Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas Mestre
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição As Disciplinas da Vida Cristã
2º trimestre/2008


Lição 08 - O louvor que chega ao Trono da Graça



Leitura Bíblica em Classe
Sl 33.1-14




Introdução:

I. O que é o cântico congregacional

II. Os fundamentos da música sacra

III. A música no cristianismo primitivo



Conclusão:

Título deste subsídio: A mordomia da adoração

Autor deste comentário: Pr. Elienai Cabral

Palavras-chaves:Adoração; Louvor; Mordomia; Reverência.


Introdução

A mordomia da adoração se constitui numa doutrina essencial na vida da igreja. Nesta lição trataremos do culto a Deus através da adoração, como a Bíblia nos ensina. Trataremos também da sua prática na vida cotidiana da igreja.  

I. A MORDOMIA DA ADORAÇÃO A DEUS

A primeira verdade da mordomia da adoração é que ela é um privilégio concedido ao povo salvo, para deste modo servi-lo. 

1. O ato de adorar a Deus. O sentido mais forte de adoração é de atribuir valor ou mérito a um objeto ou pessoa. Na teologia bíblica não há espaço para adoração de coisas ou objetos. Existe uma palavra no hebraico bíblico histahawah que literalmente significa “curvar-se em humilde reverência e prostração”. Essa atitude indicava que todo israelita devia manter e administrar sua vida religiosa, como reconhecimento da soberania divina ( Gn 24.52; 2 Cr 7.3; 29.29). No Novo Testamento, o grego usa a palavra proskyneo e o sentido é o de “prostrar-se diante de alguém maior, ou de render homenagem”. Quando adoramos a Deus, estamos, na verdade, administrando nossa atitude e posição em relação a Ele.

2. A igreja e a adoração a Deus. O texto de 1 Pe 2.4,5,9,10 indica que o crente em Jesus Cristo é conhecido primeiramente como adorador de Deus. O texto declara que exercemos um “sacerdócio santo” e como sacerdotes de Deus, os crentes O servem de duas maneiras: eles representam os homens diante de Deus e ao mesmo tempo que representam a Deus perante os homens. Num sentido especial, tudo o que a igreja faz e realiza na vida diária em obediência às Escrituras se constitui numa forma de adoração ( 2 Co 4.15; Rm 12.1; Hb 13.16).

3. Aspectos da adoração. São vários os aspectos.. 

a) Reverência. É em resumo: honrar, venerar, adorar. Um sentido mais prático é: “obedecer, acatar, respeitar”. O ato de adorar deve ser precedido pela obediência aos mandamentos de Deus. Porém, equivocadamente, a maioria dos cristãos entende que “reverenciar a Deus” refere-se apenas à postura física. Mais do que prostrar-se, colocar o rosto na terra, a autêntica reverência na adoração tem a ver com a atitude do coração. Jesus declarou que “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade”(Jo 4.24).

b) Moral. Um crente não nasceu de novo para ser tornar um mero “contemplativo”, mas para ser ativo no serviço que enaltece e glorifica a Deus.

c) Religioso. O próprio sentido da palavra “religião” indica a razão e de ser, e o procedimento do crente. O sentido latino de “religião” é re-ligare”, isto é, ligar outra vez. Por Jesus Cristo, todo o crente foi religado à comunhão com Deus, antes perdida. Nesse nível, o adorador conhece a Deus pela revelação pessoal  que Ele faz de Si mesmo, e em reconhecimento, o crente valoriza essa revelação.      

II. RAZÕES PARA A ADORAÇÃO

O homem foi criado com a capacidade de adorar ao Deus que o criou, de modo livre e espontâneo. Com a queda de Adão e Eva pelo pecado, esse senso de adoração, inerente à sua natureza religiosa, foi completamente desvirtuado. Mas Deus providenciou a restauração do homem consigo, mediante a revelação de Seu Filho Jesus. Foi o próprio Jesus quem proveu essa recuperação humana abrindo o caminho para a adoração ao Pai, revelando-O de modo especial.

