Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Doutrinas Bíblicas Pentecostais
3º trimestre/2006


Lição 07 - As ministrações do Espírito Santo ao Crente



Esboço da Lição


Introdução

I.   As ministrações do Espírito Santo e a Salvação

II.  As ministrações do Espírito Santo e os Salvos

Conclusão


Tema deste Subsídio

A vida no Espírito num mundo injusto: a vida no espírito num mundo injusto.

Autor

Terrence Bernhard Johnson é pastor, líder da Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus (Eetad) e membro do Conselho de Educação e Cultura Religiosa da CGADB.

Introdução

Uma das declarações mais tristes do apóstolo Paulo foi feita a Timóteo: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica”, 2 Tm 4.10. Demas foi um dos cooperadores que acompanhou de perto o ministério de Paulo. Viu os milagres operados por Jesus por meio dele e leu as epístolas que escreveu. Mesmo assim, Demas sucumbiu ao mundo, abandonou Paulo e seguiu para uma das cidades mais mundanas e ricas da época. Demas sofreu uma grande derrota pessoal porque entregou-se ao apelo que deveria resistir. 

A vida cristã e a mundana sempre estiveram em conflito, porque a ética de uma é contrária à ética da outra. Subseqüentemente, a vida cristã se torna fonte de conflitos à pessoa que resolve seguir a Cristo com firmeza, porque esse crente vive em um mundo visível (material), mas procura viver conforme o padrão de outro mundo mais elevado (espiritual). Ele sabe que pertence a uma geração separada (1 Pd 2.9). Enquanto o crente é cercado por um mundanismo que leva as pessoas ao cativeiro, ele busca a vida que verdadeiramente liberta. “Ora o Senhor é Espírito; onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”, 2 Co 3.17. O crente dedicado tenta encontrar no Espírito o equilíbrio que existe entre a vida espiritual e o conviver com um mundo prejudicial. 

1. Como o mundo prejudica

O mundo presente é injusto tanto para com o crente quanto para o descrente. As notícias diárias deixam claro que o mal não faz acepção de pessoas, mas atinge a todas. O fato de ser crente não isenta a pessoa das aflições que esse mundo provoca. Inclusive, o crente pode sofrer até mais do que os outros e, por isso, Jesus diz que ele não deve ficar maravilhado se o mundo lhe aborrece (Jo 15.18).

A Bíblia define a palavra “mundo” de diversas formas. Ela pode representar a humanidade, que Jesus veio salvar dos seus pecados; os prazeres materiais da vida, que o crente não deve amar; e, finalmente, mundo pode representar as forças espirituais do mal que buscam dominar a humanidade e que lutam contra o crente e a Igreja. Jesus disse que os seus não são desse mundo como Ele não o é, e por isso, o mundo os odeia. Ele pediu ao Pai que não os tirasse do mundo, mas que os livrasse do mal praticado por esse mundo. O crente fiel está em conflito com o mundo porque o cristão mudou de ambiente. O mundo, como já foi definido, não aceita este fato e continua perturbando o ser que realmente quer servir a Deus.

O mundo busca recuperar esse indivíduo, apelando à amizade que tinha com ele, procurando levá-lo a reatar os laços de antes da sua conversão. Apóstolo Tiago alertou para o fato de que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus e quem quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus (Tg 4.4). Há momentos em que ele acha que tem em si mesmo a força para resistir ao apelo do mundo. Mas há outros em que ele acaba se rendendo, porque não buscou a graça que vem do Alto.

Cada ser humano tem suas necessidades físicas, como alimentação, descanso, conforto pessoal, alojamento, entretenimento, prazer sexual etc., mas que podem ser usados para o bem ou para o mal. A carne é problema quando o crente se rende à tentação de praticar o mal para agradar às suas necessidades físicas, seguindo o exemplo do mundo.

O apóstolo Paulo disse que ele subjugava seu próprio corpo e o reduzia à servidão, para que, pregando aos outros, ele mesmo não viesse, de alguma maneira, a ficar reprovado. Ele buscava controlar seu corpo para não se entregar ao apelo da carne, como Demas fez. Entregar-se à tentação da carne coloca o crente em uma situação difícil, porque a inclinação da carne é morte espiritual, enquanto a inclinação do Espírito é vida e paz. Quanto mais o crente inclina-se à carne, mais aumenta a possibilidade dele praticar as obras (Gl 5.19- 210) que o impedirão de herdar o Reino de Deus. O mundo e o maligno usam a carne para enlaçar o crente e levá-lo à ruína espiritual. Mas se andar em Espírito, ele não cumprirá o desejo da carne.

