|
Leitura
Bíblica em Classe
1 Pe 3.8-16
Introdução:
I. O que é o testemunho cristão
II. Objetivos do testemunho cristão
III. Em que consiste o testemunho cristão
Conclusão:
Título deste subsídio: A oração e o testemunho do crente
Autor deste comentário: Pr. Elinaldo Renovato de Lima
Introdução
A Bíblia
inteira exorta o crente à oração. Sem esse recurso valioso
e indispensável à vitória contra o mal, é impossível o
crente e a igreja resistirem às investidas das heresias. Há
lugares em que igrejas se dividem perdendo membros para seitas
e movimentos estranhos que se apresentam com feição de cristã,
de avivalismo e de aparente santidade. Só com muita oração
intercessória, sabedoria divina e estudo da Palavra de Deus
é que o erro pode ser exposto e repelido.
I. UMA
VIDA EM ORAÇÃO
1. Orando
com perseverança (4.2a).
Perseverar tem o sentido de dedicar-se, apegar-se, continuar
firme; o que subentende desvelada persistência, fervor e
apego à oração” (BEP). A oração faz parte da vida
devocional do crente em Jesus, ao lado da leitura da Bíblia e
do louvor sincero. Ela deve ocupar um lugar especial em nossa
vida diária com Deus. A experiência diária demonstra que
orar, no sentido estrito e pleno desta palavra, não é fácil.
O adversário do crente e da Igreja sempre engendra um meio
para impedir a oração. Ele sabe que, na vida diária de oração,
está o segredo do sucesso pessoal, e também da igreja no
sentido coletivo. Davi era homem de oração como vemos em Sl
55.7; 5.2 e 3; 119.62,147, 164. A questão não é apenas
orar, mas orar constantemente. Orar não somente muda as
coisas, mas também muda o crente. Se você não apenas
precisa, mas quer mudar, ore mais e jejue também, se puder.
Jesus orou com agonia de alma, vezes seguidas no Getsêmani,
diante da extremamente dolorosa missão que deveria cumprir
(Mt 26.44a). Diz a Bíblia: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17).
Uma das razões para o extraordinário crescimento da igreja
em quantidade e qualidade, em seus primórdios, foi a vida de
oração dos crentes. Eles “perseveraram... nas orações”
(At 2.42).
2.
Velando na oração (4.2b). No texto bíblico em
estudo, temos o imperativo divino: “Perseverai em oração,
velando nela com ação de graças”. O termo velar, no
original, significa “estar vigilante”, “estar alerta”.
Como faz a sentinela no seu posto. “Velando nela” quer
dizer estar alerta durante o período de oração, por causa
dos ardis do Inimigo contra a oração. Também significa
estar alerta na vida de oração. Em diversas referências, a
Bíblia chama a atenção para o valor da vigilância e da oração,
como em 1 Pe 4.7, “vigiai em oração”. É preciso vigiar
para que o Diabo não nos trague (5.8); Em Efésios está
escrito “orando em todo tempo…” “e vigiando nisso com
toda perseverança.”
3. Orando
com ação de graças (4.2b). Um segundo elemento
importante na oração, além da vigilância, é a “ação
de graças”. De fato, nós temos muito mais a agradecer a
Deus do que a lhe pedir. E Deus nos dá muito mais do que
pedimos ou pensamos (Ef 3.20). Na prática, porém, o que
ocorre é o inverso. Sempre há alguém pedindo mais do que
agradecendo a Deus. Na epístola de Paulo aos Colossenses, há
sete referências a “ação de graças” (1.3,12;
2.7;3.15.16,17) e cada uma delas contém uma lição.
II. QUE
DEUS NOS ABRA A PORTA DA PALAVRA (4.3)
1. Deus
abre a porta. Paulo pede orações por ele e por
seus amigos: “orando também juntamente por nós”.
Para que o evangelho seja pregado, é necessário que “a
porta da Palavra” esteja aberta. Em muitos lugares, no
mundo, as portas para a evangelização estão terrivelmente
fechadas. Às vezes, surge muita oposição diante das
“portas” que se abrem (1 Co 16.9; 2 Co 2.12). A oração
é necessária para que a Palavra de Deus tenha “livre
curso” (2 Ts 3.1) e só Deus pode abrir as portas da
evangelização.
2.
Falando do mistério de Cristo. Esse
mistério já houvera sido revelado por Paulo em textos
anteriores da carta; “o mistério que esteve oculto”, mas
que “foi manifesto aos santos” (1.26), que é “Cristo em
vós, esperança da glória” (1.27). O apóstolo sabia
quanto era difícil tentar levar a mensagem aos perdidos. As
razões porque é difícil pregar o evangelho são várias.
Paulo distingue duas muito sérias: 1) O “homem natural”
se opõe a Deus (1 Co 2.14; Rm 8.7); 2) O Diabo persegue de
muitas maneiras, inclusive cegando os entendimentos (Ef 2.2; 2
Co 4.4). Diante disso, só o Espírito Santo para convencer o
pecador, cego, surdo e morto (Jo 16.8-11).