1. Revelação de Deus Pai. A Bíblia declara em Colossenses que Ele “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”( Cl 1.15). Jesus foi e é a expressa imagem desse Deus Grandioso que tornou-se conhecido através de seu Filho, o qual, sendo Deus, ”humilhou-se a si mesmo”...”pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”( Fp 2.8). Jesus revelou o Pai a todos os homens. 

2. Presença de Deus. A adoração no Novo Testamento é uma resposta à presença de Deus em Cristo Jesus. Um dos nomes Jesus é “Emanuel” que quer dizer: “Deus conosco”. Deus se revela na pessoa de Cristo (Gl 4.8,9) por isso, podemos chamá-lo Pai ( Rm 8.15,16; Gl 4.6). 

3. Poder de Deus. Um dos nomes de Deus “o Deus Todo-Poderoso”. 

III. ASPECTOS E MODOS DA ADORAÇÃO CRISTÃ

A Mordomia da adoração cristã requer uma administração racional, espiritual, dinâmica e disciplinada. A igreja está na terra como uma comunidade de adoração e o sentido da adoração está implícito na vida e missão da igreja no mundo. Os vários modos de adoração são identificados pelo foco da adoração conforme veremos a seguir.

1. Administrando a adoração. Nesse sentido, a adoração envolve o passado, o presente e o futuro da fé cristã. Esses elementos do tempo são combinados através de fatos como:

            a) Pelas lembranças do passado. A memória da nossa historia de fé exerce um papel importante na adoração cristã. Temos facilidade para esquecer as bênçãos recebidas, mas quando trazemos à tona o que Deus já fez por nós numa atitude de adoração tornamos possível a presença divina na vida pessoal e coletiva da igreja. Alguns símbolos revividos através dos batismo por imersão e a participação na Santa Ceia se constituem em lembranças que motivam a nossa adoração. 

            b) Pela presença atual de Cristo. Sem dúvida, as lembranças aguçam nossa consciência e nos responsabilizam em termos de adoração a Deus. A presença de Deus em Cristo é algo real quando se dá lugar para Ele. O fazemos quando nos reunimos para cultuar a Ele de corpo presente e visível, pois a presença física da igreja num culto significa a presença de Cristo no seu corpo vivo, a igreja ( 1 Co 10.16-18). 

2. A administração do Batismo em águas. O batismo em águas é parte essencial da adoração cristã. Sua doutrina existe para fortalecer a idéia de sepultamento da velha vida e o compromisso com a igreja. Pelo ato do batismo, não só confessamos fé em Cristo, mas ficamos mergulhados ( imersos) Nele (Mt 28.19,20; At 2.38,41). Portanto, quando ministramos o batismo de novas pessoas em águas, estamos promovendo a adoração cristã. 

3. A administração da Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor é o modo mais singular e glorioso da adoração cristã. A última Ceia que Jesus partilhou com seus discípulos antes do calvário nos dá uma compreensão maior em relação à adoração cristã. A ultima ceia foi uma ceia pascal que fazia parte ainda da velha aliança (Lc 22.15). Mas Ele tomou a experiência pascal para instituir uma nova forma de adorar, lembrando o que Ele faria por todos na cruz do calvário. Quatro significados especiais: 

            a) Comunhão. A palavra grega koinonia representa plenamente o sentido da Ceia do Senhor (1 Co 10.16,17). Porém, a idéia básica de koinonia é “aquilo que é partilhado por um grupo em particular”. A igreja, quando se reúne para a Ceia do Senhor, na verdade, desenvolve uma forma de adoração que significa comunhão, fraternidade, participação da igreja num ato comum a todas as pessoas (1 Co 10.21). A comunhão é com o Senhor e com os irmãos. A participação do pão e do vinho por todos os que fazem parte do corpo de Cristo é uma forma especial de unidade com Ele. 

