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1.
Esboço da Lição
I. O Culto da Deificação
do Homem
II. Como se Manifesta o
Endeusamento do Homem
III.Deus e não o Homem
I – O Culto da Deificação do Homem
Hank Hanegraaff, na obra Cristianismo
em Crise,
cita M. Scott Peck, famoso psicólogo entre os adeptos
da Nova Era, a bruxa Margot Adler, e os pregadores
internacionais Kenneth Hagin, Morris Cerullo, keneth Copeland,
Jhon Avanzini e Benny Hinn. Mas qual a razão de célebres
evangelistas serem mencionados com bruxas e místicos? Será
que o autor narra algum embate espiritual à altura de Marcos
16. 17-18 entre eles? De modo algum! Ao contrário, estes são
mencionados com aqueles a fim de identificar idéias comuns! O
conceito equivocado de que o homem é deus... é Cristo... e
que todos os seres humanos são uma duplicação de Deus, os
aproximam!
Nesta lição analisaremos o engano mordaz
da deificação do homem propalado pela antiga serpente, Satanás,
e rastrearemos de modo sucinto as marcas deixadas por essa
entidade espiritual na história bíblica.
1.
Personagens Bíblicos Seduzidos pelo Engano da Deificação
ü
Adão
e Eva:
(Gn 3.1-7): “Ora, a serpente era mais astuta que todas as
alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta
disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de
toda árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do
fruto das árvores do jardim comeremos, mas, do fruto da árvore
que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele,
nem nele tocareis, para que não morrais. Então, a serpente
disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus
sabe que, no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos
olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E, vendo a
mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável
aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou
do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele
comeu com ela. Então, foram abertos os olhos de ambos,
e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de
figueira, e fizeram para si aventais.”
ü
Tiro (Ez 28.1-10): “E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Filho do homem, dize ao
príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Visto como
se eleva o teu coração, e dizes: Eu sou Deus e sobre a
cadeira de Deus me assento no meio dos mares (sendo tu homem
e não Deus); e estimas {ou consideras} o teu coração como
se fora o coração de Deus, eis que mais sábio és
que Daniel, não há segredo algum que se possa esconder de
ti; pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste o
teu poder e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros;
pela extensão da tua sabedoria no teu comércio,
aumentaste o teu poder; e eleva-se o teu coração por causa
do teu poder, portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Pois
que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus,
eis que eu trarei sobre ti estranhos, os mais formidáveis
dentre as nações, os quais desembainharão as suas espadas
contra a formosura da tua sabedoria e mancharão o teu
resplendor. À cova te farão descer, e morrerás da morte
dos traspassados no meio dos mares. Dirás ainda diante
daquele que te matar: Eu sou Deus? Mas tu és homem e não
Deus na mão do que te traspassa. Da morte dos incircuncisos
morrerás, por mãos dos estranhos; porque eu o
falei, diz o Senhor JEOVÁ.”
ü
Nabucodonosor
(Dn 4.29-37): “Ao cabo de doze meses, andando a passear sobre o palácio
real de Babilônia, falou o rei e disse: Não é esta a
grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a
força do meu poder e para glória da minha magnificência?
Ainda estava a palavra na boca do rei, quando caiu uma voz
do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Passou de ti o
reino. E serás tirado dentre os homens, e a tua morada será
com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois,
e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que
o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens e os dá
a quem quer. Na mesma hora, se cumpriu a palavra sobre
Nabucodonosor, e foi tirado dentre os homens e comia erva
como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu,
até que lhe cresceu pêlo, como as penas da águia, e as
suas unhas, como as das aves. Mas, ao fim daqueles
dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e
tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo,
e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio
é um domínio sempiterno, e cujo reino é de
geração em geração. E todos os moradores da terra são
reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o
exército do céu e os moradores da terra; não há quem
possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes? No mesmo
tempo, me tornou a vir o meu entendimento, e para a
dignidade do meu reino tornou-me a vir a minha majestade e o
meu resplendor; e me buscaram os meus capitães e os meus
grandes; e fui restabelecido no meu reino, e a minha glória
foi aumentada. Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo,
e exalço, e glorifico ao Rei dos céus; porque todas as
suas obras são verdades; e os seus caminhos, juízo,
e pode humilhar aos que andam na soberba.”
