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Leitura
Bíblica em Classe
Cl 3.12-17
Introdução:
I. O que é o culto cristão
II. Objetivos do culto público
cristão
III. O cultor particular e doméstico
a Deus
IV. Componentes do culto cristão
V. Atitudes no culto cristão
Conclusão:
Autor deste comentário: Pr. Antonio Gilberto
Palavras-chaves:
Culto; Liturgia; Adoração; Ordem no culto.
Título deste subsídio: O Culto Cristão
O
Culto Cristão
A presente lição abrange a
liturgia do culto a Deus. Liturgia é o conjunto dos elementos
que compõem o culto cristão (At 2.42-47; 1 Co 14.26-40; Cl
3.16), isto é, a ordem e o conteúdo que deve haver no culto
ao Senhor. Logo, não há culto sem liturgia, embora seja possível
liturgia sem culto (Is 1.11-17; 29.13; Mt 15. 7-9; 1 Co
11.17-22). A liturgia, portanto, compreende as diversas partes
as quais o culto cristão é dividido: oração (At
12.12; 16.16); cânticos (1 Co 14.26; Cl 3.16); leitura
e exposição da Palavra de Deus (Rm 10.17; Hb 13.7); ofertas
(1 Co 16.1,2); manifestações e operações do Espírito
Santo, segundo seus propósitos e soberania (1 Co
14.26-32); e bênção apostólica (2 Co 13.13; Nm
6.23-27).
O
CULTO NO NOVO TESTAMENTO
1.
Na Igreja em Atos e nas Epístolas (At
2.1-4; Ef 5.19; Cl 3.16). A promessa da efusão do Espírito (Jl
2.28), cumpriu-se no dia de Pentecostes (At 2.16-18) quando,
os que estavam reunidos, foram “cheios do Espírito Santo e
começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito
Santo lhes concedia que falassem” (At 2.1-4). Essa experiência
pentecostal repetiu-se em outras ocasiões: em Samaria
(At 8.14-20); na vida de Paulo (At 9.17); na casa de
Cornélio (At 10.44-48); e em Éfeso (At 19.1-7).
Manifestações espirituais como essas foram acompanhadas do:
falar em outras línguas (At 2.4; 19.6); poder (At 8.18,19);
exultação a Deus (At 10.46); ousadia, poder e graça na
pregação (At 4.31,33) e mensagens proféticas (At 19.6). O
culto dos crentes primitivos que, nos primeiros dias da igreja
em Jerusalém não se distinguia muito da liturgia judaica (At
3.1), passou a ser dinâmico, espontâneo e com manifestações
periódicas dos dons concedidos pelo Espírito Santo (Rm
12.6-8; 1 Co 12.4-11,28-31).
Foi assim nos primeiros tempos da
igreja do Senhor, como diz o hino 453 da Harpa Cristã. A
seguir, entrou a frieza espiritual, agravada pelos desvios
doutrinários dos falsos mestres, pastores e apóstolos que
enfraqueceram a igreja e reduziram a sua marcha triunfante.
Mas, em séculos recentes, Deus reavivou o seu povo e neste
contexto está o povo pentecostal. Portanto, a recomendação
da Bíblia aos crentes pentecostais é: “Não
vos embriagueis com vinho em que há contenda, mas enchei-vos
do Espírito” (Ef 5.18).
a)
“Enchei-vos
do Espírito”. O verbo traduzido por “enchei-vos” traz no
original quatro lições importantes: é um imperativo – pois
se trata de uma ordem; está no plural – por isso,
aplica-se a todos os crentes; está na voz passiva
– o que significa que a ação de estarmos cheios do Espírito é atribuição
dEle; está no tempo presente contínuo – isto é,
designa uma ação constante, contínua, perene. Portanto,
pode ser traduzido como “Deixai-vos encher continuamente do
Espírito”.
b)
Enchendo-nos
continuamente do Espírito para cultuar a Deus”.
Os crentes de Éfeso só poderiam continuar enchendo-se do Espírito,
se já estivessem cheios dEle anteriormente. O batismo com o
Espírito teve início entre aqueles crentes em At 19.1-7.
Quando o crente é cheio e se mantém renovado pelo Espírito
Santo, o culto cristão é caracterizado por: “salmos, e
hinos, e cânticos espirituais”, bem como pelos dons e
outras manifestações do Espírito; tudo regulado pela
doutrina bíblica.
2.
Na igreja em Corinto.
