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Leitura Bíblica em Classe
Romanos
8.31,32,33,37; Ap 19.11,16; 20.10; 22.13
Esboço da Lição
Introdução
I. As
aflições experimentadas pela Igreja
II. O cântico
de vitória da Igreja
III. Nada
pode nos separar do amor de Deus
IV.
A
vitória é nossa pelo sangue de Jesus
Conclusão
Tema deste Subsídio
O
verdadeiro poder da Igreja
Autor
Pr.
César Moisés Carvalho
Palavras-chave
Poder;
Igreja; Palavra de Deus.
"Pois
também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra
edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela" (Mt 16.18).
Em julho de 1999, no 1º Seminário de Escritores Evangélicos,
promovido pela CPAD, lembro-me de uma recomendação do Pastor
Antonio Gilberto – sobre a importância de se conhecer as línguas
originais em que a Bíblia foi escrita – seguida da indicação
(estávamos na filial da CPAD em Vicente de Carvalho/RJ) de
dois livros sobre sintaxe do hebraico. Apesar de meu
conhecimento do assunto não ter avançado quase nada,
mantenho um bom costume durante anos: verificar o verdadeiro
sentido do texto bíblico. Para isso leio o mesmo texto em
diversas versões da Bíblia, consulto dicionários bíblicos,
inclusive com o significado dos termos originais e sempre
pesquiso um bom comentário. Por quê? Para não cometer
atrocidades com o texto bíblico e inverter sua mensagem
original.
Esse problema, em que pese às opiniões contrárias, pode ser
fruto de, ao menos, três causas:
1 – Ignorância ou desconhecimento;
2 – Falta de dedicação ao estudo da Palavra;
3 – Distorção deliberada do texto.
Apesar de as três formas apresentarem resultado praticamente
comum – o prejuízo dos ouvintes – as duas primeiras podem
ser “facilmente” resolvidas com o aconselhamento, o mesmo
não valendo para o terceiro caso, pois é algo que parte de
alguém que conhece, mas que, para tirar vantagens próprias
ou institucionais, dá sentido distinto do original a fim de
manter-se ou manter a instituição no domínio.
Lamentavelmente, essa forma de “interpretação” bíblica
é largamente utilizada.
No que diz respeito ao texto bíblico que abre esta reflexão,
sabemos das diversas distorções as quais ele tem sido
submetido. O primeiro e mais conhecido é a que interpreta que
a “pedra” a que se refere o Senhor Jesus seja “Pedro”.
Daí o apóstolo ser considerado fundador da igreja e primeiro
papa. Totalmente infundada, e já bem rechaçada pelos
estudiosos, dispensamos comentários acerca desta equivocada
interpretação.
Uma segunda distorção – e esta sim é preocupante – é o
triunfalismo institucional. Certo dia, alguém esbravejando
disse que “Deus se encarrega de cumprir todos os anseios de
sua igreja”, e arrematou: “Você é a igreja de Cristo irmão,
pede o que quiser”. Se lermos a Bíblia com cuidado,
verificaremos que, a Igreja com “I” maiúsculo é o Corpo
de Cristo, e, por conseguinte, guardadas as devidas proporções
e exageros do literalismo, uma extensão Sua aqui na Terra. E
qual foi o modo de viver do meigo Nazareno quando esteve
encarnado entre nós? Qual foi a Sua promessa para a Igreja?
Será que o Senhor Jesus dotou a Igreja de um poder paralelo
para arbitrariamente cumprir os desejos individualistas dos
cristãos nominais da atualidade?
