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Leitura
Bíblica em Classe
1 Coríntios 2.4,5,9-150
Esboço da
Lição
Introdução
I.
O Poder Eficaz do Espírito
Santo
II.
A Onisciência do Espírito
Santo
III.
A Deidade do Espírito Santo
IV.
A Personalidade do Espírito
Santo
Tema
deste Subsídio
A Pessoalidade e a Divindade
do Espírito Santo
Autor
Produzido pelo Setor de
Educação Cristã
Palavras-chaves
Espírito Santo; Divindade;
Pessoalidade; Espírito; Corpo; Deus.
1.
A
Pessoalidade e Deidade do Espírito
Muitas
vezes atribuímos à personalidade do Espírito Santo uma
forma corpórea, confundindo pessoalidade com corporeidade.
Entretanto, Deus é Espírito e, portanto, não possui
“carne e ossos” (Jo 4.24; Lc 24.39; Nm 23.19; Os 11.9; Jo
5.37).
Na obra Hermenêutica Fácil e Descomplicada (CPAD,
2005, p. 237-241), discutimos várias proposições relativas
à oposição espírito-corpo aplicadas ao estudo da natureza
da deidade. Jamais devemos imaginar que os hebreus concebiam a
divindade como um ser mortal. Estavam cônscios de que o
Criador não era homem (Nm 23.19; Os 11.7; Ml 3.6; Jo 4.23,24;
Dt 4.1), mas percebiam que o fato de Deus ser Deus, e não
homem, implicava uma existência e inacessibilidade impossível
à compreensão humana (1 Tm 6.16). Daí, não se omitiram em
atribuir ao Criador características humanas, o chamado
antropomorfismo, ou sentimentos humanos, teologicamente
considerados como antropopatismo. Lembremos que ninguém
jamais viu a Deus em sua Glória (Cl 1.15; 1 Tm 6.16; Jo 1.18;
1 Jo 3.2). A afirmação de que Deus é espírito leva-nos a
concluir que Ele é incorpóreo, mas pessoal. Senão vejamos:
ü
Por não possuir partes corporais, Deus não está sujeito às limitações a que estão
sujeitos os seres humanos;
ü
Por ser incorpóreo, não possui
faculdades sensoriais como um homem e, por isso, não está
sujeito às paixões humanas;
ü
Por ser incorpóreo, não se compõe
de nenhum elemento material, e não está sujeito às condições
naturais;
ü
Por ser incorpóreo,
subentende-se que Ele deve ser adorado de modo não corpóreo,
e sim, espiritual (Jo 4.24), pelas faculdades da alma,
vivificadas e iluminadas pelo Espírito Santo (1 Co 2.14; Cl
1.15-17).
Isto posto, Deus não pode ser visto com olhos naturais e
nem apreendidos pelos sentidos físicos. Com essas declarações
NÃO estamos afirmando que:
ü
Deus seja um hálito, vento ou algo amorfo, irreal, sombrio,
pois Jesus referiu-se a forma de Deus (Jo 5.37);
ü
Deus seja impessoal, desprovido de atributos de
personalidade, pois entendemos que corporeidade não equivale
à personalidade.
(Hermenêutica Fácil e Descomplicada, CPAD,
2005, p. 239).
1.1
- Características Pessoais Atribuídas
ao Espírito Santo
Identifica-se como pessoa, alguém que manifesta qualidades
como falar, sentir e fazer alguma coisa racional. Por
personalidade do Espírito Santo, queremos dizer que Ele
possui ou contém em si os elementos de existência pessoal em
contraste com a existência impessoal. Por características
pessoais não nos referimos a mãos, pés ou olhos, pois estas
coisas denotam corporeidade, mas a qualidades como: inteligência,
sentimentos e vontade, que indicam personalidade. Os atributos
pessoais do Espírito Santo são:
a) -
Inteligência:
Está relacionada com o intelecto. Mente que pensa,
raciocina, reflete e analisa. O Espírito Santo é um ser
inteligente. Ele pensa, raciocina, fala e determina (Rm 8.27;
Ap 2.7; Jo 14.26; At 16.6-7; 2 Pe 1.21);
b) -
Sentimento: Tem
haver com emoções, sentido, alegria, amor, paz, tristeza e
saudade. O Espírito Santo possui todos os graus de afeição
e sensibilidade de quem ama, geme, entristece e intercede (Rm
8.26,27; Ef 4.30);
c) -
Volição: Tem
haver com livre-arbítrio, poder de escolha e decisão. O Espírito
Santo faz o que quer, quando precisa e quando deseja, pela
capacidade de seu conhecimento (At 13.2; 16.6,7; 1 Co 12.13;
Hb 2.4; 1 Co 12.11).
