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Lição 02 - O Mundo sem Deus Vai de Mal a Pior

1.

Esboço da Lição

I. Introdução

II. As Raízes do Pós-modernismo

III. A Filosofia Predominante no Pós-modernismo

IV. O Pós-modernismo como um Estilo de Vida

V. Conclusão

 

1. O Pós-modernismo como um estilo de vida 

1.1.   Definição de “estilo”

O termo “estilo” procede do latim stilu e originalmente designava um objeto pontiagudo usado para escrever em tábuas enceradas. Por estar afeito ao uso dos escritores, o vocábulo stilu, antes um instrumento para a escrita, passou a designar a forma como o literato se expressava. Conseqüentemente, o termo foi empregado em várias acepções para descrever um gênero artístico, uma escola, um tipo de escultura e até mesmo uma época. A palavra também é empregada para designar o procedimento, a conduta, e os modos observados por determinada sociedade. Portanto, “estilo” é a maneira de se tratar, comportar e ser de uma pessoa ou sociedade em certo momento histórico. Grosso modo, podemos ilustrar o que acima foi dito comparando a maneira como a geração de 60 e 70 se vestia com os atuais trajes hodiernos – quanta diferença! 

Um “estilo” em determinada geração é resultado de uma complexidade de fatores sociais, filosóficos, econômicos, artísticos e políticos. Esses fatores afetam diretamente a vida, cultura e procedimento das pessoas em certa época. 

ESTILO IDADE MÉDIA MODERNIDADE PÓS-MODERNIDADE
Séc XIII - XV XVI - XIX XX - XXI
Arquitetura Religiosa-vertical Moderno-horizontal Estrutura de aço e vidro ressaltam a engenhosidade humana em vez do espírito religioso
Religião Cristianismo-católico Cristianismo-Reforma Descentralização da Religião

Diversidade Religiosa

Declínio do Fundamentalismo

Filosofia Cristã Racionalismo

Individualismo

Humanismo

Pós-modernismo

Existencialismo

Desconstrução

Guerra Motivos religiosos Motivos revolucionários Motivos contrários ao totalitarismo

A favor das minorias étnicas

Interesses econômicos

Comércio Feudalismo

Trabalho servil

Capitalismo

Trabalho assalariado

Substituição do trabalho humano pela automatização
Direito Do rei e da Igreja Do homem e da cidadão Era dos direitos: das crianças e dos adolescentes; dos idosos; das minorias étnicas
Conhecimento Restrito aos mosteiros Descobertas e revoluções ciêntíficas Desconfiança da razão e da ciência

1.2.  Exemplo de Estilos: Idade Média versus Era Moderna

Cada época ou geração se configura em um novo estilo, seja este observado na arte, na política, na economia ou na ciência. Como a própria Bíblia afirma “Uma geração vai, e outra geração vem” (Ec 1.7). Esse constante devir implica em novos hábitos e padrões de comportamentos. Mesmo nas Escrituras é possível identificar padrões culturais distintos de uma geração à outra (Rt 4.7). 

Portanto, é possível afirmar que o “estilo feudal” era uma das características predominantes da Idade Média, enquanto o “estilo burguês” é próprio da Era Moderna (Cf. o gráfico da LBM). Podemos ainda atestar que o “estilo arquitetônico” da Idade Média até meados do século XII era o românico, enquanto o dos séculos XIII e XIV era o gótico – se considerarmos as construções das catedrais desses períodos. Cabe aqui a informação de que “gótico” significa “procedente dos godos”, antigo povo da Germânia.

