Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição Tempos Trabalhosos


Lição 11 - Mornidão Espiritual



Leitura Bíblica em Classe

Apocalipse 3.14-20

 

Esboço da Lição

Introdução  

I. Jesus adverte o pastor

II. A mornidão de Laodicéia 

III. Causas da mornidão

IV. A misericórdia de Deus para com Laodicéia

Conclusão

 

Tema deste Subsídio

O Agape Cristão

 

Autor

Setor de Educação Cristã

 

Palavras-chave

Sinais; Volta de Cristo; esfriamento; amor

 

Gostaria de trazer à sua mente o texto de Apocalipse 3.15-17: “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu)”.

Mesmo pequena para a dinâmica urbana da época, Laodicéia logo se tornou um centro comercial que progredia intensamente. Rodeada de terras férteis tornou-se rica e orgulhosa a ponto de ― mesmo após ter sido destruída por um terremoto ― não aceitar a ajuda do Império Romano para sua reconstrução. Sabe-se que era também um centro bancário e de câmbio.

A mensagem de Jesus para àquelas sete igrejas da Ásia foi confrontadora e terapêutica. Em quase todas as cartas de João, Jesus expõe os erros das igrejas, fazendo cair as máscaras que as faziam esconder verdades sobre as suas vidas.

Nos seres humanos, a personalidade, do ponto de vista da psicologia, é como uma máscara usada pelo indivíduo para se apresentar à sociedade. Cada um tem um caráter que norteia o seu senso de moralidade, além do temperamento geneticamente herdado, o que interfere na auto-estima, na maneira de ver a si mesmo, de valorizar-se ou desvalorizar-se, de compreender-se, etc.

Essas forças fazem o ser humano vestir as suas máscaras para interagir, se relacionar, viver a cada dia. Porém, Cristo nos chama a dialogarmos sobre a verdade que se esconde além das máscaras. Nicodemos, por exemplo, se apresentou a Jesus e mostrou-se externamente. Revelou certa humildade, interessou-se pelo fato de Jesus ser um Mestre e o elogiou. O senhor, entretanto, não se relaciona conosco de forma cerimonial; antes, leva-nos a olhar para a verdade em nossas vidas.

Jesus levou Nicodemos a refletir sobre seu próprio mal... e o tratou no íntimo, apresentando-lhe a cura. Algo parecido ocorre quando Jesus se dirige às sete igrejas da Ásia.

O Senhor trata com cada igreja além de suas máscaras, aparências, formas externas, aplausos e fama. Fala aos corações, às almas, onde está a verdade sobre cada um de nós, pois é aí que Cristo quer fazer uma “revolução”, e não em nossos templos.

No versículo 15 do texto em apreço, Jesus fala sobre a responsabilidade de uma igreja ser quente, fria ou norma. E isso tem sido visto, ao longo de anos, erroneamente, como uma simples apresentação de três diferentes níveis de espiritualidade. Porém, se fizermos uma cuidada análise, veremos que o assunto tratado é a funcionalidade da igreja, o seu modus operandi, o que ela faz, baseada em quem reconhece ser.

É interessante que o Mestre, ao pregar, não somente ia ao mais profundo dos que o ouviam; Ele também olhava ao seu redor, levando em conta o contexto, e utilizava o ambiente para ilustrar as suas mensagens, trazendo à mente elementos do dia-a-dia do povo, como no caso das parábolas.

Ao escrever à Laodicéia, Jesus empregou o mesmo método. Para os habitantes daquela cidade, comparações e analogias os fariam visualizar de forma mais profunda o que ele queria transmitir. Apesar de ser rica e possuir terras férteis ao seu redor, além de um dinâmico comércio e uma posição privilegiada no sentido financeiro, tal cidade perdia para as suas vizinhanças em outras áreas. Não havia nela suprimentos de água; esta vinha de uma fonte que ficava a certa distância e, provavelmente, chegava a seu destino morna, através de pequenos canos de barro.

É preciso lembrar, ainda, que essa cidade localizava-se entre outras duas grandes conhecidas cidades da região ― ao norte, Hierápolis; e ao sul Colossos. A primeira era conhecida em toda aquela área por suas fontes de águas quentes, sobre as quais se dizia possuírem poderes medicinais e terapêuticos, usadas por pessoas com problemas ósseos, reumáticos, respiratórios e tantos outros. Era um lugar de cura e terapia do corpo.

Colossos, ao sul, era ainda mais conhecida, pelas suas fontes de águas frias, uma espécie de oásis no verão, para onde as multidões afluíam. Segundo Orgeon, à entrada da cidade havia uma inscrição com os dizeres: “Lugar de Refrigério”.

O Senhor Jesus afirmou àquela igreja, em Laodicéia, que desejava que realmente fosse quente ou fria. Não há indícios para crermos que fosse uma expressão de ironia, mas, sim, um desejo sincero do Senhor. Imagine os cristãos pegando a água que caía de uma bica advinda dos canos esquentados pelo sol! “Quem dera essa água fosse fria como a de Colossos!” ― deviam exclamar. Em outro momento, alguém, sofrendo de dores nas juntas, exclamava: “Quem dera ter as águas quentes de Hierápolis!”

... Quando o Senhor afirmou à igreja: “que nem és frio nem quente”, poderíamos, portanto, parafrasear: “Que nem possuis função de trazer refrigério às vidas que te procuram, como as águas frias de Colossos; como também perdeste a função terapêutica de trazer alívio aos aflitos, à semelhança das águas quentes de Hierápolis. Como és morna, (e águas mornas não possuem função) estou a ponto de vomitar-te da minha boca.”

A funcionalidade da Igreja, sua missão, chamada para fazer a diferença na terra, constantemente foi um dos assuntos mais enfáticos nas parábolas de Jesus. Ele revelou-nos seu descontentamento com uma figueira que não cumpria sua função: achou nela somente folhas. Figueiras devem produzir figos.

Não adiante acender uma candeia e coloca-la debaixo de um caixote, pois sua função de iluminar não seria alcançada. Ao tornar-se insípido o sal, para nada mais presta, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.

Não fomos chamados apenas para salvação, mas também para o serviço. Não é suficiente sermos crentes, é preciso iluminar e salgar. Não basta viver, é necessário cumprir a missão.

LIDÓRIO, Ronaldo. Restaurando o Ardor Missionário. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 18-26.

 

 

 


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