ü
Herodes
(At 12. 21-23): “E, num dia designado, vestindo Herodes as
vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes dirigiu a
palavra. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de
homem! No mesmo instante, feriu-o o anjo do Senhor, porque não
deu glória a Deus; e, comido de bichos, expirou.”
1.1.
A Deificação do Homem e o Super-Homem de Nietzsche.
No subsídio da lição 1, abordamos alguns dos pensamentos
deste filósofo e, de como o movimento pós-moderno está
fundamentado nas teorias nietzschianas. Segundo o filósofo
da descrença, no futuro haveria apenas dois tipos de
homens, dos quais nos interessa apenas o primeiro, o
“Super-homem”, que é a antítese do “Último
homem”. O super-homem
– uebermensch – é aquele que reconheceria a
vacuidade dos valores morais e religiosos e se colocaria
acima deles, inventando a seu bel-prazer, segundo a sua própria
práxis, os seus valores autônomos e independentes. Este
super-homem é deus de si mesmo; criador de um microcosmo no
qual a sua vontade absoluta domina. Este homem nietzschiano
situa-se além do próprio homem. Na filosofia de Nietzsche,
Deus morre, para que o homem assuma a sua própria
divindade. Deus deixa de existir a fim de que o super-homem
controle a existência sobre a terra. O super-homem de
Nietzsche, não deixa de ser um homínculo rebelde que se
revolta contra o Criador, tornando-se demiurgo de sua própria
sorte.
O filósofo ateu Feuerbach, considerava que a grande
reviravolta da história será quando o homem se
conscientizar de que o único Deus do homem é o próprio
homem: “Homo homini Dei”. Outro humanista ateu, Edmund
Leach, afirmou que os homens se tornaram como deuses e, que
já é tempo de os homens entenderem e assumirem a sua própria
divindade.
As passagens citadas no tópico anterior, descrevem
perfeitamente o que acontece quando o homem procura
substituir a Deus por si mesmo.
| ÊNFASE |
ANTROPOCENTRISMO |
TEOCENTRISMO |
| Quanto
o Centro |
Centralizado
no Homem |
Centralizado
em Deus |
| Quanto
à Fé |
Confiança
no Homem e na Ciência |
Confiança
em Deus |
| Quanto
à Ética |
Relativismo
Moral |
Absolutos
Morais |
| Quanto
à Verdade |
Verdade
Local é Relativa |
Verdade
Universal e Absoluta |
| Quanto
à Religião |
Pluralismo
Religioso |
Religião
Cristocêntrica |
| Quanto
à Literatura |
Centrado
nas Filosofias Humanas |
Centrado
nas Escrituras |
1.2.
O Sentido de Imagem e Semelhança
Os cristãos que admitem a divinização do homem, o
fazem em razão de uma falsa exegese do texto de Gênesis
1.26. A fim de que entendamos o sentido da referida
passagem, consideremos os termos principais do texto.
ü
Imagem
A
palavra hebraica que corresponde ao termo “imagem” na língua
portuguesa, é tselem. Este vocábulo aparece cerca
de trinta vezes no Antigo Testamento. Outros termos cognatos
de tselem são:
a)
Pesel:
indica todo tipo de imagem esculpida (Is 40.19-20);
b)
Masseka:
refere a imagens de ouro, prata ou cobre (Êx 32.4).
Seria
desnecessário mencionar os cognatos de tselem por
ser um termo elástico e, igualmente ilegítimo, pressionar
o termo fugindo ao propósito do hagiógrafo. Na Septuaginta,
o termo foi traduzido por eikon que significa
“imagem”, “semelhança”, “forma”, “aparência”.
O vocábulo aparece cerca de
vinte e três vezes nas páginas do Novo Testamento
sendo empregada para representar cinco vocábulos hebraicos
distintos, entre eles: pesel (Is 40.19-20) e demut
(Gn 5.1). Mas sua ocorrência principal é para traduzir
tselem (Gn 1.26,27; 5.1,3;9.6; 1 Sm 6.22). O sentido
de eikon é elástico e podemos
asseverar que nem sempre indica necessariamente a participação
da mesma natureza, embora também possa ter esse sentido (Êx
20.4 cf. 2 Co 4.4; Cl 1.15 cf. Lc 20.24).
