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Leitura
Bíblica em Classe
Atos 13.1-9, 11, 12
Esboço da
Lição
Introdução
I. A Grande Comissão
II.
A Urgência da Obra
Missionária
III.
A Assistência do Espírito
na Grande Comissão
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Projeto Missionário Pentecostal.
Autor
Robson
Brito é líder da AD em Maringá (PR), bacharel em
Teologia e Direito, licenciado em Letras, Mestre em Teologia e
conferencista.
Palavras
Chaves
Missões; Missiologia;
Evangelical; Pentecostalismo.
Introdução
“Não atravessaria a rua para levar à Índia
uma nova teologia; a Índia tem mais teologia do que ela mesma
possa entender. Não atravessaria a rua para levar à China um
novo código de ética; a China conta com uma imensidão de códigos
morais. Não atravessaria a rua para levar ao Japão uma nova
literatura religiosa; o Japão dispõe de uma rica literatura
religiosa, mais expressiva até que sua própria vida
religiosa. Mas, iria, em volta do mundo, agora e em outras
oportunidades, segundo a vontade divina, para proclamar à Índia,
à China, ao Japão, à África e ao resto do mundo que: ‘Há
uma fonte carmesim/ que meu Jesus abriu/ no dia em que na cruz
por mim/ morreu e me remiu’”.
Com essa linguagem poética, W. F. McDowell deixa implícitos
alguns conflitos que têm ocorrido nesses tempos pós-modernos
que envolvem a ação da igreja para fora de suas fronteiras
geográficas, bem como mostra qual é o cerne da mensagem da
Grande Comissão, que temos a obrigação de proclamar até os
confins da Terra.
Há mais de um conceito dessa ação
da Igreja. Por isso, a seguir, veremos a distinção entre os
projetos missionários romanistas, o ecumênico e o
evangelical a fim de salientarmos o projeto missionário
pentecostal.
Projeto
Romanista
Os católicos romanos tentam agir missionariamente pelo
exposto no Concílio Ecumênico Vaticano II, a maior convocação
de bispos da História (de 1962 a 1966, em Roma). Nesse
conclave, os romanistas expuseram a preocupação e o desejo
de avançar com seus dogmas por todo o planeta, dizendo
estarem dispostos a dialogarem com todos os povos e
solidarizando-se com os mais pobres.
Na missiologia católica, vemos que na prática missionária
há alguns conceitos extremamente errados, os quais ainda são
praticados – principalmente aquele que decreta que “fora
da Igreja Romana não há salvação”.
Projeto
Ecumênico
O entendimento ecumênico sobre Missão passou a ser
paulatinamente construído a partir do final
do século 19 e no início do século 20. Foram
realizadas três outras conferências mundiais de Missão
pelos protestantes tradicionais: em Liverpool (1860), em
Londres (1888) e em Nova Iorque (1900). Todavia, o marco
principal para a construção de um conceito ecumênico de
missão foi a Conferência de Edimburgo, em 1910. Esse
conclave se torna o marco inicial do movimento ecumênico
mundial.
Foi uma enorme conferência, politicamente correta,
porque procuraram não discutir temas conflitantes e nem
tomaram quaisquer resoluções de caráter doutrinal ou
eclesiológico. No relatório final desse encontro, fala-se
“da necessidade de procurar implantar, em cada país não-cristão,
uma Igreja não dividida”. Até a realização dessa
conferência, houve um processo que envolveu as sociedades
missionárias e os respectivos missionários que estavam
espalhados pelo mundo. Na seqüência, foram realizadas outras
conferências, sendo uma das últimas em Salvador (1996). Em
linhas gerais, podemos afirmar que, nesses conclaves, o
conceito ecumênico de Missão foi-se transformando,
paulatinamente, sempre de acordo com a perspectiva que atendia
ao projeto missionário do momento.
O conceito de missão ecumênica está no propósito
declarado do Conselho Mundial de Igrejas, que é trabalhar uma
paz mundial e ter um mundo mais justo e uma sociedade
participativa. Mas, é preciso que se diga que a teologia
produzida nos referidos concílios não está embasada nas
Escrituras. Pelo contrário, fere princípios inegociáveis.
Ainda que ela use o mesmo vocabulário que usamos, sua
nomenclatura tem outro sentido. Ela não leva muito a sério a
salvação eterna, bem como a doutrina da punição eterna. A
Bíblia é usada muito fora de contexto.
O CMI é muito influente em algumas igrejas
(especialmente tradicionais) do Terceiro Mundo, porque ele
forneceu a essas igrejas um status
que
elas não tinham no passado, principalmente suporte financeiro para muitas
causas, principalmente as que eles dizem ser “de libertação
de regimes opressivos”.
