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Leitura
Bíblica em Classe
At 4.1-4
Esboço da
Lição
Introdução
I.
A perseguição religiosa
II.
A perseguição teológica
III.
A perseguição político-ideológica
IV.
A perseguição legal
V.
A
perseguição cultural
Conclusão
Tema
deste Subsídio
Maior é o que está em nós!
Autor
Luiz Werneck
Palavras-
Chave
Morte; ressurreição e
arrebatamento; perseguição satânica; vitória de Cristo e
da Igreja; soberania de Deus.
Considerações
hermenêuticas
O
termo empregado por Jesus em Mateus 16.18, tem o seu uso mais
comumente no plural e significa os portões de uma cidade,
embora apareça nos escritores trágicos com o significado de
porta de casa (thira).
Também tem um sentido mais lato e abrangente, cuja acepção
pode indicar qualquer entrada ou abertura, mesmo as fendas nas
rochas. Os portões do Hades
é um eufemismo largamente comum para referir-se ao submundo,
o reino dos mortos.
A
Septuaginta ─ que é a versão da Bíblia hebraica para
o grego ─ verte sã’ar por pyle, que
significa tanto os portões da morte (Jó 38.17; Sl 107.18), do Sheol (Is
38.10) e do céu (Gn 28.17). Pyle
é empregado com respeito às portas do Hades.
A figura de linguagem alude à idéia antiga, geralmente
aceita, de que o submundo era protegido por portões fortes
que impediam o escape e barravam o acesso a invasores. Jesus
referiu-se, metaforicamente, a estas portas que conduzem a
destinos diferentes (Mt 7.13,14; Lc 13.22-24).
O
contexto da passagem observada indica que Jesus fazia menção
à sua morte voluntária e substitutiva (16.21-23), assim
como, por sua causa, a morte que vitimaria a muitos de
seguidores, (16.24-28), como consta nos anais da história
eclesiástica. Cristo, portanto, assegurou aos salvos que sua
obra redentiva garantiria a ressurreição do corpo e a vitória
sobre a morte, conforme o apóstolo Paulo posteriormente
diria: “Porque
estou certo de que nem a morte,
nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as
potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a
profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso
Senhor!” (Rm 8.38,39, grifos acrescentados).
É
sabido que os crentes primitivos esperaram o Senhor Jesus
Cristo para o seu tempo; pensavam, quando receberam o
evangelho, que a sua vinda seria tão célere que nem
provariam a morte. Frustradas as suas expectativas, indagavam
quanto à esperança futura e a condição dos irmãos
falecidos. A impressionante ignorância dos tessalonicenses
quanto a essa doutrina fundamental fez com que o Espírito
Santo suscitasse da lavra de Paulo a sua primeira epístola
que lhes fora destinada, a fim de que não se entristecessem
“como os demais, que não têm esperança” (v. 13). Paulo
os garantiu que, ao toque da trombeta, “os que morreram em
Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos
vivos, seremos arrebatados, juntamente com eles nas nuvens, a
encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o
Senhor” (4.16,17; ver 1 Co 15; Fp 3.20,21).
Conquanto
Jesus não tenha alargado o assunto ─ pois tratava da
morte como algo que não nos deveria preocupar (cf. Hb 2.14;
Ap 1.17,18) ─ podemos, asseguradamente, inferir que as
portas do inferno também se referem aos ataques de Satanás
contra a Igreja de Cristo, em suas múltiplas facetas, no que
concordam grandes intérpretes, como Erasmo e Calvino.
Ressaltamos, no entanto, que o Hades
jamais foi o “quartel general” do Diabo, pois sequer lá
se encontra (cf. Ef 2.2; 6.12).
Sabemos
pela Palavra de Deus que as portas do inferno estão
arregimentadas contra a Igreja de Cristo com todas as suas
frentes desde o seu projeto embrionário. Satanás,
futilmente, tentou por diversas ocasiões destruí-la em seus
mais engendrados planos. Para tanto, perseguiu ferrenhamente o
povo hebreu desde os mais remotos tempos (Sl 124), tentando
invalidar a promessa feita ainda no Éden (Gn 3.15). Por ocasião
do nascimento de Jesus, incitou Herodes, em sua fúria tenaz,
para que matasse todos os meninos de Belém e de seus
contornos (Mt 2.16). Durante o ministério terreno de Jesus, o
Diabo o perturbou por inúmeras vezes (Mt 4.1-11; Lc 4.1-13.
Note o v. 13: “E, acabando o diabo a tentação, ausentou-se
dele por algum tempo”).
Após aquele episódio no deserto, o Maligno apareceria outras
inúmeras vezes, tencionado deter o Servo de Jeová em sua
missão, pois sabia que “para isto se manifestou o Filho de
Deus: para destruir as obras do diabo” (1 Jo 3.8).
