Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios para E agora, como viveremos?



          Para auxiliá-lo no estudo desta lição, acesse o glossário.


Lição 01 - A Igreja ante os desafios dos últimos dias

1.

Esboço da Lição

I. Introdução

II. Características dos Tempos Pós-modernos

III. O Desafio das Cosmovisões da Humanidade

V. O Desafio do Multiculturalismo

V. Conclusão

1. O que é Pós-modernidade?

O pós-modernismo é eclético e de difícil definição. Pode ser entendido como uma crítica à modernidade ou como uma completa ruptura com os projetos da Era Moderna.

Fala-se em pós-modernidade para se referir à crise do capitalismo e do socialismo entre o fim da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) e o início da década de 50. O prefixo “pós”  é empregado a fim de identificar a fase posterior à Modernidade, assim como o termo “pós-industrial” é usado como referência à fase sucessória desse mesmo período. Logo, Pós-modernidade tanto designa a completa ruptura com a Modernidade quanto a sua extensão e crítica.

Segundo Steven Connor, o historiador Arnold Toynbee (1889-1975), a quem se atribui o primeiro uso do epíteto “pós-moderno”, empregou o vocábulo para “caracterizar a queda da civilização ocidental na irracionalidade e no relativismo a partir de 1870” (1992, p. 57). Muito embora,  a origem do vocábulo não seja atribuída ao filósofo francês Jean-François Lyotard, o autor é, talvez, o mais proeminente difusor do estudo da pós-modernidade. 

A obra A condição pós-moderna (2000)1, publicada em 1979 (França, e em 1984 anglófono), tornou-se um guia a todos que desejam investigar os conceitos, filosofias e características da sociedade pós-moderna. Mesmo as críticas suscitadas pelo pragmático Richard Rorty, ou pelo teórico social marxista alemão Jürgem Habermas, não ofuscaram a intensidade das análises de Lyotard. Para este, os projetos do progresso científico tornaram-se mitos a partir da Segunda Guerra Mundial, perdendo totalmente a credibilidade. 

Fundamentado nas análises de Daniel Bell e Alain Touraine a respeito da sociedade pós-industrial e mediante a análise das transformações políticas, econômicas, culturais e sociais ocorridas na Modernidade, Lyotard, teoriza a respeito das profundas transformações da sociedade planetária. Essa nova fase, chamada de pós-modernidade, está ligada ao surgimento de uma sociedade pós-industrial, na qual o conhecimento tornara-se a principal força de produção.2 O termo pós-moderno para o filósofo francês quer dizer “o estado da cultura após as transformações que afetaram as regras dos jogos da ciência, da literatura e das artes a partir do final do século XIX” (2000, p.xv). 

Outros teóricos, como David Harvey (2003), consideram a “condição” pós-moderna não como um sintoma do surgimento de uma sociedade pós-industrial ou pós-capitalista, mas como conseqüência da atual crise do capitalismo. 

O filósofo pragmático R. Rorty, salienta que o termo “pós-moderno” tem sido vulgarmente difundido a ponto de não se saber o sentido preciso do vocábulo. Para o teórico dos Ensaios sobre Heidegger, essa superutilização tem causado mais confusão do que esclarecimento (1999, p. 13-14). Ao ser entrevistado pela Folha de São Paulo em 8 de maio de 1994, o neopragmático Rorty, afirmou sobre o conceito de pós-modernidade:

Acho que a noção de pós-moderno não tem qualquer utilidade. É mais uma tentativa artificial de sugerir que recentemente passamos por algo dramático e importante. Não acho que o século XX faça essa passagem entre o moderno e o pós-moderno. Muito tempo e energia estão sendo gastos na reflexão sobre o tópico do pós-modernismo.

Segundo Rorty, os homens devem “abrir mão de Deus, da idéia da verdade como uma representação exata e da natureza intrínseca da realidade”. No entanto, afirma que uma vez desassociado dessa cosmovisão, “não sobra nada além das práticas sociais humanas em que você possa se ancorar”. Para Rorty, os homens só podem contar consigo mesmo e não se pode encontrar a salvação fora das práticas sociais.

No entanto, para o filósofo Steven Connor o “pós-modernismo não encontra o seu objeto inteiro na esfera cultural, nem na esfera crítico-institucional, mas em algum espaço tensamente renegociado entre as duas” (1992, p.15). Segundo Connor, uma das características do pós-modernismo é a relação complexa que ele tem com o modernismo – que é, no seu próprio nome, ao mesmo tempo invocado, admirado, tratado com suspeita ou rejeitado (1992, p. 58). 

