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Leitura
Bíblica em Classe
Êx 3.1-10
Introdução
I. Os primeiros anos de Moisés
II. Temperamento controlado por
Deus
III. Características indispensáveis
ao líder
Palavras-chaves
Moisés; Faraó; Egito; Fé.
Os primeiros quarenta anos da vida de Moisés
O nome Moisés procede do verbo
hebraico māshâ, "tirar" ou "extrair" (Sl
18.16). Moisés, no hebraico Mōsheh, surge no texto onomástico
de Êxodo 2.10 como um trocadilho de meshîtihu: "e chamou
o seu nome Moisés e disse: Porque das águas o tenho tirado [meshîtihu]".
Assim como afirmamos a respeito
da mudança de nome de Sarai para Sara, podemos reafirmar também
nesse contexto. A relação entre os nomes próprios e seu étimo
é menor do que o contexto que o determina. Portanto, não é
objetivo do literato apresentar o nome com base
especificamente em sua raiz, mas no Sitz
im Lebem, isto é, no contexto de vida ou vivencial do
personagem.
Entretanto, o nome não é mais
importante do que o caráter do homem; e o fato crucial da
passagem de Êxodo 2.10 não é a identidade do personagem,
mas a preservação divina do pequeno Moisés. Isso facilmente
é observado quando percebemos que nomes com a mesma raiz de mōsheh
eram comuns no Egito. Os Faraós Thutmose, Ramsés
são apenas dois nomes que podemos destacar imediatamente. Diz
Josefo que "mo" em língua egípcia, significa
"água" e "isés", "preservado"
(2005, p.140), razão pela qual o nome era comum entre
eles.
O biblicista Victor Hamilton com
muita propriedade afirma que "Moisés não é apenas quem ele é, mas também o que
ele é. Seu nome é sua missão" (2006, p.158).
Ele recebe um nome que está
relacionado tanto à sua vida quanto à vida de seu povo:
ambos serão "tirados". Razão pela qual os argutos
tradutores da Septuaginta traduziram o nome hebraico
"Estes são os nomes", título hebraico do livro (Êx
1.1), por Êxodo, que significar "sair",
"tirar", "extrair". Moisés não foi
apenas "tirado" das águas, mas também seria aquele
que "tiraria" o povo de Deus da escravidão do
Egito.
Uma vez adotado, provavelmente
pela rainha Hatshepsut (1504-1482 a.C.), filha de Totmés I e
mulher de Totmés II, Moisés foi educado em toda "a ciência
dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras"
(At 7.22). Criado entre os príncipes, Moisés aprendera toda
a ciência do Egito. Segundo o comentarista Antônio Neves de
Mesquita, em uma de suas muitas obras, Moisés foi educado e
versado em matemática, astronomia, geografia e ciências
ocultas, moraram com os sacerdotes e aprendeu todos os mistérios
da religião egípcia (1980, p.98). Josefo afirma que Moisés
crescia e demonstrava muito mais espírito e inteligência que
o permitido por sua idade: "Mesmo brincando, dava sinais
de que um dia seria alguém extraordinário" (2005,
p.140). A princesa fê-lo educar, afirma Josefo, "com
grande desvelo, e quanto mais os hebreus se alegravam tanto
mais os egípcios se atemorizavam" (2005, p.140). Afirma
o historiador judeu, que Moisés foi ordenado general de todo
o exército egípcio para lutar contra os etíopes que, aos
poucos, invadiam e conquistavam as terras egípcias.
Destacando-se como estrategista militar eficiente, acrescenta
Josefo, que o Faraó invejou a Moisés e a fama do mesmo que
percorria todo o Egito.
Porém, quando completou
40 anos, ao visitar os seus irmãos hebreus, Moisés mata um
egípcio que maltratava um dos escravos hebreus (Êx
2.11,12).
Moisés nessa época já
houvera discernido a vontade de Deus para sua vida. Atos dos
Apóstolos afirma que Moisés "cuidava que seus irmãos
entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão;
mas eles não entenderam" (7.25). Pouco tempo depois ao
arbitrar e interferir na querela entre dois hebreus, Moisés
descobre que o fato de ter matado um egípcio já se tornara
assunto corrente. Temeu pela sua vida, e com muita razão,
pois a lei que prevalecia nesse período era "olho por
olho, dente por dente". Faraó soube do caso; sente-se
traído por Moisés e decreta-lhe a morte (Êx 2.15). O
literato da Epístola aos Hebreus vislumbra a fé de Moisés
ao se retirar do Egito: "Pela fé, deixou o Egito, não
temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível"
(11.27). Segundo o biblicista Charles Pfeiffer, "tentando
redimir Israel à sua maneira e na sua hora, Moisés
fracassou. Mas na hora de Deus ele foi chamado para libertar
à maneira de Deus e pelo poder de Deus" (1990, p.70).
Referências Bibliográficas
HAMILTON, V. P. Manual
do Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
JOSEFO, F. História
dos hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém. Obra
Completa. 9.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
MESQUITA, A.N. Povos
e nações do mundo antigo: uma história do Velho Testamento.
3.ed., Rio de Janeiro: JUERP, 1980.
PFEIFFER, C.F.; HARRISON, E. Comentário bíblico Moody. São Paulo: Imprensa Batista Regular,
1990.
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