Meios com os quais a antiga Serpente tentar sufocar a obra de Deus:
No
salmo segundo, que é um salmo profético e messiânico, temos
um quadro que descreve uma rebelião organizada “contra o
Senhor e contra o seu ungido” (v. 2), o que também se
estende à sua Igreja. Neste salmo, a revolta é mostrada mais
em sua esfera política e humana, sem nenhuma menção aos
poderes satânicos. Entretanto, o capítulo doze de Apocalipse
mostra-nos uma cena também de levante contra o Ungido do
Senhor, cujo articulador e executor é o próprio Diabo. Vemos
que os planos macabros das trevas podem ser executados por
homens por elas motivados. Vejamos alguns de seus artifícios:
·
Tentando
os crentes (Lc 22.31,32; 1 Ts 3.5; 1 Co 7.5; 2 Co 11.3; At 5.3). A
propósito, Tentador é um de seus nomes.
Lembremo-nos, todavia, que o
Senhor rogou por Pedro, como por certo rogou por Judas. A
diferença ficou na escolha de cada um, pois “não veio
sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus,
que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a
tentação dará também o escape, para que a possais
suportar” (1 Co 10.13);
·
Pondo
obstáculos à obra do Senhor (1 Ts 2.18; 3.5. Vede Dn 10.13,20,21; Zc 3.1);
·
Promovendo
o rancor entre os irmãos (2 Ts 2.10);
·
Confundindo
a verdade com o erro (2 Co 11.14,15; Mt 13.24-30, atenção aos versículos
25 e 28; At 16.1618; 1 Tm 4.1; Ap 2.20; Jo 8.44);
·
Incitando
levantes de ordem política, militar e social para prejuízo
da obra
do Senhor (At
4.13-27; Ap 2.10; 16.14).
A
soberania de Deus
Diante
do exposto, devemos repousar na promessa que nos deu o Senhor:
“Eis que vos dou poder
para pisar serpentes, e escorpiões, e toda
a força do Inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc
10.19, grifos acrescentados).
Embora
a Bíblia apresente a existência de Satanás e suas
artimanhas, de modo algum desenvolve um pensamento dualista,
ou dá margem para pensarmos este assunto como sendo uma
guerra entre titãs. O Maligno é o arquiinimigo de Jeová,
entretanto, não representa ameaça a Ele; para que Satanás
estremeça (Tg 2.19), basta ao Senhor ordenar a um de seus
anjos, não precisando intervir diretamente (Jd v. 9; Ap
12.7,8). O Senhor, por questões que cabem à sua soberania,
lhe permite a ação, restringindo-lhe no entanto os limites (Jó
1.12; 2.6). Também é verdade que os próprios ardis do Diabo
podem vir a colaborar com os eternos propósitos do Senhor,
tais como:
·
Desenvolver
o caráter cristão (Lc 22.31,32; Pe 1.6,7);
·
Permitir
que saíamos vencedores e o nome de Cristo seja exaltado
(Jó 1.2; 1 Jo 2.13);
·
Permitir
a atividade dos demônios para punir as pessoas por seus
pecados
(1 Sm 16.14-16,23; 18.10; 19.9; 1 Rs 22.21-23).
A
soberania divina não nos deve levar a ignorar os ardis do
Diabo (2 Co 2.11), pois estamos alistados nas fileiras do exército
de Deus (Ef 6.11,12), e temos um inimigo pronto a nos tragar
(1 Pe 5.8). Contudo, se nos sujeitarmos ao Senhor e
resistirmos ao Adversário na fé, “ele fugirá” de nós (Tg
4.7). O Senhor, nosso Deus, está no controle de tudo, Ele
diz: “Ainda antes que houvesse
dia, eu sou; e ninguém há
que possa fazer escapar das minhas mãos;
operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13, grifo
acrescentado). Façamos então a sua obra com destemor
“...porque maior é o que está em vós do que o que está
no mundo” (1 Jo 4.4).
O
juízo de Satanás já
está decretado: “o príncipe deste mundo já está
julgado” (Jo 16.11). Sua carreira está em decesso, por fim
ele será lançado no lago de fogo (Ap 20.10; Mt 25.41).
Cristo o derrotou no calvário: “e, despojando os
principados e as potestades, publicamente os expôs ao
desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.15).
Cristo
Jesus triunfou sobre o Diabo e suas hostes, e por intermédio
de seu poder “sempre nos conduz em triunfo” (2 Co 2.14).
Triunfo, do gr. thriambos,
era, dentre outras coisas, um cortejo militar, onde os
generais exibiam cativos os seus presos, dentre eles os
poderosos, mostrando assim que os havia derrotado. Cristo
triunfou! Aleluia! Há, para os santos, uma sublime promessa:
“E o Deus da paz, em
breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça
de nosso Senhor Jesus seja convosco” (Rm 16.20, grifo
acrescentado). Amém!
Para
se aprofundar no assunto, leia
As portas do inferno não prevalecerão, de D.
James Kennedy, CPAD.
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