Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Doutrinas Bíblicas Pentecostais
3º trimestre/2006


Lição 09 - Pecados Contra o Espírito Santo



Leitura Bíblica em Classe

Hebreus 3.7-12


Esboço da Lição

Introdução

I.    Resistência ao Espírito Santo

II.   Agravo ao Espírito Santo

III.  Entristecer o Espírito Santo

IV.   Mentir ao Espírito Santo

V.    Extinguir o Espírito Santo

VI.   Blasfemar contra o Espírito Santo

Conclusão


Tema deste Subsídio

Fundamentos das exortações pneumatológicas em Hebreus.

Autor

Ev. Esdras Costa Bentho, redator do setor de Educação Cristã e autor das obras: Hermenêutica Fácil e Descomplicada e A Família no Antigo Testamento – História e Sociologia, ambos pela CPAD.

Palavras Chaves

Empedernido; Fé; Incredulidade; Admoestação.

Introdução

Prezado professor, este subsídio tem como propósito fundamental esclarecer o contexto e a exegese do texto da Leitura Bíblica em Classe, a fim de que você relacione adequadamente a leitura bíblica com o comentário da lição.

Aos Hebreus é um dos mais belos escritos neotestamentários. Muito embora seja classificada como uma epístola, sua estrutura interna difere-se das características próprias de uma carta. Apesar de o título “epístola aos Hebreus” ser antiqüíssimo (o manuscrito p46  traz apenas Prós Hebraíous, “Aos Hebreus”), a missiva provavelmente foi uma homilia ou um conjunto homilético. 

Os recursos retóricos e estilísticos que dão motivo às construções literárias, assinalam que a obra foi escrita por um literato culto, profundo conhecedor da história e contexto histórico-religioso do Antigo Testamento, mas que prefere as citações da Septuaginta (Tradução grega do AT) em vez das Escrituras Hebraicas.

O tema da epístola é a “superioridade de Cristo” e do “novo pacto” em relação aos líderes e alianças do Antigo Testamento. As características sócio-econômicas e histórico-religiosas pressupõem que a obra foi escrita para um grupo de cristãos antes do ano 70 d.C. A etnia desses cristãos é disputada, mas a consideração prevalecente é de que se trata de cristãos de origem judaica, sejam judeus helenistas ou palestinos, embora a primeira opção seja mais adequada quando analisada as características peculiares de cada grupo. Os propósitos pelos quais a epístola foi escrita são facilmente encontrados ao longo do escrito: Advertir contra a apostasia e exortar à maturidade cristã. 

1 - A ênfase pneumagiológica

A seção homilética que inicia em 3.1, com a conjunção subordinada “hothen”, “portanto”, “por isso”, “de que”, denota que o argumento concluído na seção anterior, conduz conseqüentemente à constatação de que os leitores deveriam “considerar atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus” (v.1).

No entanto, a segunda seção, texto básico de nossa lição, refere-se aos eventos históricos da vida de Moisés registrados de Êxodo a Deuteronômio, como por exemplo, no episódio em Meribá, quando o líder conduzia o povo de Israel até aos limites do deserto, próximo à terra prometida (Sl 95.7-11; Êx 17.1-7; Nm 20.1-13).  

Nos relatos descritos no livro de Números, a incredulidade dos israelitas quanto às promessas de Deus, foi o entrave que os impossibilitaram de receber o cumprimento da promessa. O literato aproveita-se desse fato histórico para trazer uma advertência aos seus leitores, que estavam em perigo de rejeitar a Cristo e voltar ao judaísmo: “Portanto, como diz o Espírito Santo” (Dió, kathōs legei to pneuma to hagion). 

“Portanto”, ou “dió”, conjunção subordinada, introduz a citação do Salmo 95.7-11, com ênfase pneumagiológica, pois o Espírito Santo em vez do salmista que diz (legei):“Se ouvirdes hoje a sua voz. Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto” (Hb 3.7,8).  A conjunção inferencial “dió”, “portanto”, “por isso”, relaciona o contexto histórico do deserto à situação histórico-salvífica dos cristãos hebreus, estabelecendo um notável paralelo entre o endurecimento do coração dos israelitas com a comunidade judaico-cristã – destinatários da epístola. 

