|
Leitura Bíblica em Classe
Gl 1.8-10; 1 Pe 1.13-16
Esboço da Lição
Introdução
I. Inovações doutrinárias
II. Inovações e modismos ministeriais
III. Inovações litúrgicas
Conclusão
Tema deste Subsídio
As Sutilezas de Satanás nos Fins dos Tempos
Autor
Esequias Soares
Palavras-Chave
Heresias, inovações, falsos
mestres, discernimento, dons espirituais
Sutileza é a arte do engano e do
disfarce. As sutilezas satânicas são tão antigas quanto à
humanidade. A Bíblia revela esses ardis desde o Éden e
mostra também continuidade dessas práticas até os fins dos
tempos. Seus representantes humanos são fundadores e líderes
de seitas ou movimentos heterodoxos que destoam da ortodoxia
cristã na teologia e na ética. O senhor Jesus advertiu-nos
dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm
até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos
devoradores” (Mt 7.15). Trata-se de uma advertência para
cada cristão ser perspicaz e estar mais atento quanto à aparência
externa. O disfarce é ainda hoje uma poderosa arma satânica
usada contra o reino de Deus.
O QUE SIGNIFICA SUTILEZA?
Significado. Apalavra grega usada para sutileza é
απάτη (apate) e significa “engano,
ardil, sedução”; “fraude, truque, logro”. Aparece sete
vezes no Novo Testamento grego.
Traduzido na ARC, uma vez por
“sedução” (Mt 13.22). Cinco vezes por “engano” (Mt
4.19; Ef 4.22; 2 Ts 2.10; Hb 3.13; 2 Pe 2.13). Uma vez por
“sutileza” (Cl 2.18).
O verbo απατάω
(apatao), “enganar, burlar, induzir a erro”, aparece
apenas três no texto grego do Novo Testamento, traduzido na
ARC por “enganar” (Ef 5.6; 1 Tm 2.14; Tg 1.26).
Esses termos são usados, desde a
literatura grega profana, para referir-se a pessoas de conduta
enganosa e embusteira, de maneira a levar outras pessoas ao
engano.
Conexão. O substantivo tem conexão com a riqueza:
“a sedução das riquezas” (Mt 13.22), “e os enganos das
riquezas” (Mc 4.9); com a concupiscência: “que se corrompe pelas concupiscências do
engano” (Ef 4.22); com o pecado
“para que nenhum de vós se endureça pelo engano do
pecado” (Hb 3.13); com a injustiça:
“e com todo engano da injustiça” (2 Ts 2.10); com palavras
vãs: “Ninguém vos engane com palavras vãs” (Ef
5.6); com falsos mestres: “por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo
a tradição dos homens” (Cl 2.8). As conexões são todas
negativas e reprovadas pela Palavra de Deus.
Contexto. A abrangência de apate é ampla, mas o nosso enfoque restringe-se ao campo teológico
e como isso pode afetar negativamente a ortodoxia cristã.
Essas sutilezas consistem em negar os pontos cardeais da fé
cristã, por meio dos servos de Satanás, identificados na Bíblia
como “falsos apóstolos” e “obreiros fraudulentos”,
que se transfiguram em “ministros da justiça” (2 Co
11.13-15).
O disfarce consiste em sofismar a
verdade para que ela pareça mentira e a mentira verdade (Is
5.20).
A PERÍCIA DOS HERESIARCAS
Quem são eles e o que fazem? Os heresiarcas são fundadores e
líderes de seitas ou movimentos heterodoxos. Eles são contra
tudo aquilo que cremos e pregamos desde o princípio e
procuram contestar com argumentos ardilosos, sofismas e
persuasão. As principais doutrinas da teologia cristã: a Bíblia,
a doutrina de Deus, a identidade de Cristo e a sua obra, o
homem e o seu destino são os pontos mais atacados por tais líderes.
Esses pontos foram atacados desde a era apostólica.
As controvérsias do período da
patrística giravam em torno desses temas e tais ataques
continuam ainda hoje. Os heresiarcas estão a serviço de
Satanás para preparar seus discípulos para o combate ao
cristianismo bíblico. Seus argumentos são recursos retóricos
bem elaborados e persuasivos, para convencer o povo a crer num
Jesus estranho ao Novo Testamento (2 Co 11.3).
Suas estratégias. Sua especialidade é o disfarce. O Senhor Jesus nos
advertiu: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm
até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos
devoradores” (Mt 7.15).
