|
Leitura
Bíblica em Classe
1 Jo 3.11-20
Introdução
I. O que é a comunhão dos
santos
II. A comunhão dos santos em
Israel
III. A comunidade de bens
IV. Como viver a comunhão dos
santos
Conclusão
Título deste subsídio:
Vivendo em comunidade
Autor: Eliezer de Lira e Silva
Palavras-chaves:Comunhão; Amor; fraternidade
Introdução
Como já
dito muitas vezes ao longo de nossas lições bíblicas, a
vida humana é de relacionamentos. Tudo o que o homem é, se
reflete em seu modo de lidar com as pessoas ao seu redor. O
Senhor Jesus, conhecendo o homem que criou, ensina, através
do apóstolo Paulo, o modo como o cristão deve viver,
considerando que nasceu de novo. É um novo padrão de
comportamento, pautado no amor aos demais, uma amor altruísta,
que não considera seus próprios interesses (1Co 13.5). Um
amor que se contrapõe ao individualismo, tão cultuado nos
dias atuais.
I. O amor cristão
1. Uma
vida nova. É impossível entender o novo
modo de existência do cristão sem falar de amor. Estar
arraigado em Cristo pode ser entendido como estar arraigado no
amor (Cl 2.7; Ef 3.17). O amor, juntamente com a fé e a
esperança, faz parte do conteúdo essencial da vida cristã
(1Co 13.13; 1Ts 1.3; Cl 1.4). No amor se concretiza a nova
vida.
2.
Ele nos amou primeiro. O amor com o qual os
cristãos devem amar-se uns aos outros é um reflexo do amor
de Deus em Cristo. Há na Bíblia várias expressões
exortando os crentes a amarem-se uns aos outros olhando para o
amor de Deus (Fp 2.1, 2, 5ss; Ef 5.2,25; Rm 12.1, 9-21).
3.
Edificados em amor. Amar uns aos outros é
um mandamento do Senhor Jesus (Jo 15.12). Assim todos saberão
que somos seus discípulos (Jo 13.35). O amor é um elemento
essencial para vida e crescimento da igreja (Ef 4.15,16), é o
vínculo da perfeição (Cl 3.14).O amor é mais importante do
que qualquer discussão.
É o que mantém a unidade da igreja (Cl 2.2), o corpo
de Cristo. É este conceito que permeia todo o ensino Paulino,
por esta causa, ele chama a igreja à responsabilidade mútua,
que todos, juntos, formem uma unidade; que o amor de uns para
com os outros seja colocado a serviço da edificação da
igreja. Nada é mais importante que este objetivo supremo (Ef
4.13).
II. O individualismo
1.
Individualismo. Têm-se várias definições de
individualismo: sistema de isolamento do indivíduo na
sociedade; existência individual; teoria que sustenta a
preferência do direito individual ao coletivo; sentimento
egocêntrico. Nada pode ser mais contrário ao ensino bíblico!
No entanto, é algo bastante difundido atualmente. O
individualismo pode ser manifestado de várias maneiras, como
por exemplo o egoísmo, a inimizade, o ódio (Rm 1.29ss).
Considerando o que é o individualismo é fácil entender
porque Paulo o repele tão fortemente, colocando-o em sua
“lista de vícios”
(Ef 4.31; Cl 3.5 ss).
2.
O contra-ponto. O viver cristão é um viver de
amor ao próximo (Jo 13.35), de considerar os outros
superiores a si mesmo (Fp 2.3), de abdicar de seus direitos em
função do bem estar alheio (Fp 2.4). O apóstolo João é
enfático ao dizer que quem não ama não é nascido de Deus
(1Jo 4.7,8), ou seja, se alguém nasceu de novo, ama. É
imperativo! Quando fala aos filipenses Paulo os exorta a terem
o mesmo sentimento de Cristo (Fp 2.5) de humildade, de amor,
de altruísmo (Rm 15.3).
III.
Liberdade cristã
1.