ü
Semelhança
O
termo hebraico correspondente ao português “semelhante”
é demut, cujo significado é “padrão”,
“forma” “semelhança”, “imagem”. O equivalente
grego para demut na Septuaginta é homoiosis,
que significa “semelhança”, “aparência”,
“imagem”. O termo aparece cerca de nove vezes no Antigo
Testamento e corresponde ao seu cognato hebraico.
Entretanto, à luz do conceito e da exegese vétero-testamentária,
imagem e semelhança, isto é, tselem e demut,
são termos epizegéticos (de epizêuxis) ou sinônimos, e
se referem ao ser humano como um todo e, portanto, não se
referem a duas coisas diferentes (Gn 1.26, 27; 5.1,3; 9.6; 1
Co 11.7; Cl 3.10; Tg 3.9). São termos sinônimos e
intercambiáveis (Gn 5.3).
Assim
sendo, Gênesis 1.26 declara que Deus criou o homem “em
nossa imagem e semelhança” (eikon traduz o
hebraico tselem e homoiosis o hebraico demut).
O
texto reconhece que o homem tem um valor especial como
criatura e que ele participa de uma kabod, isto é,
glória especial (Sl 8.9). A declaração acerca da Imagem
de Deus (imago Dei), tem, pelo contrário, sua verdadeira
razão de ser no propósito para o qual esta imagem foi dada
ao homem – procurador autorizado de Deus – e seu valor
reside neste fato (Gn 1.26). Mas, de acordo com o restante
das Escrituras, a imagem de Deus pertence à nossa natureza
moral-intelectual-espiritual.
ü
O
que não é a imagem de Deus
·
Não
é semelhança física.
A palavra tselem, isto é, “imagem,” não quer
dizer que o homem foi criado representando a forma física
de Deus. Pelo que se sabe dos ensinos de Cristo, Deus é
espírito infinito, eterno e imutável em seu ser (Jo
4.23, 24; Lc 24.39) e não possui forma física ou humana
(Confira melhores detalhes sobre este tópico na obra Hermenêutica
Fácil e Descomplicada. RJ: CPAD, p.237-242). O Salmo 17.15 diz “Quando
eu acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança”, mas
isto não quer dizer corporeidade. Pelo menos três concepções
são claras a respeito dos antropomorfismos.
As razões pelas quais Deus assume a forma humana
nas teofanias (manifestação de Deus) são:
·
Porque o homem é conforme a semelhança divina;
·
Porque o homem é a forma mais ideal, por ser ele a coroa
da criação e receber todo o apreço divino em detrimento
aos demais seres criados;
·
Por ser o homem, apesar do cuidado de Deus pelas demais
coisas criadas, o centro de comunicação e revelação
dos aspectos salvíficos de Deus.
·
Não
é participação essencial da divindade de Deus.
Apesar de o homem participar por meio de Cristo da
natureza divina como ensina o Novo Testamento (2 Co 3.18;
2 Pe 1.4; 1 Jo 3.2), isto não implica uma participação
essencial na era presente, mas como uma participação
escatológica para todos os que amam a Deus (1 Jo 3.2; 2
Co 3.18).
O
sentido de Gênesis 1.26, porém, está aquém de sugerir
uma participação total da divindade de Elohim. Se assim
o fosse, o homem não seria humano, e sim, divino, fato
este negado peremptoriamente pelas Escrituras. O Salmo 8.5
afirma: me at me elohim, isto é, “pouco menos
que os deuses” – expressão que a LXX traduz por brachy
ti par angelous (cf. Hb 2.7a). Isto significa que
imagem e semelhança não equivalem à divinização. Em
Hebreus 1.3; João 14.9 e 2 Coríntios
4.4 os termos são empregados referindo-se a
divindade de Cristo.
Portanto,
devemos rejeitar qualquer argumentação que interprete o
texto de Gênesis 1.26, como referência a deificação do
homem.
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