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Leitura
Bíblica em Classe
Gn 12.4,5; 1 Pe 3.1-6
Introdução
I. Contexto da vida de Sara
II. O Caráter de Sara
III.
Recomendações bíblicas aos maridos
Conclusão
Tema deste subsídio: Sarai: uma visão crítica da ação
de Sarai
Autor: Pr. Esdras Costa Bentho[i]
[i] Autor das obras Hermenêutica
Fácil e Descomplicada e A
Família no Antigo Testamento – história e sociologia,
ambos editados pela CPAD. Visite o blog do autor: www.teologiaegraca.blogspot.com
Palavras-chave
Abraão; Sara; Sarai; Concubinato; Promessa; Fé.
I.
Mais informações sobre a lição.
Introdução
A proposta deste ensaio é refletirmos a respeito de
algumas considerações pertinentes à vida de Sara,
principalmente no que diz respeito aos seus atos como esposa.
Seguimos uma orientação diferente da lição, apresentando a
influência de Sara em algumas decisões de Abraão, entre
elas, o da concubinagem com Agar.
Sara,
seu nome seu destino
O substantivo próprio Sara,
é uma transliteração do substantivo hebraico śārâ, cujo sentido literal é "princesa",
"rainha" ou "dama da corte". É o feminino
de śar, isto
é, "príncipe".
O sentido, como é corrente em inúmeros textos onomásticos[i]
é imediatamente informado: "e
será mãe das nações; reis de povos sairão dela"
(Gn 17.16). O nome "Sarai", do hebraico śārây,
e "Sara", ao que parece, são cognatos, isto é,
possuem um étimo comum. O sentido está muito mais no
conceito estabelecido pelo próprio contexto do que no
significado etimológico, uma vez que o sentido de śārây,
segundo Strong, "dominadora", está no mesmo
campo semântico de śārâ. [ii]
Mas, assim como Abrão, "pai exaltado", tem seu
nome alterado para "Abraão", "pai de uma
multidão" (Gn 17.5), e com isto uma nova ênfase quanto
ao destino e vida do patriarca, assim também em Sara é
assinalado uma nova vida e missão. Sarai a estéril, será
chamada e conhecida como "Sara, a mãe de reis e príncipes".
O nome Sara enfatiza a função e participação da mulher
de Abraão nas promessas e alianças feitas ao patriarca. A bênção
sobre Abraão também é dádiva graciosa sobre a vida de
Sara. O mesmo Deus que muda os nomes é o mesmo que transforma
a história de vida e destino de seus filhos. O novo nome além
de celebrar o pacto de Deus com Abraão, marca uma mudança de
rumo na história dos povos. Reis e príncipes procedentes de
Sara dirigirão a vida dos povos; o Messias, descendente de
Abraão (Gl 3.16) regerá as nações hostis com vara de ferro
(Sl 2).
Observe que em Gênesis 16.1 o nome Sarai aparece
relacionado à esterilidade da mesma: "Ora, Sarai, mulher
de Abraão, não lhe gerava filhos". Sob este nome estava
condicionada a humilhação de esposa do patriarca. Embora
"princesa", no que diz respeito à sua condição de
mulher e de esposa, não era superior à condição da escrava
egípcia, Agar:
“Disse Sarai a Abrão: Seja sobre ti a afronta que se faz
a mim. Eu te dei a minha serva para a possuíres; ela, porém,
vendo que concebeu, desprezou-me. Julgue o Senhor entre mim e
ti. Respondeu Abrão a Sarai: A tua serva está nas tuas mãos,
procede segundo melhor te parecer. Sarai humilhou-a, e ela
fugiu de sua presença” (Gn
16.5,6 – ARA). Voltaremos a esse episódio mais adiante, no
entanto, aqui observamos que a condição de
"princesa" da tribo era marcada pelo conflito de não
gerar filhos. Em nossa obra, A Família no Antigo
Testamento, dedicamos um capítulo para discutirmos as
causas da poligamia entre os patriarcas hebreus, dos quais a
esterilidade era uma das causas prementes.
Sarai
e seu drama
O
nome de Sarai está ligada ao drama da esterilidade (ver Gn
11.30), enquanto Sara à promessa da maternidade (cf. Gn
16.5,6; 17.15-22). Antes de tornar-se agraciada pela promessa
divina, Sarai usou os recursos legais disponíveis para
ludibriar a sua incapacidade física de gerar uma criança.
