Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição Tempos Trabalhosos


Lição 09 - A Tecnologia a Serviço do Mal



Leitura Bíblica em Classe

Daniel 12.4; Salmos 101.2-4; Deuteronômio 7.26


Esboço da Lição

Introdução

I. Mídia visual e seus programas perniciosos

II. A Internet e suas ameaças à família cristã

III. Vencendo o mau uso da tecnologia

Conclusão


Tema deste Subsídio

Testando o que Entra em Nossa Casa

Autor

Erwin W. Lutzer

Palavras- Chave

Entretenimento; discernimento; Palavra de Deus; remir o tempo; Disponibilidade ao Senhor e sua obra.

 

TESTANDO O QUE ENTRA EM NOSSA CASA

Quanto de Hollywood devemos permitir que entre em nossa casa? E como orientar nossos filhos para que façam um sulco reto em um mundo torto? Vou lhe apresentar três testes que nos ajudam a decidir o que é e o que não é apropriado. Todo material que passar por estes três testes tem a permissão de entrar confiadamente em nossa casa.

Chegou a hora de tomar o remédio forte. Entretanto, o remédio, se é assim que o chamamos, vem diretamente da Bíblia. Não temos o direito de nos acomodar ao espírito deste século, se queremos que esta oração seja respondida para nós e nossas famílias: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda do Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Ts 5.23,24).

É muita hipocrisia a pessoa rir de algo que Deus odeia. É hipocrisia vermos e participarmos do que aflige nosso Senhor. Ou aceitamos o padrão de Deus ou seremos engodados pelo poder sedutor do mundo.

O teste do conteúdo

Nosso primeiro teste é o do conteúdo. Devemos perguntar se o filme, a música ou o material de Internet que entra em nossa casa agrada ao Senhor.

 

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre (1 Jo 2.15-17).

Tiago faz a mesma observação: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4). Apenas imagine: Se escolhemos o mundo como nosso amigo, tornamos Deus nosso inimigo. Todos os dias somos forçados a tomar partido.

Que mundo é este sobre o qual somos ativados a não amar?

Primeiramente, João se refere à “concupiscência da carne”, quer dizer, o desejo sexual proibido que abrange extensa gama de expressões: pornografia, adultério, homossexualidade, luxúria e coisas semelhantes.

Em segundo lugar, há “a concupiscência dos olhos”, que também inclui estímulos sexuais, mas no âmago desta expressão está a cobiça, quer dizer, o desejo do que não é nosso. A indústria da publicidade sabe que pode contar conosco para querermos o que os outros têm, por isso, tentam nos fazer sentir insatisfeitos com tudo, desde pastas de dentes a carro ─ tão descontentes que optamos pela outra marca anunciada.

E finalmente, há o orgulho, “a soberba da vida”, que pode ser definido por ocupação consigo mesmo. Amar o mundo é, em sua base, adorar o deus do ego, ou seja, nossa tendência de satisfazer desejos legítimos de modo errado. Quando o pecado assume o controle, a conseqüência é que a defesa própria e a satisfação das próprias esperanças por esforço pessoal se tornam nossas ocupações primárias.

O que Deus acha destas três expressões de nossa natureza caída? Falando de quem segue estes caminhos, João afirma: “... o amor do Pai não está nele”. Como citado acima, Tiago se expressa com mais força, dizendo que amar o mundo é tornar-se inimigo de Deus.

Todos já passamos pela experiência de assistir a um programa de televisão picante e, sendo sensíveis ao Espírito Santo, quase podemos sentir nosso amor por Deus se escoar de nossa alma. Sentimos aquela sensação interior de impureza, a certeza de que violamos o mais sublime desejo de Deus para nós. Pior, ficamos cônscios de que aquEle a quem amamos ficou triste conosco.

Por que o amor do mundo é tão sério? Se amamos o pecado, não amamos apenas o que Deus odeia, amamos o que pôs Jesus na cruz. Suponhamos que seu filho tenha sido assassinado; você guardaria a faca que o matou num estojo especial para ser admirada?

Perceba que Satanás está por trás desta agressão nos valores bíblicos. Estamos envolvidos em conflito satânico. Satanás não reage a explicações amáveis; ele não joga segundo as regras, portanto não se renderá sem luta. Ele quer reger este mundo e por isso o afogou em sensualidade e rebelião.

Quanto de Hollywood você deve deixar que entre em sua casa? Submeta o quesito ao teste do conteúdo: incita meus desejos inatos à concupiscência da carne, à concupiscência dos olhos e à soberba da vida? É este tipo de música ou filme a que eu assistiria se Jesus fosse meu convidado para jantar?

 

O teste do controle

Richard Price disse na revista Monvieline: “Há somente uma coisa mais poderosa que as drogas: o cinema”. Claro que se um filme passar no teste do conteúdo, será do tipo que podemos convidar para entrar em nossa casa. Mesmo assim, pode ter o potencial de controlar nossa vida e impedir nosso relacionamento com Deus.

Paulo propôs o teste do controle: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Co 6.12). Aparentemente, Paulo estava respondendo a um slogam que era usado para justificar certas práticas imorais; porém ele o modifica para dizer que mesmo que algo seja permissível, não o torna certo em si mesmo. Tudo que nos controla, é pecado. Existe uma forma de liberdade que é escravidão.

