Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas Mestre
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Disciplinas da Vida Cristã
2º trimestre/2008


Lição 12 - A união cristã, o vínculo da perfeição



Leitura Bíblica em Classe
1 Jo 3.11-20



Introdução
I. O que é a comunhão dos santos
II. A comunhão dos santos em Israel
III. A comunidade de bens
IV. Como viver a comunhão dos santos

Conclusão

Título deste subsídio: Vivendo em comunidade
Autor: Eliezer de Lira e Silva

Palavras-chaves:Comunhão; Amor; fraternidade

Introdução

Como já dito muitas vezes ao longo de nossas lições bíblicas, a vida humana é de relacionamentos. Tudo o que o homem é, se reflete em seu modo de lidar com as pessoas ao seu redor. O Senhor Jesus, conhecendo o homem que criou, ensina, através do apóstolo Paulo, o modo como o cristão deve viver, considerando que nasceu de novo. É um novo padrão de comportamento, pautado no amor aos demais, uma amor altruísta, que não considera seus próprios interesses (1Co 13.5). Um amor que se contrapõe ao individualismo, tão cultuado nos dias atuais.

 I. O amor cristão

1. Uma vida nova. É impossível entender o novo modo de existência do cristão sem falar de amor. Estar arraigado em Cristo pode ser entendido como estar arraigado no amor (Cl 2.7; Ef 3.17). O amor, juntamente com a fé e a esperança, faz parte do conteúdo essencial da vida cristã (1Co 13.13; 1Ts 1.3; Cl 1.4). No amor se concretiza a nova vida. 

2. Ele nos amou primeiro. O amor com o qual os cristãos devem amar-se uns aos outros é um reflexo do amor de Deus em Cristo. Há na Bíblia várias expressões exortando os crentes a amarem-se uns aos outros olhando para o amor de Deus (Fp 2.1, 2, 5ss; Ef 5.2,25; Rm 12.1, 9-21). 

3. Edificados em amor. Amar uns aos outros é um mandamento do Senhor Jesus (Jo 15.12). Assim todos saberão que somos seus discípulos (Jo 13.35). O amor é um elemento essencial para vida e crescimento da igreja (Ef 4.15,16), é o vínculo da perfeição (Cl 3.14).O amor é mais importante do que qualquer discussão.  É o que mantém a unidade da igreja (Cl 2.2), o corpo de Cristo. É este conceito que permeia todo o ensino Paulino, por esta causa, ele chama a igreja à responsabilidade mútua, que todos, juntos, formem uma unidade; que o amor de uns para com os outros seja colocado a serviço da edificação da igreja. Nada é mais importante que este objetivo supremo (Ef 4.13). 

II. O individualismo

1. Individualismo. Têm-se várias definições de individualismo: sistema de isolamento do indivíduo na sociedade; existência individual; teoria que sustenta a preferência do direito individual ao coletivo; sentimento egocêntrico. Nada pode ser mais contrário ao ensino bíblico! No entanto, é algo bastante difundido atualmente. O individualismo pode ser manifestado de várias maneiras, como por exemplo o egoísmo, a inimizade, o ódio (Rm 1.29ss). Considerando o que é o individualismo é fácil entender porque Paulo o repele tão fortemente, colocando-o em sua “lista de vícios”   (Ef 4.31; Cl 3.5 ss).

2. O contra-ponto. O viver cristão é um viver de amor ao próximo (Jo 13.35), de considerar os outros superiores a si mesmo (Fp 2.3), de abdicar de seus direitos em função do bem estar alheio (Fp 2.4). O apóstolo João é enfático ao dizer que quem não ama não é nascido de Deus (1Jo 4.7,8), ou seja, se alguém nasceu de novo, ama. É imperativo! Quando fala aos filipenses Paulo os exorta a terem o mesmo sentimento de Cristo (Fp 2.5) de humildade, de amor, de altruísmo (Rm 15.3).

