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Leitura
Bíblica em Classe
Efésios 5.8-21
Esboço da
Lição
Introdução
I.
O
que significa “renovação espiritual”
II. A
necessidade da renovação espiritual
III.
A constância da renovação espiritual
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Pós-Pentecostalismo:
Estranha
moda tenta apagar as manifestações espirituais na igreja.
Autor
Joseph
L. Castleberry é deão acadêmico do Seminário Teológico
das Assembléias de Deus em Springfield, Missouri (EUA).
Palavras
Chaves
Charismata;
idiotikos; apistoi; laico; Pneumatikos; Manikos;
Carismania.
Introdução
As
igrejas pentecostais e neopentecostais ao redor das Américas
estão vivendo uma nova e estranha tendência: o pós-pentecostalismo.
Escuta-se hoje com demasiada freqüência que alguns pastores
das Assembléias de Deus estão pastoreando igrejas que já não
crêem em nossa pneumatologia e nem permitem a manifestação
dos dons espirituais nos cultos de louvor a Deus.
Ao
mesmo tempo, algumas igrejas lamentam que seus pastores não
pratiquem e nem motivem os crentes a experimentar tais
manifestações. Enquanto as notícias de deterioração na
adoração pentecostal não sejam novas – ainda nos anos 20,
alguns líderes pentecostais estavam advertindo sobre uma possível
declinação em nosso movimento – podemos estar enfrentando
um novo tipo de deterioração, sendo que a de agora é ainda
mais séria, que a tendência histórica, em direção à
frieza e às manifestações do Espírito.
Essa
nova tendência não só mostra frieza, como também nega a
validade da expressão dos dons espirituais no culto. Se é
assim, é hora de prestar muita atenção na nova renovação
dos charismata
em
nossos cultos de louvor e adoração a Deus no Movimento
Pentecostal. Não só o exige a nossa tradição, senão a
fidelidade às Escrituras o exige, porque em termos do grego
do Novo Testamento, um pentecostalismo sem a expressão dos charismata
é
um pentecostalismo idiotikos.
Um termo tão explosivo como idiotikos
precisa
ser imediatamente explicado. Ao caracterizar uma forma de
pentecostalismo como Idiotikos,
quero usar a palavra grega idiotes
e
tem um significado diferente da palavra idiota em português
[1].
Não
quero aplicar a palavra idiota em português a nenhuma pessoa
ou perspectiva religiosa em particular. O uso de idiotikos
não
é um epíteto, senão um incitante estímulo à reflexão.
1.
Pentecostalismo idiotikos
O
conceito de pentecostalismo idiotikos
está
baseado no texto de 1 Coríntios 14.23, no qual o apóstolo
Paulo advertiu à igreja de Corinto que se todos falam em línguas
ao mesmo tempo quando a igreja se reúne, e alguns apistoi
e
idiotai
(como
descreve o texto em grego) entram ao culto, pensariam que os membros da igreja
estavam loucos.
Para
entender o ponto de vista de Paulo nessa passagem, é crucial
entender quem eram os apistoi
e
idiotai
[2].
Apistoi
claramente
refere-se aos não crentes, enquanto a versão de Almeida
Revista e Corrigida traduz
idiotai
como
indouto [3]. Esta tradução se enriquece ao compará-la com a
definição provida no léxico mais destacado do grego do Novo
Testamento: O Greek-English
Lexicon of the New Testament and Other Early Christian
Literature
(Léxico
grego-inglês do Novo Testamento e outras literaturas cristãs
primitivas – tradução livre), editado
por Frederick Danker, oferece a idéia de “leigo, amador”
(aquele que não tem perícia)
para a primeira definição de idiotes
[4].
a)
A idéia da palavra laico
nessa
definição do léxico não tem a intenção de expressar a
divisão religiosa entre os leigos e clérigos, senão
enfatizar a perícia sobre a ignorância numa variedade de
contextos. Em outras palavras, essa definição está de
acordo com a versão Revista e Corrigida, que traduz idiotai
como
indouto, aquele que tem falta de instrução nos dons
espirituais.
b)
Um segundo significado oferecido por Danker cabe exatamente no
contexto de 1 Coríntios. Especificamente na discussão de 1
Coríntios 14.23, o léxico declara que “os idiotai
não
são nem similares aos apistoi,
nem são cristãos completos. Obviamente, estão entre os dois
grupos como um tipo de prosélito ou catecúmeno” [5].