Não somos escusados de frisar, que o assunto a seguir considera primariamente a arquitetura na análise e compreensão do estilo e das idéias dominantes de uma época. Isto se deve em grande parte à sensibilidade dos artistas de identificar as tendências culturais e filosóficas de um período com mais propriedade do que os cientistas e outros teóricos. Nunca é demais repisar que a engenhosidade do espírito e da estética humana se reflete mais facilmente na arte e na literatura do que em outros saberes. Prova disto é que em Florença, no limiar do século XV, que marca o fim da Idade Média e o início da Era Moderna, o arquiteto Filippo Brunelleschi, desenvolveu uma atividade arquitetônica de acordo com seus estudos filosóficos e científicos, sendo até hoje considerado um dos pioneiros da nova estética, conhecida por Renascimento florentino. Uma das principais funções da arte, ou a mais importante delas, é a crítica social. 

No entanto, a fim de que os exemplos não sejam fugidios e distantes, podemos considerar a construção, em 1972, das torres gêmeas do World Trade Center (Centro de Comércio Mundial), destruídas em 2001 no ataque terrorista. Na época em que foram inauguradas eram as mais altas torres do mundo, símbolo do poder econômico dos EUA e que ideologicamente apresentavam a cidade de Nova York como o “centro do comércio mundial”. A destruição dessa imponente obra arquitetônica, não apenas mudou os rumos da política americana, como também serviu de símbolo imagético da insegurança e do caos. Portanto, há nas mais variegadas formas da arte, uma representação metafórica e simbólica do homem e da leitura que este faz do contexto em que vive.

Conta-se que Donatello havia esculpido uma imagem de Cristo na Cruz e que ao apresentá-la a Brunelleschi, este comentou que o Cristo parecia um camponês. Donatello ofendido, o desafiou a fazer melhor. Após Brunelleschi terminar a escultura, Donatello teria dito; “A mim foi concedido talhar os homens do campo, mas a ti o Cristo.” Ainda hoje o crucifixo adorna a Igreja de Santa Maria Novella.

1.2.1. Mudanças Sociais, Artísticas e Teológicas

As transformações e condições sociais, políticas e econômicas do século XIII a XIV, por exemplo, acabaram por começar uma nova perspectiva filosófica e artística. O aumento da riqueza e a influência da igreja exerceram forte influxo sobre a construção dos novos templos. Estes por sua vez, procuravam refletir o espírito nababesco de seus líderes e da alta classe social. Também abandonavam os motivos da arte românica, para representar os principais dogmas católicos e cenários da vida de Cristo e dos apóstolos. Os templos eram maiores do que os anteriores e deixaram de ser mais intimistas para se tornarem alegres e grandiosos. Os edifícios religiosos, para corresponderem ao espírito da época, tornaram-se mais altos, com maior iluminação interna, grandes vitrais – possíveis graças às portentosas colunas –, com torres de altíssimas pontas que davam a impressão de que o céu estava ligado a terra por meio destas.

Nas cidades constroem-se enormes catedrais que correspondem ao espírito artístico, econômico e filosófico dos centros urbanos. As imponentes catedrais de Reims (1212-1300) e de Notre Dame, na França, a de Ulm, na Alemanha, representam a identidade e o estilo arquitetônico da época. Este período foi chamado pelo historiador Justo Gonzáles de “A Era dos Altos Ideais”. Não é postiço afirmar que a iconografia que ilustra a capa da obra do mesmo título é a catedral gótica de Burgos, na Espanha.

 No Cristianismo foi um período de grandes contrastes, de formalismo e misticismo. Entre os teólogos destaca-se o “Doutor Universal”, Alberto Magno (1206-1280), o “Doutor Angélico”, Tomás de Aquino (1225-1274), o “Doutor Seráfico”, João de Fidanza (São Boaventura), João Duns Scotus (1260-1308), o místico Meister Eckhart (1260-1327). Na literatura, A Divina Comédia, por Dante (1265-1321), e o famoso Tomás à Kempis (1380-1471), autor de Imitação de Cristo. Na ciência, Roger Bacon (1214-1292), e o surgimento das universidades. Os pré-reformadores J. Wycliffe (1328-1384), J. Huss (1373-1415) e Savonarola (1452-1498) também se destacaram contra a indolência, formalismo e a decadência e poder absoluto papal durante esses períodos. Para compreendermos adequadamente a teologia, filosofia, economia e política dessa época é só lermos a biografia e as obras desses autores.

