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Leitura
Bíblica em Classe
Gn 12.1-5
Introdução
São muitos os exemplos de fé
descritos na Bíblia, mas destaca-se, com especial tratamento,
o de Abraão, o qual é denominado “pai da fé”. A palavra
fé, do ponto de vista escriturístico, tem o significado básico
de “fidelidade” (Dt 32.4; Sl 36.5; 37.3). Na verdade, o
estudo da vida de Abraão é de grande valor pelo fato de ser
ele o pai da nação eleita – Israel, e pai na fé de todos
os que crêem em Deus. A sua chamada divina se reveste de um
caráter especial, por ser o ponto de partida para a formação
do povo que, em meio aos cananeus idólatras, serviria a Deus,
como único, invisível e verdadeiro Deus.
Palavras-chaves
Abraão; Peregrinação; Chamada
I. A VIDA DE ABRAÃO ANTES DA SUA
CHAMADA
Depois do juízo divino do
Dilúvio e a confusão das línguas de Babel, os povos
descendentes de Sem, Cão e Jafé espalharam-se sobre a face
da terra. Conforme a genealogia de Abraão, sua descendência
veio de Sem, a linhagem da promessa messiânica (Gn 11.10-26).
1. O primitivo nome de Abraão.
Seu nome original Abrão (Gn 11.26) significava “pai
elevado”, ou “pai das alturas”. Posteriormente,
depois de uma aliança feita com o Deus Altíssimo, seu nome
passou a chamar-se Abraão que significa “pai fecundo” ou
“pai de uma multidão”(Gn 17.5).
2. Os ancestrais de Abraão. Abraão
é descendente de Sem, um dos filhos de Noé, através de Tera
(Gn 10.10,26), o décimo na linhagem genealógica que vem de
Sem. A cidade de Ur, onde nasceu e viveu Abraão e sua família,
ficava na antiga Sinar ou Suméria, situada a 160 kms a
sudeste de Babilônia, junto à foz do rio Eufrates. Toda
aquela região é hoje conhecida como Iraque.
O antigo nome da região, Sinar,
vem de “Sin”, o “deus-lua” adorado naquela cidade.
Logo, conclui-se que os progenitores de Abraão não conheciam
o Deus verdadeiro; eram idólatras (Js 24.2,14,15). Como Abraão
veio a conhecer o Todo-Poderoso, não está revelado.
3. A esposa de Abraão, Sara (Gn
11.29-31; 12.5). Quando Deus ordenou a Abraão que saísse de sua
terra e do meio de sua parentela, naturalmente, isso não
significaria ele abandonar a sua esposa, então chamada Sarai.
Ela estava inclusa no plano de Deus para ser a mãe de uma nação
especial. O antigo nome dessa mulher, Sarai, significa
“princesa”, mas após o encontro de Deus com Abraão, seu
nome passou a ser simplesmente Sara, para denotar o seu
futuro papel de “mãe de muitas nações” (Gn
17.15,16). Deus não separa casais, nem desfaz casamentos,
isto acontece pela maldade humana, quebra da lei divina e pelo
pecado, como Jesus deixou claro em Mateus 19.8. O Eterno quer
que todos os cônjuges permaneçam unidos para o cumprimento
dos seus desígnios.
II. A CHAMADA DE ABRAÃO
Deus chamou a Abraão do
meio de um povo idólatra. Diz a Escritura que Ele mesmo
apareceu a Abraão estando ele na casa de seus pais (At
7.2-4). Abraão vivia em um mundo corrupto e idólatra e
daquele meio Deus o cercou de todas as promessas e pôs-lhe na
frente um alvo supremo: ser o pai de muitas nações, e entre
estas, uma seria especialmente designada pela presciência
divina para ser a representante dos interesses do Altíssimo
na terra.
1. A tríplice ordem de Deus a
Abraão (Gn 12.1). Na
Chamada de Deus a Abraão, há três determinações nas quais
estão a essência do plano divino para ele. A primeira foi:
“Sai-te da tua terra”, isto é, Deus tinha uma outra
terra, fértil e promissora para ele viver. A partida era
indefinida e o lugar para onde ele iria era desconhecido por
eles. O grande patriarca deveria partir, independente do
desconhecimento dos detalhes. Na verdade, o que Deus queria
era que Abraão partisse sem olhar para traz, ou sem pensar em
retorno. A terra onde ele habitava seria um transtorno para os
planos divinos. Sua saída de Ur dos Caldeus deveria ser para
ele um desprendimento completo; uma renúncia total, material,
social, e espiritual.