Há os que estão entre nós,
como os líderes da Confissão Positiva e do G-12. Mesmo entre
os movimentos externos, há os que se parecem conosco no seu modus
vivendi e naquilo que pregam, como os movimentos unicistas.
Alguns desses líderes, como William Branham, que desenvolveu
um ministério de curas, estão entre os que Jesus mandou-nos
acautelar. Sua mensagem, vista de maneira superficial, também
parece bíblica.
São pessoas nocivas à fé cristã
e são mais perigosas do que os movimentos externos como as
testemunhas de Jeová, os mórmons, os espíritas entre outros
grupos religiosos. Embora haja entre os últimos o mesmo
modelo de disfarce, não estão em nosso meio. Essa parte do
Sermão do Monte mostra que nem sempre o sobrenatural por si só
é prova cabal de origem ortodoxa, nem de chancela divina, e
nem garante que os tais ministros das operações sejam homens
de Deus (Mt 7.23).
Os representantes de Janes e
Jambres estão presentes ao longo da história do povo de Deus
(Ex 7.11; 2 Tm 3.8). Eles, em muitas situações, preocupam-se
muito com a aparência, pois costumam apresentar seu movimento
religioso como paraíso perfeito. Isso é o que se vê nas
propagandas proselitistas... Infelizmente, muitos desavisados
são os que caem nessas armadilhas. Uma vez fisgado por eles
dificilmente conseguem libertar-se, uns por causa da lavagem
cerebral que recebem, outros por causa do terrorismo psicológico
e da pressão que sofrem de seus líderes.
O apóstolo Paulo deixou Timóteo
em Éfeso para não permitir o ensino de “outra doutrina”.
O ensino apostólico é que nos afastemos dos que apresentam a
aparência de piedade (1 Tm 1.3; 2 Tm 3.5).
O DISCERNIMENTO ESPIRITUAL DO CRENTE
Discernimento é a habilidade
conferida pelo Espírito Santo ao cristão para distinguir o
real do aparente e a verdade da mentira. Há heresias e aberrações
doutrinárias internas, e doutrinas que se parecem cristãs.
Por meio de suas doutrinas é possível o cristão reconhecer
a fonte, mas, às vezes, são apresentadas de maneira tão
sutil, tornando impossível seu discernimento sem a ajuda do
Espírito Santo.
DEFININDO OS TERMOS
Discernimento. Do grego
διάκρισις (diakrisis), “distinção, disputa, interpretação”. Aparece
apenas três vezes no Novo Testamento (Rm 14.1; 1 Co 12.10; Hb
5.14).
Com o sentido de contenda,
disputa (Rm 14.1), capacidade de escolher entre o bem e o mal,
em virtude do crescimento espiritual (Hb 5.14), e capacidade
sobrenatural para distinguir a fonte da manifestação
espiritual, se é de fato do Espírito Santo, ou espírito
estranho, demônio, ou, ainda, se é, simplesmente, um espírito
humano (1 Co 12.10).
Sinais e prodígios. O discernimento espiritual
permite ao cristão identificar a fonte das operações de
maravilhas ou os supostos milagres (Dt 13.1-3). A palavra
hebraicaאוח ('ôth),
traduzida, aqui, por “sinal”, é termo genérico que
significa: “sinal, marca, insígnia, indício, estandarte,
sinal miraculoso, prova, advertência”. Quando o sentido é
de sinais miraculosos, 'ôth
vem geralmente acompanhado do termo hebraico מופח (môpheth),
“maravilha, milagre, sinal, feito” (Ex 7.3; Dt 4.34;
6.22).
A
Septuaginta usa o termo grego σημεîον
(semeion), “nota característica, sinal que prediz, milagre
que dá testemunho” para os milagres operados por Jesus (At
2.22). À luz do texto sagrado, é perfeitamente possível
alguém manifestar tais sinais e maravilhas sem ser enviado
por Deus.
Espírito de adivinhação. Adivinhação consiste na revelação de segredos do
passado, do presente e do futuro. Essa prática associa-se à
feitiçaria, que é o intento de usar poderes do mundo
espiritual para influenciar as pessoas ou até eventos, como mágico
num circo (At 16.16-19).
A palavra
grega usada para “adivinhação” é
πύθων (python),
“adivinho, ventríloco (sic),
píton”, nome de um dragão, que, segundo a mitologia clássica,
era guardião do templo de Apolo e o oráculo de Delfos, no
monte Parnasso (sic). Acreditava-se Apolo se encarnava nessa serpente para inspirar
as pitonisas. Na época dos apóstolos, píton era um ventíloco
(sic), no grego
εγγαστρίμυθος
(engastimythos),
“ventriloquismo, espírito familiar”, a mesma palavra
usada na Septuaginta para a pitonisa de Saul (1 Sm 28.7).