É evidente a dificuldade dos filósofos em definir adequadamente a pós-modernidade. Isto se deve, principalmente, pelo caráter heterogêneo da pós-modernidade, pois é plural e abarca diversos ismos não possuindo uma doutrina ou teoria unívoca. 

Portanto, a discussão não é propriamente o sentido preciso do termo, isto é, a nomenclatura que se dá a esse novo período, mas se de fato trata-se de uma ruptura com a Modernidade ou apenas um prolongamento crítico da mesma.

1.1. Nietzche e a gênese do pensamento pós-moderno

Considerando certos aspectos da filosofia pós-moderna, facilmente encontraríamos bases para argumentar que a gênese do pós-modernismo pode ser verificada nos escritos filosóficos de Friedrich Nietzche (1844-1900). Foi provavelmente Nietzche, quem fez as mais contundentes críticas aos valores,  a cultura,  a política e a religião estabelecida na Era Moderna.

Filho de pastor luterano, Nietzche chamou à atenção da sociedade de seu tempo ao afirmar que “Deus está morto”. Na verdade, uma das principais intenções do filósofo era ressaltar que a civilização ocidental de seu tempo já não mais necessitava das metanarrativas, das tradições, relatos e valores cristãos como no passado.

Nietzche em 1889, sofreu um colapso mental e nada mais escreveu em seus últimos onze anos de vida, no entanto, foi opositor visceral à moral e valores cristãos. Afirmou que a moral e os valores do homem ocidental derivam de crenças religiosas, as quais o homem moderno não poderia mais sustentar, sendo, portanto, necessário reavaliar os valores judaico-cristãos. Fez duras e amargas críticas aos ensinos de Jesus, e o considerou um moralista, que defendia os fracos em detrimento dos fortes, a justiça em vez da força, e que ensinava o triunfo final dos mansos em lugar dos arrojados.

Para o filósofo da descrença, o que permitiu o progresso da civilização e o desenvolvimento da cultura, foi a constante eliminação dos fracos pelos fortes, dos incompetentes  pelos competentes e dos estúpidos pelos astutos. Não foi sem razão que os escritos de Nietzche alimentaram o ódio racial e religioso e as propagandas fascistas de Mussolini e Hitler. Embora o filósofo não seja  considerado anti-semita, no entanto, até mesmo seus defensores, não podem negar que os nazistas associaram o super-homem nietzchiano com o conceito purista ariano. O fundador do fascismo, Mussoline, por exemplo, lia copiosamente os escritos de Nietzche, razão pela qual, no histórico encontro de Hitler com Mussoline em 1939, este recebeu do ditador alemão uma coleção de obras nietzchiana. A influência de Nietzche não se limitou apenas a filosofia e a política, mas alcançou também as artes. 

ALGUMAS IDÉIAS NIETZCHIANAS DEFENDIDAS PELA PÓS-MODERNIDADE

  • O homem deve viver sua vida ao máximo, e conseguir tudo o que puder neste mundo;

  • A moral e valores cristãos são indefensáveis na atual geração; 

  • Não se pode crer e nem valorizar os valores cristãos; 
  • Aceitar os valores cristãos é a maior das decadências, uma negação de tudo o que produziu a cultura e a civilização;  
  • Já que Deus não existe, e nenhum outro mundo além deste, então a moral, a ética e os valores não podem ser o que se chama de transcendentais. Portanto, os homens são responsáveis em criar seus próprios valores e escolher viver aqueles que considera mais conveniente;
  • Sócrates e Jesus não eram mais do que dois moralistas, cujos ensinos devem ser rejeitados;

  • Não se pode fundamentar uma sociedade em valores que ela repudia.

1.2. Sucessores nietzchianos

O ataque de Nietzche à modernidade foi seguido pelos filósofos nietzchiano, dentre eles, ou talvez o mais expressivo de todos, o francês Michel Foucault (1926-1984), seguido por Jacques Derrida (1930-2004) e, até mesmo nos escritos do existencialista Jean-Paul Sartre (1905-1980), é possível observar a influência dos escritos de Nietzche.