Projeto
Missionário Evangelical
O termo “evangelical” é utilizado por Billy Graham
desde os anos 50. O termo surgiu para designar as igrejas e teólogos
que não são nem liberais e nem tão pouco fundamentalistas,
pelo menos no contexto norte-americano.
No Brasil, a expressão “evangelical” é usada
descuidadamente como sinônimo de protestante. Um dos maiores
expoentes dentro do evangelicalismo é John Stott, pastor
anglicano, autor de 34 livros e um dos expositores bíblicos
de maior renome entre os evangélicos. Stott foi redator do
Pacto de Lausanne. Reconhecidamente hábil na liderança e nas
teses que desenvolve em seus livros e palestras, ele tem tido
boa aceitação no Brasil. Até mesmo nossa CPAD publicou uma
ótima obra dele.
Os evangelicais, a partir da Grande Comissão, admitem
que o envio de missionários a todas as nações do globo
terrestre é de máxima importância. Para eles, a missão é
um instrumento da ação divina na História para a consumação
de seus propósitos às criaturas humanas. Porém, a
missiologia da maioria dos evangelicais é influenciada por
sua visão escatológica. De um lado, os evangelicais pós-milenistas
entendem que o milênio é de um tempo indeterminado e não
localizado geograficamente neste mundo, de modo que onde há
indivíduos que recebem Cristo e reconhecem sua soberania
sobre suas vidas, aí está o Reino de Deus. Com certeza, essa
forma de entender a Escatologia também influencia a falta de
vontade de alguns em fazer missões.
Por outro lado, os que são amilenistas acreditam que o
número mil de “milênio” é simbólico e deve ser
entendido como um tempo de “completude absoluta”, que fica
entre a Primeira Vinda e a Segunda Vinda de Cristo. Ele
governa simbolicamente no coração dos homens. Em função
disso, alguns amilenistas acabam reduzindo a missão
evangelizadora em missões sociais. É
preciso admitir que boa parte do investimento em Missões
no mundo é feito por este grupo. Para os evangelicais, a Missão
não é a simples “proclamação” do plano redentor salvífico,
mas também a proclamação de todos os atributos que
constituem este Reino. Por isso, alguns deles criticam a nós,
pentecostais, acusando-nos de pregar um Evangelho que somente
salva a alma, mas que não salva o corpo (aspecto social) e tão
pouco a mente (aspecto emocional).
Dizem que reduzimos o amplo
conceito de Missão à evangelização, em sua forma puramente
proselitista.
Alguns evangelicais chegam a declarar que o conceito de
Missão como puramente o envio de missionários às terras
distantes ainda não cristianizadas perdeu seu sentido. Para
eles, essa prática é “obsoleta”. Chegam a dizer que há
um sensacionalismo nos pentecostais, quando propomos uma
evangelização até os confins da Terra. Julgam que isso é
uma continuação da Teologia de Missões (catequética e
proselitista) da Igreja Romana desde seu período medieval.
De certa forma, têm razão quando dizem que o
Evangelho não pode ser pregado apenas em palavras. Esse
conceito foi amplamente defendido e explorado a partir do notório
Congresso Internacional de Evangelização Mundial em Lausanne,
Suíça, entre 16 e 25 de julho de 1974. Nesse evento, Missão
tomou o seu sentido mais amplo, como aquela que exerce
atividade profética sobre a sociedade.
Os congressistas chegaram à conclusão da necessidade
de se pregar o Evangelho aplicando seu conteúdo em todos os
seguimentos da sociedade, como na luta contra as misérias
sociais, corrupção política, econômica, entre outras. A
partir desta visão, foi que Stephen Neill declara que “a
era das missões chegou ao fim, começou a era da Missão”.
Na perspectiva missiológica evangelical, a Missão tem sua
essência voltada para o alcance não apenas do homem pecador
(indivíduo), mas também da sociedade pecadora.
Atualmente, no Brasil, na opinião do ex-batista, hoje
assembleiano, educador em Teologia, Eduardo Sales, o projeto
missionário evangelical continua apoiado sobre o pensamento
antigo, sem respeitar a cultura do destinatário, porque não
perceberam a realidade vivencial de missões, e estão presos
ao aspecto conceitual ou voltados unicamente para a
perspectiva social. Embora afirmem as idéias do Concílio de
Lausanne, na prática, missões, para eles, tem se tornado um
movimento mecânico. Semelhante à estrutura romanista,
“levam o Evangelho aos bárbaros”, vão até os confins da
Terra, exploram a Janela 10x40, mas não valorizam o indivíduo,
e sim o conteúdo.
