Lições Bíblicas para Jovens e Adultos
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição Tempos Trabalhosos


Lição 05 - Os perigos da Teoria da Evolução



Leitura Bíblica em Classe

Gênesis 1.11,12,20,21,24,27


Esboço da Lição

Introdução

I. A origem da vida

II. Origem dos seres vivos

III. O que diz a verdadeira ciência

IV. A origem do homem

Conclusão


Tema deste Subsídio

O  Perigo da Relativização da Doutrina da Criação

Autor

César Moisés Carvalho

Palavras- Chave

Criacionismo; Evolucionismo; Ciência; Intelligent Design.

 

O Perigo da relativização da Doutrina da Criação*

Há alguns dias, desde que conversei com um obreiro estudante de Teologia, tenho estado preocupado. O companheiro estava convencido de que a Bíblia não é inerrante e possui inúmeras incoerências, principalmente no campo científico. O problema, segundo ele, é que nós, obreiros, somos muito “cabeças fechadas” e “bairristas”, e adotamos uma visão ultrapassada do criacionismo. Disse a ele que tivesse muito cuidado com a teologia liberal, pois é ela quem propugna, entre outras, a Bíblia como um livro mitológico, que serve simplesmente para axiologia, não tendo, portanto, nenhuma inspiração plenária e verbal, e isso com vistas a “adaptar a fé cristã às correntes do pensamento moderno à parte de Deus”.1 

Alguns cristãos, em vez de procurarem instituições sérias, têm estudado Teologia em seminários, faculdades e instituições sem nenhum compromisso com a sã doutrina. O perigo disso é que muitos se “encantam” e se “apaixonam” pelo suposto método científico e filosófico do questionamento desmedido da chamada Alta Crítica ou da dialética. Como resultado, infelizmente, a maioria, depois que passa a estudar nessas instituições, parece ter “reinventado a roda”, arrogam para si certa intelectualidade e caem na falácia de que não há nenhum problema em a Bíblia ser a verdade, uma vez que ela seja coerente com a ciência.

Devido ao fato de não possuir conhecimento das limitações da ciência, passam a achar que a linguagem bíblica é muito simplista e que, agora sim, encontraram uma forma realmente eficaz e “racional” de interpretar a Bíblia. Quando em filosofia eles discutem sobre a arque2, é apresentado aos estudantes um dos exercícios da filosofia, a lógica, por exemplo. Alguns afirmam que ela é inquestionável, pelo fato de ser uma “coerência de raciocínio, de idéias”. Mas devemos nos lembrar que ela se baseia em premissas. Logo, se as premissas não forem corretas, o resultado também não será correto.3 Ou seja, é preciso entender que essas instituições teológicas estão tratando de “declarações filosóficas como se fossem ciência”.4

O eminente apologista cristão Norman Geisler, escrevendo sobre os perigos da utilização da filosofia como instrumento de interpretação, mormente para os exegetas, assim se expressa: “Embora os evangélicos não tenham aceito o naturalismo metafísico de Spinoza e Hume, nem por isso deixaram de ser acossados pela descendência daqueles: o naturalismo metodológico tanto na ciência (através do evolucionismo teístico) quanto na crítica bíblica. Neste último caso, o naturalismo tem sido ingerido principalmente através de metodologias tais como a crítica da redação, que toma por certo um desenvolvimento literário gradual do texto”.5 

O mais grave é que, no afã de serem reconhecidas como científicas, essas instituições teológicas colocam em sua grade curricular o evolucionismo, ou algo equivalente, evidentemente que em uma forma disfarçada, conhecida como evolucionismo teístico, visando a harmonizar o criacionismo com o evolucionismo. Mas esse é um erro grotesco, pois ter uma visão demiurga de Deus, dizendo que Ele simplesmente organizou o universo com a matéria preexistente (ou seja, o criou ex materia) é reduzi-lo a um sofisma grego. Esse é um erro sutil que muitos educadores cristãos estão cometendo. Depois de serem engodados pelos colegas de profissão, acabam transigindo da visão teísta do cristianismo, que assevera que Deus é onipotente. Norman Geisler, afirma sobre isso: “Os danos feitos pelo darwinismo no âmbito da teologia têm sido indesejáveis. Sem dúvida, alguns estudiosos têm procurado, com bravura, mas também com futilidade, reconciliar o evolucionismo e as Escrituras; (...), mas só conseguiram violar o método gramático-histórico e, inconscientemente, subverter tanto a dignidade humana quanto a ortodoxia teológica”.6

Intelligent Design é criacionismo?