2. Espiritualidade na aparente contradição

Jesus avisou aos seus discípulos do contraste entre o ideal do mundo e o do Reino de Deus quanto à questão da grandeza ou posição. Enquanto os homens procuram ocupar o primeiro lugar, o crente procura ser servo de todos, porque isto é a verdadeira grandeza no Reino de Deus. Outras pessoas não entendem esse raciocínio porque a Bíblia diz que o homem natural, do mundo, não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura. Eles estão com desvantagem porque se enganam e são enganados, e vão de mau a pior sem o Espírito de Deus. Essa situação vai piorar porque virão tempos trabalhosos, quando o comportamento humano será intolerável (2Tm 3.1-5).

O apóstolo Pedro alertou os crentes de que poderão sofrer blasfêmias da parte dos homens, inclusive dos mais próximos, porque estranham que eles não pratiquem mais a vontade deles, no desenfreamento das dissoluções, concupiscências, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias. O crente que teve a sua vida mudada deve deixar de lado a ética e as filosofias deste mundo.

Quando o mundo não consegue atrair o crente pela carne ou pela ética, ele cria inimizade com o crente. A Bíblia avisa que quanto mais o crente se afasta das coisas próprias do mundo para se aproximar de Cristo, mais perseguição vai sofrer. Um dos patriarcas mais influentes da Igreja Primitiva foi preso por ordem do imperador romano. Ele foi torturado e forçado a negar Jesus Cristo como seu Senhor, pois naquela época, o povo romano declarava que “César é Senhor”. Este patriarca não negou Cristo durante o sofrimento. Então, o imperador mudou sua estratégia. Mandou fechar o patriarca em um quarto do palácio durante três dias com lindas mulheres, um banquete de comida e vinho e outros prazeres que o império oferecia. O imperador achou que este plano conquistaria o patriarca e sua negação a Cristo seria uma grande derrota para a Igreja. No final de três dias, o quarto foi aberto e descobriram que o patriarca não tinha tocado em nada. O imperador furioso mandou executá-lo por conta da derrota que sofreu. 

O mundo lança sua fúria contra o crente quando não consegue derrotá-lo. Jesus enfatizou essa verdade quando disse que o mundo aborreceria seus seguidores porque não são do mundo. Se fossem, o mundo os amaria. Apóstolo Pedro afirmou que o crente é bem-aventurado quando sofre por ser cristão, mas que ele não deve sofrer como homicida ou ladrão, malfeitor ou como aquele que se intromete em negócios alheios. Estes são os resultados de deixar a carne, a ética e as filosofias do mundo afetarem sua vida e ministério profundamente. Existe uma maneira providencial para o crente viver vencendo continuamente essas influências mundanas. 

Jesus avisou aos seus discípulos do contraste entre o ideal do mundo e o do Reino de Deus quanto à questão da grandeza ou posição. Enquanto os homens procuram ocupar o primeiro lugar, o crente procura ser servo de todos, porque isto é a verdadeira grandeza no Reino de Deus. Outras pessoas não entendem esse raciocínio porque a Bíblia diz que o homem natural, do mundo, não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura. Eles estão com desvantagem porque se enganam e são enganados, e vão de mau a pior sem o Espírito de Deus. Essa situação vai piorar porque virão tempos trabalhosos, quando o comportamento humano será intolerável (2Tm 3.1-5).

O apóstolo Pedro alertou os crentes de que poderão sofrer blasfêmias da parte dos homens, inclusive dos mais próximos, porque estranham que eles não pratiquem mais a vontade deles, no desenfreamento das dissoluções, concupiscências, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias. O crente que teve a sua vida mudada deve deixar de lado a ética e as filosofias deste mundo.

