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Leitura
Bíblica em Classe
Hebreus
3.7-12
Esboço da
Lição
Introdução
I. Resistência
ao Espírito Santo
II.
Agravo ao Espírito Santo
III.
Entristecer o Espírito Santo
IV.
Mentir ao Espírito Santo
V.
Extinguir o Espírito Santo
VI.
Blasfemar contra o Espírito Santo
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Fundamentos
das exortações pneumatológicas em Hebreus.
Autor
Ev. Esdras
Costa Bentho, redator do setor de Educação Cristã e
autor das obras: Hermenêutica Fácil e Descomplicada e
A Família no Antigo Testamento – História e Sociologia,
ambos pela CPAD.
Palavras
Chaves
Empedernido;
Fé; Incredulidade; Admoestação.
Introdução
Prezado
professor, este subsídio tem como propósito fundamental
esclarecer o contexto e a exegese do texto da Leitura Bíblica
em Classe, a fim de que você relacione adequadamente a
leitura bíblica com o comentário da lição.
Aos
Hebreus é um dos mais belos escritos neotestamentários.
Muito embora seja classificada como uma epístola, sua
estrutura interna difere-se das características próprias de
uma carta. Apesar de o título “epístola aos Hebreus” ser
antiqüíssimo (o manuscrito p46 traz apenas Prós Hebraíous, “Aos
Hebreus”), a missiva provavelmente foi uma homilia ou um
conjunto homilético.
Os
recursos retóricos e estilísticos que dão motivo às
construções literárias, assinalam que a obra foi escrita
por um literato culto, profundo conhecedor da história e
contexto histórico-religioso do Antigo Testamento, mas que
prefere as citações da Septuaginta (Tradução grega do AT)
em vez das Escrituras Hebraicas.
O
tema da epístola é a “superioridade de Cristo” e do
“novo pacto” em relação aos líderes e alianças do
Antigo Testamento. As características sócio-econômicas e
histórico-religiosas pressupõem que a obra foi escrita para
um grupo de cristãos antes do ano 70 d.C. A etnia desses
cristãos é disputada, mas a consideração prevalecente é
de que se trata de cristãos de origem judaica, sejam judeus
helenistas ou palestinos, embora a primeira opção seja mais
adequada quando analisada as características peculiares de
cada grupo. Os propósitos pelos quais a epístola foi escrita
são facilmente encontrados ao longo do escrito: Advertir
contra a apostasia e exortar à maturidade cristã.
1
- A ênfase pneumagiológica
A
seção homilética que inicia em 3.1, com a conjunção
subordinada “hothen”, “portanto”, “por
isso”, “de que”, denota que o argumento concluído na seção
anterior, conduz conseqüentemente à constatação de que os
leitores deveriam “considerar atentamente o Apóstolo e Sumo
Sacerdote da nossa confissão, Jesus” (v.1).
No
entanto, a segunda seção, texto básico de nossa lição,
refere-se aos eventos históricos da vida de Moisés
registrados de Êxodo a Deuteronômio, como por exemplo, no
episódio em Meribá, quando o líder conduzia o povo de
Israel até aos limites do deserto, próximo à terra
prometida (Sl 95.7-11; Êx 17.1-7; Nm 20.1-13).
Nos
relatos descritos no livro de Números, a incredulidade dos
israelitas quanto às promessas de Deus, foi o entrave que os
impossibilitaram de receber o cumprimento da promessa. O
literato aproveita-se desse fato histórico para trazer uma
advertência aos seus leitores, que estavam em perigo de
rejeitar a Cristo e voltar ao judaísmo: “Portanto, como diz
o Espírito Santo” (Dió, kathōs legei to pneuma
to hagion).
“Portanto”,
ou “dió”, conjunção subordinada, introduz a citação
do Salmo 95.7-11, com ênfase pneumagiológica, pois o Espírito
Santo em vez do salmista que diz (legei):“Se ouvirdes
hoje a sua voz. Não endureçais os vossos corações, como na
provocação, no dia da tentação no deserto” (Hb 3.7,8).
A conjunção inferencial “dió”,
“portanto”, “por isso”, relaciona o contexto histórico
do deserto à situação histórico-salvífica dos cristãos
hebreus, estabelecendo um notável paralelo entre o
endurecimento do coração dos israelitas com a comunidade
judaico-cristã – destinatários da epístola.