Glossário
de termos
Os
seguintes termos para a classificação das diferentes
formas de adoração pentecostal
usados neste artigo se baseiam nas palavras gregas
representadas em 1 Coríntios 14.
Pneumatikos: Adoração
que é guiada e definida pelo Espírito Santo, incluindo
a
manifestação pública dos dons espirituais.
Idiotikos: Adoração
que é determinada e definida pelos critérios de pessoas
que não entendem e não crêem nos dons espirituais.
Maniko: Adoração
caracterizada por manifestações maníacas que distorcem
e abusam dos dons espirituais.
Charismata: Os
dons do Espírito Santo, tais como línguas, milagres,
curas, profecias etc.
Na
discussão dessa segunda definição, o léxico aduz referências
da literatura grega extra-bíblica para mostrar que o termo
foi usado em contextos religiosos para referir-se a pessoas
que assistiam a reuniões de um religião em particular, porém
não haviam chegado a ser membros formais e completos.
Um
possível exemplo de tais idiotai
eram
os discípulos de Éfeso que são mencionados em Atos 19.1-7,
os quais haviam crido em Jesus Cristo, foram batizados no
arrependimento, segundo ensinava João Batista, mas não
haviam sido batizados em nome de Jesus e nem sequer haviam
ouvido acerca do dons espirituais no culto cristão. Paulo se
preocupa em que os crentes novatos, à semelhança dos incrédulos,
pudessem se confundir pelo uso desordenado do dom de línguas
na adoração congregacional.
2.
Modelos de crescimento da igreja
Esta
preocupação paulina pelo bem-estar dos novos crentes no faz
voltar à nossa situação contemporânea relativa às igrejas
pós-pentecostais. A popularidade entre as igrejas
pentecostais e neopentecostais de seguir modelos para o
crescimento da igreja, que se denominam “sensíveis aos que
buscam” e “guiado por propósito”, os quais vem sendo
propostos por pastores de mega-igrejas dos Estados Unidos, tem
tido muita influencia na América Latina.
Devido
a isso, alguns pastores tem decidido rechaçar o uso dos dons
carismáticos na adoração corporativa sob o pretexto de não
ofender aos “que estão buscando” [6]. Entretanto, essa
estratégia claramente ignora as intenções do apóstolo
Paulo nessa passagem sob discussão.
Os
missionários do princípio do século 20 foram confrontados
com uma pergunta-chave quando Roland Allen publicou um tema
intitulado Missionary
Methods,
St.
Paul or Our? (Métodos missionários: De São Paulo ou os
nossos?).
Hoje, os pastores da América Latina têm de considerar se é
melhor usar os métodos modernos de crescimento da igreja, ou
os que foram ensinados e moldados pelo apóstolo Paulo na
Palavra de Deus.
O
apóstolo faz óbvio que não está contra a manifestação
dos dons espirituais em público por meio do argumento
estabelecido em 1 Coríntios 14. Depois de advertir a igreja a
não deixar que os dons sejam abusados, e depois de advertir
que o abuso dos dons de línguas poderia fazer com que os apistoi
e
os idiotai
pensassem
que a igreja havia se tornado louca, ele resume seu argumento
dizendo o seguinte: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos
ajuntais, cada um de vos tem salmo, tem doutrina, tem revelação,
tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação”,
1 Co 14.26.
Desta
conclusão, é claro que nunca foi a intenção do apóstolo
Paulo eliminar os dons espirituais do culto público, senão
protegê-los do abuso para que pudessem exercer seu pleno
poder de edificação para os crentes e convicção de pecado
para os pecadores.
2.1.