Quando o mundo não consegue atrair o crente pela carne ou pela ética, ele cria inimizade com o crente. A Bíblia avisa que quanto mais o crente se afasta das coisas próprias do mundo para se aproximar de Cristo, mais perseguição vai sofrer. Um dos patriarcas mais influentes da Igreja Primitiva foi preso por ordem do imperador romano. Ele foi torturado e forçado a negar Jesus Cristo como seu Senhor, pois naquela época, o povo romano declarava que “César é Senhor”. Este patriarca não negou Cristo durante o sofrimento. Então, o imperador mudou sua estratégia. Mandou fechar o patriarca em um quarto do palácio durante três dias com lindas mulheres, um banquete de comida e vinho e outros prazeres que o império oferecia. O imperador achou que este plano conquistaria o patriarca e sua negação a Cristo seria uma grande derrota para a Igreja. No final de três dias, o quarto foi aberto e descobriram que o patriarca não tinha tocado em nada. O imperador furioso mandou executá-lo por conta da derrota que sofreu.

O mundo lança sua fúria contra o crente quando não consegue derrotá-lo. Jesus enfatizou essa verdade quando disse que o mundo aborreceria seus seguidores porque não são do mundo. Se fossem, o mundo os amaria. Apóstolo Pedro afirmou que o crente é bem-aventurado quando sofre por ser cristão, mas que ele não deve sofrer como homicida ou ladrão, malfeitor ou como aquele que se intromete em negócios alheios. Estes são os resultados de deixar a carne, a ética e as filosofias do mundo afetarem sua vida e ministério profundamente. Existe uma maneira providencial para o crente viver vencendo continuamente essas influências mundanas.

3. O viver no Espírito

Jesus apresentou o Espírito Santo como o Consolador, seu substituto na Terra. De acordo com o comentário da Bíblia de Estudo Pentecostal, esse Consolador chegaria ao lado do crente para ajudá-lo como Fortalecedor, Conselheiro, Socorro, Advogado, Aliado e Amigo.

Esse Consolador teria muita influência sobre a vida do crente em sua luta contra o mundo. Segundo Romanos 14.17, a justiça, paz e alegria que todos buscam estão no Espírito e não no mundo. O Espírito Santo tem a capacidade de mudar o indivíduo, como falou o profeta Samuel para o tímido Saul, antes deste assumir o trono de Israel. Jesus prometeu que o Espírito acompanharia o crente e habitaria nele. Apóstolo Paulo lembrou à igreja de Corinto que o crente é templo do Espírito Santo. Quando o Espírito ocupa a vida do crente, Ele dá graça e força para resistir a tudo que o mundo lança na sua direção e manter sua habitação limpa. 

Quando o crente acorda a cada dia, ele tem de escolher entre buscar e depender do Espírito Santo e/ou em si mesmo. É uma vida de companheirismo que o indivíduo deve seguir. A Bíblia diz que “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito”, Gl 5.25. Quanto ao conflito com a carne, o Consolador traz a força que o crente não tem em si mesmo para vencer. Ele ajuda nas fraquezas e até intercede pelo indivíduo com gemidos inexprimíveis. De dentro do filho de Deus, Ele clama: “Aba, Pai”, expressando o apelo dos indivíduos ao Pai celestial no momento de fraqueza. São em momentos como esses que o Consolador testifica com o espírito do crente que ele é filho de Deus, assegurando-o assim de sua posição diante do Pai. Efésios 3.16 mostra que o Espírito habita no crente para dar poder ao homem interior, com a intenção de renovar, fortalecer e vencer. A Bíblia também diz que esse Espírito tem o poder para vivificar o corpo mortal do crente. Ele opera de um modo geral no indivíduo para renovar a área espiritual, física, emocional e intelectual.

Enquanto a carne tenta levar o crente de volta ao mundo, o Consolador leva o crente ao outro extremo, através do processo de santificação (2Ts 2.13). A cada dia, Ele procura operar na sua vida para reduzir a influência do mundo e aumentar a perfeição que Deus oferece e exige. Isso depende da cooperação do indivíduo. Em contrapartida ao que a carne faz, o Consolador busca levar o crente a viver em um nível mais elevado. Na ilha de Patmos, apóstolo João foi arrebatado em espírito no dia do Senhor, quando recebeu a revelação extraordinária do glorioso Filho do Homem e das profecias do Fim dos Tempos. Ele estava em comunhão com o Espírito quando teve esta experiência maravilhosa.