Outro movimento que tem ganhado popularidade, e muitos teólogos acreditam que seja uma corrente do criacionismo é o Intelligent Design (Planejamento Inteligente). Mas a prova de que ele nada mais é que um eufemismo para colocar em xeque o criacionismo é o que disse um dos principais proponentes do movimento, em um livro de publicação adventista, organizado por Michelson Borges, onde entrevista Michael Behe, professor de Bioquímica na Universidade Lehigh. Borges, ao fazer a Behe a pergunta “Pode-se aceitar a teoria do Intelligent Design como puramente científica, sem apelar para a religião?”, obteve a seguinte resposta: “Sim, o Intelligent Design pode ser uma teoria puramente científica, porque está totalmente baseada em evidência física ¾ a estrutura de sistemas celulares. Não se baseia em argumentos filosóficos, teológicos ou bíblicos, mas em evidência física”.7

O próprio organizador do livro diz, na introdução da obra, que todos os outros onze pesquisadores (entrevistados por ele) são brasileiros e criacionistas, com “exceção do bioquímico Michael Behe que é norte-americano e não é criacionista”.8 Na continuidade da resposta à indagação de Michelson Borges, Michael Behe complementa: “Uma analogia que eu gosto de traçar é com a Física: muitos físicos estavam infelizes com a idéia do Big Bang porque parecia ter implicações teológicas óbvias. Todavia, os físicos a aceitaram como uma teoria científica legítima e trabalharam sobre ela. Vejo o Intelligent Design do mesmo modo: pode ter implicações religiosas, mas é uma teoria científica clara baseada apenas em observações de sistemas bioquímicos, e deveríamos aceitá-la e trabalhar a partir dela”.9 

Podemos ainda complementar com o que disse uma pesquisadora, também entrevistada, sobre o Intelligent Design: “(...) os adeptos da teoria do planejamento inteligente geralmente não especulam sobre a existência de um Criador ou Suas intenções”.10 Isso é, no mínimo, panteísmo. Pois admitir que o próprio universo tenha consciência para fazer um planejamento inteligente é uma idéia muito bizarra e absurda.

A sutileza com que é apresentada a teoria nos cursos faz com que os estudantes pensem em algo que se coadune à Bíblia, mas isso não é real. Nem é preciso dizer que esse ato é uma tentativa de acabar com a Palavra de Deus, pois as verdades e postulados científicos, como dizem os cientistas sérios, “não são verdades, elas ‘estão’ verdades”, ou seja, a cada avanço científico os dados mudam. Assim, cada vez que os postulados mudarem, será preciso mudar novamente o que diz a Bíblia para adequá-las aos mesmos. O que isso causa? Cada vez mais a descrença no que diz a Palavra de Deus.

Evolucionismo não é ciência

Em primeiro lugar, o que deve ficar claro é que o evolucionismo não é comprovado cientificamente. Além disso, o criacionismo não é uma teoria, e equiparar o criacionismo com o evolucionismo, em termos de discussão teórica, é rebaixar a verdade em detrimento da mentira. O evolucionismo ¾ tanto o darwinista quanto o teísta ¾ bem como o Intelligent Design são apenas teorias. O que é uma teoria? Nas palavras de Stephen Hawking, considerado o pai da cosmologia moderna, “a teoria é apenas um modelo do universo, ou parte restrita de seu todo; um conjunto de regras que referem quantidades do modelo a observações que possamos fazer. Ela existe apenas em nosso raciocínio e não apresenta qualquer outra realidade (seja lá o que isso signifique)”. Mais adiante ele arremata: “Qualquer teoria física é sempre provisória, no sentido de que não passa de uma hipótese: não pode ser comprovada jamais”.11 Se a física, que é um dos ramos da ciência onde se deposita mais credibilidade (até por ser mais facilmente observável), não pode ser irrestritamente aceita, que dirá uma teoria que, quando questionada sobre o porquê de o homem (e de toda a natureza), por exemplo, não continuar evoluindo nos dias atuais, alega que as mutações se deram imperceptivelmente, em saltos evolutivos de bilhões de anos!

