espírito Santo, que nos capacita a viver como
fiéis testemunhas do poder de Cristo (Hb 9.14 e 1Pd 1.15).
9)
No batismo bíblico no Espírito Santo que nos é dado por
Deus mediante a intercessão de Cristo, com a evidência
inicial de falar em outras línguas, conforme a sua vontade
(At 1.5; 2.4; 10.44-46; 19.1-7).
10)
Na atualidade dos dons espirituais distribuídos pelo
Espírito Santo à Igreja para sua edificação, conforme a
sua soberana vontade (1 Co 12.1-12).
11)
Na Segunda Vinda premilenial de Cristo, em duas fases
distintas. Primeira - invisível ao mundo, para arrebatar a
sua Igreja fiel da terra, antes da Grande Tribulação;
segunda - visível e corporal, com sua Igreja glorificada,
para reinar sobre o mundo durante mil anos (1Ts 4.16. 17; 1Co
15.51-54;
Ap 20.4; Zc 14.5 e Jd 14).
12)
Que todos os cristãos comparecerão ante o Tribunal de
Cristo, para receber recompensa dos seus feitos em favor da
causa de Cristo na terra (2Co 5.10).
13)
No juízo vindouro que recompensará os fiéis e condenará os
infiéis (Ap 20.11-15).
14)
E na vida eterna de gozo e felicidade
para os fiéis e de tristeza e tormento para os infiéis
(Mt 25.46).
Para
Saber Mais:
ALMEIDA,
Abraão de. Teologia Contemporânea. 4 ed. ver.amp., Rio de
Janeiro: CPAD, 2002.
BENTHO,
Esdras Costa. Hermenêutica fácil e Descomplicada. 3 ed., Rio
de Janeiro: CPAD, 2003.
HORTON,
Stanley M. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
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