1.2.2. Expansão e fim do estilo gótico

Durante os séculos XIII e XIV, o gótico tornou-se o estilo internacional. O modelo arquitetônico foi acolhido pela Alemanha e espalhou-se nas cidades de Estrasburgo, Friburgo, Colônia e Ulm entre outros. Nos Países Baixos, as altas torres do estilo em voga foram copiadas. Na Espanha constroem-se grandes catedrais reproduzindo os modelos franceses e alemães. O estilo gótico, nascido na França, marcava a verticalidade; as construções sempre pomposas, apontavam para o céu, pois de lá o poder eclesiástico e real procediam.

No crepúsculo da Idade Média, no século XV, quando o estilo gótico dominava toda a Europa, a sociedade começa a enfrentar novas mudanças econômicas e filosóficas que por fim acabaram por determinar uma nova configuração artística. Muito embora, o espírito religioso continuasse, a sociedade evolui para um realismo no qual a investigação racional substitui a fé do período anterior. De início, as mudanças do novo estilo, se nota em algumas regiões enquanto em outras não. No entanto, as dificuldades, a miséria, a guerra, as constantes mortes e os progressos científicos, forçam a sociedade a mover-se de sua antiga direção. Sir Thomas More (1480-1535) autor da Utopia (1518) revela as grandes chagas sociais acima descritas, e de como estas cooperaram na transição entre o período medieval e o mundo moderno. Surge o Humanismo.

1.2.3. Humanismo e a Renascença

No século XV, o Humanismo se configura como movimento que influencia a arte e tende a modificar as idéias dominantes do século XIV.  A Renascença ou Renascimento é fruto das mudanças sociais, filosóficas, literárias e artísticas iniciadas em fins da Idade Média, principalmente na Itália do século XIV. O movimento precursor da Renascença é conhecido como Humanismo. Este movimento tem em Florença seu principal representante, o arquiteto Filippo Brunelleschi. Este, ainda hoje é considerado um dos principais responsáveis pelas mudanças estilísticas na arquitetura e não poucos o consideram o “pai do Renascimento”, enquanto Rafael Sanzio de Urbino,  a “plenitude do Renascimento”. Já os escritores Dante, Petrarca e Boccacio são considerados os mais profícuos escritores humanistas que contribuíram para o surgimento da Renascença. As obras dos pensadores Francis Bacon (1561-1626), Nicolau Copérnico (1473-1543) e Galileu Galilei (1564-1642), revolucionaram a ciência desse período, antecipando os ideais iluministas. Os feitos dos humanistas renascentistas estão afixados nos corredores da história, resta-nos apenas olhar para o passado e perceber as influências de suas idéias na construção do pensamento moderno.

       * Os humanistas dedicaram-se ao estudo da antiguidade clássica

A arquitetura, filosofia e cultura heleno-latina são estudadas copiosamente pelos artistas e filósofos humanistas. Isto implicou em uma mudança geográfica estratégica que abandonava a concepção religiosa inspirada nas ruas de Jerusalém para a cosmovisão humanista inspirada nas ruas de Atenas e Roma. Portanto, a Renascença era antes de tudo, um “renascimento da cultura” que identificava na antiguidade clássica os ideais para o homem moderno. Com o sentido de proporção, equilíbrio, perspectiva e lógica os renascentistas tencionavam apresentar um Universo perfeito conduzido pela racionalidade humana e no qual o indivíduo se considerasse seguro.

ELEMENTOS QUE CONTRIBUÍRAM PARA  O SURGIMENTO DO HUMANISMO 

Riqueza e Luxo

 A riqueza e o luxo das metrópoles possibilitaram a ocupação dos nobres em atividades intelectuais. Os ricos comerciantes, ou mecenas, patrocinavam filósofos, artistas e algumas vezes, teólogos. Destaca-se a figura de Lourenço, o Magnífico, da família dos Médicis. 

