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Leitura
Bíblica em Classe
1 Coríntios 12.4-11
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Lição
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Dons
generosos do Espírito Santo
O ministério do Espírito santo e dos seus atos era a porção
da Igreja Primitiva em farta generosidade (conforme o grego
indica em Gálatas 3.5; Filipenses 1.19). A abundância dos
dons e a maneira de se encaixarem nas necessidades do Corpo
demonstram que a atuação de Deus é “Não por força, nem
por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor”
(Zacarias 4.6).
Não há, porém, alguma ordem especial pela qual a Bíblia
relaciona os dons. Romanos 12.6-8 começa com a profecia. 1 Coríntios 12.8-10 inicia com a palavra da sabedoria. As outras três começam com apóstolos.
Alguns classificam os dons de acordo com a natureza deles,
tais como: dons de revelação, de poder e de expressão
vocal. Outros distinguem entre dons itinerantes, tais como apóstolos,
mestres e evangelistas; e dons locais, tais como pastores,
governos e socorros. Ou dividem-nos segunda a sua função:
proclamação, ensino, serviço e administração. Todas essas
divisões são legítimas, mas não há maneira de evitar a
coincidência que aparece em qualquer sistema de classificação.
Alguns distinguem entre dons públicos e particulares, ou
entre funcionais e oficiais. Mas, usualmente, desconhecem que
cada cristão tem seu próprio dom ou ofício à sua disposição.
Outros distinguem entre dons extraordinários que são
carismáticos, totalmente sobrenaturais, e que supõem
(erroneamente) estarem além do controle do indivíduo (tais
como a profecia, os milagres, as curas e as línguas) e os
chamados de comuns, não carismáticos, que envolvem as
capacidades humanas (tais como mestres, o ministério, o
governar, o administrar, os socorros, a contribuição e o
demonstrar misericórdia). Alguns vão mais longe nessa distinção,
e sugerem que os apóstolos e profetas eram convenientes para
estabelecer ou lançar os alicerces da Igreja (Efésios 2.20),
não são necessários hoje. Mas Efésios 4.7-11 deixa claro
que os apóstolos, profetas, evangelistas e pastores-mestres
eram todos necessários no reestabelecimento da Igreja. Paulo
não fazia distinção entre eles. Parece claro, também, que
cada um desses ministérios envolve dons sobrenaturais.
(Alguns acham que os profetas em Efésios 2.20 pertenciam ao
Antigo Testamento. Mas Efésios 3.5 e 4.11 indicam
distintivamente os profetas do Novo Testamento).
A Bíblia não distingue, tampouco, entre os dons que são
“mais sobrenaturais” e “menos sobrenaturais”. Todos
fazem parte da obra do Espírito Santo através da Igreja. A
declaração de Harold Horton de que todos os dons são “cem
por cento milagrosos” com “nenhum elemento do que é
natural” é levada a extremo por alguns. Ele mesmo diz,
posteriormente, que a expressão do dom “pode variar de
acordo com o ofício, ou até mesmo com a personalidade da
pessoa através de quem é dado”.
Surge, aqui, um problema quando alguns dizem que dons tais
como a profecia ou a
palavra da sabedoria
são totalmente sobrenaturais e devem ser manifestados de um
modo independente e sobrenatural que indica essa natureza
milagrosa deles. Não acham que esses dons têm algo a ver com
o ensino ou a pregação. Paulo contrasta o que a sabedoria
humana ensina com o que o Espírito doutrina, e indica que é
o Espírito quem concede a sabedoria e o conhecimento para o
pregador ou ensinador. O comentário de Donald Gee é
apropriado: “Se nosso conceito do que é sobrenatural nos impede de ver os dons espirituais nos ministérios
da pregação e do ensino, então fica claro que é necessário
corrigir nosso modo de entender o significado de sobrenatural.
Talvez, no caso de alguns, trata-se de confundir o espetacular com o sobrenatural”.
Na realidade, os dons são relacionados entre si, e
cada um deles envolve uma variedade de manifestações, ou
modos de expressão.
Três
grupos de dons
Para maior conveniência, os dons são classificados em três
grupos.
Primeiro: dons para o estabelecimento da igreja e para levá-la a
uma maturidade em que todos os membros poderão receber seus
próprios dons e contribuir para a edificação do corpo local
(Efésios 4.11-16). Trata-se dos apóstolos, profetas,
evangelistas e pastores-mestres que são escolhidos pelo
Senhor, levados cativos por Ele, e dados como dons à Igreja.
Em cada ministério, está envolvido algo mais do que uma
manifestação ocasional do dom do Espírito. Assim como os
primeiros apóstolos, esses são homens maduros e treinados,
que não foram enviados até obterem experiência com o grande
Mestre (Jesus, e depois o Espírito Santo que também é
Mestre, o Espírito da Verdade). O ministério deles não era
limitado a uma só igreja local. Mais cedo ou mais tarde,
mudavam-se, porque tinham sido dados à Igreja.
Segundo: dons de edificação da igreja, através dos membros
locais. Essas são manifestações dos dons espirituais que são
dados à medida que são necessários e conforme o Espírito
Santo deseja. Podem ser exercidos por qualquer membro da
congregação. Mesmo assim, em alguns casos, nas congregações,
um ministério pode desenvolver-se no contexto de algum dom,
de modo que, nesse sentido, alguns possam ser chamados
profetas, intérpretes ou operadores de milagres (1 Coríntios
12.29; 14.28). Mas isso não significa que “possuem” o dom
no sentido de residir neles. São dons do Espírito, sendo que
cada um é entregue conforme Ele deseja. É importante, também,
que todos esses dons sejam ministrados no contexto da igreja.
Há neles uma espontaneidade. Não devem, porém, ser
exercidos segundo os próprios sentimentos da pessoa, mas
segundo a orientação da Palavra (1 Coríntios 14), e os
ditames da cortesia e do amor. Esses dons não tornam,
tampouco, a pessoa independente da ajuda dos outros. Todas as
epístolas de Paulo demonstram o quanto ele dependia do apoio
e das orações dos membros das igrejas.
Terceiro: dons para o serviço e para alcançar os de fora.
Estes incluem a administração, o governo, o ministério, a
contribuição, os socorros, a misericórdia e a exortação.
Outros também entram nesse grupo, por coincidirem
parcialmente com os que já foram mencionados. A profecia, a fé,
os milagres e as curas certamente contribuem para o alcance
missionário.
HORTON,
Stanley M. A doutrina do Espírito Santo. Rio de Janeiro:
CPAD, 2002, pp. 284-286.
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