Esse
paralelo, no contexto de fé da comunidade, é legitimado:
a)
Na associação da igreja como “povo do seu pasto e ovelhas
da sua mão”,
segundo o emprego no Salmo 95.7, para introduzir a
admoestação hínica.
b)
A relação do contexto da fé salvífica com a esperança
territorial dos
israelitas também é associada aos eventos de Meribá
e Massá – acontecimentos que se destacam na história das
rebeliões do povo judeu contra o Eterno. A
tradução da Bíblia Hebraica diz: “Não
permitais que se endureçam vossos corações como em Merivá,
como aconteceu em Massá, no deserto” (Tehilim 95.8, ver
Êx 17.1-7 e Nm 20.1-13).
O
termo “parapikrasmós”, traduzido por “provocação”,
literalmente significa “amarguramento” ou “amargura”,
sendo uma tradução do nome próprio hebraico “Meribá”,
que significa “conflito” ou “rebelião” (Sl 95.8). Já
o termo original correspondente a “tentação” é “peirasmós”,
tradução grega do nome hebraico Massá, cujo significado é
“tentação” ou “teste”.
c)
Assim como Deus falou “a congregação no deserto”,
por meio do Espírito Santo continua a falar à “assembléia
da graça”. Impossível não observar essa assonância entre
a voz do Eterno em Salmos 95.7 e a vós do Espírito em
Hebreus 3.7. O texto da Bíblia Hebraica diz: “Ele é o
nosso Deus e nós somos o seu povo. Ele é nosso pastor e nós
somos o rebanho que Ele guia nesse mundo, desde que sua voz
obedeçamos” (Tehilim 95.7) Ambas, na verdade, são a mesma
voz.
d)
Para sintetizarmos as várias ilustrações procedentes,
vejamos os paralelos
entre o povo de Israel e os leitores da epístola.
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ISRAEL |
LEITORES
DA EPÍSTOLA
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Escravidão
no Egito. |
Escravidão
no judaísmo.
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Saíram
do Egito com esperanças. |
Aceitaram
o cristianismo com entusiasmo. |
|
Em
função das dificuldades, Israel vacilou na fé. |
Os
cristãos-judeus estavam vacilantes na fé em função
das perseguições. |
|
Israel
intencionou voltar ao Egito. |
Alguns
cristãos estavam desejando voltar ao judaísmo. |
|
A
geração de Israel pereceu no deserto devido à
incredulidade. |
Os
cristãos-judeus pereceriam se persistissem na
incredulidade.
|
A
gravidade dessas comparações, bem como a importância desses
eventos históricos-salvíficos, podem ser observados segundo
a exegese paulina, que traduz esses acontecimentos históricos
como typikōs, tipos, figuras, prefigurações
que foram escritas para nossa admoestação, aviso e exortação:
“Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo (typikōs),
e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os
fins dos séculos” (1 Co 10.11). A história de Israel
prefigura a da Igreja (1 Co 10.6-13) [1].
O
endurecimento do coração do povo de Israel, referido no versículo
8, é uma advertência ao cristão moderno. “Não endureçais
o vosso coração” (Mē sklērynēte tas
kardias hymōn), é antecedido pelo termo akousēte
(presente
do subjuntivo do aoristo ativo),
“ouvirdes”, usado geralmente em expressões
condicionais, denotando a necessidade e urgência de
respondermos à voz de Deus com fé. Não responder
positivamente à voz de Deus por meio do Santo Espírito é
resistir-Lhe à vontade e agir segundo os próprios desejos e
orgulho da natureza pecaminosa.
O
pecado de incredulidade é a porta para todos os pecados
contra o Espírito Santo. “Endurecer”, procede de sklēros,
isto é, “duro de tocar”, que se traduz literalmente em Rm
2.5, por “teimosia”, “obstinação”, em Atos 7.51 ou
“empedernido” nos textos de Rm 9.8; Hb 3.8,13,15; 4.7. Em
Mateus 19.8, Marcos 10.5;16.14, encontramos
sklērokardia, “dureza de coração”. O
coração seco, empedernido, duro, não responde positivamente
à voz do Espírito, sendo, um dos primeiros pecados contra o
Espírito Santo. A conseqüência desta obstinação pode ser
a completa apostasia: Hb 10.26-32. Assinala o escritor aos
Hebreus “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo”
(v.31).
Notas:
1.
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada.
3.ed., Rio de Janeiro, CPAD, 2005,p.228.
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