AS ARMAS ESPIRITUAIS
Sentidos aguçados. O Senhor Jesus colocou à disposição de cada
crente as condições necessárias, habilitando-o, para fazer
a obra de Deus. Ele disse: “Eis que vos envio como ovelhas
ao meio de lobos” (Mt 10.16) e para isso nos equipou com
armas espirituais de defesa e de ataque ao reino das trevas. O
discernimento espiritual é importante arma do arsenal do Espírito
Santo (2 Co 10.3-5).
O dom do Espírito Santo. A experiência pentecostal é
intimidade com o Espírito Santo. O Senhor Jesus proveu sua
igreja com os dons espirituais, como recursos, para que
possamos realizar as obras de Deus. O discernimento de espíritos
é um dos dons espirituais.
Não confundir com telepatia, nem
com a arte de ler a mente de outras pessoas e, muito menos, de
“detetives espirituais”. Não é monopólio de nenhum
crente, é dado à igreja, conforme a vontade do Espírito
Santo “repartindo a cada um como quer” (1 Co 12.11) e
“para o que for útil” (1 Co 12.7).
A área de atuação na vida
cristã é muito abrangente. Muitos pensam que o dom é
restrito às profecias. Apesar de aparecer logo em seguida do
dom de profecia e da exortação paulina: “E falem dois ou
três profetas, e os outros julguem” (1 Co 14.29), discernir
os espíritos, no contexto do Novo Testamento, abrange muitos
aspectos da vida cristã. A advertência do apóstolo João:
“Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os
espíritos são de Deus” (1 Jo 4.1) serve para confirmar
essa abrangência.
Visto que as manifestações
podem vir de três fontes: Deus, Satanás e do próprio homem,
o Senhor conferiu à sua igreja a capacidade de identificar
essas fontes com o dom de discernir os espíritos. É correto,
pois, afirmar ser esse dom a capacidade dada ao crente pelo
Espírito Santo para discernir com segurança a origem ou a
fonte da manifestação do sobrenatural, na vida de uma
determinada pessoa, de modo que não seria possível por
outros meios.
Discernimento apostólico (v. 18). Há duas maneiras práticas
para discernir a fonte da mensagem ou dos milagres: pelo conteúdo
doutrinário (Hb 5.14; 1 Jo 4.1) ou pela revelação do Espírito
Santo (At 5.1-5). O apóstolo Pedro não teria como saber o
propósito de Ananias e Safira sem a intervenção do Espírito
de Deus. Em Filipos, diz o texto sagrado, “isto fez ele por
muitos dias” (v. 18), e o elogio: “Estes homens, que nos
anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo”
(v. 17). Isso parece mostrar que o discernimento foi tanto
pelo conteúdo doutrinário como também pela revelação do
Espírito Santo.
AS ASTÚCIAS MALIGNAS
Uma mensagem embaraçosa. A jovem estava possessa, tomada
pelo espírito das trevas, logo a mensagem não vinha dela,
mas do espírito que a oprimia. Satanás é o pai da mentira
(Jo 8.44) e o principal opositor da obra de Deus (At 13.10).
Vendo pela ótica humana, dificilmente, alguém recusaria um
elogio dessa maneira. Satanás age, muitas vezes, de maneira
sutil, que não é possível detectar apenas com os recursos
dos órgãos sensoriais.
O simples fato de uma profecia ou
previsão cumprir-se, ou mesmo de uma operação de maravilhas
ocorrer, não são suficientes para reconhecer a legitimidade
dessas manifestações, e nem saber a origem da mensagem ou do
mensageiro. Os magos do Egito imitaram a Moisés diante do
Faraó, (Ex 7.11,22; 8.7). Jesus advertiu afirmando que o
anticristo virá fazendo sinais, prodígios e maravilhas (Mt
24.4). O apóstolo Paulo afirma que os falsos profetas e os
obreiros fraudulentos transfiguram-se em apóstolos de Cristo,
e Satanás, em anjo de luz (2 Co 11.13-15). Em Apocalipse
13.2-4, lemos que a besta será adorada e admirada por todos
os moradores da terra em virtude dos seus sinais
sobrenaturais.