III. Liberdade cristã 

1. Questões indiferentes. Para Paulo, nada (que não seja colocado na Palavra como pecado) é imundo em si mesmo (cf Mc 7.14-23; Tt 1.15). A igreja em Roma tinha dois grupos: os mais fracos em seu entendimento da fé, e os que eram mais fortes; além de serem judeus e gentios cristãos. Em função disto Paulo se dirige a ambos com palavras sábias e precisas a respeito do tema que estabelecia a diferença – o julgar pelo comer o que alguns consideravam imundo isto é comum.O apóstolo Pedro como judeu, teve essa dificuldade da qual foi liberta em uma visão ( At 10.9-15}.

a)     Primeiramente ele deseja inculcar nos irmãos uma palavra que lhes convincente: eu sei no Senhor Jesus. Isto expressa a diferença que o Evangelho faz. Paulo era judeu, dos mais nacionalistas, e tinha sido um fariseu  legalista. Mas agora, salvo em Jesus, diz: “Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa em si mesma é imunda...”(Rm 14.14).Essa é uma das formas com as quais ele dizia que havia recebido de Deus o que estava transmitindo Cf 1Co 11.23. Aí está a diferença que o Evangelho faz e muito importante para os irmãos judeus em seus dias.

b)     Ele tem a preocupação de  não impor regras em nenhuma igreja. Como apóstolo tem toda autoridade mas, nunca fez isso. Esse é um  exemplo a ser seguido.

Jesus ensinou que o que realmente importa na lei são os requisitos de Deus quanto à justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23.23 cf Mq 6.8). Aos crentes que assim entendem Paulo chama, de fortes. Porém, o fato de estarem certos a respeito de alguma questão não permite, necessariamente que os “fortes” ponham-na em prática; nem aos débeis é dado o direito de crítica ou censura (Rm 14.13). Há que se levar em conta sempre o “bem maior”, o Reino! Esta será sempre a bússola do crente, o que vai guiá-lo em suas decisões: o bem-estar do corpo de Cristo! 

2. O Reino de Deus. Quando se pensa em reino, é natural que se pense em um Rei e numa submissão coletiva a esta autoridade. Cristo veio ao mundo com a finalidade de tornar os homens cidadãos do seu reino (Mc 1.14,15). Então, deve-se ter em mente que o cristão é um cidadão do Reino de Deus (Cl 1.13), foi transferido de um reino para outro, não pertence mais a si mesmo. Neste reino, tudo é diferente (Jo 18.36), inclusive a maneira de pensar (1Co 2.16). Neste Reino, a minha opinião, o meu modo de pensar já não importa. O cristão deve ver tudo sob a perspectiva de que há um reino do qual faz parte e lembrar-se das palavras do próprio Cristo (Mt 6.33) que exorta à busca pelo Reino, ou seja, antes de qualquer coisa, vem o Reino. Coisas importantes como comer, se vestir, ter um teto para se abrigar (necessárias para a sobrevivência humana), são postas em segundo plano.

3. Individualismo x Reino. A partir do momento que o cristão se dá conta que participa de um Reino (1Pe 2.9,10), de um povo unido, de um corpo, seus esforços serão investidos no crescimento deste e na glorificação do seu Rei. O salvo trata de agradar ao próximo, promovendo edificação (Rm 14.19; 15.2), em detrimento do seu próprio bem-estar, quando necessário. 

4. Liberdade x amor. Tendo isto em vista, Paulo reconhece a liberdade que o cristão tem de comer e beber o que queira, e se portar do modo que ache correto (naturalmente, exclui-se aqui o que a Bíblia coloca expressamente como pecado!). No entanto, ele adverte aos romanos sobre toda e qualquer aplicação individualista da liberdade, o que pode fazer o irmão mais fraco pecar. O próprio Cristo nos advertiu sobre isto (Mt 18.6,7). Embora o cristão possa fazer o que quiser, o amor pelo seu irmão mais fraco deve reger o seu modo de agir. Se não fizer assim, estará pecando; não pelo ato em si, mas por não por agir com amor, por não por o bem-estar do Reino de Deus (e de todos os seus cidadãos) em primeiro lugar. 

Quanto mais do amor de Deus nós tivermos em nossos corações e quanto mais maturidade espiritual alcançarmos da parte do Senhor, mais cuidado devemos ter em nossos relacionamentos com os nossos irmãos e mais dispostos devemos está para renunciar a nossa liberdade a fim de melhor servir ao Senhor à medida que convivemos com  os santos, para a glória de Deus.

 


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