Projeto
Missionário Pentecostal
Não seria exagero dizer que os pentecostais constituem
o povo mais apaixonado por missões. Há um apego deliberado
aos textos sagrados, onde aparece a chamada Grande Comissão.
Vemos na Bíblia de Estudo Pentecostal que
essa incumbência compromete todos os seguidores de Cristo, em todas as gerações,
também declara o alvo, a responsabilidade e a outorga da
tarefa missionária da Igreja.
Para os editores da BEP, a igreja deve ir a todo o
mundo e pregar o Evangelho a todos, em conformidade com a
revelação do Novo Testamento, da parte de Cristo e dos apóstolos.
Essa tarefa inclui a responsabilidade primordial de enviar
missionários a todas as nações (At 13.1-4).
Os pentecostais entendem que a intenção de Cristo não
é simplesmente o crescimento numérico de sua Igreja e nem
cristianização da sociedade ou muito menos assumir o
controle do mundo, mas, sim, que seus seguidores façam discípulos
Dele. Entretanto, ressalvam que os seguidores obedientes de
Jesus devem ir a todas as nações e testemunhar somente
depois que do alto sejam revestidos de poder conforme Lucas
24.49 e Atos 1.8. John V. York também faz essa mesma análise
quando declara que os pentecostais “vêem o poder do Espírito
Santo não como algo emocional, mas como uma benção disponível
a todos os crentes verdadeiros como um meio de realizar a
colheita. E este mesmo Espírito os capacitará para ministrar
às necessidades dos que clamam enquanto levam o Evangelho a
todas as nações”.
O pastor Loren Triplet, diretor executivo da Divisão
de Missões Internacionais das Assembléias de Deus, em
Springfield, Missouri, Estados
Unidos, em seu texto De volta ao básico em Missões,
expõe que o Movimento Pentecostal sempre levou a sério esse mandato de ir até
os confins da Terra. Para ele, a Grande Comissão não se
trata de uma grande sugestão; é uma ordem inalterável e
literal. Certos fatores básicos fornecem os fundamentos de
nossa visão e dever mundiais a todos os povos da Terra.
Triplet nos lembra que o derramamento do Espírito Santo,
ocorrido no início do século 20, assumiu responsabilidades e
visão missionárias imediatas. Havia uma força motriz dentro
daquele avivamento que só pode ser explicado pelo poder do
Espírito.
O novo avivamento pentecostal espalhou-se rapidamente
ao redor do mundo. Triplet vai fundo em seu conceito quando
preceitua que o pastor pentecostal cumprirá melhor suas
responsabilidades da Grande Comissão se entender e praticar a
verdade da capacitação da Grande Comissão. O missiólogo
americano é contundente: “O pastor pentecostal que não
leva a igreja a obedecer mundialmente à Grande Comissão é,
em termos, uma contradição. O pastor pentecostal terá um
coração missionário e reconhecerá que recebeu esse coração
missionário, quando
foi batizado com o Espírito Santo. Ser pentecostal é ser
missionário”.
George W. Peters apresenta o conceito defendido por W.
O. Carver que define missões como “a extensa realização
do propósito redentor de Deus em Cristo Jesus através de
mensageiros humanos”. Para o próprio Peters, “Missões é
a objetivação progressiva do propósito eterno e benevolente
de Deus que se origina em seu próprio ser e caráter e
envolve todas as eras, raças e gerações. (...) É a efetivação
histórica da salvação de Deus obtida em nome de toda
humanidade através de Cristo Jesus devido a sua encarnação,
morte e ressurreição. (...) É a realização prática da
obra do Espírito Santo neste mundo em nome do eterno propósito
de Deus e da aplicação efetiva da salvação, obtida através
de Cristo Jesus nas vidas de inúmeros indivíduos, tribos,
povos e inúmeras famílias”.
Opção
Pelo Engajamento
O projeto missionário pentecostal parece ser o que
mais privilegia o trabalho de cada crente das milhares
comunidades de fé esparramadas pelo mundo. As igrejas que
vivem o genuíno Movimento Pentecostal estimulam seus membros
à verdade de que missões não é tarefa de um grupo seleto
de clérigos.
Cada crente é desafiado a ser
uma testemunha de Jesus por ter a virtude do Espírito e
simplesmente por que Jesus determinou que fôssemos até os
confins da Terra (At 1.8). Vemos que, ao agirem assim, os
pentecostais mostram, mesmo que inconscientemente, que o modo
de entender missões remonta ao que Deus fizera com o
movimento dos irmãos morávios, liderados pelo conde Nicolaus
Ludwig von Zinzendorf.