1.2
- Atos Pessoais Atribuídos ao Espírito Santo
Através das Escrituras, o Espírito Santo é apresentado
como agente pessoal ao realizar atos que só podem ser atribuídos
a uma pessoa, tais como:
a) -
Ele perscruta as profundezas de Deus:
“Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; por que o
Espírito a todas coisas perscruta, até mesmo as profundezas
de Deus” (1 Co 2.10);
b) -
Ele fala: “Quem tem
ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7; At
8.29; 10.19,20; 11.12; 13.2);
c) -
Ele intercede: “Também
o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossas fraquezas;
porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito
intercede por nós sobre maneira com gemidos inexprimíveis”
(Rm 8.26);
d) -
Ele ensina: “Mas
o consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu
nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar
de tudo a que vos tenho dito” (Jo 14.26; 16.12-14);
e) -
Ele guia e conduz: “Pois todos
os que são guiados pelo Espírito Santo de Deus são filhos
de Deus” (Rm 8.14; At 14.16);
f) -
Ele chama e comissiona os homens:
“E servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o
Espírito Santo; separai-me agora Barnabé e a Saulo para a
obra a que os tenho chamado”; “Olhai por vós e por todo o
rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispo,
para apascentardes a igreja de Deus, a qual Ele comprou com
seu próprio sangue” (At 13.2; 20.28).
1.3
- Tratamento Pessoal Dirigido ao Espírito
Santo
a) -
Podemos rebelar-nos contra Ele, entristecê-Lo e
extingui-Lo: “Mas
eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo pelo
que Lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles”
(Is 63.10; Ef 4.30; 1 Ts 5.19);
b) -
Pode-se mentir para Ele:
“Então disse Pedro: Ananias, porque encheu Satanás
teu coração para mentires ao Espírito Santo, reservando
parte do valor do campo?” (At 5.3);
c) -
Pode-se blasfemar contra Ele:
“Por isso vos declaro: Todo o pecado e blasfêmia
serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito
não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra
o Filho do Homem ser-lhe-á isso perdoado; mas se alguém
falar contra o Espírito Santo, não será isso perdoado, nem
neste mundo nem no porvir” (Mt 12.31,32).
Blasfemar significa: “Ultrajar ou falar repreensivamente
de Deus, de Cristo ou do Espírito Santo. E blasfemar desse
modo seria impossível se o objeto de irreverência não fosse
pessoal”.
1.4
- Pronomes Conferidos ao Espírito
Santo
A Bíblia não coloca o Espírito Santo na categoria do isto
ou da coisa, mas do pronome tu, da pessoa. Em João 16.8,13,14
encontramos algumas vezes os pronomes Ele, Aquele (no grego
ekeinos) que indicam a pessoa do Espírito Santo.
Em João 14.16, encontra-se a expressão “outro
Consolador”, que mais uma vez identifica a personalidade
do Espírito Santo. A palavra “outro”, no contexto
usado por Jesus, no grego “allos”, significa
“outro do mesmo tipo”.
O Filho de Deus revelou-se como pessoa, mas falou de outra
que Ele enviaria após sua subida ao céu. Consolador no grego
“paraklēto”, significa “aquele que dá
força” ou “aquele que encoraja”. O sentido,
então, é “ajudador, advogado”. Este é alguém para
representar uma pessoa. O Espírito Santo é o consolador,
isto é, o advogado dos fiéis de Cristo (1 Jo 2.1).