É bom aqui fazer uma ressalva, valendo-se do que disse o grande pensador cristão Charles Colson: “O que precisamos evitar em tais situações [de confronto entre a Bíblia e a ciência] é a idéia errada de que o Cristianismo seja oposto à ciência. (...) Não devemos opor ciência com religião; devemos opor ciência de má qualidade com ciência de qualidade superior”.12 Essa é uma questão que os estudiosos precisam ter muito clara, a verdadeira ciência, nesse caso, as suas leis, que são realmente neutras, ou seja, não tendenciosa, quando aplicadas às teorias, revelam as verdades e as incoerências existente nas mesmas. O compromisso de muitos cientistas com o ateísmo ¾ transliterado no naturalismo ¾ é muito maior do que com o próprio método científico, e nisso reside o problema. O criacionismo, a despeito de muitos o refutarem como assunto metafísico e transcendental, tem sobrevivido às provas das leis científicas a que é submetido. Concluímos, então, que a “tarefa dos cristãos, pois, é clara: expor as falhas do naturalismo científico, que tem concedido à ciência a suprema autoridade intelectual. Precisamos fazê-lo, não porque somos contra a ciência, mas porque queremos reconduzi-la ao seu papel correto como meio de investigação do mundo que Deus criou para amenizar o sofrimento”.13

O que a Bíblia diz acerca de como o universo veio a existir deve ser suficiente para nós, pois querer explicar o fato incontestável da criação com a teoria do evolucionismo, tentando harmonizá-las, é um erro crasso e reflete compromisso com o espírito do Anticristo que já está em pleno desenvolvimento na pós-modernidade.

BIBLIOGRAFIA

* Artigo publicado na Revista Resposta Fiel, nº20, ano 5, jun/jul/ago/2006. pp.30-2.

1 Couto, Geremias do. Lições Bíblicas: E agora, como viveremos? 4º Trimestre de 2005, CPAD, p.45. 

2 [Do gr. Arché, ‘princípio’, ‘origem’.]. Segundo Aristóteles, princípio ou fonte ou causa.

3 Em sua obra Enciclopédia de Apologética, Geisler, demonstra um exemplo de silogismo infundado que é utilizado pelos críticos da criação ex nihilo (latim: “a partir do ou do nada”):

1.        Criar “de” [do] implica material preexistente.

2.        Mas a criação ex nihilo insiste em que não havia material preexistente.

3.        Logo, a criação ex nihilo é uma contradição.

GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. 1.ed. São Paulo: Vida, 2002, p.192.

4 COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000,p.503.

5 GEISLER, Norman. Artigo: A Sedução das Filosofias. Parte 1. Revista Resposta Fiel. Ano 3, nº9. Rio de Janeiro: CPAD, set/out/nov de 2003, p.28.

6 GEISLER, Norman. Artigo: A Sedução das Filosofias. Parte 1. Revista Resposta Fiel. Ano 3, nº9. Rio de Janeiro: CPAD, set/out/nov de 2003, p.30.

7 BORGES, Michelson. Por Que Creio. 2.ed. Tatuí: CASA, 2004, p.186. 

8 BORGES, Michelson. Por Que Creio. 2.ed. Tatuí: CASA, 2004,, p.17.

9 BORGES, Michelson. Por Que Creio. 2.ed. Tatuí: CASA, 2004, p.186.

10 PAULA, Márcia Oliveira in BORGES, Michelson. Por Que Creio. 2.ed. Tatuí: CASA, 2004, p.45. 

11 HAWKING, Stephen. Uma Breve História do Tempo. 21.ed. Rio de Janeiro: ROCCO, 1991, pp.28,29.

12 COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.87.

13 COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.496.

 


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