Como homens, temos dificuldades em dominar o controle remoto da televisão. Gostamos de ficar passeando pelos canais, e é extremamente freqüente nossos olhos focalizarem cenas sensuais. Gostamos de sentir que temos o controle do controle; podemos mudar para qualquer canal que quisermos! Veja como somos bons no controle remoto: podemos passar diretamente de um canal a outro apertando somente um botão! E assim ficamos contando mentiras para nós mesmos nas quais queremos acreditar.

Conheço homens que são vidrados em jogos; obcecados por futebol, vôlei, corrida de Fórmula 1, ou todos os três. Ainda que jogos esportivos passem no teste do conteúdo, o fato é que tal dedicação pode interferir na relação da pessoa com Deus. Richard Keyes tinha razão quando escreveu: “Um ídolo é algo na criação que se mostra maior para funcionar como substituto de Deus. Todos os tipos de coisas são ídolos em potencial. [...] Um ídolo pode ser um objeto físico, uma propriedade, uma pessoa, uma atividade, um papel, uma instituição, uma esperança, uma imagem, uma idéia, um prazer, um herói”.

Se definirmos idolatria como algo que nos dá mais satisfação que Deus, todos somos idólatras de uma maneira ou de outra. E é esta idolatria que Deus odeia; o Senhor não quer nada maior em nossa vida que não seja Ele. Quando estamos envolvidos em muitos entretenimentos, ainda que sejam bons, temos menos tempo para nos concentrar em coisas que são mais importantes. Deus se entristece quando não achamos que ele está satisfazendo.

Se você acha que tem controle sobre a televisão, prove, ficando uma semana sem assistir nenhum programa. Você pode ficar em dia com as notícias lendo jornal e ouvindo o rádio. O fato é que a televisão faz tamanha parte de nossa vida que muitos acham difícil deixar de vê-la, mesmo por pouco tempo. Não sabemos que somos viciados até que tentemos mantê-la desligada. Não é de admirar que um amigo meu resolveu cortar o fio elétrico da televisão, sabendo que esta era a única chance de acabar com sua fascinação pelo “monstro caolho”.

Respondamos esta pergunta com franqueza: Temos o controle do entretenimento que permitimos em nossa vida? Ou somos impulsionados - talvez obcecados - pela necessidade de cinema música ou a Internet? Até o bom pode ser inimigo do ótimo.

 

O teste do relógio

Qual é o teste do relógio? “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus” (Ef 5.15,16). Suponha que um filme passe no teste do conteúdo e no teste do controle, ainda ssim talvez não estejamos livres para desfrutá-lo.

Quando Paulo declara que devemos remir o tempo, quis dizer que precisamos aproveitar as oportunidades. Há tantas ocupações que demandam nosso tempo hoje em dia, que necessitamos arranjar tempo para as coisas que importam a Deus.

Muitos anos atrás, quando minha esposa e eu estávamos na Europa Oriental, as pessoas tinham de ficar na fila uma hora para comprar comida - talvez mais uma hora para comprar carne, e outra para comprar pão, e assim por diante. No total, diziam-nos que a família comum sempre tinha alguém na fila por aproximadamente três horas por dia somente para comprar o básico. Alguns cristãos nos falavam que éramos muito abençoados, porque vivíamos nos Estados Unidos, onde havia muito mais tempo para orar e servir a Deus!

No entanto, não é bem assim. Minha experiência é que a tecnologia não nos deu mais tempo para servir a Deus, pois quanto mais tempo temos, mais “coisas” colocamos nos espaços vazios. Infelizmente, desenvolver nosso relacionamento com Deus e seu povo é freqüentemente marginalizado, pouco importando quanto tempo esta sociedade de alta tecnologia nos oferece.

Façamos algumas perguntas difíceis: Estamos satisfeitos com a maneira como passamos nosso tempo no ano passado? Avaliemos o retorno de nosso investimento pelo número de horas que passamos sentados em frente à televisão durante os últimos doze meses. O tempo gasto nos fez uma pessoa melhor? Melhorou nosso caráter? Imagine o que seríamos se tivéssemos passado todo esse tempo, digamos, lendo a Bíblia e envolvendo-se com as necessidades de nossa comunidade!

É muito dolorosa a forma como os aposentados passam seus últimos dias. Conheço muitos que ficam sentados diante da televisão, dia após dia, ano após ano. Um homem, cansado da televisão, decidiu que gostaria de fazer algo para Jesus antes de morrer. Obteve uma lista de missionários de sua igreja e escreveu cartas pessoais a setenta missionários. Ele se manteve em contato com cada um, orou por eles e passou seus últimos anos de maneira proveitosa.

Lembremos que o Senhor não dirá: “Bem está, servo bom e fiel, pois passaste 5.312 horas assistindo à televisão!” Temos apenas um lance na vida; quando uma hora passa, nunca mais podemos reavê-la. Devemos perguntar: Como quero passar os poucos e curtos anos e horas neste planeta, sabendo que terei de prestar contas a nosso Senhor?

Com estas perguntas em mente, estamos em melhor posição para decidir quanto de Hollywood devemos permitir que entre em nossa casa.

Extraído de:

LUTZER, Erwin W. Quem é Você Para Julgar? Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.143-150.
 

 


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