Foucault era um pensador brilhante, intelectual profícuo, mas viveu de modo desregrado e dissoluto, vindo a falecer em 25 de junho de 1984 em conseqüência da AIDS. Sua principal contribuição ao pensamento pós-moderno, deve-se à noção de que todo tipo de discurso éuma tentativa, daquele que a usa, de exercer poder e influência sobre os outros e, por essa razão, os textos podem ser desconstruídos. A noção desconstrutivista de Foucault procede da “virada lingüística”, abordagem filosófica de fins da década de 60, também conhecida como estruturalismo.

O filósofo francês Jacques Derrida foi o fundador da desconstrução e após receber da Universidade de Cambridge, em 1992, um título honorífico, suas teses sobre a indeterminação do sentido do texto, espalhou-se mais facilmente pelo mundo acadêmico. Segundo os estruturalistas e pós-estruturalistas, o texto de qualquer obra não apresenta absolutamente nada além do próprio texto. Não existe uma intenção autoral, um propósito pelo qual a obra tenha sido escrita; as palavras não significam o que o autor pretendeu ao usá-las, cabe sim, ao leitor dar o significado que tal texto tem para si, independente do objetivo da obra ou da interpretação que segue os métodos hermenêuticos tradicionais.

A interpretação de um texto bíblico, por exemplo, poderia ter diversos significados, não sendo possível determinar qual o verdadeiro sentido. Este, não é intratextual (dentro do texto), mas extratextual (fora do texto). O significado do texto, portanto, é relativo, não sendo possível jamais chegar a verdade sobre o que ele afirma. Todo significado ou interpretação de um texto bíblico, na concepção desconstrutivista do estruturalismo e pós-estruturalismo, é indeterminada, e por isso mesmo, relativa.

O estruturalismo, portanto, é muito mais do que um método aplicado aos textos, mas uma corrente filosófica aplicada a diversas disciplinas, já que todas usam o texto como principal ferramenta de comunicação.

 

2. A Pós-Modernidade

O pós-modernismo é de caráter eclético e pluralista. Trata-se de um movimento que se desloca em duas direções oblíquas: o da descontinuidade dos projetos da modernidade, e o da superação e transcendência da modernidade. O primeiro, é uma ruptura com todos os postulados e perspectivas iluministas, enquanto o segundo, trata-se de uma reconstrução dos projetos e perspectivas da modernidade. 

2.1. Pós-Modernidade como Descontinuidade

A pós-modernidade entendida como descontinuidade é uma ruptura com todos os postulados e “mitos” da Era Moderna. A modernidade configurou-se como um período que,desde a sua gênese, sonhava com um mundo perfeito, regido pelos princípios da razão, sem guerras e injustiças sociais, em que todos pudessem expressar livremente suas idéias. 

 a) Idade Média versus Modernidade

Não somos escusados de frisar que o surgimento da Modernidade constituía-se uma ruptura completa com a Idade Média. Além de secularizar definitivamente a sociedade, buscava uma cultura, política e filosofia autônomas, isto é, emancipadas da tutela do poder eclesiástico. 

De acordo com os ideólogos humanistas modernos, não existe qualquer tradição imemorial, qualquer revelação, autoridade, conhecimento privilegiado (intuições, axiomas, princípios fundamentais) que estejam além de qualquer dúvida, porque qualquer um desses estão fora da experiência e não pode ser usado como hermenêutica da própria experiência. Evidentemente, asseverações como estas, desejavam substituir as formas autoritárias direta ou indiretamente teocráticas do poder medieval pela liberdade humana. 

Embora muitos pensadores da Modernidade não eram ateístas, afirmavam categoricamente a autonomia do homem e as realidades terrestres. Na Idade Média o homem é orientado pela realidade celeste, metafísica, mas na Era Moderna, pela existência material e terrestre. A cosmovisão do homem medieval era teocêntrica, mas na modernidade antropocêntrica. A passagem de uma era à outra, implica na mudança de rumo, de cosmovisão, de perspectivas e de ênfase. O novo homem proposto pela modernidade nascente era antimetafísico e pragmático, ou seja, não estava interessado nas especulações abstratas, contemplativas, mas na funcionalidade e no resultado.

COMÉRCIO  CULTURA, ARQUITETURA, ARTE, FILOSOFIA, RELIGIÃO

Mudança do feudalismo para a burguesia. Substituição do feudalismo como modo de produção pelo capitalismo. 

Mudança dos estilos românicos e góticos para um estilo internacional.

O trabalho servil dá lugar à implantação do trabalho assalariado.