O pólo oposto de idiotikos
É
importante considerar o pólo oposto da adoração idiotikos.
Esse pólo não é a adoração pneumatikos
(espiritual)
que o Novo Testamento propõe e que mantêm a posição
central e permite a expressão dos carismata.
Pois bem, o oposto da adoração idiotikos
é
a adoração manikos.
Essa palavra que Paulo usa ao dizer que os apistoi
e
idiotai
pensaram
que a igreja havia enlouquecido, está relacionada com a
palavra maníaco em Espanhol e, louco, insensato, néscio,
em Português.
Os
que criticam o abuso dos carismata
têm
feito bem em chamar tal adoração “carismania”. É
justamente a forma maníaca de expressão carismática que o
apóstolo Paulo se opõe. Entretanto, enquanto é bom nos
unirmos a Paulo em oposição à adoração maniankos,
seria um grave erro proibir totalmente o exercício dos carismata.
O verdadeiro louvor pentecostal-carismático se encontra no
equilíbrio.
3.
Quem
determina o modelo?
Em
vista do apoio do apóstolo Paulo ao carismata
no
culto público da igreja, a pergunta que se faz é: “Quem
determinará o que se permite em nossos cultos de adoração?
Serão determinados pela Palavra de Deus ou por apistoi
e
idiotai?
Se são determinados pelo Palavra, teremos que assegurar que a
adoração é fiel a Deus (em vez de ser apistos
- o
infiel) e bem instruídos pelas Escrituras.
Enquanto
não haja lugar para o abuso indouto dos dons espirituais na
adoração cristã, este fato só obriga aos pastores a
instruir suas congregações cautelosamente no uso dos dons.
Se há dito com freqüência que os
pentecostais se escandalizam mais pelo uso dos dons em
seus cultos do que seus convidados incrédulos ou não
pentecostais.
Parece-nos
que tal escândalo surge de um dos dois motivos: vergonha que
os pentecostais sentem pelos dons (o que é inaceitável), e
vergonha por manifestações indoutas. Em qualquer caso, a
resposta é mais instrução, nunca o rechaçar dos dons. Por
outro lado, se permitirmos que a adoração cristã seja
determinada pelos apistoi
e
idiotai,
devemos delinear bem as implicações de tal decisão.
a)
Primeiro de tudo, deixaremos que incrédulos definam por nós
o que podemos crer e
praticar. Seguramente isto é a fórmula para o fracasso
em termos de convencer aos povos que temos uma nova
realidade espiritual
para lhes oferecer. Tal estratégia é apistos
ou
infiel ao Deus que nos tem abençoado com sua graça em
forma concreta (a palavra carisma
vem
da palavra caris
ou
graça).
b)
Segundo, tal adoração será idiotikos,
sendo determinada pelos idiotai.
A adoração idiotikos
reflete
uma decisão com o propósito de recusar a instruir os novos
crentes e incrédulos acerca do uso bíblicos dos dons espirituais.
Recentemente
escutei um pastor da Assembléia de Deus falar de uma nova
congregação que inaugurou. Aproximadamente 300 pessoas
haviam sido acrescentadas à sua congregação em um ano.
Delas, 150 eram novos crentes. Ele explicou que não queria
dons carismáticos em sua igreja, já que a maioria dos seus
membros era proveniente de outras igrejas evangélicas não
pentecostais. Ele estava preocupado na possibilidade deles
estarem ofendidos pela prática dos dons espirituais e na hipótese
dos novos crentes estarem confusos. A resposta ante ao seu
dilema aparentemente foi deixar todos no estado em que se
encontravam quando migraram à sua igreja. Esta decisão é
chamada apropriadamente idiotikos
porque
põe a posição doutrinal dos que não têm dons nem instrução
no controle da igreja em lugar dos ensinos de Paulo.