1.5
- Associação do Espírito Santo com as
outras Pessoas da Divindade e com o Homem
a) -
Mateus 28.19: “Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações batizando-os
em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”;
b) -
Atos 15.28: “Pois
pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior
encargo além destas coisas essenciais”;
c) -
2 Coríntios 13.13:
“A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor
de Deus e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós”.
1.6
- Origem da Idéia de Impessoalidade
do Espírito Santo
a) -
As várias manifestações de Deus Pai tornam
relativamente fácil conceber sua paternidade em termos de
personalidade.
b) -
A encarnação torna quase, se não inteiramente,
impossível desacreditar na personalidade de Jesus Cristo;
c) -
As ações e operações do Espírito Santo, por sua
vez, são de tal forma secretas e místicas e tanta coisa se
diz da influência, graça, poder e dons, que ficamos
inclinados a pensar nEle como se fosse uma influência, um
poder, uma manifestação ou emanação da natureza divina, e
não uma pessoa.
d) -
A falta de compreensão das metáforas que a Bíblia
usa para caracterizar, manifestar e expressar a pessoa do Espírito
Santo.
ü
Em
Jo 20.20, Jesus associa o Espírito Santo ao fôlego ou sopro.
Jesus aparece aos seus discípulos e os saúda “Paz seja
nesta casa”. Em seguida, sopra e diz: “Recebei o Espírito
Santo”. Perceba a associação do ato de Cristo, com o ato
criador de Gênesis 2.27.
ü
Em João 3.6-8, Ele O associa ao vento: “o vento (pneuma)
sopra onde quer” e acrescentou: “... não sabes donde vem,
nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.
ü
Em
Atos 2.1 e 3 o Espírito Santo manifesta-se como fogo: “...E
apareceram distribuídas sobre eles línguas como de fogo”.
Portanto, quando o Espírito Santo manifestou-se no dia de
Pentecostes, o elemento que Ele escolheu para expressar-se,
foi o fogo.
João Batista já havia dito que o batismo do Espírito
Santo seria também batismo com fogo: “Aquele que vem após
mim vos batizará com Espírito Santo e com fogo”.
Ora, tudo isto mal compreendido, forma a idéia de um
ser impessoal. Mediante o uso de pronomes pessoais, associações,
características, ações pessoais realizadas e o tratamento
pessoal recebido, as Escrituras provam que o Espírito Santo
é uma pessoa.
2.
A
Deidade do Espírito Santo
2.1 Definição
Por divindade do Espírito Santo, entende-se que Ele é um
ser como Deus, fazendo parte da divindade, sendo co-igual,
co-eterno e consubstancial com o Pai e com o Filho. A
Escritura deixa patente a verdade sobre a divindade do Espírito
Santo. O Espírito Santo é Deus porque sua natureza é
divina, e a natureza básica essencial da Divindade é espírito.
2.2 - Nomes Divinos Atribuídos ao Espírito
Santo
O nome “Espírito Santo” não aparece no Antigo
Testamento hebraico, sendo chamado de “O Espírito da tua
Santidade” (Sl 51.11) e “o Espírito da sua Santidade”
(Is 63.10,11). O Espírito de Deus ou de Iavé, tornou-se
“Espírito Santo”, isto é, o Espírito do Santo, sendo em
Mateus 1.18 a sua primeira ocorrência no Novo Testamento.
2.3 - Espírito
de Deus
Espírito, aqui, identifica a terceira pessoa da Trindade. “Deus”
revela sua deidade (Gn 1.2; 1 Co 2.11). O Espírito é chamado
Deus, porque a Divindade pertence às três pessoas da
Trindade; Ele é chamado Espírito de Deus, porque é enviado
pelo Pai (Jo 15.26); Ele é chamado Espírito de Deus, porque
é promessa do Pai (At 1.4); a importância do nome está na
identificação com o Pai e revela a relação íntima com Ele
(1 Co 3.16).