III. COMO
NOS CONVÉM FALAR (4.4)
Paulo estava preso naquela ocasião, mas cônscio do dever
de continuar a pregar a Palavra de Deus. O pedido que fizera
aos efésios (6.20), repetia aos colossenses, para que Deus
lhe manifestasse a forma conveniente de transmitir a mensagem
da salvação. “Manifeste” (v.4) é no original tornar
claro, compreensível, notório, patente, público. E isso era
o que o apóstolo queria. Mesmo estando encarcerado, não se
conformava em guardar a mensagem para si. Desejava que, a
partir da prisão, o evangelho fosse pregado na sua clareza,
simplicidade e poder. Sem dúvida, era uma lição de coragem
e fé inabaláveis do grande homem de Deus que foi Paulo (Sl
125.1).
IV. O
TESTEMUNHO QUE FAZ DIFERENÇA (4.5-6)
1.
Andando com sabedoria (4.5). Se os
colossenses não tivessem sabedoria concedida por Deus,
facilmente seriam levados pelos enganos e engodos dos falsos
ensinos. É Deus quem dá sabedoria (Pv 2.6); é
bem-aventurado quem acha a sabedoria (Pv 3.13); o Sábio diz
que a sabedoria é coisa principal (Pv 4.7). Quando o apóstolo
se refere aos “que são de fora”, deixa claro que os
crentes são “os que são de dentro”. Aí se vê a diferença.
De fato, os seguidores de Cristo são, na verdade, neste
mundo, peregrinos e forasteiros (Hb 11.13; 1 Pe 2.11). Estão
no mundo, mas não são do mundo (Jo 15.19).
2.
Remindo o tempo (Cl 4.5). Dentro das igrejas locais, há
muitos crentes perdendo tempo. Quantos há que, aos domingos,
ou em outros dias da semana, deixam de ir à igreja para
assistirem a programas de televisão, que nada têm de
edificantes e convenientes para a vida cristã, ao contrário,
a envenenam e sufocam. Quantos não têm tempo para ler sequer
um capítulo da Bíblia ou para orar durante meia hora por
dia, mas têm tempo para ler jornais, revistas e outros tipos
de literatura; quantos que, enquanto a igreja está reunida, vão
à praia, aos clubes, e outros locais de lazer. Não queremos
dizer que o lazer justo e necessário, no momento oportuno,
seja pecado. Mas a perda de tempo é flagrante na vida de
muitos que se dizem cristãos.
V. A
PALAVRA DO CRENTE (4.6)
1.
Palavra agradável. Aqui, Paulo dá uma grande
lição de relações humanas entre os crentes, e entre “os
que estão de fora”. O crente em Jesus deve expressar-se com
palavras, de tal forma que os ouvintes sintam-se bem ao
ouvi-lo. A palavra agradável é sinônima de “graciosa”,
que vem de charis, “graça”. É a palavra que atrai
os que a ouvem, com gentileza, amabilidade e respeito fundada
no amor com que devemos nos amar uns aos outros (Jo 13.34).
2. Temperada com sal. A palavra agradável e temperada
com sal é a palavra que mantém o ouvinte atento à fala ou
à mensagem transmitida. É a palavra com unção de Deus.
Há
pessoas que querem pregar e ensinar. Mas, como são exageradas
em sua maneira de ser, não são ouvidas, são rejeitadas, têm
“sal de mais”; há outras, que não têm o que dizer
acerca de sua fé; é porque têm sal de menos, ou já são
“insípidas” em seu viver. Deve-se ressaltar, no entanto,
que a palavra “agradável” e “temperada com sal” não
impede uma palavra enérgica e necessária, quando se
confronta os inimigos do evangelho (ver o que Paulo disse a um
“filho do Diabo:” At 13.10,11).
3.
Palavra conveniente (4.6). O apóstolo ressalta a
conveniência no falar “a cada um”. Certamente, ele tinha
em mente que cada pessoa com quem se fala tem uma maneira
diferente de reagir ao que se lhe transmite. Mesmo entre os
crentes, há diferenças de percepções. Uma repreensão a um
crente antigo, maduro na fé, pode ter um efeito positivo e
edificante. A mesma repreensão, dada a um novo convertido,
pode traumatizá-lo espiritualmente. Uma palavra de exortação,
dada a uma irmã antiga na fé, pode resultar em crescimento
espiritual para ela; a mesma palavra, para uma adolescente
pode causar-lhe tanta tristeza que até pense em deixar a
igreja.
Os
crentes em Jesus são “a geração eleita, o sacerdócio
real, a nação santa, o povo adquirido” para anunciar as
virtudes daquele que “os chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz” (1 Pe 2.9); são “um povo seu especial,
zeloso de boas obras” (Tt 2.14). Com oração constante na
presença de Deus, o testemunho cristão pode ser agradável e
temperado com o “sal” da graça do Senhor.
|