            b) Memorial ( Lc 22.19; 1 Co 11.24,25). Já falamos de lembrança e a Ceia do Senhor nada mais é do que lembrar a morte do Senhor Jesus e o seu significado para nós. Quando tomamos do pão e do vinho “em memória da sua morte” promovemos reflexão e compromisso com o Senhor. Assim como judeu lembra através da páscoa a sua libertação do Egito, assim também, a Ceia do Senhor lembra a libertação que tivemos mediante Jesus Cristo. 

            c) Proclamação  (1 Co 11.26). Quando administramos a Ceia do Senhor estamos, na verdade, proclamando o fruto da morte do Senhor. Esse ato de proclamação implica tornar conhecida a obra expiatória de Cristo, pela sua morte, derramamento do seu sangue e a sua vitória na ressurreição. Paulo deu ênfase na celebração da Ceia do Senhor à pregação da morte de Cristo. Na Ceia do Senhor conhecemos o significado da morte e o seu fruto salvifico ( 1 Co 9.14,16). O serviço que prestamos e fazemos na Ceia um procedimento de mordomia cristã, pois ministramos ao corpo de Cristo que é a sua igreja. 

1. Administrando o culto a Deus.

a)A leitura da Palavra. Hoje, a leitura individual com atitude de reverência produz paz interior e orientação espiritual para a vida cotidiana. A leitura pública ainda é um hábito positivo e indispensável aos cultos cristãos, como parte da adoração cristã. Na Bíblia, aprendemos que um dos maiores momentos de adoração ao Senhor ocorreu quando o sacerdote Esdras leu a Lei perante o povo (Ne 8.5,6).

b)A pregação e o ensino da Palavra de Deus. Um verdadeiro culto de adoração a Deus não pode ficar sem ensino ou pregação bíblica. Através da exposição desta, o homem pode reconhecer Deus como seu único Senhor e Salvador. (II Cr 34.30-33).

c) Os cânticos na adoração cristã. Uma maneira de expressarmos alegria, gratidão e desejo de comunhão com nosso Senhor é através dos hinos e cânticos espirituais (Sl 136; Sl 126.3). Os cânticos devem ser inspirados em música e letra com conteúdo suficiente para conduzir o povo de Deus à adoração (Ex 15.1-21).

d) As orações na adoração cristã. Outro elemento importante na adoração a Deus é buscar a sua face em oração. É o meio de comunicação entre os santos e o Senhor. A oração deve ser sempre acompanhada de ações de graças a Deus. O Novo Testamento apresenta dois tipos distintos de orações, a  individual e a coletiva. A oração individual está relacionada a nossa intimidade com Deus pessoal e secreta do crente e o Senhor (Mt 6.5-8; Lc 11.5-13). A oração coletiva é aquela oração que todo o povo faz (Mt 18.19,20). Esse último tipo de oração promove união, confraternização e comunhão. Era o tipo de oração exercitada nas casas do crentes primitivos quando ainda não tinham templos próprios (At 2.42,46; 4.23; 5.42).

e) As contribuições na adoração cristã . A entrega dos dízimos e ofertas faz parte da adoração cristã (Sl 96.8). O texto de 1 Co 16.1-4 contém os princípios e bênçãos dos que contribuem para a obra de Deus. 

CONCLUSÃO

O homem foi criado para a glória de Deus, o qual deseja e espera receber o devido louvor de sua criação (Is 43.7). A adoração do crente deve ser direcionada única e exclusivamente a Deus (Mt 4.10), pois nas Escrituras encontramos as principais razões para assim procedermos, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos “(At 17.28). 

Adquira do mesmo autor:

Romanos: o evangelho da justiça de Deus, CPAD, 2005.

A síndrome do canto do galo, CPAD, 2000.

Mordomia Cristã, CPAD, 2003.


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Veja também:
- Outras lições
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