Outro
aspecto crucial do louvor idiotikos
é
que é uma decisão consciente de apoiarmos em nossas próprias
habilidades em lugar do poder de Deus. A palavra idiotes
é
certamente relacionada com a palavra grega idios,
que significa “por
si mesma” ou “por conta própria”. O conceito básico de
idiotes
é
que tal pessoa está trabalhando por si só. Não tem sido
instruída por seus líderes, mas deixada a seu próprio
entendimento. Não está cheio do Espírito, senão está
trabalhando em seu próprio esforço.
4.
Por que um modelo pentecostal?
Ao
final de seu argumento acerca dos pneumaikos
(dons
espirituais), Paulo concluiu o seguinte: “Se alguém cuida
ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos
escrevo são mandamentos do Senhor. Mas se alguém ignora
isto, que ignore. Portanto, irmãos, procurai, com zelo,
profetizar, e não proibas falar em línguas. Mas faça-se
tudo decentemente e com ordem”, 1 Co 14.37-40.
Paulo
nos segue dizendo o mesmo no dia de hoje por meio das
Escrituras. O exercício ordenado de todos os dons espirituais
é necessário para a edificação e o fortalecimento da
igreja (1Co 14.26). Afinal de contas, o que poderia ser mais
edificante aos que estão buscando a Deus do que o dar a eles
a oportunidade de serem tocados pelo poder do Deus que eles
estão invocando, expressado através dos dons do Espírito?
Paulo dirigiu a mesma pergunta em 1 Coríntios 14.24-25:
“Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel
entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Portanto,
os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-
se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está
verdadeiramente entre vós”.
Se
as promessas das Escrituras não são suficientes, temos todo
um século de experiência pentecostal, combinado
estreitamente com a maior onda de crescimento que o mundo tem
visto em toda a história. De fato, temos um crescimento de
igreja que excede ao da Igreja Primitiva, registrado no livro
de Atos – para nos convencer de que devemos confiar no poder
de Deus em vez de nosso próprio juízo e habilidade.
O
pós-pentecostalismo, corresponde ao pentecostalismo
idiotikos,
ao ir contra a corrente do ensino bíblico, também vai contra
a corrente deste período de maior êxito do crescimento da
igreja. Ao mesmo tempo que milhões de incrédulos (apistoi)
e novos crentes (idiotai)
estão dirigindo seus barcos ao portos de igrejas pentecostais
e
neopentecostais, os pós-pentecostais estão fixando um curso
que os conduzirá a mar aberto, contra o mar e o vento,
entrando na tormenta. O futuro dos tais não parece ser tão
brilhante. Pós-pentecostalismo? Que não seja assim.
Notas
1)
A
palavra idiotikos
não
ocorre no texto grego do NT, mas é um adjetivo grego baseado
na Palavra idiotes,
que ocorre.
2)
Idiotai
é
a forma plural do substantivo idiotes.
3)
“Se,
pois, a igreja se reúne num só lugar, e todos e todos se
puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem
indoutos ou incrédulos, não dirão porventura que estais
loucos?” (Revista e Atualizada no Brasil).
4)
BAUER,
Walter, ARNDT, Wiliam F. E GRINGRICH, Wilbur F. A
Greek-English lexicon of the New Testament and other early
Christian Literature, 2ª Ed., Ed. Frederick Wiliam Danker
(Chicago: University of Chicago Press, 1979), 370.
5)
BAUER,
Walter, ARNDT, Wiliam F. e GRINGRICH, Wilbur F. A
Greek-English lexicon of the New Testament and other early
Christian Literature, 2ª Ed., Ed. Frederick Wiliam Danker
(Chicago: University of Chicago Press, 1979), 370.
6)
Quero
claramente afirmar a validade de todos os esforços para alcançar
os incrédulos para Cristo. Meus comentários aqui não devem
ser entendidos como uma crítica aos evangélicos que estão
tentando ser fiel a Cristo em alcançar os não crentes. Mas
procuro desafiar suposições feitas por pastores pentecostais
que pensam que usar os dons espirituais em louvor resultará
em evangelismo menos eficaz.
Para
saber mais:
PALMA,
Anthony D. O batismo no Espírito Santo e com fogo: os
fundamentos bíblicos e a atualidade da doutrina pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
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