Valendo-se de leis como as de Nuzi, ou de Hamurabi (veja a
nossa obra Família no Antigo Testamento), Sarai pensara que
em Agar resolveria o problema da esterilidade.
Neste episódio observamos o quanto Sarai estava determinada a
gerar uma criança, nem que para isso colocasse sua família
em risco. Uma falha pela qual ela seria também lembrada. As ações
da mulher cristã também determinam o modo como será
lembrada. Por falta de discernir concretamente a vontade de
Deus já apresentada a Abraão em Gênesis 15.1-6, Sarai
convence seu marido a entrar em conúbio com a escrava Agar. O
discernimento espiritual deve ser uma prioridade; os problemas
cotidianos não devem ofuscar a visão espiritual da mulher
que crê. Percebemos neste fato o poder de argumentação de
Sarai e a influência da mesma sobre o patriarca. Uma mulher
ardilosa ou sábia pode alterar os rumos de uma família ou nação.
Sarai era uma mulher linda, porém ardilosa. A beleza é uma bênção,
mas acompanhada de ardil é uma ferramenta austera (Et
2.2,16,17;5.1ss). Lembremos que a Abraão o Senhor falou
diretamente impedindo-o de fazer seu escravo como herdeiro e
também lhe fez uma promessa a partir de seu descendente
natural (Gn 15.1-6; 17.1-10). Diz a Bíblia que Abraão
"creu no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça"
(Gn 15.6; Gl 4.3), mas aqui observamos Sarai influenciando
negativamente a fé do patriarca. Fato pelo qual Sarai
lamentará profundamente. Sarai, como diz a nossa lição, era
uma mulher submissa, no entanto, não podemos deixar de
considerar seu poder de persuasão sobre o patriarca. Se
Strong estiver certo quanto ao significado do nome śārây,
"dominiadora", talvez nesse episódio possamos tirar
uma ilação. Sarai era também uma
líder na administração e organização dos escravos domésticos,
razão pela qual escolheu friamente a escrava que seria
concubina de Abraão.
Agar uma vez
concebido e dado à luz uma linda criança, voltou-se contra
Sarai, desprezando-a de sua condição de mulher e esposa.
Pode ser que Agar pensasse que teria a primazia, pois estava
gestante e não muito tempo depois seria mãe em lugar de sua
senhora. Entretanto, a lei determinava que o filho seria
entregue a Sarai, e esta, e não Agar, seria a mãe do menino.
Com este ato Sarai comprometeu a linhagem santa e a descendência
de Abraão; pôs em risco a promessa sobre a vida de Abraão.
Cansada de ser humilhada e não podendo vender Agar a qualquer
tribo beduína ou a outro parente, Sarai age de conformidade
com o Código de Hamurabi, que implicitamente concedia à
senhora o poder de tratar a escrava com austeridade. O preço
de sua incredulidade era "pago em suaves prestações"
de dor, agravo, descontentamento e aborrecimentos.
O vocábulo hebraico ‘ānâ (Gn 16.6) traduzido por
“humilhou” (ARA) ou “afligiu” (ARC) é a mesma que
descreve o sofrimento dos judeus no Egito em Êxodo 1.11 o que
pode significar que Sarai não apenas afligiu Agar
verbalmente, mas também lhe dando atividades que não era
capaz de executar, embora isso não descarte o espancamento ou
a tortura física.[i]
A incredulidade é o atalho mais curto, porém o mais perigoso
e doloroso. Neste episódio, Sarai, a despeito da vontade do
patriarca ordena que expulse a escrava e o seu filho Ismael (Gn
21.14-21). Abraão resignado, consente (Gn 22.11). Deus
manifesta-se ao patriarca, a fim de orienta-lo (Gn 22.12).
Baseados nesse texto, afirma os exegetas hebreus que Sarai era
melhor profeta do que Abraão.
Esdras Costa Bentho
www.teologiaegraca.blogspot.com
[i] Textos
onomásticos na exegese bíblica referem-se às perícopes
bíblicas que descrevem as mudanças de nomes dos
personagens, seguidos de sua interpretação.
[ii] Etimologia
ou étimo em hermenêutica refere-se à origem, raiz e
genealogia da palavra investigada.
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