O Renascimento cultural firmando novos valores e princípios burgueses e, contestando os medievais. 

Mudança radical na cosmovisão Antiga e Medieval do mundo. 

Reforma protestante coroando o processo de decadência da Igreja Católica, a principal representante da ordem feudal, adequando a religião aos tempos modernos. 

Fim da crença de que a Terra era plana, da existência de sereias e monstros marinhos.

Fim das monarquias nacionais iniciadas durante a Baixa Idade Média, e início da Idade Moderna, com o surgimento dos Estados Absolutistas.

Mudança do eixo da atividade comercial do Mediterrâneo para o Atlântico.

Mudança do Renascimento para o Iluminismo.

b) Gerenciamento racional do homem

Segundo as crenças humanistas de origem renascentistas, que serviram como postulados à modernidade, somente o gerenciamento racional do homem era capaz de aperfeiçoar a humanidade por meio do progresso e, conseqüentemente, da tecnologia advinda. Era necessário romper com a estética tradicional, com a metafísica clássica, e a cosmovisão da Idade Média. Assim sendo, a racionalidade científica e técnica e, tudo o que o cientificismo tem a oferecer ao homem, o emancipa dos laços da religiosidade. 

Aos olhos dos humanistas seculares, a religião não é apenas uma ideologia alienante como também os ensinos de uma divindade absoluta e de uma ética e moral universais fundamentados neste único Deus são falsos. 

c) Desencanto no projeto da modernidade

Muitos dos projetos iluministas e marxistas decepcionaram até mesmo seus mais respeitados pensadores. Um deles, Eric Hobsbawm, um dos maiores historiadores do século, afirmou que “transformar o mundo era muito mais difícil do que se pensava. Como historiador, hoje não acredito mais na capacidade de fazer previsões, tal como muitos marxistas e eu mesmo fazíamos. Quanto a Marx, não se deve aceitá-lo literalmente. Não se pode lê-lo como muita gente lê a Bíblia.” (Veja, 5 de abril, de 1995, p.8). 

A Modernidade, como afirma o “cavalheiro do marxismo”, não cumpriu com os postulados, projetos e utopias profetizados. Restou apenas o vazio, o desencanto, a suspeita nas metanarrativas, que segundo Jean-François Lyotard (1984), “são os princípios orientadores e mitologias universais que um dia pareceram controlar, delimitar e interpretar todas as diferentes formas da atividade discursiva no mundo”.  

Para Lyotard, as duas narrativas propaladas pela ciência são a política e a filosófica. A primeira legitima a ciência apelando para a liberdade, enquanto a segunda, ao facilitar o aumento do conhecimento. Essas narrativas definem o que pode ser dito e feito na cultura em questão, e como elas mesmas são partes dessa cultura, são legítimas pelo simples fato de fazerem o que fazem.

Para retomar de outro modo, a especificidade do problema, somos desafiados pela urdidura do texto, a entender o conceito de metanarrativa a fim de tornar o tema mais compreensível. Metanarrativas são certas histórias culturais difundidas e partilhadas pelas quais um grupo social, ou sociedade exprime suas verdades, idéias e ideais de sua cultura. Uma das principais metanarrativas do modernismo é a de que a verdade científica é objetiva e verdadeira. Quando você ouve ou vê um comercial que alia certo produto ao comentário de um médico ou cientista, você está observando a manifestação de uma metanarrativa. O produto é bom porque a ciência comprova-o de fato. Se a ciência atesta, não há razão para discordar. 

A pós-modernidade, no entanto, se opõe a todo tipo de metanarrativa e instituições que a legitimam. O Cristianismo, por exemplo, possui suas metanarrativas. Seu discurso do que é certo ou errado fundamenta-se nas Sagradas Escrituras, no discurso de seus teólogos, filósofos e da tradição. Na comunidade cristã, a verdade é universal e absoluta e, conseqüentemente, derivam do Deus único e verdadeiro. Quando se discute um tema de bioética e busca-se a opinião de um teólogo e a de um cientista, você está acompanhando a explicação de duas metanarrativas distintas que podem concordar ou discordar entre si, segunda as tradições em jogo. As metanarrativas conformam-se geralmente com as cosmovisões dos grupos sociais. Entretanto, a destruição dos metadiscursos implica na formulação e existência de outros. Logo, o pós-modernismo é contraditório, pois apregoa a destruição dos metarrelatos ao mesmo tempo em que se afirma em outros. 