Comércio

 O comércio entre a Europa Ocidental e Oriente Próximo enriquecia as principais cidades possibilitando uma maior ocupação com as atividades culturais e materiais.   

Interesses Papais

 Os interesses papais desse período estavam mais afeitos a cultura do que as funções espirituais. O papa Nicolau V reuniu mais de 5.000 manuscritos formando uma extraordinária biblioteca no Vaticano.  

Interesses pela Cultura Clássica

 Os interesses pela cultura e literatura clássica da Grécia e de Roma provocaram um distanciamento ao estudo da teologia. No entanto, possibilitou avaro desejo pelo materialismo e por desfrutar benesses terrenas imediatistas. Acrescente-se o fato de que o latim passa a ser substituído por línguas vernáculas nacionais.

Advento da Imprensa 

As concepções humanistas expandiram-se por toda a Europa, graças ao advento da imprensa na Alemanha em 1456.  

Ataque dos Turcos 

Com o ataque dos turcos a Constantinopla, muitos eruditos bizantinos se estabelecem em Roma e Florença levando consigo importantes documentos, textos literários e filosóficos até então desconhecidos. 

* Os humanistas eram mais antropocêntricos do que teocêntricos

A cosmovisão teocêntrica medieval do mundo, acreditava ser Deus a medida, causa e fundamento do Universo, da ciência e da arte. No entanto, o novo movimento que encontrou na arte e na filosofia florentina, seu berço e crescimento, abandonou as explicações religiosas a cerca do mundo físico por uma interpretação androcêntrica da vida. As crescentes ideologias tencionavam substituir as concepções judaico-cristãs pela racionalidade; renunciar o teocentrismo e aderir ao antropocentrismo. O homem, e não Deus, é o padrão e centro de todas as coisas segundo a visão humanista. As pinturas e esculturas religiosas paulatinamente são substituídas por belas e simétricas esculturas do corpo humano. Mesmo quando o tema é religioso, como Davi, do escultor Donato da Bardi, Donatello (Florença, Itália), a impressão que se tem é do homem simétrico e alinhado ao seu tempo. Nada de roupas que representam o cenário palestínico e ofuscam as minudências da fisiologia humana. O Davi, de Miguel Ângelo Buonarroti, supera a escultura de Donatello do mesmo título e representa a glorificação do humanismo. As imagens talhadas apresentam o homem como a medida de todas as coisas – o  aferimento do novo estilo e da modernidade.

Outros temas resgataram a iconografia e poesia pagã do politeísmo grego. Jerônimo Savonalora, o “profeta de Florença”, foi um combatente férreo contra essa nova abordagem literária.

ÊNFASE ANTROPOCENTRISMO TEOCENTRISMO
Quanto ao Centro Centralizado no Homem Centralizado em Deus
Quanto à Fé Confiança no Homem e na Ciência Confiança em Deus
Quanto à Ética Relativismo Moral Absolutos Morais
Quanto à Verdade Verdade Local e Relativa Verdade Universal e Absoluta
Quanto à Religião Pluralismo Religioso Religião Cristocêntrica
Quanto à Literatura Centrado nas Filosofias Humanas Centrado nas Escrituras

1.2.4. Da Renascença ao Iluminismo

Os interesses intelectuais dos renascentistas sejam eles de tradição italiana, francesa, inglesa, espanhola, alemã ou portuguesa, desembocaram na “era dos descobrimentos”. O surgimento da era moderna, procede em grande parte, dos descobrimentos geográficos iniciais dos espanhóis e portugueses e mais tarde dos ingleses e franceses; das grandes invenções como a pólvora, a bússola, as lentes, a imprensa, o papel, o relógio de pulso e a indústria do ferro. É óbvio, até para os desatentos observadores da história, que muitas outras criações e movimentos políticos e sociais contribuíram para o surgimento da era moderna, os quais a exigüidade deste espaço não permite considerá-los adequadamente. 