Questões indiferentes. Para Paulo, nada (que não
seja colocado na Palavra como pecado) é imundo em si mesmo
(cf Mc 7.14-23; Tt 1.15). A igreja em Roma tinha dois grupos:
os mais fracos em seu entendimento da fé, e os que eram mais
fortes; além de serem judeus e gentios cristãos. Em função
disto Paulo se dirige a ambos com palavras sábias e precisas
a respeito do tema que estabelecia a diferença – o julgar
pelo comer o que alguns consideravam imundo isto é comum.O apóstolo
Pedro como judeu, teve essa dificuldade da qual foi liberta em
uma visão ( At 10.9-15}.
a)
Primeiramente ele deseja inculcar nos irmãos uma
palavra que lhes convincente: eu sei no Senhor Jesus. Isto
expressa a diferença que o Evangelho faz. Paulo era judeu,
dos mais nacionalistas, e tinha sido um fariseu
legalista. Mas agora, salvo em Jesus, diz: “Eu sei e
estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa em si mesma é
imunda...”(Rm 14.14).Essa é uma das formas com as quais ele
dizia que havia recebido de Deus o que estava transmitindo Cf
1Co 11.23. Aí está a diferença que o Evangelho faz e muito
importante para os irmãos judeus em seus dias.
b)
Ele tem a preocupação de não impor regras em nenhuma igreja. Como apóstolo tem toda
autoridade mas, nunca fez isso. Esse é um
exemplo a ser seguido.
Jesus
ensinou que o que realmente importa na lei são os requisitos
de Deus quanto à justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23.23
cf Mq 6.8). Aos crentes que assim entendem Paulo chama, de
fortes. Porém, o fato de estarem certos a respeito de alguma
questão não permite, necessariamente que os “fortes”
ponham-na em prática; nem aos débeis é dado o direito de crítica
ou censura (Rm 14.13). Há que se levar em conta sempre o
“bem maior”, o Reino! Esta será sempre a bússola do
crente, o que vai guiá-lo em suas decisões: o bem-estar do
corpo de Cristo!
2.
O Reino de Deus. Quando se pensa em
reino, é natural que se pense em um Rei e numa submissão
coletiva a esta autoridade. Cristo veio ao mundo com a
finalidade de tornar os homens cidadãos do seu reino (Mc
1.14,15). Então, deve-se ter em mente que o cristão é um
cidadão do Reino de Deus (Cl 1.13), foi transferido de um
reino para outro, não pertence mais a si mesmo. Neste reino,
tudo é diferente (Jo 18.36), inclusive a maneira de pensar
(1Co 2.16). Neste Reino, a minha opinião, o meu modo de
pensar já não importa. O cristão deve ver tudo sob a
perspectiva de que há um reino do qual faz parte e lembrar-se
das palavras do próprio Cristo (Mt 6.33) que exorta à busca
pelo Reino, ou seja, antes de qualquer coisa, vem o Reino.
Coisas importantes como comer, se vestir, ter um teto para se
abrigar (necessárias para a sobrevivência humana), são
postas em segundo plano.
3.
Individualismo x Reino. A partir do momento que
o cristão se dá conta que participa de um Reino (1Pe
2.9,10), de um povo unido, de um corpo, seus esforços serão
investidos no crescimento deste e na glorificação do seu
Rei. O salvo trata de agradar ao próximo, promovendo edificação
(Rm 14.19; 15.2), em detrimento do seu próprio bem-estar,
quando necessário.
4.
Liberdade x amor. Tendo isto em vista,
Paulo reconhece a liberdade que o cristão tem de comer e
beber o que queira, e se portar do modo que ache correto
(naturalmente, exclui-se aqui o que a Bíblia coloca
expressamente como pecado!). No entanto, ele adverte aos
romanos sobre toda e qualquer aplicação individualista da
liberdade, o que pode fazer o irmão mais fraco pecar. O próprio
Cristo nos advertiu sobre isto (Mt 18.6,7). Embora o cristão
possa fazer o que quiser, o amor pelo seu irmão mais fraco
deve reger o seu modo de agir. Se não fizer assim, estará
pecando; não pelo ato em si, mas por não por agir com amor,
por não por o bem-estar do Reino de Deus (e de todos os seus
cidadãos) em primeiro lugar.
Quanto
mais do amor de Deus nós tivermos em nossos corações e
quanto mais maturidade espiritual alcançarmos da parte do
Senhor, mais cuidado devemos ter em nossos relacionamentos com
os nossos irmãos e mais dispostos devemos está para
renunciar a nossa liberdade a fim de melhor servir ao Senhor
à medida que convivemos com
os santos, para a glória de Deus.
|