A esse respeito Kenneth Latourette afirmou que o século
19 (grande século das Missões) foi marcado pelo
despertamento missionário. Naquela época, esse movimento deu
uma nova vitalidade às Missões devido às suas características
peculiares: (1) Cada cristão deveria entregar-se totalmente a
Cristo para trabalhar em qualquer lugar do mundo e com total
amor à família humana. (2)Cada cristão é um missionário e
deve compartilhar sua fé onde está. (3) Cada missionário é
um trabalhador e sustenta a si próprio e sua família.
Teólogos respeitados do Movimento Pentecostal
implicitamente admitem
a missio
Dei, mas sempre enfatizam a necessidade do revestimento de poder
para realizar a missão de Deus. Na obra Teologia Sistemática, editada por Stanley Horton, vemos
o capítulo escrito por Byron D. Klaus (Presidente do Seminário
Teológico da Assembléia de Deus em Springfield, Missouri) no
qual cita que para o cristão realmente entender o que ele
realmente é, faz-se indispensável a afirmação de que a
missão da reconciliação, revestida pelo poder do Espírito
Santo, fornece a essência de nossa identidade: “Somos um
povo vocacionado e revestido pelo poder do alto (At 1.8) para
sermos cooperadores de Cristo na sua missão redentora”.
Klaus cita Ernest Swing Williams, que, corroborando com essa
idéia, defende que, a partir desse raciocínio, “o que
significa ser um pentecostal está pelo menos parcialmente
incorporado à avaliação da natureza e do resultado do
batismo no Espírito Santo, conforme registrado em Atos 2. Os
pentecostais têm afirmado historicamente que esse Dom,
prometido a todos os crentes, é o poder para a missão”.
Byron D. Klaus ainda apresenta uma consideração
interessantíssima feita pelo célebre missiólogo pentecostal
Melvin Hodges, que declarou que os pentecostais recebem esse
nome “porque acreditam que o Espírito Santo virá aos
crentes nos tempos atuais assim como veio aos discípulos no
Dia de Pentecostes. Um encontro desse tipo resulta na presença
poderosa do Espírito, que passa a assumir a liderança. O
resultado também inclui manifestações evidentes do seu
poder para redimir e para levar a efeito a missão de
Deus”.
Muito relevante é o pensamento de John V. York, que,
na obra
Missões
na era do Espírito Santo, declara que o conceito de missão na perspectiva dos
pentecostais é definido a partir de seis paradigmas que
enfatizam a identidade pentecostal.
Para esse missiólogo, que deu 25
anos de sua vida na missão na África, o primeiro paradigma
refere-se ao fato de que os pentecostais acreditam que o Espírito
Santo tem sido derramado sobre a Igreja como um
revestimento de poder para discipulado das nações.
Em segundo lugar, a experiência pentecostal resulta na
convicção do pecado. Quando as igrejas não crescem, a
abordagem pentecostal desse problema é mais freqüentemente
espiritual do que metodológica: os crentes jejuam, oram e
partem em busca dos perdidos em seu meio até que algo mude.
O terceiro paradigma é uma forte identificação com
os pobres, os sofredores e os marginalizados da sociedade. Um
quarto aspecto dos pentecostais reside no fato de que eles têm
sido sempre o povo dos milagres. Para York, em geral, os
pentecostais enxergam seu próprio movimento como algo que
veio para corrigir: no sentido de restaurar na Igreja o senso
do sobrenatural roubado pelo Iluminismo. E, nessa perspectiva,
outro padrão é que os pentecostais esperam que haja
crescimento. Outro aspecto do paradigma pentecostal de missões
é um resgate efetivo do sacerdócio universal dos crentes.
Uma última marca do modo de ser da missão pentecostal é a
sua ênfase na centralidade da Bíblia como sendo a Palavra
escrita de Deus.
Portanto, o conceito de Missões na perspectiva
pentecostal é o que tem motivado o reavivamento e o
crescimento das igrejas pentecostais ao redor do globo,
especialmente nos países do Terceiro Mundo. Isso é um eloqüente
testemunho de que a forma de entender a Grande Comissão, por
parte do povo que tem se aberto para o enchimento do Espírito
Santo, tem operado em grande parte promovendo o Reino de Deus
pelos quatro cantos da Terra. David Barret informa que o
Movimento Pentecostal/Carismático cresceu de 16 milhões, em
1945, para 405 milhões, até 1990. Devemos glorificar a Deus,
com humildade e com senso de responsabilidade por Jerusalém,
por nossa Judéia, por nossa Samaria e até pelos confins da
Terra, mas podemos ser motivados apenas pela verdade de que as
dez maiores igrejas no mundo são pentecostais.
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