Os cultos da igreja de Corinto eram notadamente pentecostais
(1 Co 12; 13; 14). Segundo o apóstolo Paulo, nenhum dom
faltava a essa igreja (1 Co 1.7). Todas as manifestações
espirituais do Espírito Santo tinham lugar ali (1 Co 12.4);
as diversidades de ministérios do Senhor Jesus (1 Co 12.5);
e, as diversas operações do próprio Deus (1 Co 12.6). No
entanto, a igreja estava envolvida em diversas dissensões e
litígio (1 Co 1.10; 6.1-11; 11.18), pecados morais graves (1
Co 5), e desordem no culto de adoração a Deus (1 Co
11.17-19). Outrossim, os crentes eram imaturos e carnais (1 Co
3.1-4). A desordem era tal que o próprio culto tornou-se um
entrave para o progresso espiritual dos crentes: “Nisto, porém,
que vou dizer-vos, não vos louvo, porquanto vos ajuntais, não
para melhor, senão para pior” (v.17). O culto da Ceia do
Senhor, havia se tornado para os crentes coríntios um motivo
de retrocesso espiritual, pois muitos até participavam
indignamente (1 Co 11.27), desprezando a igreja de Deus (1 Co
11.22).
AS CAUSAS DA DESORDEM NO CULTO EM
CORINTO.
Podemos constatar que a desordem
no culto era provocada pela:
1.
Dissensão ou partidarismo
(1 Co 11.18; 1.10-13; 3.4-6). “Ouço que, quando vos
ajuntais na igreja, há entre vós dissensões”. O termo
“dissensões” empregado em 1 Co 11.17 e 1.10 descreve a
destruição da unidade cristã por meio da carnalidade. Em
vez de gratidão a Deus, para promover a comunhão uns para
com os outros e “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo
da paz” (Ef 4.3), os crentes reuniam-se para o culto com
“espírito faccioso”. Quão desrespeitoso é, ao nome do
Senhor, os crentes, ajuntarem-se no culto desunidos,
murmurando, queixosos e brigados uns com os outros! (1 Co
1.11; 3.3).
2.
Carnalidade (1 Co 3.1-3). “Não vos pude
falar como a espirituais, mas como a carnais” (v.1). Havia
membros da igreja de Corinto guiados e cheios do Espírito
Santo (1 Co 1.4-9; Rm 8.14), mas muitos eram carnais (v.1).
Carnal é o crente, ele ou ela, cuja vida não é regida pelo
Espírito (Rm 8.5-8); que tem muita dificuldade de entender os
assuntos espirituais (1 Co 2.14) e, vive em contendas,
intrigas, difamações, calúnias e hipocrisia. A mente e a língua
do carnal é malfazeja até durante o sono. Ver Rm 8.5; Gl
5.19-21;Pv 4.16. Esse tipo de crente é uma perturbação no
culto de adoração a Deus.
3.
Intemperança (1 Co 11.21). Na liturgia da
igreja primitiva era comum a Ceia do Senhor ser precedida por
uma festividade chamada de ágape ou festa do amor (2
Pe 2.13; Jd v.12). No entanto, alguns crentes coríntios em
vez de fortalecerem o amor e a unidade cristã antes da Ceia
do Senhor, embriagavam-se. Os ricos comiam de tudo, enquanto
os pobres padeciam de fome (v.21). Isso alguns faziam “para
sua própria condenação” ou castigo (v.29). Esses cristãos
cometiam o erro de transformar uma festa espiritual, o culto,
em uma festa profana. Veja as conseqüências disso nos
vv.30,31.
4.
Ignorância concernente os dons espirituais
(1 Co 12.1; 14.26-33). A manifestação dos dons espirituais
é “dada a cada um para o que for útil” (1 Co 12.7). O
propósito de Deus neles é a edificação, consolação,
exortação, crescimento espiritual e aperfeiçoamento do
Corpo de Cristo (1 Co 14.3, 26; Ef 4.11-14; Rm 12.4-8). Mas,
para que assim seja, é necessário que haja sabedoria, ordem
e decência quanto ao uso dos mesmos (1 Co 12.1; 14.40). O
crente não é proibido de falar em línguas, nem o profeta de
profetizar no culto (1 Co 14.39), contanto que seja conforme a
doutrina bíblica (1 Co 14.12, 19, 26, 39). A expressão-chave
do ensino contido em 1 Co 14.26-40 é: “Faça-se tudo para
edificação”. “Edificação” quer dizer “construir
como um processo”, ou seja, crescimento sólido, gradual,
uniforme e constante na vida do crente. Os cristãos de
Corinto ignoravam o propósito evangelístico e edificador do
culto na vida espiritual do crente (1 Co 14.23-25), pois
exibiam vaidosamente seus dotes espirituais, provocando
balburdia e dissensões (1 Co 14.27-30).
Antes de tudo, o culto cristão é uma reunião de adoração
ao sacrossanto nome de Jesus Cristo. A Bíblia recomenda que
todos, pelo Espírito Santo, falem em línguas e profetizem (1
Co 14.5), mas que também exerçam os dons espirituais com
sabedoria, ordem e decência (1 Co 14.26-33,37-40), a fim de
que o nome do Senhor seja glorificado (1 Co 14.25), o incrédulo
seja convertido (1 Co 14.22-25) e a igreja edificada (1 Co
14.26).
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