Não é somente a operação de
maravilhas que vai autenticar a manifestação. A chave
principal para descobrir se é de Deus é saber se está de
acordo com a Palavra de Deus. Mas, como nem só de teologia
vive o cristão, é necessária a comunhão com o Espírito
Santo, pois a vida cristã apresenta seu lado prático. O apóstolo
Paulo era teólogo por excelência, profundo conhecedor da
Palavra de Deus, mas, no exercício do seu ministério, o Espírito
Santo estava sempre atuante. A adivinha falava a verdade:
Paulo e Silas eram servos do Deus Altíssimo, anunciavam aos
homens a salvação. Só com os recursos espirituais é possível
identificar esse paradoxo, de fonte estranha vir mensagem
verdadeira.
Qual a intenção do espírito de adivinhação? Por
que, então, o espírito adivinho elogiou os dois mensageiros
de Deus ao declará-los como anunciadores do caminho da salvação
e “servos do Deus Altíssimo”? Porque era uma estratégia
demoníaca para confundir o povo. O propósito diabólico era
transmitir ao povo a falsa imagem de que a mensagem que Paulo
e Silas pregavam seriam a mesma da jovem adivinhadora. Ainda
hoje, Satanás usa essa estratégia para fazer o povo
acreditar na falsa idéia de que todas as religiões levam a
Deus. Essa mensagem é, diametralmente, oposta à Bíblia;
Jesus é singular, o Cristianismo é exclusivo, somente Jesus
conduz o homem a Deus (Jo 14.6; At 4.12).
O perigo do elogio. Sem dúvida alguma, aquele espírito adivinho
esperava retribuição apostólica, ou seja, elogio
semelhante. Dificilmente, repreendemos aqueles que nos elogiam
ou falam bem de nós, ainda mais, quando o fazem em público.
Os agentes de Satanás fizeram o mesmo com o Senhor Jesus, mas
eles foram desmascarados (Lc 20.20-23)
DISCERNIMENTO
O falso e o verdadeiro. Deus deu a Israel profetas legítimos,
que falaram inspirados pelo Espírito Santo. Mesmo no reino
dos profetas, Deus permitiu o surgimento de falsos profetas (2
Pe 1.19-21; 2.1). Como identificar o falso do verdadeiro? O
texto sagrado diz: “Profeta ou sonhador... te der um sinal
ou prodígio” (Dt 13.1). Isso fala de sinais grandiosos, que
podem impressionar os incautos. O termo: “Vamos após outros
deuses” (Dt 13.2) mostra tratar-se de milagres estranhos.
Qualquer um, portanto, mesmo com o mínimo de discernimento,
tem condições de discernir a fonte desses aparentes
milagres.
Quem realmente experimentou o
poder de Deus na vida não pode ser levado por impostores.
Deus permite o sobrenatural de fontes estranhas para provar a
fé do crente e a experiência espiritual (Dt 13.3). O cristão
não deve ir atrás do sobrenatural e nem de vantagens, mas
ficar na Palavra.
A necessidade do discernimento.
... Jesus disse que o anticristo virá fazendo sinais, prodígios
e maravilhas, de maneira tal que, se possível, enganaria, até,
os escolhidos (Mt 24.24). Os agentes de Satanás
transformam-se em anjo de luz, e seus mensageiros, em
ministros de justiça (2 Co 11.13-15). O crente depende da
ajuda do Espírito Santo para discernir a verdade, e, para
isso, é necessário estar em comunhão com ele.
CONCLUSÃO
Essa experiência do apóstolo
Paulo é vista, ainda hoje, na vida da igreja. Longe de ser fé
teórica, a crença pentecostal é fundamentada na Palavra, e
cada crente vive essa experiência. O dom de discernir os espíritos
é um dos dons espirituais que continua sendo uma necessidade
indispensável para a igreja nos dias atuais, e não,
meramente, para os dias apostólicos. Se a igreja é a mesma,
se servimos ao mesmo Deus, se somos discípulos do mesmo Jesus
e vivemos na mesma dispensação, é óbvio que essas bênçãos
são para nossos dias. Basta descobrir a finalidade desses
dons para o cristão conscientizar-se dessa realidade. A bíblia
revela que os dons espirituais vão desaparecer na vinda de
Cristo (1 Co 13.8-10).
É dever do cristão não se
levar pela manifestação de sinais sobrenaturais sem ter
certeza de sua origem. Há quem defenda a ortodoxia cristã,
mas não tem qualidade ética, não vive o que prega e nem
prega o que vive. Por outro lado, há quem viva uma vida
exemplar, mas cuja doutrina é heresia. Que Deus nos abençoe
e ajude-nos.
SOARES,
Esequias. Heresias
e Modismos. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. pp. 25-31;
348-355.
|