O Consolador dá entendimento, revela as profundezas de Deus e usa a vida do crente de maneira sobrenatural através dos dons espirituais, pois o crente foi predestinado a viver acima deste mundo poluído pelo mal. Há uma grande diferença entre o viver no Espírito e a vida que o mundo e a carne oferecem. Tudo depende da vontade do crente. “Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”, Gl 6.8. O conselho de Jesus repetido sete vezes no livro do Apocalipse deve ser seguido por cada crente: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Este é o caminho para vencer a carne e o mundo. O Consolador opera no mundo para revelar o pecado e convencer os homens da justiça, do pecado e do juízo. O crente, entretanto, já passou desta fase e agora vive em um degrau mais elevado, pois é enviado, dirigido, compelido e redirecionado pelo Espírito da Verdade, conforme o exemplo do apóstolo Paulo, de Felipe e tantos outros. O crente que deixa o Consolador dirigir sua vida tem a vantagem sobre os outros no mundo, porque o Espírito o ensina todas as coisas e o guia em toda a Verdade.

Esse crente tem vantagem porque fala pelo Espírito e não com palavras persuasivas de sabedoria humana. O Espírito produz em sua vida o fruto da caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança em contraste com as obras da carne praticadas pelos homens. A convivência desse crente com as pessoas no seu universo é facilitado porque o Espírito o usa para administrar bem (At 6), dirigir grupos sob sua gerência (At 15) e usar seus talentos e habilidades, assim como o Espírito encheu e usou Bezaleel (Êx 31).

Outra vantagem desse crente é a sua atuação na dimensão sobrenatural concedida pelo Espírito. Ele dá poder para o crente pregar as Boas-Novas, operar milagres, sinais e maravilhas, e interpretar mistérios que atribulam os homens, como nos casos de José e Daniel. Talvez esse crente passe por insultos e dificuldades devido à sua ética elevada, mas, na hora certa, Deus o exaltará. O segredo do crente com esse diferencial é o viver constantemente no Espírito, buscando a sua companhia a cada dia e liberando a sua atuação em sua vida. O crente vivendo no Espírito aprende a discernir sua voz e seguir sua direção.

Momentos vão chegar quando a oposição do mundo será severa e o crente poderá enfrentar diversas formas de perseguição no serviço, no lar ou na vizinhança. O Espírito o prepara para essa possibilidade, assim como alertou Paulo em sua última jornada a Jerusalém.

O Consolador providencia os recursos por meio da oração e súplica no Espírito e prepara o crente perseguido para encarar essas situações. Jesus disse que quando os seus forem apresentados diante das autoridades, eles não precisam preocupar-se com as palavras que falarão porque naquela hora serão dadas pelo Espírito Santo. 

Paulo quase levou o rei Agripa a converter-se pelas palavras que o Consolador lhe deu para defender- se. As palavras provenientes da sabedoria do Espírito podem chamar autoridades à salvação ou dar-lhes orientação que o reconhecerão como vindo de Deus e mais ninguém.

O Espírito falou através do apóstolo Paulo que a luta do crente não é contra as pessoas, mas contra as hostes espirituais da maldade que não são vistas com o olho natural. Há ocasiões em que o crente precisa ir à luta na arena espiritual, utilizando a oração e a proclamação da Palavra de Deus. O Consolador prepara o indivíduo para a luta e sustenta-o no decorrer da batalha, como fez com Gideão, Otniel, Sansão e outros heróis da fé. Este mundo injusto não vencerá o crente que vive no Espírito, apesar de utilizar a carne, a ética mundana, a perseguição ou alguma outra estratégia. Diariamente, este indivíduo convida o Consolador a encher seu ser e dirigir a sua vida. Conforme as palavras de Paulo, esse crente não procura embriagar- se com vinho ou outras coisas do mundo que produzem contenda. Porém, ele enche-se do Espírito e pratica hábitos espirituais como falar com salmos, hinos e cânticos espirituais ao Senhor e dando graças a Deus. Ele busca a orientação do Consolador na Palavra de Deus. Ele encontra através da oração o poder para enfrentar o mundo. Assim, o viver no Espírito no meio de um mundo injusto é uma vida de vitória.


Para saber mais:

PALMA, Anthony D. O batismo no Espírito Santo e com fogo: os fundamentos bíblicos e a atualidade da doutrina pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

 

 



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Veja também:
- Outras lições
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