Esse paralelo, no contexto de fé da comunidade, é legitimado:

a) Na associação da igreja como “povo do seu pasto e ovelhas da sua mão”,             segundo o emprego no Salmo 95.7, para introduzir a admoestação hínica. 

b) A relação do contexto da fé salvífica com a esperança territorial dos             israelitas também é associada aos eventos de Meribá e Massá – acontecimentos que se destacam na história das rebeliões do povo judeu contra o Eterno. A tradução da Bíblia Hebraica diz: “Não permitais que se endureçam vossos corações como em Merivá, como aconteceu em Massá, no deserto” (Tehilim 95.8, ver Êx 17.1-7 e Nm 20.1-13).  

O termo “parapikrasmós”, traduzido por “provocação”, literalmente significa “amarguramento” ou “amargura”, sendo uma tradução do nome próprio hebraico “Meribá”, que significa “conflito” ou “rebelião” (Sl 95.8). Já o termo original correspondente a “tentação” é “peirasmós”, tradução grega do nome hebraico Massá, cujo significado é “tentação” ou “teste”. 

c) Assim como Deus falou “a congregação no deserto”, por meio do Espírito Santo continua a falar à “assembléia da graça”. Impossível não observar essa assonância entre a voz do Eterno em Salmos 95.7 e a vós do Espírito em Hebreus 3.7. O texto da Bíblia Hebraica diz: “Ele é o nosso Deus e nós somos o seu povo. Ele é nosso pastor e nós somos o rebanho que Ele guia nesse mundo, desde que sua voz obedeçamos” (Tehilim 95.7) Ambas, na verdade, são a mesma voz.

d) Para sintetizarmos as várias ilustrações procedentes, vejamos os paralelos             entre o povo de Israel e os leitores da epístola.

ISRAEL

LEITORES DA EPÍSTOLA

Escravidão no Egito.

Escravidão no judaísmo.

Saíram do Egito com esperanças.

Aceitaram o cristianismo com entusiasmo.

Em função das dificuldades, Israel vacilou na fé. 

Os cristãos-judeus estavam vacilantes na fé em função das perseguições. 

Israel intencionou voltar ao Egito.

Alguns cristãos estavam desejando voltar ao judaísmo.

A geração de Israel pereceu no deserto devido à incredulidade.

Os cristãos-judeus pereceriam se persistissem na incredulidade.

A gravidade dessas comparações, bem como a importância desses eventos históricos-salvíficos, podem ser observados segundo a exegese paulina, que traduz esses acontecimentos históricos como typikōs, tipos, figuras, prefigurações que foram escritas para nossa admoestação, aviso e exortação: “Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo (typikōs), e foi escrito para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Co 10.11). A história de Israel prefigura a da Igreja (1 Co 10.6-13) [1]. 

O endurecimento do coração do povo de Israel, referido no versículo 8, é uma advertência ao cristão moderno. “Não endureçais o vosso coração” (Mē sklērynēte tas kardias hymōn), é antecedido pelo termo akousēte (presente do subjuntivo do aoristo ativo), “ouvirdes”, usado geralmente em expressões condicionais, denotando a necessidade e urgência de respondermos à voz de Deus com fé. Não responder positivamente à voz de Deus por meio do Santo Espírito é resistir-Lhe à vontade e agir segundo os próprios desejos e orgulho da natureza pecaminosa. 

O pecado de incredulidade é a porta para todos os pecados contra o Espírito Santo. “Endurecer”, procede de sklēros, isto é, “duro de tocar”, que se traduz literalmente em Rm 2.5, por “teimosia”, “obstinação”, em Atos 7.51 ou “empedernido” nos textos de Rm 9.8; Hb 3.8,13,15; 4.7. Em Mateus 19.8, Marcos 10.5;16.14, encontramos  sklērokardia, “dureza de coração”. O coração seco, empedernido, duro, não responde positivamente à voz do Espírito, sendo, um dos primeiros pecados contra o Espírito Santo. A conseqüência desta obstinação pode ser a completa apostasia: Hb 10.26-32. Assinala o escritor aos Hebreus “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (v.31).


Notas:

 1. BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. 3.ed., Rio de Janeiro, CPAD, 2005,p.228.

 

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