Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas Mestre
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição A busca do caráter cristão
3º trimestre/2007


Lição 05 - Os dons do Espírito Santo



Leitura Bíblica em Classe

1 Coríntios 12.4-11


Esboço da Lição


Mais Informações sobre a Lição

Dons generosos do Espírito Santo

 

O ministério do Espírito santo e dos seus atos era a porção da Igreja Primitiva em farta generosidade (conforme o grego indica em Gálatas 3.5; Filipenses 1.19). A abundância dos dons e a maneira de se encaixarem nas necessidades do Corpo demonstram que a atuação de Deus é “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” (Zacarias 4.6).

Não há, porém, alguma ordem especial pela qual a Bíblia relaciona os dons. Romanos 12.6-8 começa com a profecia. 1 Coríntios 12.8-10 inicia com a palavra da sabedoria. As outras três começam com apóstolos. Alguns classificam os dons de acordo com a natureza deles, tais como: dons de revelação, de poder e de expressão vocal. Outros distinguem entre dons itinerantes, tais como apóstolos, mestres e evangelistas; e dons locais, tais como pastores, governos e socorros. Ou dividem-nos segunda a sua função: proclamação, ensino, serviço e administração. Todas essas divisões são legítimas, mas não há maneira de evitar a coincidência que aparece em qualquer sistema de classificação.

Alguns distinguem entre dons públicos e particulares, ou entre funcionais e oficiais. Mas, usualmente, desconhecem que cada cristão tem seu próprio dom ou ofício à sua disposição.

Outros distinguem entre dons extraordinários que são carismáticos, totalmente sobrenaturais, e que supõem (erroneamente) estarem além do controle do indivíduo (tais como a profecia, os milagres, as curas e as línguas) e os chamados de comuns, não carismáticos, que envolvem as capacidades humanas (tais como mestres, o ministério, o governar, o administrar, os socorros, a contribuição e o demonstrar misericórdia). Alguns vão mais longe nessa distinção, e sugerem que os apóstolos e profetas eram convenientes para estabelecer ou lançar os alicerces da Igreja (Efésios 2.20), não são necessários hoje. Mas Efésios 4.7-11 deixa claro que os apóstolos, profetas, evangelistas e pastores-mestres eram todos necessários no reestabelecimento da Igreja. Paulo não fazia distinção entre eles. Parece claro, também, que cada um desses ministérios envolve dons sobrenaturais. (Alguns acham que os profetas em Efésios 2.20 pertenciam ao Antigo Testamento. Mas Efésios 3.5 e 4.11 indicam distintivamente os profetas do Novo Testamento). 

A Bíblia não distingue, tampouco, entre os dons que são “mais sobrenaturais” e “menos sobrenaturais”. Todos fazem parte da obra do Espírito Santo através da Igreja. A declaração de Harold Horton de que todos os dons são “cem por cento milagrosos” com “nenhum elemento do que é natural” é levada a extremo por alguns. Ele mesmo diz, posteriormente, que a expressão do dom “pode variar de acordo com o ofício, ou até mesmo com a personalidade da pessoa através de quem é dado”.

Surge, aqui, um problema quando alguns dizem que dons tais como a profecia ou a palavra da sabedoria são totalmente sobrenaturais e devem ser manifestados de um modo independente e sobrenatural que indica essa natureza milagrosa deles. Não acham que esses dons têm algo a ver com o ensino ou a pregação. Paulo contrasta o que a sabedoria humana ensina com o que o Espírito doutrina, e indica que é o Espírito quem concede a sabedoria e o conhecimento para o pregador ou ensinador. O comentário de Donald Gee é apropriado: “Se nosso conceito do que é sobrenatural nos impede de ver os dons espirituais nos ministérios da pregação e do ensino, então fica claro que é necessário corrigir nosso modo de entender o significado de sobrenatural. Talvez, no caso de alguns, trata-se de confundir o espetacular com o sobrenatural”.  Na realidade, os dons são relacionados entre si, e cada um deles envolve uma variedade de manifestações, ou modos de expressão.

Três grupos de dons

Para maior conveniência, os dons são classificados em três grupos.

Primeiro: dons para o estabelecimento da igreja e para levá-la a uma maturidade em que todos os membros poderão receber seus próprios dons e contribuir para a edificação do corpo local (Efésios 4.11-16). Trata-se dos apóstolos, profetas, evangelistas e pastores-mestres que são escolhidos pelo Senhor, levados cativos por Ele, e dados como dons à Igreja. Em cada ministério, está envolvido algo mais do que uma manifestação ocasional do dom do Espírito. Assim como os primeiros apóstolos, esses são homens maduros e treinados, que não foram enviados até obterem experiência com o grande Mestre (Jesus, e depois o Espírito Santo que também é Mestre, o Espírito da Verdade). O ministério deles não era limitado a uma só igreja local. Mais cedo ou mais tarde, mudavam-se, porque tinham sido dados à Igreja.

Segundo: dons de edificação da igreja, através dos membros locais. Essas são manifestações dos dons espirituais que são dados à medida que são necessários e conforme o Espírito Santo deseja. Podem ser exercidos por qualquer membro da congregação. Mesmo assim, em alguns casos, nas congregações, um ministério pode desenvolver-se no contexto de algum dom, de modo que, nesse sentido, alguns possam ser chamados profetas, intérpretes ou operadores de milagres (1 Coríntios 12.29; 14.28). Mas isso não significa que “possuem” o dom no sentido de residir neles. São dons do Espírito, sendo que cada um é entregue conforme Ele deseja. É importante, também, que todos esses dons sejam ministrados no contexto da igreja. Há neles uma espontaneidade. Não devem, porém, ser exercidos segundo os próprios sentimentos da pessoa, mas segundo a orientação da Palavra (1 Coríntios 14), e os ditames da cortesia e do amor. Esses dons não tornam, tampouco, a pessoa independente da ajuda dos outros. Todas as epístolas de Paulo demonstram o quanto ele dependia do apoio e das orações dos membros das igrejas.

Terceiro: dons para o serviço e para alcançar os de fora. Estes incluem a administração, o governo, o ministério, a contribuição, os socorros, a misericórdia e a exortação. Outros também entram nesse grupo, por coincidirem parcialmente com os que já foram mencionados. A profecia, a fé, os milagres e as curas certamente contribuem para o alcance missionário.

HORTON, Stanley M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, pp. 284-286.


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