A segunda ordem de Deus foi:
“sai-te do meio da tua parentela”. Com exceção da sua
esposa Sara, ninguém mais da família deveria acompanhá-lo
naquela peregrinação à terra que Deus lhe havia designado.
Mas Abraão, constrangido pela idade do seu velho pai Terá,
decidiu levá-lo também. Ainda, um sobrinho muito ligado à
família, chamado Ló, resolve unir-se ao patriarca na viagem.
Esses laços familiares deveriam ter sido evitados para que
Abraão e sua esposa não tivessem qualquer impedimento no
caminho preparado por Deus.
Viajaram quase 1000 kms e
chegaram a Harã. Ali o idoso Terá não pode mais prosseguir
a jornada. Custou caro a Abraão cortar esses laços
familiares. Ele deveria ter obedecido a Deus sem reservas e,
então, sua viagem de fé teria o devido êxito.
A terceira exigência divina foi:
“vai para a terra que eu te mostrarei”. A terra prometida
a Abraão estava muito além de Harã (Gn 17.8; At 7.4). A
esta altura aprendemos uma lição preciosa. Quando Deus nos
chama nada deverá nos prender a este mundo, porque Ele cuida
de tudo.
2. Abraão vai para Harã e Siquém
(Gn 12.4-8). Abraão acumulou riquezas em Harã, mas o seu coração
não estava naquele lugar. Ele decidira fazer toda a vontade
de Deus e partiu de Harã para Canaã, chegando a Siquém. Seu
pai já havia morrido e nada mais o deteria em Harã. Sua fé
em Deus lhe deu forças para prosseguir. Em Siquém, o Senhor
lhe apareceu, reafirmou-lhe as promessas anteriormente feitas
e mostrou-lhe toda a terra dos cananeus, a Canaã prometida.
3. Abraão muda de Siquém para
Betel (Gn 12.8). Foi em Betel, “casa de Deus”, que Abraão
edificou um altar ao Senhor. Agora, naquelas terras, Abraão
sabia que, no tempo próprio, ele as teria como cumprimento
das promessas divinas. Betel, daqui para a frente, sempre
lembrará ao crente um lugar de oração, de encontro com
Deus, de decisões importantes na vida espiritual.
III. O CARÁTER DA CHAMADA DE
ABRAÃO
A chamada de Abraão tem
caraterísticas valiosas para o nosso ensino. O Deus que
chamou Abraão é o mesmo que continua chamando e convocando
homens e mulheres para o cumprimento de seus desígnios.
1. A soberania de Deus. A
soberania divina manifesta-se na vida de Abraão. Deus via
nele o homem certo para cumprir sua vontade. Ao mesmo tempo,
essa soberania manteve o livre-arbítrio de Abraão, o qual
estava livre para obedecer ou não a convocação de Deus.
Naturalmente, Deus pode escolher uma pessoa desde o ventre de
sua mãe e investir nela o conhecimento de sua soberana
vontade, mas entendemos que essa pessoa pode fugir ou
desobedecer a vontade divina. No caso de Abraão, o texto de
Neemias 9.7,8 deixa implícito seu caráter moral como
requisito para a chamada divina.
2. A escolha de Abraão por Deus.
Tenhamos em mente que Deus não faz acepção arbitrária de pessoas.
Com Abraão Deus inicia uma dispensação especial, a dispensação
da promessa e, dentro dessa dispensação, Deus seleciona e
escolhe pessoas para cumprirem missões especiais. Abraão foi
escolhido por Deus para ser pai de uma nação que o adoraria
e representaria seus interesses na terra perante todas as nações.
Primeiro Deus escolhe um homem, Abraão; depois, da sua
semente, escolhe uma tribo, Judá e, dessa tribo, escolhe um
rei, Davi; e através da descendência de Davi, Deus traz ao
mundo, seu Filho Jesus, como o Verbo encarnado, para ser o
Salvador do mundo.
CONCLUSÃO
A chamada divina feita a
Abraão coloca-o entre aqueles que Deus em sua presciência
conhecia e, por isso, o escolheu para ser o homem a cumprir os
seus desígnios. Abraão foi obediente à chamada divina e
pautou toda sua vida pelo princípio de fazer a vontade de
Deus.
Referências Bibliográficas:
A
síndrome do canto do galo. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
O
Pregador eficaz.16.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
Abraão: as experiências de nosso pai na fé.
Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
Visite o blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot.com
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