Essa precipitada conclusão vem da descabida “interpretação”
de que com a expressão do Senhor: “[...] as portas do
inferno não prevalecerão contra ela”, e também com a do
próximo versículo, estava Ele beneficiando a Igreja com um
poder mandatário que extrapola até mesmo a dimensão física
e avança ao reino espiritual. Tudo isso, sabemos, não passa
de ficção espiritual alimentada pelo pragmatismo pós-moderno
– tudo é avaliado em termos de satisfação pessoal –
perversão do texto bíblico e sensacionalismo barato para
envolver o auditório. Somos sabedores de que desde a primeira
vez que alguém quis ter poder semelhante ao de Deus, causou
uma desestruturação total na ordem das coisas criadas,
provando sua imaturidade em relação ao domínio e direção,
que de forma soberana, só pertencem a Deus (veja Gn 3).
Como Corpo de Cristo, o verdadeiro poder da Igreja do Senhor
Jesus é o poder de fazer aquilo que sua “Cabeça”
determinar. Paulo escreveu que Ele – o Senhor Jesus Cristo
– é “a cabeça da igreja” (Ef 1.22 e Cl 1.18). Não
existe corpo ou cabeça – com vida – separados um do
outro. Eles são complementares. Não obstante, o corpo só
faz o que a cabeça determina. Mesmo os nossos atos mais mecânicos
e orgânicos, que parecem prescindir de elaboração mental, são
processados e comandados pelo nosso cérebro.
O verdadeiro poder dado a Igreja, não é político, econômico
ou social, Deus não tem interesse que o Seu povo exerça
hegemonia nessas áreas. É bem verdade que a Igreja teve
participação direta em grandes acontecimentos da História,
seu papel foi notoriamente fundamental quando isso se fez
necessário. Convém entender que, para influenciar, Ela não
deixou de ser Igreja para se tornar um partido político, um
modelo econômico ou mesmo uma filosofia de vida, foi sendo
Igreja e vivendo como tal, segundo sua natureza e cumprindo os
desígnios do Senhor, que toda a diferença foi feita. E,
quando na História, a Igreja se institucionalizou,
misturando-se – chegando a ser confundida! – com o poder
político ou o Estado, foi preciso uma reforma para que Ela
voltasse ao seu propósito original.
Reconhecemos a urgência de salgar e iluminar. Mas, a despeito
da proposital redundância, é preciso que o sal seja sal
mesmo e a luz seja mesmo luz. Sob pena de sermos pisados por
causa da falta de sabor e de rejeitados por não iluminar. Se
o Evangelho, as Boas Novas, a mensagem do reino, pérola da
Igreja, alcançar pessoas em pontos estratégicos da sociedade
e dentro de todos os escalões, vivendo esses de forma ética
e cristã, aliando a mensagem ao seu exemplo, compromisso e
serviço, com a postura condizente de um membro do Corpo de
Cristo, é fato que profundas transformações ocorrerão na
sociedade, mas se isso acontecer, não será porque a Igreja
deixou de ser o que é, mas exatamente o contrário!
“As portas do inferno não prevalecerão contra ela” – não
significa que não passará por tribulações (é só ver o
testemunho insuspeito da História), ou que tomará a
dianteira política – quer dizer que a Cabeça garante a
subsistência de Seu Corpo e, que este não será exterminado.
Cabe, entretanto, avaliar no plano individual e coletivo, se
somos ou não membros do Corpo. A comprovação de estarmos no
Corpo de Cristo é o fato de nossas ações serem diferentes,
relevantes, significativas e desprovidas do legalismo ou do
assistencialismo eleitoreiro de fazer um pequeno benefício
para receber algo bem maior em troca. As nossas ações serão,
simplesmente, a exteriorização do que foi processado na Cabeça,
pois o Corpo – estamos falando de um corpo em perfeito
estado – não faz o que quer.
O poder dado à Igreja é o poder – capacitação espiritual
– para executar a Obra do Senhor, poder para cumprir a
Grande Comissão que Jesus Cristo a delegou. Quando faz isso
– que é sua incumbência – a transformação total da
realidade acontece como conseqüência. Nada pode deter a
Igreja – o Corpo de Cristo – quando Ela cumpre o plano
mestre da Cabeça – o Senhor Jesus – pois é exatamente
isso que se espera de um organismo normal e perfeito (Ef
4.15,16).
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