Grandes Nomes da Renascença
Leonardo da Vinci (1452-1519) Por meio da arte procurou expressar a humanidade e toda a sua beleza. Inventor e artista profícuo. Obras artísticas: Gioconda e a Ceia.
Erasmo de Roterdã (1467-1536) Levantou a bandeira do humanismo como sinal de uma nova Europa e de uma nova humanidade. Autor de O Elogio da Loucura, e copilador do Novo Testamento grego (Textus Receptus) que serviu de base para Lutero, e mais tarde, a João F. de Almeida.
Thomas Morus (1478-1535) Humanista prático que associou a filosofia à atividade política. Autor de Utopia.
Nicolau Maquiavel (1469-1527) Possuía uma visão pessimista da natureza humana e acreditava que o Estado não é um organismo ético, mas estrutura de força e poder. Autor de O Príncipe.

* Mudança da cosmovisão medieval.

A passagem do conceito medieval do mundo para a era moderna, implicou na radical mudança da  cosmovisão da Idade Média, que talvez, ainda resistia o espírito humanista da Renascença. O descobrimento das Américas foi à laje tumular que faltava para sepultar de vez algumas visões medievais que resistiam ao novo período. Com as novas descobertas verificou-se o erro dos que consideravam a terra plana, que acreditavam na existência de serpentes e monstros gigantesco habitando nos mares – crenças e falsas teorias científicas foram desacreditadas. Todas as áreas do saber humano concorreram para a formação do capitalismo e do Estado moderno. A Reforma Protestante no século XVI e as realizações filosóficas e científicas dos séculos XVII e XVIII, deságuam na Revolução Intelectual, Ilustração ou Iluminismo. O racionalismo divulgado por Descartes, Spinoza e Hobbes, bem como a interpretação mecanicista do Universo por Newton e a teoria do sensualismo de Locke, proporcionaram os fundamentos necessários para os três principais postulados do iluminismo: eficiência da razão, leis físicas uniformes e a negação do pecado original.

TRÊS POSTULADOS ILUMINISTAS DESACREDITAVAM
Eficiência da Razão: Esta, é o único e seguro guia da sabedoria. Desacredita-se em qualquer dogma religioso (místico) que se proponha a ensinar a verdade.
Leis Físicas: O Universo é governado por leis uniformes e inflexíveis. Desacredita-se em qualquer interferência divina ou milagres que alterem uma dessas leis.
Pecado Original: A depravação do homem não é inata, mas procede das influências externas. Desacredita-se na doutrina da natureza pecaminosa universal dos homens.

* O iluminismo difundiu exacerbado otimismo nas possibilidades e realizações humanas.

Os diversos fatores sociais, políticos e econômicos concorreram contra os ideais utópicos da Ilustração. O nacionalismo fomentando patriotismos raciais hostis, o clima de inquietação e agressividade imposta pelo militarismo e a “paz armada”, o imperialismo econômico e as crises diplomáticas culminaram com a Primeira Guerra Mundial. A Segunda Guerra viria um pouco depois provocada por causas não muito diferentes da anterior: A Grande Depressão (1929-1939), nacionalismo exacerbado, fraqueza e desprestígio da Liga das Nações (criada em 1920), fracasso do desarmamento, choques de ideologias políticas entre democratas e totalitários, entre outros.

1.2.5. Da Era Moderna a Pós-modernidade

A crise do capitalismo e socialismo entre o fim da Segunda Guerra Mundial e início da década de 1950, marca uma profunda desconfiança nos projetos utópicos da oscilante modernidade (Cf. Subsídio da lição 1). Não muito depois desse período houve um reverdecimento da arquitetura que contestava o estilo da modernidade. 

