Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios para E agora, como viveremos?


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Lição 04 - A Divinização do Homem Ante a Soberania de Deus

1.

Esboço da Lição

I. O Culto da Deificação do Homem

II. Como se Manifesta o Endeusamento do Homem

III.Deus e não o Homem


I – O Culto da Deificação do Homem
 

Hank Hanegraaff, na obra Cristianismo em Crise,  cita M. Scott Peck, famoso psicólogo entre os adeptos da Nova Era, a bruxa Margot Adler, e os pregadores internacionais Kenneth Hagin, Morris Cerullo, keneth Copeland, Jhon Avanzini e Benny Hinn. Mas qual a razão de célebres evangelistas serem mencionados com bruxas e místicos? Será que o autor narra algum embate espiritual à altura de Marcos 16. 17-18 entre eles? De modo algum! Ao contrário, estes são mencionados com aqueles a fim de identificar idéias comuns! O conceito equivocado de que o homem é deus... é Cristo... e que todos os seres humanos são uma duplicação de Deus, os aproximam! 

Nesta lição analisaremos o engano mordaz da deificação do homem propalado pela antiga serpente, Satanás, e rastrearemos de modo sucinto as marcas deixadas por essa entidade espiritual na história bíblica.

1. Personagens Bíblicos Seduzidos pelo Engano da Deificação

ü Adão e Eva: (Gn 3.1-7): “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então, foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.”

ü Tiro (Ez 28.1-10): “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Visto como se eleva o teu coração, e dizes: Eu sou Deus e sobre a cadeira de Deus me assento no meio dos mares (sendo tu homem e não Deus); e estimas {ou consideras} o teu coração como se fora o coração de Deus, eis que mais sábio és que Daniel, não há segredo algum que se possa esconder de ti; pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste o teu poder e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros;  pela extensão da tua sabedoria no teu comércio, aumentaste o teu poder; e eleva-se o teu coração por causa do teu poder, portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Pois que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus, eis que eu trarei sobre ti estranhos, os mais formidáveis dentre as nações, os quais desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria e mancharão o teu resplendor. À cova te farão descer, e morrerás da morte dos traspassados no meio dos mares. Dirás ainda diante daquele que te matar: Eu sou Deus? Mas tu és homem e não Deus na mão do que te traspassa. Da morte dos incircuncisos morrerás, por mãos dos estranhos; porque eu o falei, diz o Senhor JEOVÁ.”

ü Nabucodonosor (Dn 4.29-37): “Ao cabo de doze meses, andando a passear sobre o palácio real de Babilônia, falou o rei e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder e para glória da minha magnificência? Ainda estava a palavra na boca do rei, quando caiu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Passou de ti o reino. E serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens e os dá a quem quer. Na mesma hora, se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor, e foi tirado dentre os homens e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pêlo, como as penas da águia, e as suas unhas, como as das aves. Mas, ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. E todos os moradores da terra são reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes? No mesmo tempo, me tornou a vir o meu entendimento, e para a dignidade do meu reino tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; e me buscaram os meus capitães e os meus grandes; e fui restabelecido no meu reino, e a minha glória foi aumentada. Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba.”

ü Herodes (At 12. 21-23): “E, num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes dirigiu a palavra. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem! No mesmo instante, feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus; e, comido de bichos, expirou. 


1.1.  A Deificação do Homem e o Super-Homem de Nietzsche.

No subsídio da lição 1, abordamos alguns dos pensamentos deste filósofo e, de como o movimento pós-moderno está fundamentado nas teorias nietzschianas. Segundo o filósofo da descrença, no futuro haveria apenas dois tipos de homens, dos quais nos interessa apenas o primeiro, o “Super-homem”, que é a antítese do “Último homem”. O  super-homem – uebermensch – é aquele que reconheceria a vacuidade dos valores morais e religiosos e se colocaria acima deles, inventando a seu bel-prazer, segundo a sua própria práxis, os seus valores autônomos e independentes. Este super-homem é deus de si mesmo; criador de um microcosmo no qual a sua vontade absoluta domina. Este homem nietzschiano situa-se além do próprio homem. Na filosofia de Nietzsche, Deus morre, para que o homem assuma a sua própria divindade. Deus deixa de existir a fim de que o super-homem controle a existência sobre a terra. O super-homem de Nietzsche, não deixa de ser um homínculo rebelde que se revolta contra o Criador, tornando-se demiurgo de sua própria sorte.

O filósofo ateu Feuerbach, considerava que a grande reviravolta da história será quando o homem se conscientizar de que o único Deus do homem é o próprio homem: “Homo homini Dei”. Outro humanista ateu, Edmund Leach, afirmou que os homens se tornaram como deuses e, que já é tempo de os homens entenderem e assumirem a sua própria divindade. 

As passagens citadas no tópico anterior, descrevem perfeitamente o que acontece quando o homem procura substituir a Deus por si mesmo.

ÊNFASE ANTROPOCENTRISMO TEOCENTRISMO
Quanto o Centro Centralizado no Homem Centralizado em Deus
Quanto à Fé Confiança no Homem e na Ciência Confiança em Deus
Quanto à Ética Relativismo Moral Absolutos Morais
Quanto à Verdade Verdade Local é Relativa Verdade Universal e Absoluta
Quanto à  Religião Pluralismo Religioso Religião Cristocêntrica
Quanto à Literatura Centrado nas Filosofias Humanas Centrado nas Escrituras



1.2.  O Sentido de Imagem e Semelhança

Os cristãos que admitem a divinização do homem, o fazem em razão de uma falsa exegese do texto de Gênesis 1.26. A fim de que entendamos o sentido da referida passagem, consideremos os termos principais do texto.