2.4 - Espírito
do Senhor
O Espírito Santo, quando se apresenta como “Espírito do
Senhor”, revela o senhorio de Deus Todo-Poderoso (2 Co
3.17,18). A palavra “Senhor” não se restringe a uma
pessoa, mas as três da Trindade. Em relação a Deus Pai, ela
diz respeito ao que Lhe pertence, porque todas as coisas foram
feitas por Ele. A Igreja também é “propriedade exclusiva
de Deus” (1 Pe 2.9). Em relação a Cristo, Paulo declarou
aos Coríntios: “mas vós sois dEle” (1 Co 1.30). Quando o
Espírito do Senhor, se manifesta na vida do cristão ou, de
modo geral na Igreja, significa que Ele quer exercer o seu
senhorio (Cl 1.16-19).
3.
Nomes
Divinos que Descrevem as Pessoas da Trindade
3.1 - Espírito
Santo
“Espírito” indica a sua natureza. Diz respeito ao que
Ele é em si mesmo. “Santo” refere-se ao seu caráter;
indica sua natureza. O poder do Pai é o mesmo existente no
Filho e no Espírito Santo. Então, em sua onipotência, o Espírito
Santo faz o que Lhe apraz (1 Co 12.11).
b) -
Onisciência: A palavra “onisciência” deriva-se de duas palavras
latinas: “omnis” que significa “tudo”, e
“scientia” que quer dizer “conhecimento”. O Espírito
Santo, do mesmo modo que o Pai e o Filho, tem total
conhecimento de todas as coisas. Sua sabedoria é infinita,
singular e indescritível. Ele sabe tudo acerca de si mesmo e
do que criou (Sl 139.2,11,13). Conhece o homem profundamente
(1 Rs 8. 39; Jr 16.17; Rm 8. 27). Ninguém pode esconder coisa
alguma dEle. Nem um só pensamento nosso passa despercebido do
Espírito Santo.
c) -
Onipresença (Sl 139.7-10): A palavra “onipresença” deriva-se de duas palavras
latinas “omnis” que significa “tudo” e “praesum”
que quer dizer “estar próximo ou presente”. O Espírito
Santo penetra em todas as coisas e perscruta o nosso
entendimento, pois está presente em toda parte. Ele não se
divide em várias manifestações, porque sua presença é
total em cada lugar onde estiver (At 17.24-28; Jr 23.23,24).
Em relação à Trindade, cada pessoa destaca-se em manifestações
distintas que mostram a onipresença da divindade. O Pai
tornou-se conhecido através do Filho na terra (Mt 11.27), e o
Espírito Santo é a manifestação do Pai e do Filho na vida
do cristão (Jo 14.17,19,20,23).
d) -
Imutabilidade: A imutabilidade é um atributo próprio do Espírito Santo.
Significa que Ele está livre de toda mudança (Ml 3.6). Tudo
o que se diz a seu respeito como Deus Espírito, é perfeito e
imutável. Este atributo não é exclusivo de uma pessoa da
Trindade, mas pertence às três (Rm 1.23; Hb 1.11).
e) -
Eternidade (Hb 9.14): É um atributo intrínseco da Divindade. Por isto, o autor
da carta aos Hebreus identifica o Espírito Santo como “Espírito
Eterno”. Ele transcende a todas as limitações temporais.
f) -
Infinitude: Por infinitude,
entende-se que sua existência não tem fim. Nada confina o
Espírito Santo no espaço, nem O retém no tempo.
e) -
Imensidade: Por
imensidade, compreende-se que o Espírito Santo é total,
pleno e completo. Ele não se divide, mas pode estar presente
em toda parte com todo seu ser (Sl 139.7-12). Notemos o
seguinte: Os anjos são espíritos criados sem corpos
materiais, mas nem por isso estão em todo lugar ao mesmo
tempo. Os homens são espíritos corporizados e, portanto,
limitados no espaço. Nem aos anjos e nem aos homens lhes são
atribuídas qualidades divinas da imensidade. A plenitude
pertence, de fato, única e exclusivamente à Divindade (Sl
97.1-12).
Para
saber mais:
BENTHO,
Esdras Costa. Hermenêutica fácil e Descomplicada.
3.ed.,Rio de Janeiro:CPAD, 2005.
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A família no Antigo Testamento. Rio de Janeiro:CPAD,
2006.
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