* Estilo arquitetônico moderno

O estilo arquitetônico moderno distingue-se profundamente do gótico (séc. XIII-XIV), pois enquanto este é marcado pela verticalidade, aquele pela horizontalidade. O estilo moderno foi influenciado profundamente pelo individualismo, humanismo, e racionalismo, a fim de reafirmar os ideais iluministas. As raízes da revolução arquitetônica do século XX têm como centro a escola alemã Staatliche Bauhaus, ou “Casa Estatal de Construção”, mais conhecida como Bauhaus. Esta escola de arquitetura buscava ressaltar a liberdade e a personalidade humana. O arquiteto e professor alemão, Walter Gropius, tencionava formar arquitetos intimamente relacionados aos fenômenos culturais e sociais da modernidade. A arquitetura moderna, influenciada pela revolução industrial, portanto, usava novas técnicas de construção e materiais a fim de atender as características de funcionalidade e simplificação – elementos indispensáveis ao industrialismo –, evitando a extravagância e excessos decorativos e simbolistas, muitos comuns aos períodos anteriores. Parafraseando Steven Connor (1992, p.58), a função suplantaria a beleza dos edifícios e a beleza destes seria a sua própria função. O arquiteto Henry van der Velde foi um dos mais significativos representantes do funcionalismo arquitetônico. Este movimento “procura a melhor relação entre a forma e o material, forma e função e forma e o modo de produção”, como atesta a Encyclopaedia Britannica do Brasil (vol. 4, p.1236)

*  Estilo arquitetônico pós-moderno

O crítico e arquiteto inglês Charles Jenkcs afirma que “a Arquitetura Moderna morreu em St. Louis, Missouri, em 15 de julho de 1972 às quinze horas e trinta minutos” (1984, p.9). Jenkcs se refere à demolição do conjunto habitacional Pruitt-Igoe, que curiosamente foi implodido no mesmo ano em que o World Trade Center foi construído e cujo arquiteto de ambos projetos era Minoru Yamasaki. 

C. Jenkcs considera que a arquitetura moderna é univalente, termo que se refere às formas essenciais e simples de aço e vidro de Mies van der Rohe – construções que negam e afirmam as suas formas. Na perspectiva pós-moderna o modelo fractal substituiria o modelo modernista, pois seria o único modelo capaz de representar a expansão urbana. Essa manifestação arquitetônica é de forma curva, arqueada e fractal, mas voltada ao convívio e que contesta os padrões anteriores.

O neologismo fractal procede do latim fractus cujo significado é “irregular”, “quebrado”. O termo ao que parece, foi empregado por Benoît Mandelbrot, na década de 80, para classificar objetos que não possuem dimensão inteira, mas sim fracionária. Os fractais não são univalentes, para usar um termo de  C. Jencks, mas possuem uma infinidade de formas e aparências, multivalentes. 

Arquitetos como os norte-americanos Robert Venture e Peter Eisenman, o inglês Charles Jencks e o italiano Aldo Rossi são os principais ideólogos da arquitetura pós-moderna. Os conceitos dos três arquitetos reúnem idéias como “complexidade e contradição”, “conhecimento da arquitetura pelas suas formas”, “afastamento de qualquer idealidade” e a  “arquitetura como reflexo das ações cotidianas”.  Portanto, a arquitetura pós-moderna não se configura como um estilo único, univalente, mas complexo e variegado. As idéias de centralidade e univalência geométrica que tanto traduzem o espírito moderno são substituídas como manifestação da cultura e filosofia pós-modernista. Termos como pluralismo, multiculturalismo e relativismo acomodam-se a toda e qualquer manifestação cultural , filosófica e política pós-modernas. O pensamento pós-moderno, portanto, não se configura com um estilo uniforme seja na filosofia, na moral, na religião, na arte ou na arquitetura. Ao contrário, é plural, se compraz na diversidade, fragmentação e multiplicidade.


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