ü Imagem 

A palavra hebraica que corresponde ao termo “imagem” na língua portuguesa, é tselem. Este vocábulo aparece cerca de trinta vezes no Antigo Testamento. Outros termos cognatos de tselem são: 

a) Pesel: indica todo tipo de imagem esculpida (Is 40.19-20); 

b) Masseka: refere a imagens de ouro, prata ou cobre (Êx 32.4).

Seria desnecessário mencionar os cognatos de tselem por ser um termo elástico e, igualmente ilegítimo, pressionar o termo fugindo ao propósito do hagiógrafo. Na Septuaginta, o termo foi traduzido por eikon que significa “imagem”, “semelhança”, “forma”, “aparência”. O vocábulo aparece cerca de  vinte e três vezes nas páginas do Novo Testamento sendo empregada para representar cinco vocábulos hebraicos distintos, entre eles: pesel (Is 40.19-20) e demut (Gn 5.1). Mas sua ocorrência principal é para traduzir tselem (Gn 1.26,27; 5.1,3;9.6; 1 Sm 6.22). O sentido de eikon é elástico e  podemos asseverar que nem sempre indica necessariamente a participação da mesma natureza, embora também possa ter esse sentido (Êx 20.4 cf. 2 Co 4.4; Cl 1.15 cf. Lc 20.24). 

ü    Semelhança

O termo hebraico correspondente ao português “semelhante” é demut, cujo significado é “padrão”, “forma” “semelhança”, “imagem”. O equivalente grego para demut na Septuaginta é homoiosis, que significa “semelhança”, “aparência”, “imagem”. O termo aparece cerca de nove vezes no Antigo Testamento e corresponde ao seu cognato hebraico. Entretanto, à luz do conceito e da exegese vétero-testamentária, imagem e semelhança, isto é, tselem e demut, são termos epizegéticos (de epizêuxis) ou sinônimos, e se referem ao ser humano como um todo e, portanto, não se referem a duas coisas diferentes (Gn 1.26, 27; 5.1,3; 9.6; 1 Co 11.7; Cl 3.10; Tg 3.9). São termos sinônimos e intercambiáveis (Gn 5.3).

Assim sendo, Gênesis 1.26 declara que Deus criou o homem “em nossa imagem e semelhança” (eikon traduz o hebraico tselem e homoiosis o hebraico demut). 

O texto reconhece que o homem tem um valor especial como criatura e que ele participa de uma kabod, isto é, glória especial (Sl 8.9). A declaração acerca da Imagem de Deus (imago Dei), tem, pelo contrário, sua verdadeira razão de ser no propósito para o qual esta imagem foi dada ao homem – procurador autorizado de Deus – e seu valor reside neste fato (Gn 1.26). Mas, de acordo com o restante das Escrituras, a imagem de Deus pertence à nossa natureza moral-intelectual-espiritual.  

ü        O que não é a imagem de Deus

·  Não é semelhança física. A palavra tselem, isto é, “imagem,” não quer dizer que o homem foi criado representando a forma física de Deus. Pelo que se sabe dos ensinos de Cristo, Deus é espírito infinito, eterno e imutável em seu ser (Jo 4.23, 24; Lc 24.39) e não possui forma física ou humana (Confira melhores detalhes sobre este tópico na obra Hermenêutica Fácil e Descomplicada. RJ: CPAD, p.237-242). O Salmo 17.15 diz “Quando eu acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança”, mas isto não quer dizer corporeidade. Pelo menos três concepções são claras a respeito dos antropomorfismos.
 As razões pelas quais Deus assume a forma humana nas teofanias (manifestação de Deus) são:

· Porque o homem é conforme a semelhança divina; 

· Porque o homem é a forma mais ideal, por ser ele a coroa da criação e receber todo o apreço divino em detrimento aos demais seres criados; 

· Por ser o homem, apesar do cuidado de Deus pelas demais coisas criadas, o centro de comunicação e revelação dos aspectos salvíficos de Deus. 

 · Não é participação essencial da divindade de Deus. Apesar de o homem participar por meio de Cristo da natureza divina como ensina o Novo Testamento (2 Co 3.18; 2 Pe 1.4; 1 Jo 3.2), isto não implica uma participação essencial na era presente, mas como uma participação escatológica para todos os que amam a Deus (1 Jo 3.2; 2 Co 3.18).

O sentido de Gênesis 1.26, porém, está aquém de sugerir uma participação total da divindade de Elohim. Se assim o fosse, o homem não seria humano, e sim, divino, fato este negado peremptoriamente pelas Escrituras. O Salmo 8.5 afirma: me at me elohim, isto é, “pouco menos que os deuses” – expressão que a LXX traduz por brachy ti par angelous (cf. Hb 2.7a). Isto significa que imagem e semelhança não equivalem à divinização. Em Hebreus 1.3; João 14.9 e 2 Coríntios  4.4 os termos são empregados referindo-se a divindade de Cristo. 

Portanto, devemos rejeitar qualquer argumentação que interprete o texto de Gênesis 1.26, como referência a deificação do homem.

 


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