Os conflitos entre os metarrelatos estão muito mais presentes e generalizados do que pensamos. Na sala de aula da 3ª série do ensino fundamental, a professora de Ciências afirmou que o “homem procede do macaco”. Um aluno cristão de 9 anos, filho de pais evangélicos e aluno da Escola Dominical, retrucou: “A professora nunca leu Gênesis capítulos 2 e 3?”.

d) A crise da Era Moderna

A pós-modernidade entendida como descontinuidade ou anti-modernidade, profetiza a descentralização e ruína do mito do progresso, de um paraíso na terra, do abandono da cosmovisão cristã, e dos metarrelatos religiosos. Segundo os pós-modernistas não há razão histórica, religiosa e dialética para sustentar a idéia ilusória de uma ética e moral universais. Consideram que a modernidade prometeu “ser luz”, mas na realidade deixou todo o mundo no escuro! A razão iluminada do Iluminismo não foi suficiente para satisfazer as necessidades mais básicas da existência humana. Segundo Lyotard, o pós-modernismo assinala o fim da ciência, pois a mesma é incapaz de atingir os seus objetivos e de expulsar o mythos do reino do conhecimento. 

As falhas do projeto da modernidade deixaram o homem sem um referencial além de si próprio. O retorno ao misticismo, proporcionado pelo pluralismo, é o reflexo da insatisfação geral com os postulados da racionalidade e do cientificismo que não cumpriu seus projetos de um mundo cada vez melhor. Provavelmente, esta é uma das razões pelas quais há um clima de insatisfação e suspeita coletiva contra tudo que se propala pelos racionalistas. Como conseqüência dessa falta de referencial, um marxista ao mesmo tempo em que continua postulando a filosofia humanista, pode aceitar, sem qualquer preconceito, a reencarnação ou ser adepto da ufologia mística.

Isto posto, o pós-modernismo prega a ruptura com o homo racionalis, o cientificismo, a instrumentalização técnica da razão e com a própria razão, elevada à classe divina. Acentuam ainda que a crescente tecnificação, aliada a uma economia depredadora, pôs em perigo a viabilidade da vida humana, do planeta, e de seus ecossistemas.

No gráfico a seguir, apresentamos uma comparação entre alguns postulados modernos em contraste com a anti-modernidade sustentada pelo pós-modernismo.

 

MODERNISMO PÓS-MODERNISMO
1. A verdade é universal e absoluta. 1. A verdade é local e relativa.
2. Propagação do Cristianismo. 2. Crescimento das religiões orientais.
3. Sociedade industrial.  3. Sociedade de informações.
4. Sonho de um mundo perfeito regido pela razão. 4. Sucessivas guerras desacreditaram o sonho da modernidade.
5. Confiança no progresso movido pela tecnologia e indústria. 5.  Reconhecimento de que a tecnologia e a indústria estiveram destruindo o homem e da natureza.
6. Símbolo: a indústria.  6. Símbolo: o computador; as tecnologias de informação.
7. Cultura judaico-cristã.  7. Multiculturalismo.

2.2. Pós-modernidade como continuidade ou sobre-modernidade

A pós-modernidade entendida como sobre-modernidade, entretanto, considera os aspectos positivos da Era Moderna, suas conquistas e projetos. Procura corrigir seus excessos fazendo uma crítica a seus mitos. Enquanto a anti-modernidade procura a completa ruptura com a modernidade, a sobre-modernidade procura redirecioná-la.

Portanto, o conflito da pós-modernidade não afeta apenas a sociedade secularizada, influenciada pelo humanismo anticristão. Como crise de nossa contemporaneidade afeta na raiz, a consciência religiosa e teologal da cristandade. Mais que um desafio, a pós-modernidade é para o cristão um movimento que não pode ser ignorado, mas compreendido e avaliado segundo a ótica cristocêntrica.

1. LYOTARD, J.F. A condição pós-moderna. 6. ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.

2. ANDERSON, Perry. As Origens da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.

3. HARVEY, David  Condição Pós-moderna: uma pesquisa sobre a origem da mudança cultural. São Paulo: Ed. Loyola, 2003.

 


Você pode:
- fazer download desta lição* - 3kb
- fazer download dos slides da lição* - 640kb

* é necessário possuir programa de descompactação. Caso não o tenha, faça o download

Veja também:
- Outras lições
- Artigos
- Mapas e ilustrações


voltar para a página anteriorvoltar voltar para o início da páginatopo